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Vira e mexe, a vacina somos nós (opinião de um matemático)

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

Após 9 meses infernais, é natural que muitos vejam uma vacina anti-Covid-19, qualquer uma, a primeira à mão, como “a” solução definitiva – dessa pandemia, ao menos. Vacinas não salvam vidas, porém. Programas de vacinação bem sucedidos, sim. Quem disse isso é o Professor David Paltiel, da Yale University, autor de um estudo que traça vários cenários para o desenvolvimento da pandemia em 2021. As suas conclusões aconselham controlar o entusiasmo, até porque uma vacina, mesmo bem sucedida, ainda é apenas uma das variáveis numa equação na que o comportamento – o seu, o meu, o de todos nós – pesa até mais na desativação da pandemia. Essa variável, infelizmente, tem demonstrado ser indomável.

“Quando a solução é simples, Deus está respondendo.”

Albert Einstein

Nessa mesma semana, um outro post esclarece o real significado para você, ou para mim, dos 95% de eficácia atribuídos a algumas vacinas. (Ou 90%, 70%, 50%, tanto faz.) Aqui eu vou focar no seu significado para um país. Será que a erradicação do novo coronavírus, e por tabela, da Covid-19 depende mesmo da efetividade das vacinas a serem aplicadas?

Cientistas da Yale University abordaram essa questão simulando matematicamente o lançamento de vacinas contra o novo coronavírus. Eles brincaram com taxas de efetividade das vacinas variando de alta a baixa, e também a rapidez e a abrangência com que elas poderiam ser distribuídas enquanto a pandemia continua aumentando.

E descobriram coisas de arrepiar quem na semana passada assistiu o logístico Pazuello anunciando que as multinacionais produtoras de vacinas têm nada para oferecer no curto e médio prazo ao Brasil – apenas sobras dos contratos já fechados antecipadamente com o Japão, o Reino Unido, a União Europeia, os Estados Unidos, Israel e Arábia Saudita – e vai ver que até o Vaticano, sempre tão discreto, esteja nessa lista, também. Depois de uma mancada dessas, a última de uma série infindável, o que se pode esperar de uma campanha de vacinação gigantesca que, por todos os motivos, precisa ser super bem organizada e operacionalizada, e que por enquanto sequer se sabe com qual, ou quais vacinas, irá mesmo trabalhar? Give me a break!

Agora eu vou deixar você com o Dr. Paltiel & Cia., e trechos do seu artigo Success of COVID-19 vaccination program depends on its implementation”.

Ele vai descrever as simulações que fez, e a que conclusões chegou. Como eu sei que você não é muito chegado em números eu fui direto na DISCUSSÃO dos resultados. (Se eu errei e você quer ler e dissecar o artigo inteiro, clique aqui.)

DISCUSSÃO

Nossos resultados demonstram que os benefícios de qualquer vacina COVID-19 – seja altamente, moderadamente ou modestamente eficaz por qualquer resultado definido pelo ensaio – dependerá pelo menos tanto de quão rápida e amplamente ela é implementada, do ambiente epidemiológico em que está introduzido e como será as propriedades fisiológicas da vacina, conforme demonstrado por meio de testes clínicos.

O Comportamento da População

Em primeiro lugar, os efeitos de qualquer vacina COVID-19 são altamente dependentes do número de reprodução efetivo do vírus (R t ) no momento em que a vacina é implantada.

Nota do blog:
O número de reprodução (R t) de uma região depende diretamente de quanto a população ali adere a medidas preventivas. Quanto menor a adesão, maior a transmissão do vírus e mais cresce o número de reprodução (R t).

Em nosso modelo, R t funciona em parte como um proxy para o sucesso dos esforços para promover a adesão ampla e sustentada às estratégias de mitigação de risco, como mascaramento, distanciamento físico e limitações em grandes reuniões. Quando R t é comparativamente baixo (1,5) – indicando que a circulação viral está sendo controlada por meio de medidas não farmacêuticas – vacinas com baixa eficácia (25%) são capazes de produzir reduções maiores na fração de infecções e mortes do que vacinas com muito maior eficácia (75%) introduzida nos momentos em que R t é significativamente maior (2,1). Até mesmo os efeitos de uma vacina com 90% de eficácia – como a Pfizer caracterizou o desempenho de sua vacina em declarações preliminares à imprensa – dependem fortemente do histórico R t no momento de sua introdução.

Para uma doença altamente infecciosa (como é a Covid-19), mesmo uma vacina com eficácia, ritmo e cobertura aparentemente adequados pode ser insuficiente para alterar a dinâmica populacional fundamental que produz alta prevalência da doença.

Gerenciar e reduzir o R t requer um compromisso sustentado com as práticas e ferramentas de saúde pública conhecidas por reduzir a disseminação da Covid-19. O investimento nessas atividades permanece imperativo não apenas até a chegada de uma vacina, mas durante todo o provável período prolongado durante o qual a vacina está sendo distribuída. 

Nota do blog: Moral da história: sem um respeito massivo às medidas não farmacêuticas, o R t não cai e a efetividade da vacina cai junto.

A Campanha de Vacinação

Em segundo lugar, nossos resultados mostram que a eficácia de uma vacina COVID-19 será moldada pelo sucesso ou fracasso dos esforços para entregar uma vacina confiável rapidamente ao público. O ritmo da vacinação – a rapidez com que a vacina é introduzida – será determinado por uma combinação de capacidade de fabricação, desenvolvimento de sistemas de distribuição e infraestrutura, criação de clínicas de vacinação em massa em diversos locais e considerações logísticas relacionadas. O benefício da vacina também depende de quantas doses são necessárias. A maioria das vacinas atualmente em ensaios clínicos em grande escala são séries de duas doses, incluindo as da Pfizer e Moderna com maior probabilidade de serem autorizadas primeiro. Uma vacina de duas doses que leva 28-42 dias para atingir a efetividade, por exemplo, deve ter impacto reduzido quando comparada a uma vacina de uma dose com apenas um atraso de 14 dias para atingir a efetividade.

Mesmo sendo efetiva, uma vacina é insuficiente para alterar as consequências do comportamento populacional irresponsável que produz a alta prevalência da doença.

A cobertura vacinal – a porcentagem da população que finalmente recebe uma vacina – depende de esforços que promovam o entusiasmo público generalizado pela vacinação e abordem as fontes de hesitação para vacinas, em geral, e vacinas COVID-19, em particular. Também exige esforços para garantir que as vacinas sejam acessíveis a todas as comunidades, particularmente aos grupos carentes, para os quais foram observadas disparidades de longa data na cobertura vacinal. Isso inclui grupos de minorias raciais e étnicas entre os quais os efeitos da Covid-19 foram desproporcionalmente sentidos. Aplicar a vacina ao maior número possível de pessoas o mais rápido possível pode resultar em grandes reduções de infecções e morte, mesmo com R t mais alto. Por outro lado, um ritmo lento de vacinação ou baixa cobertura de vacinação reduz drasticamente os benefícios das vacinas, mesmo com eficácia moderada ou alta.

Muitos dos componentes do planejamento de uma campanha de vacinação devem começar muito antes do seu desenvolvimento, para a vacinação em massa ser deflagrada imediatamente depois da vacina ser aprovada pela autoridade sanitária. Entre as questões para as quais ainda resta um trabalho considerável, está o projeto detalhado do que será um esforço extremamente complexo e sem precedentes, e o fortalecimento de uma complexa cadeia de abastecimento de vacinas e de atividades de distribuição nas comunidades.

Nota do blog: Releia esse último texto em negrito. E depois vai chorar no banheiro.

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