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Volta às aulas: o papel das crianças na transmissão do Coronavírus

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

A volta às aulas está próxima e muitos pais se mostram apreensivos quanto a ameaça de contágio pelo novo coronavírus que paira sobre seus filhos. De fato, no momento ninguém, não importa a idade, está livre disso. Contudo, convém saber que, no que diz respeito às crianças essa ameaça é muito menor que a imaginada 4 meses atrás. Hoje há evidências de que as crianças desempenham um papel menor na disseminação do vírus. Pelo contrário, ele se espalha principalmente entre adultos e de membros adultos da família para crianças. A disseminação da Covid-19 entre crianças ou de crianças para adultos é menos comum. Este post reproduz trechos de um outro, publicado na Espanha pelo site Newtral e de autoria de Irene Larraz. Nada nele é alheio à realidade brasileira no momento. 

“Nada na vida deve ser temido. É apenas para ser entendido.”

– Marie Curie

Por Irene Larraz
22 de junho de 2020

Se não houver mudanças, as crianças retornarão às salas de aula em setembro com medidas rigorosas para manter o coronavírus sob controle, enquanto a pesquisa continua a revelar dados sobre seu contágio. A ciência passou de suspeitar que menores poderiam ser supercontagiantes silenciosos e considerar que seu impacto é mínimo, embora ainda não haja consenso sobre isso.

“Vários artigos sobre Covid-19 e crianças e adolescentes apontam que elas se contagiam em menor grau que os adultos, que quando o fazem, seus sintomas e processos infecciosos são menos graves e que podem ter uma capacidade de contágio menor”.

Menos sintomas, menos transmissão?

Os autores desses estudos avisam, todavia, que não cabe pensar necessariamente que as crianças tenham menos poder para transmitir o vírus. Isso ainda não se sabe.

“O grande problema é que, como a maioria das crianças são assintomáticas, isso não motiva a busca proativa do diagnóstico – como é o caso dos adultos. Ter muco no nariz não é razão suficiente para uma criança procurar atendimento médico ou fazer o teste de diagnóstico, por isso temos um viés de detecção significativo: as crianças provavelmente são infectadas de maneira semelhante (aos adultos), mas, como não expressam a infecção clinicamente, estão sendo subdiagnosticadas. Isso não significa que elas estão menos infectadas, mas que estão infectadas de maneira diferente.”

Quique Bassat, pediatra e epidemiologista do Icrea, do Instituto de Saúde Global (ISGlobal).

Por exemplo, jovens com menos de 20 anos têm metade da probabilidade de serem infectados que os adultos, e os sintomas clínicos só se manifestam em 21%, de acordo com um estudo publicado na Nature abrangendo 6 países: China, Itália, Japão, Singapura, Canadá e África do Sul.  Mas os autores acreditam que, embora as crianças infectadas tenham menos probabilidade de desenvolver sintomas clínicos, “elas podem transmitir o vírus a outras pessoas”.

Para a pediatra e infectologista María José Mellado, presidente da Associação Espanhola de Pediatria (AEP), em condições normais as crianças têm menos capacidade do que os adultos para desenvolver a doença porque possuem menos receptores para o vírus na faringe, mas “quando estão os doentes espalham o vírus como os adultos”.

Um dos fatores principais é que as crianças tendem a fazer mais contatos sociais do que os adultos e, portanto, outros fatores constantes, elas devem contribuir mais para a transmissão do que os adultos, sugere o estudo da Nature. Quanto mais, não se sabe.

O grande desconhecido

Agora, os especialistas esperam que pesquisas ajudem a responder a seguinte pergunta: qual é a capacidade de transmissão das crianças?

O problema, é que é muito difícil responder isso em um contexto de baixa transmissão como o que existe agora, com as escolas recém abrindo. É necessário entender se os casos que aparecem nas escolas são dos adultos que trabalham lá ou vêm das crianças, mas ainda não há evidências claras, nem surtos de rebrota originados entre os menores que possam ser estudados.

As crianças não são supercontagiosas

As primeiras indicações sugeriram que as crianças poderiam ser supercontagiosas, transmitindo a doença sem ao menos mostrar sintomas. A ideia veio do pressuposto de que a Covid-19 poderia se comportar igual que outros vírus, como o da gripe. 

“No começo, como não sabíamos de nada, tivemos que assumir que (este vírus) se comportaria como os outros. Agora, continuamos a ter poucos dados confiáveis, mas não há surtos começando com uma criança, nem muitos casos de infecção em torno das crianças.”

Quique Bassat

Uma pesquisa inicial sobre transmissão em residências na China apontou que as crianças tinham um risco de infecção semelhante ao da população em geral, e por isso seus autores recomendaram levá-las em consideração ao tomar medidas de transmissão e controle.

Com o tempo, outras análises desmontaram essa ideia. Um estudo nos Alpes franceses acompanhou o caso de uma criança com Covid-19 que não havia infectado ninguém, apesar de estar em contato com mais de 100 crianças. Em outro estudo na Austrália, 863 contatos próximos de nove crianças e nove professores com Covid-19 em 15 escolas foram acompanhados para verificar se haviam desenvolvido anticorpos. Duas crianças foram infectadas, mas nenhuma evidência foi encontrada de que os alunos com Covid-19 infectassem colegas ou professores.

O Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC), por sua vez, concluiu em um relatório datado de 23 de abril que “a transmissão de crianças para adultos parece ser rara”, assim como um estudo da Holanda atualizado em 11 de junho, também concluiu que as crianças desempenham um papel menor na disseminação do novo coronavírus. “O vírus é transmitido principalmente entre adultos e de parentes adultos para crianças. A disseminação do vírus entre crianças ou de crianças para adultos é menos comum “, alerta.

O que os dados refletem

Até 29 de maio, na Espanha, 1.409 casos haviam sido notificados entre menores de 14 anos, dos quais 52 tiveram que ser tratados na UTI e três morreram, segundo dados do Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII ), o que coloca esses menores bem abaixo das taxas de adultos.

Um estudo de soroprevalência também encontrou menos anticorpos nas crianças mais jovens. Enquanto a média nacional espanhola foi de 5%, o grupo de 1 a 4 anos registrou apenas 2,4%, menos da metade. Algo semelhante aconteceu na cidade de Vo, na Itália, onde 86% de sua população foi testada após a primeira morte no final de fevereiro. Nenhuma criança com menos de 10 anos apresentou resultado positivo em comparação com 2,6% da população em geral.

Pode ser, então, que a Ministra da Educação da Espanha, Isabel Celaá, esteja certa ao repetir recentemente em várias entrevistas que “quanto mais jovem a criança, menor a chance de transmitir o vírus”. Contudo, sem se esquecer de alertar que “a literatura médica e científica a respeito ainda é limitada”.

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