A carga global do diabetes é enorme e as projeções são impressionantes. Nós simplesmente não podemos esperar até que a doença seja diagnosticada antes de intervir. Sabemos que as intervenções de prevenção (ou seja, estilo de vida, agentes farmacêuticos) funcionam para retardar a doença em indivíduos de alto risco. Mas essa é uma segunda etapa. A primeira é a pessoa tomar ciência do risco de estar com pré-diabetes, sem saber. Essa postagem tenciona alertar o visitante do blog para essa possibilidade, atualmente nada remota para nenhum de nós.
“O bonito de ter uma família que tem diabetes é saber o que não fazer. Tenho um tio que acha que a insulina o habilita a comer bolo.”
A história natural do diabetes tipo 2 envolve uma deterioração progressiva dos fatores fisiológicos (ou seja, secreção de insulina, ação periférica da insulina) que é observada muitos anos antes do diagnóstico. Trajetórias dos fatores metabólicos sugerem que a secreção de insulina e a ação da insulina podem estar na faixa normal até 2-6 anos antes do diagnóstico.1[Internet] Sciencedirect.com. Acesse o link.
Como atualmente entendido, mudanças abruptas ocorrem durante esta fase de “pré-diabetes”, e a progressão contínua das anormalidades fisiopatológicas leva progressivamente aos estados clínicos definidos como glicemia de jejum alterada (IFG), tolerância diminuída à glicose (IGT) e, finalmente, diabetes tipo 2.
E você com isso?
Ano passado, um estudo avaliou a prevalência de pré-diabetes e hiperglicemia intermediária em adultos brasileiros, segundo diferentes critérios diagnósticos baseados em hemoglobina glicada (HbA1c) 5,7%-6,4%, usando dados do período 2014-2015.2[Internet] Scielo.br. Acesse o link.
O estudo apontou um intervalo entre 7,5 a 18,5% de adultos brasileiros com pré-diabetes e hiperglicemia intermediária. Entre os fatores de risco: idade, escolaridade (baixa), raça (negra), hipertensão arterial, obesidade, circunferência da cintura (altas), e níveis de colesterol HDL (baixos).
Ou seja, existe a chance de que em cada 5 brasileiros, ao menos 1 seja pré-diabético. (Nos EUA, talvez por conta de outros métodos de pesquisa, essa relação é o dobro: de 5 para 2.)
Por outro lado, estima-se que, anualmente, 5 a 10% das pessoas com a condição intermediária progridam para diabetes mellitus tipo 2.3[Internet] Alliedacademies.org. Acesse o link. Valores de HbA1c entre 6-6,5% estão associados a uma incidência de 25 a 50% de DM em cinco anos.4[Internet] Pubmed.ncbi.nlm.nih.gov. Acesse o link.
O risco e seu manejo
O pré-diabetes está associado à presença simultânea de resistência à insulina e disfunção das células β – anormalidades que começam antes que as alterações de glicose sejam detectáveis. Evidências observacionais mostram associações entre pré-diabetes e formas precoces de nefropatia, doença renal crônica, neuropatia de fibras pequenas, retinopatia diabética e risco aumentado de doença macrovascular.
Se o pré-diabetes está progredindo para diabetes, existem sintomas:
- Muita sede
- Desejo frequente de urinar
- Boca seca
- Falta de energia e cansaço extremo
- Dormência e formigamento nas mãos e pés
- Infecções cutâneas fúngicas recorrentes cicatrização lenta de feridas
- Visão turva
Para indivíduos pré-diabéticos, a modificação do estilo de vida é a pedra angular da prevenção do diabetes, com evidências de uma redução de risco relativo de 40 a 70%. Dados acumulados também mostram benefícios potenciais da farmacoterapia.6[Internet] Sciencedirect.com. Acesse o link.
Conclusão
Na pré-diabetes a glicose não é metabolizada, nem aproveitada o suficiente, de modo a acumular no sangue. O estado de normalidade da glicemia em jejum é de 70 mg/dl a 100 mg/ld. Uma pessoa é classificada como pré-diabética ao medir a sua glicemia em jejum e atingir entre 100 e 125 mg/dl. Acima disso, ela é diabética.
A detecção precoce dessa condição intermediária, a pré-diabetes, pode servir de alerta para a identificação de indivíduos de alto risco, elegíveis para estratégias preventivas mais rígidas.7[Internet] Scielo.br. Acesse o link.