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Volta às aulas, de novo

Volta às aulas, de novo

Um ano após as aulas presenciais serem suspensas em todos os países do Ocidente, o Brasil inclusive, chegou o momento de milhões de pais – além de proprietários e administradores de escolas, professores e sindicalistas do grêmio – revisitarem o dilema da volta às aulas. O de manter as crianças em casa ou aceitar o seu retorno à escola. Hoje, porém, sabe-se muito mais sobre o vírus e a Covid-19 do que há um ano: como isso deveria influenciar a decisão a tomar nesse momento? Esse post apresenta os argumentos a favor e contra a volta às aulas, na opinião de 175 pediatras especializados em saúde pública. E o consenso a que eles chegaram pode surpreender, ou até espantar, muita gente.

“A escola se parece muito com o papel higiênico. Você só sente falta quando acaba.”

Anônimo

Há 7 meses eu postei sobre o comparecimento às aulas, cogitado na época. E me posicionei contra, citando diversos estudos que pipocavam na Europa. Havia bons argumentos para supor que as crianças eram super-transmissoras do novo coronavírus e seria temerário, para elas, seus pais e professores, que se aglomerassem em estabelecimentos de ensino que nem protocolos de segurança anti-Covid-19 tinham.

Vivemos, atualmente no Brasil e noutros países (ex.: EUA, Canadá, Reino Unido, Suécia, Chile, Argentina), uma época parecida. Aqui e acolá os debates são intensos, e os desacordos entre as partes envolvidas – burocratas da educação, dirigentes de colégios e escolas, sindicatos de professores e funcionários, pais… – também.

Mas o quadro mudou. Não sei se decisivamente a favor da volta às aulas, mas que mudou, mudou. Vejamos,

“Escolas do Estado registraram 21 mortes e 4.084 casos de Covid-19 em um mês”, o dado foi divulgado pela Secretaria Estadual de Educação de São Paulo. Apenas 2 das 21 vítimas foram alunos. Nesse último grupo, prevalência de crianças já crescidas (15-19 anos).

Notícia boa ou ruim?

“A taxa de incidência notificada pelas escolas públicas e privadas foi 33 vezes menor do que a do Estado. Tal fato está em consonância com as evidências científicas que apontam que os números de contaminação relativos àqueles que frequentam o ambiente escolar são sempre inferiores aos da transmissão comunitária”, diz o boletim.

Então é boa. A notícia, quero dizer – apenas falando epidemiologicamente, claro, em respeito às duas famílias hoje enlutadas.

A previsão já fora insinuada em maio/2020, por uma pesquisa massiva realizada na Coréia do Sul. Os resultados desmentiram que o vírus tivesse particular entusiasmo em infectar crianças – uma crença popular na época. Eu, aliás, postei duas matérias a respeito. Apenas as “crianças” com idade de 15 anos, contaminariam e seriam contaminadas, mais ou menos como os adultos, o que já foi um alívio – as crianças abaixo dessa idade estariam protegidas ou algo assim. Nos 11 meses seguintes, o motivo para pensar positivamente sobre a volta às aulas, contudo, foi sendo outro: o impacto psicológico do confinamento, da perda do convívio social etc., sobre a psique infantil, tornou-se mais perigoso que uma pouco provável contaminação.

Nesse post eu vou resumir os argumentos a favor e contra a volta às aulas. Vou me apoiar numa turma poderosa: 175 pediatras – pesquisadores, clínicos, professores universitários, a maioria pediatras voltados para a saúde pública … – entrevistados por três jornalistas do The New York Times. Os seus argumentos são universais, plenamente pertinentes ao momento atual do Brasil.

O que dizem os que são contra a volta às aulas?

  • que as escolas abertas representam riscos, especialmente para os adultos que lá trabalham;
  • que muitas partes do país ainda não controlaram o vírus o suficiente para abrir com segurança;
  • que novas variantes do coronavírus possam atrapalhar os planos das escolas de inauguração nesta primavera ou outono.

E os que são a favor da volta às aulas?

A maioria dos seus argumentos devem ser avaliados contra o seguinte pano de fundo: muitas políticas escolares foram desenvolvidas no primeiro trimestre do ano passado, quando quase tudo o que convinha fazer em relação às aulas presenciais era especulativo. Atualmente, há evidências que convidam a repensar algumas das decisões tomadas na época. Vejamos,

  • As crianças menores de 12 anos não são grandes transmissoras do vírus e a Covid-19 não se espalha facilmente em escolas que adotam precauções básicas de segurança.
  • Entre 48% e 72% dizem que a extensão da disseminação do vírus em uma comunidade, antes tida como uma métrica essencial para abrir ou fechar escolas, não é um indicador importante para tomar essa decisão. As escolas devem fechar apenas quando houver casos de Covid-19 na própria escola, disse a maioria.
  • A desinfecção frequente de edifícios e superfícies, verificações de temperatura dos que ingressam na escola ou o uso de divisórias de acrílico, foram vistas como medidas muito menos importantes do que o uso de máscaras, por exemplo.
  • Além do uso de máscara, ainda são necessários o distanciamento físico, a ventilação adequada e a prevenção de atividades em grandes grupos. Mas também são suficientes. Na opinião de três quartos dos entrevistados basta que os alunos se mantenham a 1,8m um do outro durante algum tempo ou o tempo todo, e evitem se aglomerar nos corredores ou refeitórios.
  • A abertura em tempo parcial, para grupos pequenos e fixos de alunos que frequentam em horários alternados para diminuir o tamanho das turmas e maximizar a distância entre as pessoas, também não é mais aconselhada. Apenas um terço dos especialistas disse que convinha fazer isso. Após tantos meses de experiência acumulada na pandemia, hoje é claro que limitar o tempo na escola impede o desenvolvimento social das crianças, perturba as rotinas familiares e aumenta a chance de exposição das crianças a um grupo maior de pessoas fora da escola. Depressão, fome, ansiedade, isolamento e perda de aprendizagem também ameaçam muitas das crianças que ficam em casa, principalmente em lares pobres.

Em suma, esses 175 pediatras especializados em educação americanos concordaram amplamente que é seguro o suficiente para as escolas serem abertas a alunos do ensino fundamental para instrução em tempo integral e presencial agora. (Até porque menos seguro seria não fazê-lo.)

Ok, são os especialistas falando. O mesmo consenso, porém, não existe entre os que formulam as políticas educacionais, os administradores escolares, os sindicatos de professores e os pais. E receio que assim vai permanecer até que a realidade demonstre – inevitavelmente a algum custo – quem tinha razão.

Baseado na matéria “We Asked 175 Pediatric Disease Experts if It Was Safe Enough to Open School” publicada pelo The New York Times em 11/02/21 e atualizada em 05/03/21.

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