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Qual especialista em dor é ideal para você?

Qual especialista em dor é ideal para você?

Embora existam algumas certificações em medicina da dor, não há nenhuma qualificação que rotule academicamente um médico como especialista em dor. Como os especialistas em dor podem iniciar suas carreiras profissionais em várias especialidades médicas e, eventualmente, migrar para a medicina da dor, não há uma maneira fácil de distinguir um verdadeiro especialista nesse campo.

Este é o quarto capítulo de uma série de 6, que informa sobre os temas seguintes:

“O melhor médico é aquele que você corre para achar… e não encontra.”

– Denis Diderot

Este post é o quarto da série

Autor: Julio Troncoso, PhD

Antes de escolher um médico, verifique se ele é um médico licenciado para dor nas costas. Determine quanto tempo ele “trabalha com dor”. A revisão das credenciais de cada médico pode dar a certeza de que eles são qualificados para oferecer formas de tratamento seguras e eficazes. Aprenda o máximo que puder sobre sua história profissional. Por exemplo, determine onde ele ou ela fez faculdade.

Nos Estados Unidos existem 250 mil médicos especializados em dor. Médicos, exclusivamente. Neste blog, trabalhamos durante meses até juntar um banco de dados sobre profissionais da saúde (médicos, fisioterapeutas, osteopatas, fisiatras, psicólogos…) relacionados ao manejo da dor no país. “Relacionados”, não quer dizer que todos possuam o Registro de Qualificação de Especialista (RQE), concedido pelo Conselho Federal de Medicina, ou o Título de Especialista emitido pela Associação Médica Brasileira. Mas muitos no grupo estão nessa condição, e os que não estão provavelmente dominam o ofício o suficiente como para, ao menos, orientar um paciente desinformado. A acesso ao banco de dados ENCONTREI! é gratuito.

Enfim, como regra geral, se você for um paciente com dor crônica inteligente – e contar com meios econômicos respeitáveis – deve procurar obter tratamento para dor em uma clínica de dor legítima – uma que use uma abordagem multidisciplinar. Não apenas uma equipe de médicos e profissionais de saúde trabalhando em conjunto em seu caso melhora suas chances de alcançar um avanço, mas um plano de terapia multidisciplinar abrange mais aspectos das condições de dor. Por exemplo, pessoas que viveram com dor por um longo período de tempo, geralmente têm problemas secundários, como depressão ou privação de sono, que precisam ser remediados em uma terapia integrada.

Se você decidir que deseja um programa interdisciplinar para sua dor crônica, deve estar preparado para tomar algumas decisões difíceis. As Clínicas de Dor em geral são caras, raras e têm menos probabilidade de serem cobertas por planos de saúde. Então, você pode ter que fazer algum trabalho braçal para encontrar a tal clínica e marcar uma consulta.

Uma segunda consideração é encontrar um ajuste certo para o seu tipo específico de dor. Fibromialgia, síndrome do intestino irritável e transtorno do trigêmeo são 3 doenças crônicas geralmente tratadas por especialidades médicas diferentes. Pergunte ao médico especialista não apenas quais tipos de dor os pacientes tratam com mais frequência nessa clínica de dor, mas também quais tipos de pacientes apresentam melhora significativa em seus sintomas de dor. Talvez ele saiba.

Outra consideração são os tipos de terapias que um especialista em dor utiliza. Há uma infinidade de terapias para a dor, incluindo fisioterapia, retreinamento cognitivo, compostos farmacológicos ou terapias mente-corpo – ou tudo isso junto. Muitas vezes, é uma escolha sábia discutir a abordagem pessoal do especialista em dor para tratar a dor e, em seguida, decidir se essa abordagem é a que você deseja. Você deve ter em mente, no entanto, que nem toda terapia que soa estranha para você deve ser descartada imediatamente. Existem muitos tratamentos que precisam de algum investimento para produzir resultados.

Finalmente, entreviste seu especialista em dor. Atreva-se, afinal é a sua saúde. A medicina da dor é um campo em rápida evolução, então você quer alguém que tenha uma forte compreensão dos últimos avanços. Isso geralmente significa alguém que vai regularmente a conferências sobre dor e pesquisa novas técnicas em revistas médicas. Seu especialista em dor pode confiar em modalidades de tratamento mais tradicionais, mas também deve ter uma compreensão aguçada das terapias emergentes – e argumentos fortes para seus tratamentos preferidos. Você pode querer questioná-lo sobre sua posição sobre o uso de opioides entre pacientes com dor; você provavelmente não quer alguém que veja os opioides como uma solução de longo prazo, mas também não quer um médico que prescreva drogas leves para enfrentar, no curto prazo, uma dor severa demais.

A qualidade essencial

A dor é uma doença difícil de tratar. Uma das ferramentas mais importantes no arsenal de qualquer paciente ou médico deveria ser uma comunicação forte. Isso, do ponto de vista do paciente. Na prática, porém, o médico clínico típico dá pouca importância a isso, ao focar mais na doença do que na pessoa do paciente.

Quando você visitar um novo médico da dor pela primeira vez, avalie seu estilo de comunicação para ver se você se conecta com ele ou ela. Você deseja expressar seus sintomas e emoções relacionadas à sua dor em um ambiente humanamente acolhedor. Isso é essencial para quem convive com uma dor crônica. O médico olha você nos olhos e acolhe todas as suas perguntas, ou ele parece estar correndo para preencher a agenda de consultas desse dia?

Ora, pense seriamente nisso. Você precisa encontrar um médico da dor que esteja interessado em você e o ajude em sua jornada. O sucesso de qualquer tratamento depende disso.

Alerta

Se você duvidar da competência do profissional da saúde visado, ou carecer de informações sobre a sua certificação na especialidade DOR, convém descobrir há quanto tempo ele ou ela pratica no campo da dor, se publicou artigos sobre pesquisas relacionadas ao manejo da dor e, principalmente, se tem experiência em dores específicas (ex.: fibromialgia, endometriose, lúpus etc.).1

Em síntese:

Antes que o médico possa tratar a dor do paciente, ele deve diagnosticar a dor. Em alguns casos, a causa pode ser óbvia, como uma fratura exposta. Em casos de dor crônica, porém, as prováveis causas costumam ser difusas, o que em muito dificulta o diagnóstico. Nesses casos, também, os fatores que mais mantém ou aumentam a dor são de natureza emocional. Assim sendo, o verdadeiro problema do paciente – ou boa parte dele – fica fora do alcance da grande maioria dos médicos, que em geral não sabem ou não gostam de explorar latitudes psicológicas.

De qualquer maneira, o desafio do médico diante de um quadro clínico de dor crônica, esteja ela associada a uma doença crônica ou não, é formidável. Ele(a) é obrigado a diagnosticar confiando na sua interpretação do histórico médico do paciente e dos resultados de exames físicos e de outros tipos (ex.: neurológicos). Ferramentas de diagnóstico adicionais ainda ajudam a apoiar ou descartar um diagnóstico suspeito, porém será sempre o médico, a sua disposição anímica e o seu preparo cultural e clínico para tratar a dor como um problema médico específico afetando a pessoa do paciente como um todo (mente + corpo), que farão a diferença.

Qual pode ser a participação do paciente nesse contexto? Tomar todo o cuidado possível ao escolher o médico certo.

Não perca os temas abordados pela série a serem publicados nas próximas semanas:

A série de posts foi revisada pela Dra. Luci Mara França, vice-presidente da SBED – Sociedade Brasileira do Estudo da Dor.

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