Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

Sexo em tempos de Covid 19. Proteja-se com os experts – Parte 2

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Não há evidências de que o Covid-19 possa ser transmitido por meio de relações sexuais vaginal ou anal. No entanto, o beijo é uma prática muito comum durante a relação sexual e o vírus pode ser transmitido pela saliva. Portanto, o vírus pode ser transmitido por beijos. Há também evidências de transmissão oral-fecal do Covid-19 e isso implica que o analingus pode representar um risco de infecção. Linguagem muito crua? Pode ser, mas em tempos de pandemia as mensagens para se prevenir da contaminação com Covid-19 devem ser claras, precisas e cruas – principalmente em se tratando de sexo. Este post, que contém diretrizes propostas em vários países é um exemplo disso.

“Recomendamos fortemente que as pessoas sexualmente ativas sejam muito seletivas em suas parcerias sexuais, prestem atenção à saúde dos parceiros e limitem novas parcerias ao mínimo possível. É claro que o menor risco sexual existe para casais mutuamente monogâmicos.”

Hunter Handsfield, MD, American Sexual Health Association

Num post anterior, eu mencionei um estudo de três pesquisadores da Harvard School of Medicine que tem deixado muita gente dormindo sozinha. Eles recomendam, entre outras coisas, usar máscara facial enquanto se faz sexo com um parceiro que não seja fixo, permanente, inamovível… algo assim como um marido ou uma esposa. Outra recomendação que não poucos acharam insólita, extravagante até, foi a de evitar completamente o beijo e o sexo oral, pois a transmissão do vírus é inevitável nesses casos.1

Mas não foi somente isso que o pessoal da Harvard recomendou. Tem mais, muito mais. Prolixos, no Quadro I eles apresentam detalhadamente o que fazer em quatro atividades sexuais: Consigo mesmo, Remotas, Com parceiro fixo e Com outros.

Quadro I – Práticas sexuais durante a era SARS-CoV-2 e recursos do paciente

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O recado é claro: A intimidade sexual é importante, mas não à custa da sua vida.

A publicação assustou muita gente. Não era uma novidade, porém. Dois meses antes uma médica, também da Harvard Medicine School, já tinha se referido aos benesses da masturbação, do sexo por telefone com um parceiro que não mora com você e dos brinquedos sexuais (desde que usados ​​apenas por você). E inclusive tranquilizado aos que tinham perdido o apetite sexual por conta da pandemia. “Isso também é normal.” (Nota do blog: Menos mal!) “As pessoas têm respostas psicológicas diferentes ao estresse. Se viver uma pandemia diminuiu seu desejo sexual, ele retornará assim que a vida voltar ao normal.” (Nota do blog: “Ainda bem!”)2

Em New York, Los Angeles e outras cidades americanas, funcionários da prefeitura emitiram recomendações na mesma linha… deixando claro estar respondendo a inúmeras consultas da população.

“Sou um amante super bom, porque pratico muito sozinho.”

Woody Allen

“Você é o seu parceiro mais seguro” e “O seu segundo parceiro mais seguro é alguém que mora junto com você”, viraram mantras.3

Em 1º de junho o New York City Department of Health renovou estratégias para reduzir a propagação da Covid-19 durante as relações sexuais, publicadas em março. Elas são claras, abrangentes e até certo ponto – o “ponto” depende do apetite sexual de cada qual – viáveis.4

Juntando as diretrizes novaiorquinas com as dos pesquisadores de Harvard tem-se uma boa ideia sobre como reduzir o risco de contaminação com a Covid 19 praticando sexo.

Algumas das diretrizes são óbvias, como o uso de contraceptivos, conhecer o(a) parceiro(a) e limitar a promiscuidade. Outras simplesmente higiênicas: “Tome um banho antes e depois do sexo, e desinfecte o lençol e a área pós-coito”. Outras regras têm a ver especificamente com a Covid-19: faça o teste mensal de coronavírus ou dentro de cinco a sete dias após a, digamos, conexão. Ou são advertências: um caso confirmado de Covid-19 ou um teste de anticorpos positivo não é prova definitiva de que se está imune a uma nova infecção. Absolutamente broxante. (Mais broxante do que isso, só imaginar o Trump pelado).

“Não tenho objeções à vida sexual de ninguém, contanto que não pratiquem na rua e amedrontem os cavalos.”

Oscar Wilde

As coisas começam a ficar mais “picantes”, se você me entende, quando o parceiro não é fixo – ou mesmo sendo fixo, não é confiável. Acontece. Nesse caso, dicas adicionais são as seguintes:

Nada de beijos. Beijar pode facilmente passar o vírus. E acima de tudo, evite beijar alguém que não faz parte do seu pequeno círculo de contatos próximos.

Parece fácil, mas não é. Chegar a ter sexo com alguém sem antes beijar é como subir a um segundo andar pela janela. Não faz sentido. Então, qual é o Plano B? Ter uma conversa sobre sexo seguro com o(a) candidato(a) antes de se beijar. Algo assim como: “Você teve febre, tosse seca e fadiga na última semana?” “Perda de paladar e olfato, talvez?” “Diar…, bem, deixa para lá. Olha, eu trouxe este termômetro que…”. Um check list preparado antecipadamente pode ajudar. Constrangedor, mas necessário.

Use uma máscara durante a relação sexual.  Em tempos de Covid-19 ela é tão importante quanto o preservativo, dizem os cientistas. Respiração pesada e ofegante pode espalhar o vírus ainda mais, e se você ou seu parceiro tiver Covid-19 e não o souber, uma máscara pode ajudar a impedir essa propagação. Realmente pode. Mas também pode deixar você sem vontade de fazer sexo durante os próximos dez anos. E que me diz do tipo de máscara? N95? Cirúrgica? Caseira? Precisa haver um acordo prévio entre as partes quanto a isso também. E por fim, a questão da segurança. Sabe-se de enforcamentos causados inadvertidamente pelas máscaras durante episódios de sexo selvagem.

Use barreiras físicas. Seja criativo com posições sexuais e barreiras físicas, como paredes, que permitem o contato sexual e impedem o contato próximo. Confesso que demorei um bom tempo para entender o espírito da coisa. Criatividade tem limites.

Evite atos sexuais que envolvam a transmissão oral de fluídos corporais. Rimming chama isso, segundo os entendidos. Como pode ter crianças na sala, se quer detalhes, clique aqui.

Não esqueça de pedir informações tipo CPF, endereço comercial e e-mail, para facilitar o contact tracing se você acabar pegando o vírus de qualquer jeito e morrer. Espírito cívico, chama isso. A Prefeitura agradece.5

O sexo grupal merece atenção especial.

Na sua mais nova versão – a primeira versão veio a público em março – as diretrizes do New York City Department of Health esclarecem o que fazer com relação a essa modalidade de aglomeração ou enfim, “festas de sexo”. De cara, elas a desencorajam e propõem “festas com zoom” ou salas de bate-papo eróticas em câmbio. Agora, antecipando uma acolhida de cuspes e pedradas, são propostas recomendações específicas:

Limite o tamanho da sua lista de convidados, se for o caso. O assunto é íntimo. Convidar o seu grupo no Whatsapp talvez não seja uma boa ideia.

No tumulto, mantenha-se colado num parceiro sexual consistente. Este não é um por-quilo. Atenha-se a um só prato principal.

Escolha espaços maiores, mais abertos e bem ventilados. Um parque, por exemplo, mas sempre após afugentar as crianças. Ou um estacionamento, de preferência não na hora do almoço. E há estádios de futebol às moscas, também.

Use uma cobertura para o rosto, evite beijar e não toque nos olhos, nariz ou boca com as mãos não lavadas. Se a cobertura for dessas de plástico, que cobrem todo o rosto, convém levar um limpa-parabrisas, nunca se sabe. Quanto aos beijos, tente uma almofada, dessas de isopor, para você não se sufocar. E em relação a não tocar seus olhos etcétera, bem, supõe-se que você tenha coisas melhores que tocar, certo? Então, esqueça.

Por fim, o pessoal LGBT. O elenco mais completo de orientações sobre como diminuir o risco de obter ou espalhar a Covid-19 via sexo na comunidade gay – ignoro se abrange também o restante da sigla – é encontrado no site da AVERT, uma instituição de caridade sediada no Reino Unido. Este diz fornecer informações precisas e confiáveis ​​sobre HIV e saúde sexual em todo o mundo há mais de 30 anos. Você pode acessar as suas diretrizes aqui , embora eu vou logo advertindo que são semelhantes ao já apresentado…

Enfim, os limites impostos pelo distanciamento social e por ter que confiar que outras pessoas também tomem precauções ingratas, desencorajam fazer sexo tal como aprendido em gloriosas e sudorentas jornadas pré Covid-19. Contudo, não desanime.  Até a Prefeitura da sua cidade não aparecer com coisa melhor, leia este post mais vezes, nas linhas e nas entrelinhas, persevere, estude todas as alternativas, construa cenários na sua mente, deixe a sua imaginação correr eroticamente solta – vamos, ninguém está olhando! – e mais dia, menos dia, eu lhe garanto que uma opção para você se virar dentro desses limites irá aparecer.

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Se você faz sexo com alguém com quem não mora, há algumas coisas que você pode fazer para diminuir o risco de obter ou espalhar o Covid-19.

Fonte: AVERT

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