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Tudo que uma mulher (e sua família) precisa saber sobre o câncer de mama

Câncer de mama

O câncer de mama é o câncer mais comum que afeta as mulheres, com uma sobrevida em 5 anos superior a 80%, como resultado de um diagnóstico precoce e de um melhor manejo. Com melhores taxas de sobrevivência, cada vez mais atenção está focada na sua qualidade de vida. No entanto, quimioterapia, radioterapia e terapia hormonal podem provocar efeitos colaterais persistentes cujo ônus deve ser reduzido para melhorar a qualidade de vida e a adesão à terapia.1

Contudo, por incrível que pareça é quase impossível obter um apanhado coerente e coeso sobre o conhecimento médico atual a respeito. Os dados científicos publicados mostram inconsistências, impossibilitando conclusões não apenas sobre os mecanismos fisiopatológicos, mas também sobre o tratamento da doença, nas suas diversas fases. A presente postagem é uma tentativa de resumir para o leigo o que é unanimidade sobre o câncer de mama, ao menos por enquanto.

“Depois que superei o câncer de mama, não tive mais medo de nada.”

– Melissa Etheridge

Os principais fatores que afetam a qualidade de vida dos sobreviventes são alguns efeitos secundários relacionados com o tratamento do câncer que ocorrem em até 90% dos pacientes durante o tratamento e podem persistir durante meses ou anos após o término do tratamento.2

Quimioterapia, radioterapia e terapia hormonal podem contribuir para o desenvolvimento e persistência de efeitos colaterais, incluindo: linfedema restrito aos membros superiores, comprometimento cognitivo345678910, fadiga111213, dificuldade de sono14, dor151617, neuropatia periférica induzida por quimioterapia, cardiotoxicidade1819 e perda óssea2021. Todos estes efeitos secundários acompanhados de tratamentos para o câncer da mama influenciam negativamente a qualidade de vida e as atividades diárias, levam ao não cumprimento dos tratamentos e, em última análise, afetam os resultados prognósticos e de sobrevivência.2223

São necessárias intervenções para aliviar os efeitos colaterais para reduzir a carga dos sintomas, melhorar a qualidade de vida e a capacidade funcional e melhorar a adesão à terapia.24

O câncer de mama pode causar diferentes tipos de dor dependendo de suas características e de seus tratamentos. Ela pode ser um sintoma do próprio câncer de mama ou um efeito colateral do tratamento do câncer de mama, especialmente no período post-operativo.

A dor costuma ser um efeito colateral dos tratamentos contra o câncer de mama. Dependendo dos tipos de tratamentos, a dor pode variar em intensidade e afetar diferentes partes do corpo.

Efeitos colaterais também são comuns, incluindo:

  • Náusea
  • Tontura
  • Fraqueza
  • Depressão
  • Mudanças de humor

Às vezes, a dor pode ser um sintoma do próprio câncer de mama, principalmente no câncer de mama inflamatório ou no câncer de mama metastático. O câncer metastático se espalhou para outra parte do corpo e pode causar dor nessa região.

Por exemplo, câncer de mama que se espalhou para:

  • O osso pode causar dor nas costas, quadris ou outros ossos.
  • O cérebro pode causar dores de cabeça.
  • As vértebras da coluna vertebral podem causar fortes dores nas costas com fraqueza nas pernas e enfraquecer a coluna vertebral, o que é conhecido como compressão da medula espinhal.
  • Glândulas supra-renais em cima dos rins podem causar dor nas costas.
  • O fígado pode causar dor na parte superior direita do abdômen.

“O médico [da Clínica da Dor] me disse que tem gente que fez cirurgia e não sente nada. E tem outros que têm [dor] para o resto da vida. (…) Começou depois de tudo isso, da cirurgia, da quimioterapia, da rádio, depois que fizeram tudo isso, depois de tudo isso, antes, não tinha nada.”25

– Paciente A

Assim as coisas, é óbvio que convém a paciente aprender mais sobre:

  • Dor nas articulações e nos ossos devido ao tratamento do câncer de mama.
  • Dor nas costas devido ao tratamento do câncer de mama.
  • Aperto no peito e dor devido ao tratamento do câncer de mama.
  • Dor abdominal devido ao tratamento do câncer de mama.
  • Dor muscular (mialgia) devido ao tratamento do câncer de mama.

Os mecanismos envolvidos no câncer de mama são incertos e podem envolver estruturas periféricas, bem como estruturas espinhais e supraespinhais.26

Converse com seu médico sobre a sua dor

Concluída a cirurgia e/ou o tratamento para o câncer de mama, pode ser muito assustador sentir dor na mama afetada. A dor na mama geralmente não está relacionada ao câncer, mas um desconforto novo e persistente em apenas uma mama pode ser preocupante. Isto é especialmente verdadeiro se a dor piorar sem qualquer explicação clara.

Contar ao seu médico sobre isso não significa que você está reclamando ou que é um mau paciente. A dor não é diferente de qualquer outro sintoma ou efeito colateral do câncer de mama ou do tratamento do câncer de mama.

(…) no começo foi difícil aceitar, muito difícil. Agora eu sei como funciona. Mas no começo foi muito difícil. (…) você tem que se ajustar. A verdade é essa, tenho que me adaptar para viver minha vida com dor.27

– Paciente B

Mantenha um diário da dor

Manter um diário da dor pode ajudá-lo a fornecer à sua equipe médica informações detalhadas sobre a dor que você está sentindo. É uma boa ideia manter o diário no telefone ou em um pequeno caderno.

Comece listando todos os tratamentos contra o câncer de mama que você está recebendo. Em seguida, liste todos os medicamentos para dor, incluindo a dose e a frequência com que você os toma, e quaisquer outras técnicas que possa estar usando para controlar a dor.

Cada vez que você sentir dor, escreva:

  • A data e hora onde a dor está localizada.
  • Como é a dor, por exemplo, se é aguda, penetrante ou dolorida ou mais parecida com um espasmo.
  • A intensidade da dor em uma escala de zero (nenhuma dor) a 10 (a pior dor imaginável).
  • Quanto tempo dura a dor.
  • Quaisquer atividades associadas à dor, por exemplo, se uma determinada atividade melhora ou piora a dor.
  • O nome e a dose de qualquer analgésico que você tomou, bem como a hora em que tomou o medicamento e se o medicamento funcionou.
  • Qualquer outra coisa sobre a dor que você considere importante.

Leve o diário de dor às consultas médicas para se lembrar de manter sua equipe médica atualizada.

“E aprendi a conviver. No começo não foi fácil, foi bastante difícil. Fiquei pensando: ‘Meu Deus, como vai ser isso? Tem que conviver com isso assim?’. Não é legal você sentir dor e ter que aprender a conviver com ela. E acabamos aprendendo. Eventualmente você aprende a conviver com isso.”28

– Paciente C

É importante falar se o seu plano de controle da dor não estiver funcionando.

Informe o seu médico se a dor não melhorar ou se os medicamentos ou outras técnicas não funcionarem tão rapidamente ou durante o tempo que o seu médico disse que funcionariam.

Se você acha que não está obtendo o alívio da dor que precisa, peça encaminhamento para um médico especializado no tratamento da dor. Alguns hospitais e centros de câncer no Brasil têm departamentos de tratamento da dor que incluem médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, assistentes sociais, psiquiatras, profissionais de medicina complementar, farmacêuticos, nutricionistas… Diretrizes para o controle da dor, aliás, devem abranger o antes, o durante e o após de um tratamento do câncer de mama.

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