Coronavirus - by dorcronica.blog.br

Saiba aqui porque você não pega o vírus. Ou porque pega.

Saiba aqui porque você não pega o vírus. Ou porque pega.

A Covid-19 trouxe à tona a monumental ignorância da maioria de nós – eu muito incluído – a respeito de nós mesmos. Sobre o que somos enquanto bípedes portadores de uma combinação mente-corpo inédita na história do planeta. Em menos de um ano viramos doutores em infectologia e se algo tiramos disso é que ficarmos ou não doentes depende do nosso sistema imunológico. Isso todo mundo sabe e talvez seja suficiente para a maioria decidir se no fim de semana vai à praia ou fica em casa. Uns poucos, porém, gostariam de saber mais a respeito. Afinal, quais são os componentes desse sistema? Que mecanismo o faz funcionar? O que uma vacina tem a ver com isso? Esse post responde essas perguntas sucintamente e com simplicidade.

“Nenhuma ciência está imune à infecção da política e à corrupção do poder.”

– Jacob Bronowski

Ontem li sobre a batalha de Waterloo, que acabou com o Império Napoleônico em 1815. Ficar por dentro de batalhas históricas é um dos meus vícios, desculpe alguma coisa. Mas não vou falar disso, relaxe. O assunto aqui é o sistema imunológico em relação ao novo coronavírus.

Sim, a essa altura é sabido que a função desse sistema é protetiva. Quanto mais fraco ele for, maiores as chances de um vírus pegar o hospedeiro e vice-versa, certo? E os anticorpos fazem parte dele também, não fazem? E o que uma vacina visa é gerar resposta imune… e por aí vai.

Suficiente para os práticos, aos que só basta saber que a distância mais curta entre dois pontos é uma linha reta. Mas não para os analíticos, que sabem que a vida real não é geométrica.

Então, se você pertencer a tribo dos analíticos, vamos em frente.

Voltando a Waterloo. Na ocasião, uma coalizão internacional que muitos pensam foi liderada por um poderoso exército inglês derrotou os franceses e etcétera, você sabe o resto. O que provavelmente ignora é que os ingleses eram poucos, bem poucos.

Mas tinham uma vantagem competitiva sobre, aliás, todos os exércitos europeus: em combate viravam uma verdadeira máquina de matar. O mecanismo era simples: três grupos de soldados fuzilando intermitentemente o inimigo por turnos. Um, dois, três, bam, bam, bam… enquanto os que dispararam na primeira fila recarregavam os da segunda fila atiravam e assim por diante, tudo treinado cronometricamente até o infinito. God save the Queen e Napoleão c’est fini. Ou sifu, se preferir.

E o que isso tem a ver com imunidade?

Tudo. Para começar, o objetivo dos ingleses não era se proteger do inimigo, mas liquidá-lo de vez. A sobrevivência de um exército pequeno enfrentado a outro bem maior dependia disso mesmo, da perfeição em matar mais inimigos o mais rapidamente possível. O mesmo que o sistema imunológico pretende em relação a um vírus. E como faz isso? Igualzinho aos ingleses, que usavam três linhas de fuzileiros, de maneira tal que se o inimigo sobrevivia à metralha enviada pela primeira linha, caía-lhe em cima a da segunda, e depois a da terceira… e vamos de novo. É o que o sistema imune também faz para acabar com um vírus, qualquer vírus.

Vejamos…

A primeira (linha de) resposta do organismo a um vírus é uma resposta imune inata, ou seja, você nasce com ela. É a imunidade natural, comandada por umas células chamadas de macrófagos. Estes se encontram nos nódulos linfáticos, no trato intestinal, nos pulmões, na epiderme…

Quando você se fere com um corte qualquer, por exemplo, os macrófagos comparecem na hora a participar no reparo.

Se essa resposta inicial não for suficiente, entra em ação o sistema imunitário adaptativo ou adquirido, em que participam outras células, os linfócitos. Estes constituem uma segunda linha e são os que produzem os anticorpos dos quais você deve ter ouvido falar em relação aos testes de diagnóstico da Covid-19, o da picadinha, principalmente.

A imunidade celular, menos conhecida que as duas anteriores, é uma espécie de reserva estratégica nesse exército. Ela é formada por glóbulos brancos que há no sangue – medula óssea, glóbulos brancos, glóbulos vermelhos etc. , lembra disso na aula de biologia, na escola? O nome científico desses glóbulos brancos, enfim, é leucócitos. (Até porque em grego, leukos é branco e kytos, célula. Muito criativo.)

Ocorre que entre esses leucócitos – que são os glóbulos brancos que fluem pela corrente sanguínea, repetindo – há uns chamados linfócitos T.

Eles são uma terceira linha de defesa… ou melhor, de ataque ao vírus.

Qual é o papel desses linfócitos T? Ou células T, como são conhecidas.

Primeiro, se a resposta inata não foi suficiente para eliminar o vírus, restos dele – do vírus – vão permanecer no corpo – nos nódulos linfáticos e no baço, para sermos mais precisos.

Cabe aos linfócitos T descobrir esses restos e eliminá-los. Eis a sua função precípua. A essa altura, eles, os linfócitos T, passam a se chamar células T efetoras.

Depois de eliminar o vírus a maioria dessas células T efetoras morre, mas algumas se transformam em linfócitos T de memória, que migram para órgãos e lá permanecem (células T residentes), além de circular pelo sangue e pela linfa. Essas células T agora passam a ser células T residentes – mais uma mudança de nome. Elas ficam na moita, ocultas em diferentes partes do organismo. Se a pessoa se expõe posteriormente ao mesmo vírus, elas alertam o sistema imune inato, ao mesmo tempo em que começa a produção de anticorpos.

A segunda função das células T, então, é alertar. Deve-se a elas que o processo de eliminação do vírus numa segunda infecção, seja muito mais rápido. Isso ocorre porque, alertada pelas células T, a resposta imune inata não precisa “começar do zero”, e assim demora a metade do tempo (7 dias versus 14 dias) da resposta imune dada à primeira exposição ao vírus.

Em suma, ainda não há dados mostrando a proteção para a Covid-19 em indivíduos que possuam estas células T residentes, contudo, é provável que elas não só destruam células invadidas que poderiam ajudar o vírus a se multiplicar, mas em certa medida também comandem o sistema imune inato ao alertá-lo sobre um novo ataque.

Isso explica porque a atividade das células T atualmente é um dos principais indicadores da imunidade que o organismo humano possui contra a Covid-19.

Agora você pode dizer que sabe do que está falando ao chamar a atenção do idiota que usa a máscara como babador, ou comparece a posses de ministros no Planalto.

LEMBRE-SE: use máscara
Cadastre-se E receba nosso newsletter

Veja outros posts relacionados…

nenhum

2 respostas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

CONHEÇA FIBRODOR, UM SITE EXCLUSIVO SOBRE FIBROMIALGIA
CLIQUE AQUI