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Remdesivir: finalmente um remédio para pacientes graves com Covid 19

Remdesivir: finalmente um remédio para pacientes graves com Covid 19

Nesta quarta-feira (29 de abril), a revista médica The Lancet, publicou um estudo apontando que o Remdesivir, um antiviral produzido pela Gilead Sciences, carece de “benefício clínico significativo” contra a Covid 19. No mesmo dia, o Dr. Anthony Fauci, hoje talvez a autoridade médica com mais poder sobre a política de combate ao Covid 19 nos Estados Unidos, se posicionou a favor de um outro estudo provando o oposto – que o Remdesivir seria útil. Convém entender a briga desde o começo porque o que sair dela pode salvar vidas.

“Quando você está lidando com uma pessoa muito doente e está fazendo algo com ela, uma intervenção, seja um procedimento ou um medicamento, a segurança é fundamental.”

– Anthony Fauci

Nesta semana, uma controversia em torno de um possível remédio para os pacientes graves com a Covid 19 tem tudo para virar uma “briga de cachorro grande”.

O remédio chama Remdesivir e foi desenvolvido pela Gilead Sciences para tratamento de doenças como MERS, Ebola e está em fase de testes para o SARS-CoV-2. Nesses testes, o medicamento se mostrou eficaz em combater os coronavírus causadores de SARS e MERS, doenças semelhantes à Covid 19, e teve efeitos inibitórios em coronavírus patogênicos de animais e humanos, incluindo coronavírus 2 da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS-CoV-2) in vitro.

Em bom português, os pacientes com Covid 19 grave que tomaram Remdesivir podem se recuperar mais rapidamente do que pacientes que não tomaram, disse quarta-feira nada menos que o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA (NIAID).

Acontece que esse instituto é tão respeitado quanto o FDA ou o CDC americanos, e o Dr. Anthony Fauci, o seu diretor há décadas, mais respeitado ainda. E este último, num gesto inédito no mundo científico, decidiu apostar todo o seu prestígio no Remdesivir.

“Os dados mostram que o Remdesivir tem um efeito claro, significativo e positivo em diminuir o tempo de recuperação”, disse o diretor do instituto, Dr. Anthony Fauci.

De fato, os resultados do estudo preliminar mostram que o Remdesivir melhorou o tempo de recuperação de pacientes com coronavírus de 15 para 11 dias.

“Embora uma melhoria de 31% não pareça 100% nocaute, é uma prova de conceito muito importante”, disse Fauci. “O que foi comprovado é que um medicamento pode bloquear esse vírus”.

“Os resultados também sugeriram um benefício de sobrevivência, com uma taxa de mortalidade de 8,0% para o grupo que recebeu Remdesivir versus 11,6% para o grupo placebo”, disse o NIAID.

E daí?, alguém pode questionar. Daí que 31% de pacientes graves recuperados significa 31% de capacidade hospitalar (camas, ventiladores, equipes etc.) para atender pacientes novos chegando. Nos tempos que correm, quase um milagre.

Cerca de 1.090 pessoas participaram do estudo internacionalmente, disse Fauci, chamando-o de “o primeiro estudo randomizado verdadeiramente controlado por placebo, de alta potência”.

Raríssimamente os dados sobre a eficácia de um medicamento são divulgados tão cedo em um estudo preliminar – a ação da Gilead disparou levando consigo a bolsa americana – mas o Dr. Fauci diz ter “evidências claras de que o medicamento funciona” e quando isso ocorre “há uma obrigação ética de informar imediatamente as pessoas do grupo placebo – as que não tomaram o medicamento – para que elas possam ter acesso”.

O OUTRO LADO

Nesta quarta-feira, a revista médica The Lancet, publicou um estudo apontando que o Remdesivir carece de “benefício clínico significativo” contra a Covid 19.

O estudo foi realizado entre 6 de fevereiro e 12 de março em dez hospitais de Wuhan, entre pacientes com pneumonia. 158 pacientes receberam doses diárias de Remdesivir e 79 placebos, durante 10 dias.

O Dr. Bin Cao, principal responsável pelo estudo, concede que “outros estudos devem ser realizados para determinar se o tratamento anterior com Remdesivir, em doses mais altas ou associado a outros antivirais ou anticorpos neutralizantes, poderia ser mais eficaz em pacientes em estados graves” da Covid 19. Contudo, não ameniza a sua opinião contrária ao Remdesivir: “O tratamento com Remdesivir não acelera a cura nem reduz a mortalidade relacionada à Covid 19 em relação ao placebo”.

O Dr. Fauci, opinou que o estudo chinês era “fraco”.

A Organização Mundial da Saúde está cética.

“Normalmente, você não tem um único estudo que venha a mudar o jogo”, disse a Dra. Maria van Kerkhove, líder técnica da resposta do coronavírus da OMS.

“Às vezes, são necessárias várias publicações para determinar (qual) o impacto final de um medicamento”, complementou o Dr. Mike Ryan, diretor executivo do programa de emergências em saúde da OMS.

Os americanos não querem saber. O FDA planeja anunciar em breve uma autorização de uso emergencial para o Remdesivir e já negocia com a Gilead Sciences para “… disponibilizar o Remdesivir aos pacientes o mais rápido possível…”.

Fontes:

  • «Remdesivir: A Promising Antiviral Against Coronaviruses» (em inglês). Journal Watch. 13 de fevereiro de 2020
  • «A closer look at the Ebola drug that’s become the top hope for a coronavirus treatment» (em inglês). biopharmadive.com. 5 de março de 2020
  • «Remdesivir for Potential Treatment of Covid-19» (em inglês). Clinical Trials Arena
  • Bruno Carbinatto (24 de março de 2020). «Os quatro tratamentos mais promissores contra a Covid-19, segundo a OMS». Super Interessante. Abril. Consultado em 11 de abril de 2020
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