Coronavirus - by dorcronica.blog.br

Vacina da Oxford-Astrazeneca: por que tanta controvérsia?

Vacina da Oxford-Astrazeneca: por que tanta controvérsia?

A vacina da Oxford-AstraZeneca é vista como a “vacina para o mundo”, pois é barata, pode ser produzida em massa e armazenada em uma geladeira padrão. Mas ela vem gerando controvérsias sobre sua eficácia. No caso dos idosos, especialmente, o que está levantando poeira na Europa. Sob risco de bancar o “estraga-prazeres”, eu comento a controvérsia em torno dessa vacina enquanto ela começa a ser produzida pela Fiocruz. O timing é inoportuno, ingrato, eu sei, mas a necessidade de se estar bem informado é comum nos visitantes assíduos do blog. Este post é para eles.

“Muita infelicidade veio ao mundo por causa da confusão e coisas não ditas.”

– Fyodor Dostoevsky

A minha boa amiga Nádia deve estar achando que eu sou contra as vacinas. Ou coisa pior, se existe. Ela já me disse que sempre lê o que escrevo, porém raramente compartilha os meus posts para não deprimir o próximo. “Cada louco com seu tema”, dizia a minha mãe – e eu respeito ambas, a Nádia e a minha mãe. Mas não, não sou contra as vacinas, apenas em alguns casos, o discurso de algumas é confuso, ou incompleto.

Semana passada, comentei sobre a eficácia da Coronavac nos adultos com idade acima de 60 anos. O ponto foi levantado pela ANVISA e deixado pendente, ao conceder a autorização para uso emergencial, e no entanto, ninguém parece se importar com que a eficácia dessa vacina, nessa faixa etária, ainda não foi comprovada cientificamente.

The Guardian, um jornal britânico dos mais sérios, semana passada publicou um artigo de dois cientistas ingleses, David Spiegelhalter e Anthony Masters, também sobre a eficácia da vacina da Oxford-AstraZeneca em gente com idade acima de 65 anos.

A dupla se referiu o fato da Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) britânica e a Agência Europeia de Medicamentos terem aprovado essa vacina para todos os adultos, e no entanto, Alemanha, França e seis outras nações europeias a recomendaram apenas para menores de 65 anos; Bélgica e Itália unicamente para pessoas com menos de 55 anos e Suíça para… ninguém, independentemente da idade.

“O problema é que os estudos relevantes recrutaram apenas 660 indivíduos com 65 anos ou mais: 6% dos participantes. Ter tão poucos daqueles com maior risco com a Covid-19 é lamentável, para dizer o mínimo.”, diz o artigo.

Se bem houve apenas dois infectados com a Covid-19, um em cada grupo (vacinados e placebo), com tão poucos dados é impossível estimar a eficácia, arremataram seus dois autores. Qualquer pesquisador entende isso.

Já as agências regulatórias concluíram que não havia evidências suficientes sobre os idosos, mas amenizaram a sua resistência. Afinal, todas elas são entidades “tecno-políticas”, se é que você me entende.

A MHRA declarou: “Em primeiro lugar, outras vacinas Covid-19 aprovadas não mostram redução da eficácia com a idade, embora a AstraZeneca seja uma vacina de vetor viral, ao invés de mRNA. Em segundo lugar, em vez de repetir testes inteiros em grupos que não participaram de testes clínicos, os pesquisadores usam “estudos de ligação” que comparam as respostas biológicas dos diferentes grupos. Para a vacina Oxford-AstraZeneca, houve níveis semelhantes de anticorpos neutralizantes ao longo da idade. É razoável presumir que a proteção em pessoas mais velhas será igual à de adultos mais jovens.”

A Organização Mundial da Saúde (OMS), reconheceu a presença de um número de pessoas com mais de 65 anos muito pequeno nos testes clínicos da vacina da Oxford-AstraZeneca, mas argumentou – talvez pensando na debacle que aconteceria na União Europeia se essa vacina fosse posta sob judice, considerando os quase 18 milhões (aproximadamente 4% de 447 milhões de habitantes) já vacinados até hoje com a sua participação (a outra vacina é a da Pfizer-BioNTech) – que outros estudos mostraram que as pessoas mais velhas tinham uma resposta imunológica quase idêntica à dos adultos mais jovens, então a vacina devia ser usada.

(Ganha uma viagem ao Iêmen – e só de ida – o destemido que vai dormir tranquilo com um argumento desses.)

Boris Johnson, o primeiro-ministro do Reino Unido, disse agradecer o apoio da OMS à vacina Oxford-AstraZeneca e ao intervalo mais longo entre as doses. Nada surpreendente, uma vez que no Reino Unido, 15 milhões de pessoas já receberam uma vacina para proteção contra Covid-19.

Por que os principais países da União Europeia, com a Alemanha e França à cabeça, aprovaram o uso da vacina Oxford-AstraZeneca com ressalvas e reclamando publicamente da falta de dados? (Emmanuel Macron, o presidente francês, chegou a dizer que a tal vacina era “quase-ineficaz” em pessoas com idade acima de 65 anos. Ambos os países, por sinal, agora estão voltando atrás.)

A eficácia da vacina da Oxford-AstraZeneca vem sendo questionada por não poucos cientistas desde a fase três, quando foi aplicada meia dose por engano a um grupo de voluntários e se obteve maiores resultados do que noutro grupo inoculado com uma dose inteira – o que permanece inexplicado até hoje. Agregam-se dúvidas quanto: o intervalo de tempo entre as duas doses (no Reino Unido foram decretados 3 meses e até agora tudo OK), a eficácia contra as novas variantes (a vacina da Oxford-AstraZeneca não protege contra a variante da África do Sul) e se a vacina deve ser usada em idosos (silêncio…).

Nesse último caso, uma reviravolta. Até ontem, fim de fevereiro, faltavam dados. Agora, num artigo publicado online, cientistas ingleses afirmam que uma primeira dose da vacina Oxford-AstraZeneca reduziu substancialmente o risco de pessoas idosas ficarem doentes com Covid-19. Quatro semanas após a primeira dose, a vacina foi cerca de 60% eficaz na prevenção de Covid-19 entre pessoas com pelo menos 70 anos de idade.

Então os cientistas belgas, franceses, alemães, italianos, suecos, suíços e poloneses, que não recomendaram aos seus respectivos governos a vacina da Oxford-AstraZeneca para idosos estavam errados? Pode ser, mas causa espécie que ao FDA americano a AstraZeneca ainda não solicitou autorização para sua vacina. Até porque por lá foi dado a entender que nenhuma aprovação viria antes de abril, e desde que suportada por dados mais claros. Caso contrário, a vacina permanecerá no limbo regulatório.

Para você ver, amiga Nádia: sou eu e mais uns quantos com mais de 60 anos que vamos nos vacinar com o imunizante que for, mas ainda pensativos. Contudo, não são todas más notícias. Uma versão capaz de combater as variantes do coronavírus pode estar pronta em pouco tempo, caso seja necessária. A tecnologia usada pela vacina Oxford-AstraZeneca é antiga e simples. Por isso, ajustá-la é um processo relativamente rápido e só precisaria de pequenos testes antes do lançamento.

LEMBRE-SE: use máscara
Cadastre-se E receba nosso newsletter

3 respostas

    1. Sonja, uma dose da vacina Oxford-AstraZeneca fornece proteção sustentada contra a Covid por pelo menos três meses e reduz a transmissão do vírus em dois terços, de acordo com pesquisas que parecem apoiar a decisão do Reino Unido de adiar as vacinas de reforço. A análise de dados recentes de três estudos revelou que a primeira dose conferiu em média 76% de proteção contra infecções sintomáticas de três semanas até 90 dias, e reduziu a transmissão da doença em 67%. As descobertas são preliminares e ainda estão em revisão no The Lancet, mas se resistirem ao escrutínio científico tranquilizariam as autoridades de saúde pública de que priorizar as pessoas mais vulneráveis para uma primeira dose da vacina Oxford-AstraZeneca é uma estratégia sólida.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

SAIBA TUDO SOBRE VACINAS COVID-19
CLIQUE AQUI
Preencha e acesse!
Coloque seu nome e e-mail para acessar.
Preencha e acesse!
Você pode baixar as imagens no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
ATENÇÃO!
Toda semana este blog publica dois artigos de cientistas e dois posts inéditos da nossa autoria sobre a dor e seu gerenciamento.
Quer se manter atualizado nesse tema? Não duvide.

Deixe aqui seu e-mail:
Preencha e acesse!
Você pode ver os vídeos no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas