Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

A hora do espanto

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A impermeabilidade da juventude a qualquer raciocínio que possa privá-la de ter prazer é do tempo que nós fomos apenas bactérias, há zilhões de anos. Eu sei. Eu fui jovem, uma porta fechada para (quase) qualquer sugestão sensata, se bem lembro. Mas naquela época não tinha pandemia. A minha idiotice era inofensiva portanto, não colocava ninguém em risco de vida. Hoje a história é outra. Por isso, e considerando que a pandemia definitivamente não vai embora nesse ano, algo me diz que não há mais espaço para a ladainha de “por gentileza, mantenha distância, use máscara etc.”, ou para questionamentos comedidos do tipo “Como convencer você a se proteger do vírus, e de passagem, proteger os outros?”. Não há mais. Tempo perdido. Sem chance. Então o que resta? Mudar de estratégia, porque a ladainha praticada tediosamente desde o começo da pandemia não serve. Nesse post eu apresento uma alternativa nesse sentido. Você talvez vá odiá-la e tudo bem. O que não pode fazer é ignorá-la.

O vídeo no qual eu me baseei para preparar esse post chegou a mim há pouco mais de um mês. Ele fora recém divulgado em Sidney, a maior cidade da Austrália, em meio a um surto da variante Delta e na sua terceira semana de lockdown.

(For the record:  naquela semana, as autoridades de Sidney relatavam em torno de uma centena de casos diários. O Rio de Janeiro, com uma população parecida a de Sidney? Mais de 2,5 mil.)

O lançamento do anúncio causou uma polêmica enorme. Primeiro, por ser dirigido aos jovens. E segundo, porque ele fazia parte de uma campanha maior de vacinação “Arm Yourself”, lançada por nada menos que o Ministério da Saúde australiano (Australian Government/Department of Health).

As queixas eram compreensíveis, o vídeo é mesmo chocante. Tanto assim, que decidi esquecê-lo. As pessoas estão cansadas de guerra pandêmica, pensei. Exaustas de tanta má notícia e sem ver luz no fim do túnel. Por outro lado, no Brasil, há tempos a verdade nos é estranha, uma espécie de poema platônico… enfrentá-la, quem sabe, poderia até causar desarranjos intestinais, enxaqueca e coisas assim.

E nisso eu estava ao me deparar com imagens da balada no Leblon, bairro nobre do Rio, no fim de semana passado. Centenas de paroquianos, aglomerados, juntinhos, desmascarados, com a possibilidade de vir a se infectar, passar mal e ir parar numa UTI. E morrer, eventualmente.

Mas, me conformei. Acontece. A quarentena, a sanidade mental abalada, eu já fui jovem etcétera, justificativas não me faltaram no intuito de conseguir esquecer o assunto. Isso de que qualquer um desses jovens poderia ter, probabilisticamente falando, e apenas por exemplo, a chance de me matar se cruzar comigo na rua, ou no supermercado, ou no dentista. A mim, e a mais uns quantos.

E pensei na vacina, claro. Ou nas vacinas, tidas como a solução da paroquia para a pandemia. “É preciso correr com a segunda dose”, declarava nesse mesmo dia um representante do Sindicato dos Médicos do Rio. Supertranquilizador esse argumento, o de ver as vacinas como a gente via a cavalaria americana chegar matando índios a torto e direito nos filmes do Velho Oeste quando criança. Infelizmente, porém, um amigo bom de cálculo me fez repensar o assunto. Ao ritmo atual de 1 milhão de vacinas aplicadas diariamente, e considerando os 40 milhões de adultos que falta vacinar pela primeira vez e também pela segunda vez, e os não-sei-quantos que já tomaram a primeira dose da vacina mas não voltaram a tomar a segunda, e se em cima disso agregamos as interrupções por falta da dito cuja, e a iminência de uma terceira dose… o MEU risco de pegar Covid-19 na rua, no supermercado etc… vira e mexe, se estende até novembro. E isso, sem considerar que atualmente não há no Brasil um cientista ou médico sério, infectologista, epidemiologista, ou qualquer outra especialidade terminada em “ista”, que não advirta para a prevalência da variante Delta já agora, em setembro! Detalhes, detalhes…

Então, decidi postar o tal vídeo!

E seja o que Deus quiser. Provavelmente muita gente vai ficar injuriada e chamando a minha mãe de nomes inconfessáveis. Eu vou passar por terrorista, mal amado e pessimamente informado, eu sei. E até o blog pode ser retirado do ar por falar a verdade… nesses tempos, pode ser…

O risco, porém, vale a pena. Eu fiz as contas. Talvez um desses jovens o assista e então desista de ir flanar sem máscara no Leblon.  Nesse caso, um tanto incerto, reconheço, qualquer calamidade que a divulgação do meu vídeo possa me trazer será menor que a de eu vir cruzar com esse cara na rua, ou no supermercado, ou no dentista…

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