Terapias Alívio da Dor & Outros - by dorcronica.blog.br

Quando os médicos não sabem o que há de errado com você

Quando os médicos não sabem o que há de errado

Vieses cognitivos dominam as decisões dos médicos e médicas. Ou seja, como todos nós, mortais, diante de um problema – um paciente é um problema – ele(a)s tomam decisões baseados nas ideias, opiniões e preconceitos que já têm na cabeça. É o que diz um médico nesse post. E isso é bom ou ruim para o paciente? Leia e decida (sem preconceitos, se puder).

“A maioria dos médicos é prisioneira de sua educação e algemada por sua profissão.”

– Richard Diaz

Eu gosto de posts sobre a prática da medicina escritos por médicos. E não apenas pelas razões óbvias, como as de que eles convivem com doenças e dores, e estudaram para isso. Eu gosto mais porque os que se atrevem a fazê-lo – muito poucos em qualquer país, e quase nenhum no Brasil – costumam ser párias, iconoclastas e quase sempre gente esclarecida, capaz de enxergar a floresta em vez de apenas uma ou outra árvore. E por fim, porque falam o que pensam após saírem vivos das trincheiras da atenção primária.

Tudo isso me veio à mente após degustar um artigo de autoria de Alex Lickerman um ex-professor de medicina da University of Chicago e ex-diretor de um serviço de emergência, atualmente tocando a sua própria clínica chamada ImagineMD.

O nome do artigo é tão instigante quanto intrigante (desculpando o trocadilho):

QUANDO OS MÉDICOS NÃO SABEM O QUE HÁ DE ERRADO

Já faz uma década que o artigo foi publicado, e isso é bom porque então você pode situar as observações de Lickerman no seu mundo-paciente-2019 e checar se algo evoluiu. O exercício pode ser divertido. Ou triste. Vai saber.

Eu não transcrevi o artigo por completo, apenas a parte sobre os vieses cognitivos que, segundo o bom doutor, dominam as decisões dos médicos. (Nota do blog: Vieses são padrões de pensamento que todos portamos, e que nos fazem reagir automaticamente. Um nome indecoroso, porém mais preciso, seria “preconceitos”).

No artigo afirma-se que, quando o médico enfrenta sintomas que não consegue articular na direção de um diagnóstico claro, ele decide baseado nos seus (muito pessoais) preconceitos. E o faz inconscientemente, na maioria dos casos.

Vejamos, o que Lickerman nos diz sob o subtítulo “Preconceitos de um Médico”.

Uma amostra de vieses inconscientes que influenciam o comportamento do médico inclui:

  • Não querer diagnosticar doenças ruins em seus pacientes… levando às vezes a uma lista incompleta de diagnósticos diferenciais.
  • Não querer induzir ansiedade em seus pacientes… levando às vezes a explicações insuficientes de seus processos de pensamento, que muitas vezes paradoxalmente levam a mais ansiedade do paciente.
  • Confiar demais na medicina baseada em evidências. Embora a prática da medicina baseada em evidências deva ser o padrão, muitos médicos esquecem que há uma grande diferença entre “não há evidências na literatura médica para vincular o sintoma X à doença Y” e “não há evidências para vincular o sintoma X à doença Y porque ainda não foi estudado”.

“O que o doente precisa é de professores, não profissionais; escolas de saúde, não hospitais; instrução, não tratamento; e educação para uma vida saudável, não treinamento do hábito doentio.”

– Herbert M. Shelton, Getting Well

  • Não gostar do paciente… levando à impaciência, sem ouvir e sem tempo suficiente para refletir sobre as queixas do paciente.
  • Gostar demais do paciente… levando aos dois primeiros vieses da lista.
  • Pensar que os sintomas de um paciente são causados por um único diagnóstico em vez de muitos. Também conhecida como Navalha de Ockham, às vezes é verdade… e às vezes não é. (Nota do blog: A Navalha de Ockham é um princípio lógico e epistemológico que afirma que a explicação para qualquer fenômeno deve pressupor a menor quantidade de premissas possível.)
  • Querer estar certo mais do que querer que seu paciente melhore. Res ipsa loquitur. (Uma doutrina que deduz negligência da própria natureza de um acidente ou ferimento na ausência de evidência direta. Ou seja: “a coisa fala por si”.)
  • Acreditar que seus primeiros pensamentos sobre o diagnóstico são mais prováveis de estar corretos do que quaisquer pensamentos subsequentes. Apegar-se a um diagnóstico, simplesmente por ter sido o primeiro em que se pensou, negligenciando outras possibilidades.
  • Deixar de considerar que o resultado de um teste laboratorial (ex.: de imagem) pode estar errado. Isso não acontece normalmente, mas certamente acontece.
  • Querer evitar se sentir ineficaz. Alguns diagnósticos são mais passíveis de terapia do que outros. Nenhum paciente quer ter uma doença intratável e nenhum médico quer diagnosticá-la.
  • Ter aversão a ser manipulado. A manipulação é especialmente comum em pacientes que sofrem de síndromes de dor crônica (que às vezes procuram drogas em vez de procurar alívio da dor). Um dos meus mentores disse certa vez: “A questão não é se seus pacientes tentarão ou não manipular você. A questão é como eles tentarão manipulá-lo.

“A idiotice é a coleção de preconceitos adquiridos como verdades aos quinze anos, mais ou menos.”

Se você for um profissional da saúde, um(a) médico(a), por exemplo, não fique bravo comigo. É um colega seu que assim opina. Eu sou inocente, apenas o mensageiro. Não adianta me denunciar ao Conselho Federal de Medicina, eu não posso ser expulso de onde nunca estive. Obrigado. Adeus.

Agora, se você quer vestir as Sandálias da Humildade e pensar uns minutos no assunto antes da próxima consulta, parabéns. Nunca é tarde para melhorar em qualquer profissão.

Cadastre-se E receba nosso newsletter

Veja outros posts relacionados…

nenhum

6 respostas

  1. Muito difícil conviver com problemas e diversos médicos que não se conversam e dão orientações antagônicas. Pacientes idosos são as principais vitimas dessa falta de integração, somos um corpo fragmentado com pedaços colocados distantes. No final culpam ou paciente ou fazem um falso diagnóstico de doença emocional e receitam ansiolíticos, mesmo sem formação em psicologia ou psiquiatria, tudo isso como forma para disfarçar o desconhecimento do problema.
    Claudia Lessa

  2. Eu passei muito e continuo passando por isso, meu problema é de vista, tenho astigmatismo muito forte porém não é corrigido mesmo com lente ou óculos e nenhum médico dá um diagnóstico certo, e daí vem as consequências, dificuldades em manter em qualquer emprego, dificuldade para me qualificar, pegar transporte público, estudos e etc… Perdido no mundo e sem saber o que fazer ou pra onde ir

    1. Charles, obrigado pelo seu comentário, embora do lado da oftalmologia eu nada construtivo tenho a dizer. Tenho, sim, do lado humano. Não desista de achar um diagnóstico confiável. Não desista de preservar o seu bem-estar. Tem médicos e médicos… com empenho, talvez você ache o médico certo. Lembre-se do seguinte: ser derrotado é muitas vezes uma condição temporária. Desistir é o que a torna permanente. Julio

  3. Boa noite até q enfim achei algo q fale do venho buscando a muito tempo hoje tô com 47 anos mas desde criança venho sofrendo perdi meu emprego meu patrão me humilhou disse q eu não tinha nada q tava prejudicando ele meu pai minha mãe minha mulher todos duvidaram de mim os médicos disseram pra mim q era pra mim ir trabalhar e esquecer o q eu tinha pôs eu não tinha nada eu tentava mas não conseguia pôs ficava fraco sensassao de como muitas dores malstar fadiga fui a psiquiátrica psicólogo nada já tinha medo pôs era muito novo pra tá assim então desisti de médicos e comecei a estudar e pedir a Deus q se eu tivece algo q ele me mostra e então todo dinhero q ganhava era pra exames .detalhe sou um lavrador da roça vivo em trabalho forçado todo esforço físico .quem trabalha na roça sabe q é duro e sempre conversava com pessoas inteligentes q sabia de alguma coisa alguns exames sempre davam alterados como o IGE q sempre dava até 1950 e eousinofilos no hemograma q dava 12 até 24 porém médicos disiam era. Vermes porém fis vários exames de feses e não apareceu vermes nenhuma me aprofundei em conhecimento parti para o o mundo das doenças altoimunes fazendo exames foi aí q dentro desse mundo eu fiz algumas eletroforese de imunoglobulinas e hemoglobinas então foi aí q desfechos de muita coisa começou a aparecer descubri q minha medula é durante q só produzo 56 porcento de hemoglobina A1 e q caracteriza traço falciforme com isso descubri q tenho várias deficiências principalmente oxigênio tenho problemas com acidez vitaminas do complexo B porém vi médicos disseram q quem tem o traço não tem nem sintomas então passei a procurar pacientes com traço e vi q a negligência médica é maior do eu pensava muita gente tem história feia pra contar e os médicos não passam exames q identefiq essas duencas ainda tô na minha luta não sei se vou sair fora porq tô só piorando e ajuda nada mas com fe no pai eterno vou na luta obrigado

    1. Francisco, obrigado pelo seu comentário. Lamento pela sua condição de saúde, mas devo parabenizá-lo por conta da sua tenacidade e disposição para entender o que está havendo com o seu organismo. Pouquíssima gente, mesmo muito versada em letras e números, e mesmo sentindo muita dor, tem força de vontade para fazer isso. Quanto aos médicos serem negligentes, bem, disso há em todas as profissões. Considere o seguinte: a medicina tem progredido muito nos últimos 50 anos, porém, ainda é muito menos completa, precisa e clara do que a maioria pensa. Sobre a anemia falciforme, por exemplo, se sabe muito pouco porque a indústria farmacêutica não se anima a gastar muito e depois vender o resultado para algumas centenas de pacientes. Por fim, o organismo humano é também muito mais complexo do que se pensa. Eu não sou médico, nem defendo os médicos. Apenas quero apontar que, vira e mexe, nós os pacientes com dor crônica, temos que nos virar para conseguir alívio mais ou menos sozinhos.
      Pelo teor de seu comentário, eu suspeito que o seu problema físico atualmente está sendo agravado pela sua condição psicológica (desânimo, falta de disposição, ansiedade, tristeza etc.). Não quero dizer com isso que a sua dor é irreal, absolutamente. Ocorre que o estresse, a ansiedade e a angústia provocadas pelo seu estado, ou pela vida, desarranjam o sistema nervoso e acabam instalando dor ali mesmo sem haver uma ferida ou lesão a justificá-la.
      Aguente firme.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

CONHEÇA FIBRODOR, UM SITE EXCLUSIVO SOBRE FIBROMIALGIA
CLIQUE AQUI
Preencha e acesse!
Coloque seu nome e e-mail para acessar.
Preencha e acesse!
Você pode baixar as imagens no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
ATENÇÃO!
Toda semana este blog publica dois artigos de cientistas e dois posts inéditos da nossa autoria sobre a dor e seu gerenciamento.
Quer se manter atualizado nesse tema? Não duvide.

Deixe aqui seu e-mail:
Preencha e acesse!
Você pode ver os vídeos no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o mini-ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas