Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

Variante Delta, às ordens. Nós já nos conhecemos?

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Há três semanas postei duas matérias sobre a variante Delta e pensei que, talvez, quem sabe, eu tivesse me adiantado aos fatos. Afinal, na época o Ministro da Saúde afirmava que haveria vacinas para todos, zilhões delas, etcétera. Não houve. E enquanto isso, a variante delta empinou as curvas de novos casos e de hospitalizados que então vinham caindo alegremente em quase todo o mundo. Não há mais remédio que revisitarmos o tema no blog, espero que pela última vez. Mas nunca se sabe.

“O circo chega sem aviso prévio.”

Erin Morgenstern

Comparada com as variantes antes conhecidas, a variante delta é, digamos, diferente. Desagradavelmente diferente. O mais próximo do que hoje convém saber sobre ela foi publicado pelo CDC americano na semana passada. (A saga da publicação é um tanto rocambolesca. O relatório do CDC foi carimbado CONFIDENCIAL em 29 de julho e o Washington Post obteve uma cópia no mesmo dia. A CNN noticiou no dia seguinte.)

A essa altura você já deve saber que a variante Delta é

  • mais contagiosa,
  • provavelmente mais letal e
  • menos vulnerável às vacinas Covid-19.

Mas convém destrinchar isso algo mais.

Transmissibilidade da variante Delta

A variante Delta é quase tão transmissível quanto a catapora, uma doença infecciosa das mais transmissíveis que existem. Isso significa que um portador da variante Delta pode infectar outros 8. (Portanto, se você quiser ir jantar num restaurante, lembre de perguntar ao maitre se tem alguém entre os frequentadores portando a tal variante. Só por precaução.)

Dentre as pessoas infectadas, as totalmente vacinadas têm tanto vírus em seus corpos quanto as não vacinadas.

“Cargas virais elevadas sugerem um risco aumentado de transmissão e aumentam a preocupação de que, ao contrário de outras variantes, as pessoas vacinadas infectadas com a Delta podem transmitir o vírus. Esta descoberta fundamental levou o CDC a renovar a recomendação de máscara”.

Isso significa duas coisas; anote aí:

  • os vacinados que pegarem a variante Delta podem transmitir o vírus tanto quanto os não vacinados; e
  • a infecção demora mais em ser eliminada naturalmente (18 dias versus 13 dias em outras variantes).

“Ainda não está claro se Delta poderia infectar pessoas vacinadas ou têm imunidade natural de uma infecção anterior por Covid-19.”

Se, graças a sua alta transmissibilidade, a variante Delta se espalhar muito rapidamente e muitas pessoas forem infectadas de uma vez em uma determinada área, haverá um problema intrarregional – o sistema de saúde local ficará sobrecarregado e mais pessoas morrerão – e um problema inter-regional – o vírus irá pular mais facilmente de uma área mal vacinada para outra, provocando séries de surtos locais.

Gravidade da variante Delta

A variante Delta pode causar doença mais grave do que as outras cepas. Maior probabilidade de hospitalização, admissão na UTI, pneumonia, exigências de oxigênio e óbito.

Efetividade vacinal

Relação entre o % da população vacinada, estimando a efetividade da vacina, e % de casos vacinados
Para contaminação (EV 61%)
Casos vacinados 61%
Para infecções leves (EV 75%)
Casos vacinados 50%
Para infecções severas (EV 85%),
Casos vacinados 38%

Os dados se referem a uma população de residentes em áreas com cobertura vacinal de 85%; EV = efetividade das vacinas; e proporção (%) de vacinados entre o grupo respectivo (infectados, doentes leves, doentes graves).

Em suma, no âmbito da variante Delta as vacinas são bastante efetivas quanto a evitar casos graves: 2/3 dos que estão nesse grupo sujeitos a hospitalização/óbito não foram vacinados. Infelizmente, as vacinas são menos efetivas em casos menos graves; e muito menos efetivas em casos de contaminação apenas. (Dos infectados leves, quase 2/3 foram vacinados.)

Especificamente no caso da população imunocomprometida, as estimativas de efetividade vacinal são (+/- 25%) mais baixas, especialmente quando hospitalizada.

Interpretação dos dados:

As estimativas de EV representam uma média para um grupo, em vez de risco individual. O risco individual depende de idade, condições imunocomprometedoras etc.

A maioria dos dados no relatório, senão todos eles, se referem a vacinas MRNA, especificamente a vacina Pfizer-BioNTech.

Conclusão:

  • As vacinas previnem doenças graves, mas podem ser menos eficazes na prevenção da infecção ou transmissão.
  • O avanço da onda viral é mais potente, e a sua disseminação, maior, apesar da vacinação.
  • Dada a maior transmissibilidade da variante Delta, menor efetividade vacinal das vacinas no seu caso, e cobertura atual beirando os 20% da população plenamente imunizada, somente medidas de prevenção sanitária – uso de máscara etc. – protegem o Brasil de uma quarta onda tanto quanto ou mais ardida que as anteriores.

O que se sabe sobre a proteção oferecida pelas vacinas contra a variante Delta:

“Uma análise da Public Health England (em um preprint que ainda não foi revisado por pares) mostrou que pelo menos duas vacinas são eficazes contra a Delta. A vacina Pfizer-BioNTech foi 88% eficaz contra doenças sintomáticas e 96% eficaz contra hospitalização com casos da Delta nos estudos, enquanto Oxford-AstraZeneca (que não é uma vacina de mRNA) foi 60% eficaz contra doenças sintomáticas e 93% eficaz contra hospitalização. Os estudos acompanharam os participantes que foram totalmente vacinados com ambas as doses recomendadas.”

Moderna também relatou estudos (ainda não revisados ​​por pares) que mostraram que sua vacina é eficaz contra Delta e várias outras mutações (os pesquisadores notaram apenas uma “redução modesta nos títulos neutralizantes” contra Delta quando comparada à sua eficácia contra o vírus original).”

“A Johnson & Johnson também relatou que sua vacina é eficaz contra Delta, mas um estudo recente, que ainda não foi revisado por pares ou publicado em um jornal científico, sugere que sua vacina é menos eficaz contra a variante, o que gerou discussão sobre se os destinatários de J&J podem precisar de um reforço.”

E a Coronavac?

Os líderes de uma pesquisa chilena em estágio avançado sobre a vacina Coronavac, recomendaram recentemente (15/07)) uma terceira dose do imunizante, dizendo que estudos com voluntários mostraram que os níveis de anticorpos diminuíram após seis meses. Eles disseram também que um ensaio in vitro para determinar a eficácia da vacina contra a variante Delta do vírus mostrou uma redução de quatro vezes no efeito neutralizante contra a cepa, em comparação com uma redução de três vezes relatada anteriormente por cientistas chineses.

Quer saber mais sobre coronavírus, Covid-19 e vacinas? Veja as últimas publicações no blog.

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