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Retreinando o cérebro para aliviar a dor crônica

Retreinando o cérebro para aliviar a dor crônica

Este post é sobre um treinamento inédito destinado a pacientes com dor crônica e profissionais de saúde que visa a remoção das cognições e crenças negativas sobre a dor crônica que atrapalham uma recuperação. Vejamos a sua justificativa. Em geral, as reações do paciente com dor crônica não são as melhores. Falta de movimento, consultas médicas frequentes, consumo de analgésicos além do tempo prescrito pelo médico etc. são comportamentos comuns.

Comportamentos, no entanto, são reflexos da maneira de pensar sobre um assunto – dor, no caso. Portanto, o que e como esse paciente pensa sobre sua dor desempenha um papel crítico na sua experiência da dor.1

Indivíduos que, por exemplo, pensam ter autocontrole sobre sua condição de saúde, relatam menos dor do que seus colegas com padrões cognitivos menos construtivos. Ao contrário, medos sobre dor e lesões motivam o paciente a adotar terapias passivas inúteis (ex.: repouso, medicação…), que podem até exacerbar a dor.

“RETREINANDO O CÉREBRO PARA O ALÍVIO DA DOR CRÔNICA” visa ensinar pacientes e os profissionais que cuidam deles a identificar e desarmar esses pensamentos tóxicos, interrompendo a cronificação da dor.

Nesse semestre, a Dra. Luci Mara França e eu iremos deslanchar uma intervenção inovadora para começar a tratar corretamente da dor crônica. Os termos “inovadora” e “corretamente”, não são casuais. A iniciativa é inovadora por duas razões: demora pouco mais de 3 horas, distribuídas em 3 dias – enquanto a abordagem educacional típica requer 8 sessões de 2 horas, ao longo de 4 semanas; ou 16 sessões semanais consecutivas durante 16 semanas; para atingir resultados similares.

Quanto a “tratar corretamente da dor crônica”, a explicação é simples: toda dor crônica tem um componente “…que surge… apesar de nenhuma evidência clara de dano tecidual real ou ameaçador causando a ativação de nociceptores periféricos ou evidência de doença ou lesão do sistema somatossensorial causando a dor”.

Em termos simples: uma dor sem causa – ferida, lesão, dano – aparente. Ou uma dor maior do que o normalmente esperado, mesmo tendo sido identificada alguma causa estrutural (ex.: lesão afetando tecidos e/ou nervos).

Tanto esse tipo de dor hoje é reconhecido pela medicina da dor que até merece um nome próprio outorgado pela International Association for the Study of Pain (IASP) e considerado subjacente às dores crônicas primárias pela International Classification of Diseases -11 da Organização Mundial da Saúde: dor nociplástica. Um nome um tanto esquisito, convenhamos, que em pouco ou nada ajuda a inserir a dor crônica no cardápio dos médicos em geral.

E por que seria isso?

Porque a dor nociplástica crônica – uma dor sem explicação notória, repetindo – incorpora o lado escuro de toda dor, do qual poucos, médicos ou pacientes, se sentem confortáveis em falar: o lado emocional. O que agrega sofrimento à dor física propriamente dita, tornando a vida do paciente um inferno.

O reconhecimento da dor nociplástica pelos cientistas especializados em dor crônica apenas veio a escancarar o óbvio.

Ou seja, que transtornos emocionais, como depressão e ansiedade, e processos emocionais, como consciência e regulação emocional, influenciam a presença e gravidade de qualquer dor crônica.

Esse tipo de dor, como ilustrado a seguir, raramente se apresenta sozinha.

Figura 1

Tipos de Dor

A ilustração é teórica. As intersecções no desenho exemplificam as diversas combinações. A região mais avermelhada, ou INFERNO, é a mais completa, ao congregar todos os três tipos de dor ao mesmo tempo.

O reconhecimento de que a dor persistente relatada por muitas pessoas tem raízes emocionais, além da fisiológicas, justifica iniciativas como a do RETREINANDO O CÉREBRO PARA O ALÍVIO DA DOR CRÔNICA. Todo paciente que relatar dor persistente há mais de 6 meses, você pode apostar que já está sofrendo. Ou seja, sentindo além da dor no corpo e dos sintomas que a acompanham (fadiga, sono ruim, descognição…) o peso de uma carga emocional originada pela sua condição de saúde e pelo desequilíbrio que “tudo isso” já trouxe à sua vida.

Tamanha carga emocional dificilmente poderia ser positiva, convenhamos. A essa altura, sobram a esse paciente argumentos para pensar que TUDO (ex.: sintomas, impacto na família, falta de soluções terapêuticas…) o que há de ruim… lhe acontece. Isso é catastrofizar, uma distorção cognitiva desadaptativa… ou dito em português: um pensamento tóxico que, ao invés de melhorar a situação, a piora.

Os eruditos qualificam essas concepções como “desadaptativas”. Eu as chamo de “tóxicas” para destacar sua natureza poluente e a sua capacidade de amplificar o estresse. Tais pensamentos são como a poluição do ar nas grandes cidades: não tem solução e o seu veneno pode até matar. Ruminações do tipo “Eu nunca vou melhorar”; “Tratar a dor sem remédios leva a nada”; “Eu não consigo mais lutar”; “Ninguém me ouve”, podem levar um paciente já fragilizado física e emocionalmente à loucura, de quebra arrasando sua família, trabalho e futuro. 

A catastrofização, aliás, é apenas uma modalidade de pensar toxicamente; há muitas outras, e todas acabam perpetuando o sofrimento do portador, e sua dor crônica, por tabela.

Em suma, pensamentos tóxicos não são inofensivos, nem incorpóreos. Eles destroem células e o fazem por vias bioquímicas, no sistema nervoso.

RETREINANDO O CÉREBRO PARA ALIVIAR A DOR CRÔNICA visa ensinar pacientes e os profissionais que cuidam deles a desintoxicar a mente em relação à dor, evitando ou interrompendo um processo de cronificação que, quanto mais progride no tempo, mais emocional e difícil de ser tratado pela medicina convencional fica.

Em três etapas.

19/03/24. COMO PROTEGER MENTE-CORPO DA DOR CRÔNICA?

Qual é a origem dos “pensamentos tóxicos” que atrapalham uma recuperação? E qual é o antídoto mais imediato ao alcance do paciente?

Teaser "Retreinando o Cérebro para aliviar a dor crônica – Parte 1"

21/03/24. COMO LIDAR COM O FATOR EMOCIONAL ASSOCIADO A DOR CRÔNICA?

Como os “pensamentos tóxicos” amplificam a dor crônica? A dor é uma sensação fisiológica, como ela migra para o emocional? E como as emoções alimentam o “Ciclo da dor crônica”?

Teaser "Retreinando o Cérebro para aliviar a dor crônica – Parte 2"

23/03/24. COMO TREINAR O CÉREBRO PARA ALIVIAR A DOR CRÔNICA E SEUS SINTOMAS

Como erradicar os pensamentos tóxicos? O que o cérebro deve reaprender e que técnicas podem ser usadas nesse sentido?

Teaser "Retreinando o Cérebro para aliviar a dor crônica – Parte 3"

“RETREINANDO O CÉREBRO PARA ALIVIAR A DOR CRÔNICA” comporta vários exercícios que a limitação de tempo (3 horas) obriga a praticar superficialmente.

O objetivo possível a ser atingido é o de motivar o paciente com dor crônica a recuperar funcionalidade e qualidade de vida sem recorrer a consultas médicas frequentes e medicamentos tarja preta, e com ajuda do próprio cérebro.

Para maiores informações, clique aqui.

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