Terapias Alívio da Dor & Outros - by dorcronica.blog.br

Praticar exercícios ajuda a evitar a depressão. Uma obviedade ignorada.

Praticar exercícios ajuda a evitar a depressão

Há pouco postei aqui uma matéria óbvia sobre vida saudável e dor crônica. Óbvia, porque as duas coisas estão intimamente ligadas: se alguns dos seus hábitos de vida não forem saudáveis, você está mais propenso a contrair ou a manter uma doença crônica, ou uma dor crônica, ou as duas coisas, do que se forem. Isso até as pedras entendem. No entanto, se aquilo é tão evidente, por que o IBGE nos diz que em cada 5 adultos brasileiros, 2 são considerados sedentários, ou 3 em cada 5, em se tratando de mulheres? Moral da estória: fazer o que é óbvio pouco significa quando nos obriga a mudar a mesmice, o conhecido. Para o sedentário, dar uma caminhada matinal pode ser um salto no escuro; reduzir alimentos gordurosos, uma violência; e tirar a cerveja no fim do dia, uma maldição. Não importa quão óbvio seja que essas mudanças poderiam agregar uns quantos anos de vida no fim da linha. Tudo isso, para justificar a minha enfadonha insistência no tema da vida saudável como principal terapia para aliviar a dor crônica. Ou a depressão, como demonstrado pela pesquisa comentada a seguir.

“Não há nada mais enganoso do que o óbvio.”

– Sherlock Holmes

Sete atividades de estilo de vida saudável podem reduzir enormemente o risco de depressão.  Uma análise de mais de 200.000 pessoas descobriu que viver um estilo de vida saudável que inclui coisas como dormir o suficiente, fazer exercícios regularmente e seguir uma dieta saudável está associado a um risco 57% menor de desenvolver depressão em comparação com pessoas que não fizeram isso.

Barbara Sahakian, da Universidade de Cambridge, e mais uma dúzia de colegas – 11 deles da Universidade de Shangai, China – analisaram dados sobre uso de álcool e nicotina, atividade física, dieta, sono e relacionamentos entre mais de 280 mil adultos que vivem no Reino Unido. O artigo sobre a pesquisa – “Nature Mental Health   The brain structure, immunometabolic and genetic mechanisms underlying the association between lifestyle and depressionacaba de ser publicado na Nature Mental Health.

Foram coletados dados sobre estilo de vida dos participantes entre 2006 e 2010. Durante o período de acompanhamento de 13 anos, 12.916 participantes foram diagnosticados com depressão.

Os dados incluíam informações genéticas, de saúde e de estilo de vida. Os participantes foram classificados com base em quantos fatores de estilo de vida saudável identificados uma pessoa aderiu. As categorias foram: desfavorável, intermediária e favorável.

Sete fatores de estilo de vida resultaram associados a um menor risco de desenvolver depressão após os investigadores ajustarem para idade, sexo, índice de massa corporal, estatuto socioeconômico e educação.

Estes foram:

  • Ingestão moderada de álcool.
  • Nunca fumar.
  • Dormir o suficiente.
  • Praticar exercício físico regularmente.
  • Seguir uma dieta saudável.
  • Socializar frequentemente.
  • Minimizar o comportamento sedentário.

Resultados: as pessoas do grupo intermediário tinham 41% menos probabilidade de desenvolver depressão em comparação com aquelas que estavam no grupo desfavorável. Esse grupo favorável, formado por pessoas que praticavam cinco a sete destes hábitos, tinha 57% menos probabilidade de desenvolver depressão.

Dormir o suficiente, fazer exercícios e socializar teve a maior influência. Cada um desses fatores foi associado a um risco cerca de 20% menor de depressão.

Exames cerebrais posteriores de um subconjunto de participantes também encontraram uma associação entre um maior número de hábitos de vida saudáveis e um maior volume cerebral em regiões conhecidas por influenciarem o humor, como o hipocampo e o córtex pré-frontal. Sahakian diz que isto sugere que o estilo de vida tem um impacto na biologia do cérebro, explicando potencialmente a ligação entre um estilo de vida saudável e uma menor probabilidade de depressão.

Por que esses achados são importantes?

Os resultados do estudo derrubam a ideia (óbvia!) de que um desequilíbrio químico no cérebro está por trás da depressão. Se for o estilo de vida também, poder-se-ia pensar em tratamentos voltados mais incisivamente que o habitual nesse campo. Afinal, assumir uma vida saudável está sempre, ou quase sempre, TOTALMENTE dentro do controle da pessoa, do seu orçamento, da sua agenda etc. E os benefícios são visíveis e relativamente rápidos de angariar.

“Embora o nosso DNA – a mão genética que nos foi dada – possa aumentar o nosso risco de depressão, demonstramos que um estilo de vida saudável é potencialmente mais importante. Alguns desses fatores de estilo de vida são coisas sobre as quais temos certo controle, portanto, tentar encontrar maneiras de melhorá-los – garantir uma boa noite de sono e sair para ver amigos, por exemplo – pode fazer uma diferença real na vida das pessoas.”

– Dra. Barbara Sahakian, Departamento de Psiquiatria da Universidade de Cambridge, Inglaterra.

Como convencer os sedentários com dor crônica a aliviar a sua condição adotando hábitos de vida saudável, claro, são “outros quinhentos”. Até porque a depressão, de cara desestimula as pessoas a fazerem qualquer coisa, incluindo fazer exercícios e comer refeições saudáveis.

“A atividade física reduz a dor crônica ao desenvolver força e flexibilidade muscular, reduzindo a fadiga, reduzindo a sensibilidade à dor e a inflamação.”

Pode ser, se pressupormos que adotar hábitos de vida saudável é o único a fazer para enfrentar a dor crônica. Obviamente (de novo!), não é assim. Ou não pode ser assim. Atualmente há evidências moderadas de maior eficácia resultantes de tratamentos multidisciplinares, mais benéficos do que programas convencionais. Um padrão mínimo de terapia multidisciplinar pode ser, idealmente: exercícios individuais específicos, treinamento regular em técnicas de relaxamento, aconselhamento ocupacional (se necessário), terapia de grupo liderada por um psicólogo clínico (1,5 h) por semana, sessões de educação em dor do paciente uma vez por semana, duas sessões de fisioterapia por semana, oito sessões de terapia cognitivo-comportamental (2 horas por semana), e informações neurofisiológicas fornecidas por um médico treinado.1

Pacientes com fibromialgia e dor crônica nas costas, aliás, tendem a lucrar mais substancialmente do que pacientes com origens diversas ou diagnósticos de dor crônica.

Esse tipo de tratamento certamente não arrisca desestimular o paciente, como seria o caso de uma intervenção isolada em prol do alívio da dor crônica (ex.: mudança de hábitos de vida). Ele está ao alcance de muita gente? Obviamente que não. Mas essa é uma outra estória.

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Uma resposta

  1. Gostei da informação tenho atrite rematica e fibromialgia soufrendo muito com os citoma agora que consegui passar no rematlojilojista

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