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Uma campanha de comunicação para a vacina?

Uma campanha de comunicação para a vacina?

Com a campanha de vacinação à deriva, uns e outros já percebem que sem iniciativas próprias não haverá como atingir a imunidade de rebanho necessária para encurralar o vírus. Nesse momento, o clamor é por uma campanha de comunicação pró-vacina, ou melhor, pró-vacinação. Isso, porque todos concordam que a população precisa ser convencida a se vacinar, e a depois prosseguir se protegendo do vírus, por meses a fio. O problema é que ninguém diz como. Tacitamente, as opções parecem ser 1) continuar a assistir cientistas e médicos recitar pela TV a ladainha de sempre; e/ou 2) assistir, também pela TV, a uma campanha publicitária tipo “Caixa Econômica” ou, Deus nos livre!, tipo “Casas Bahia”. Este post propõe uma terceira via, mais prática, mais barata, mais independente do que o Governo Federal vier a fazer ou a deixar de fazer, e que não colide com as anteriores.

“O maior problema de comunicação é a ilusão de que aconteceu.”

George Bernard Shaw

As vacinas são seguras e minimamente eficazes e tudo vai dar certo se o pessoal se vacinar. Dar certo significa atingir a imunidade de rebanho: uns 70% a 80% da população. Dada as baixas taxas de eficácia das duas vacinas, isso significa vacinar uns 160 milhões, duas vezes, ou 320 milhões de doses. Por um lado, é preciso disponibilizar as vacinas nos locais certos etc., e por outro lado, convencer esses 160 milhões a se vacinar. Ao que parece – a batelada de infectologistas que desfilou pelas redes de TV logo depois da decisão da ANVISA foi unânime nisso – há dúvidas quanto ao último.

Eu duvido dessas dúvidas. As pesquisas feitas sobre o tema sugerem que no Brasil, à diferença da França ou mesmo dos Estados Unidos, a proporção de pessoas dispostas a se vacinar superam os 75%. Por outro lado, é natural que algumas, mesmo com essa intenção, prefiram esperar uns meses antes de fazê-lo. E isso tem seu lado bom. Afinal, hoje o número de vacinas disponível é hilário. Mesmo que todo mundo quisesse se vacinar, não conseguiria.

Fora isso, as hostes bolsonaristas estão ficando lúcidas e naturalmente minguando, e talvez as remanescentes se entrincheirem de onde saíram, nos 30% ou 20% da população. Nessa hipótese, o negacionismo conseguiria tirar apenas uma lasquinha da imunidade de rebanho desejada.

Contudo, é verdade que a celeuma criada recentemente em torno das vacinas deixou muitos com a pulga atrás da orelha. Isso é perigoso. Não apenas por prejudicar a vacinação, mas principalmente o controle da pandemia.

Como assim? Não é da vacinação que o controle da pandemia depende?

Mais ou menos. O que irá deter a pandemia não é a vacina, e nem sequer a campanha de vacinação. Mesmo que o SUS opere “o sistema de vacinação melhor do mundo”, ele não dará conta do recado em menos de 12 meses. E durante esse período o vírus continuará circulando, infectando e reduzindo o desempenho da vacinação. Todas as pessoas, as vacinadas e as por vacinar, terão que continuar a se proteger.

E as que antes não o fizeram, que são a metade da população, por que haveriam de fazê-lo agora? Será que repetindo a elas a ladainha de “lave as mãos, mantenha distância…”, esse pessoal vai se convencer? Ou que uma campanha publicitária “tipo Casas Bahia”, o fará?

Duvido. Convencer milhões de brasileiros a se vacinar, nesse momento, requer uma campanha informativa realizada via internet. Explicar, enfim, como o vírus se transmite e se transforma numa doença que consegue matar o hospedeiro em poucas horas, como se sabe da sua propagação numa área da cidade, da inexistência de tratamento precoce, do que é uma vacina e do que ela faz para bloquear uma infecção viral, da sua segurança e eficácia, dos eventuais efeitos colaterais e o que fazer se acontecerem, e por fim, de por que é imprescindível vacinar todo mundo. Tudo isso pode ser resumido em vinhetas, vídeos breves e slogans, e com criatividade, encapsulado didaticamente numa série de capítulos destinados a gerar entendimento. E veiculado pela internet, direto no celular de cada um. (O número de celulares no país é igual ao número de habitantes, sabia disso? Mais de 200 milhões.)

En-ten-di-men-to. Entendeu? Eu sou dos que pensam que agir é consequência de entender. Se você não entende um problema e como resolvê-lo, dificilmente irá se mexer. Ou o fará na direção errada.

Até agora, a responsabilidade de convencer gente a fazer coisas que não gostam foi atribuída (pelas redes de TV) a cientistas e médicos. Gostemos ou não, cientistas são bons noutras coisas, que certamente não tem a ver com convencer muita gente. Não foram treinados para tanto. Os médicos, muito menos. Milhares de entrevistas foram concedidas por eles em 11 meses e todos convergiram na necessidade de “convencer a população a se convencer”, mas nenhum disse COMO. Você notou isso? A contribuição deles foi devotada e academicamente perfeita, porém vira e mexe o seu poder de convencimento revelou-se pífio, haja visto o resultado: o progressivo abandono, nesses 11 meses, das medidas higiênicas de saúde pública, por parte de mais da metade da população.

Um exemplo. No vácuo da entrevista da diretoria da ANVISA, no último Domingo, entre todas as inúmeras entrevistas de cientistas e médicos que eu assisti pela TV por conta disso, um médico que por sinal notabilizou-se por promover o uso da hidrocloroquina no tratamento precoce da Covid-19, foi claro: “Chega de discussão se a vacina é boa ou ruim. Não precisa explicar nada. Tem é que vacinar e ponto final”. Estou resumindo, mas foi isso.

“Não precisa explicar nada. Tem é que vacinar e ponto final”.

Como vemos, muito pedagógico. Ou pedagogicamente estúpido. Como se Deus estivesse no Seu consultório prescrevendo uma aspirina para uma ovelha. Força do hábito. Poder de convencimento? Zero.

Ora, “Pastelero a tus pasteles”, reza o ditado espanhol. Algo assim como “Confeiteiro a teus quitutes”, ou “Não te mete a fazer o que você ignora”. Se você não sabe se comunicar com muita gente ao mesmo tempo, num momento delicado como o que vivemos, então cale a boca e aprimore o silêncio.

De todos os lados hoje vem a cobrança de uma campanha de comunicação destinada a persuadir milhões a se vacinar e, muito mais difícil, a se proteger depois de fazê-lo como se nada tivesse acontecido. Parada dura essa.

A essa altura, depois de um ano arrasador, um desafio desses requer mudar radicalmente de estratégia de comunicação de massa – se é que um dia houve alguma. Nem precisa mexer nas entrevistas de cientistas pela TV, podem continuar que não faz mal, mas em paralelo haveria de se desenhar duas dúzias de peças informativas expressas em linguagem simples, e depois montadas num aplicativo que cada uma das 5 mil e tantas prefeituras que há no país poderia abrigar no seu site. Você pode pensar em algo mais simples e barato do que isso para disponibilizar informações sobre a vacinação acessíveis a todos numa comarca?

Unidos que os governadores estaduais estão, ou parecem estar, bem que poderiam assumir essa iniciativa. Com pouco investimento e muita criatividade. O resultado seria cem vezes melhor do que nada, e mil vezes melhor (e mais barato) que uma série de comerciais pasteurizados “tipo Caixa Econômica”, patrocinados, sem licitação, pelo Planalto.

Mas algo me diz que eu devo estar delirando.

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