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Os sete objetivos do paciente com dor crônica

Os sete objetivos do paciente com dor crônica

“O principal objetivo no manejo da dor crônica é que a causa da dor seja encontrada e curada, permitindo que o indivíduo volte às atividades normais e à vida diária.” Eis o apelo ao público de pacientes com dores crônicas feito por uma clínica londrina. Sem querer falar mal de ninguém, a mim isso soa como um expediente comercial temerário. A maioria das dores crônicas, se não todas, carece de cura médica. Eis a verdade. Uma verdade que dói e revolta, principalmente aos pacientes, mas nem por isso deixa de ser o que é: a verdade. E eu, por experiência própria, duvido que dourar a pílula no que se refere ao objetivo final de um tratamento de dor crônica tenha qualquer valor terapêutico. Pelo contrário, eu acredito que seja o inverso. Gerar expectativas e depois de um tempo deixar a realidade implodi-las, pode afundar mais no desespero quem já estava fragilizado(a) pela sua condição de saúde. A linha que acaba por unir a dor crônica à depressão pode muito bem passar pela frustração de uma expectativa que se imaginava viável (e não era).

Obviamente, diante de uma ou mais dores crônicas, objetivos de convivência – ou de sobrevivência, como quiser – o paciente há de ter. Isso não se discute. Porém, eles não precisam ser heroicos nem audaciosos, e sim, viáveis e essenciais.

“Uma meta deve ser desafiadora. Mas também realista e não impossível de alcançar. Desafiadora o suficiente para fazer você se esticar, mas não quebrar.”

Charles Hansen

Autora: Jenny L. F. Andrus, MD

Se você perguntasse a dez pacientes com dor crônica o que pretendiam fazer depois de sair da consulta médica com um diagnóstico em mãos, provavelmente ouviria dez respostas muito diferentes, mas com um denominador comum – FAZER MINHA DOR DESAPARECER!

Um objetivo importante, certamente, mas não o mais realista. A seguir, os objetivos clínicos incorporados a qualquer plano de tratamento desenvolvido para um paciente com dor crônica para obter resultados viáveis.

1. Melhorar a Qualidade de Vida

Este é o objetivo número 1. Controlar a dor tem muito a ver com a qualidade de vida do paciente, mas não a define plenamente. Ou não deveria. Qualidade de vida é um conceito mais abrangente e menos egoísta do que reduzir, ou se livrar por completo da dor. Manter a harmonia familiar. Ouvir os amigos. Realizar as atividades que se gostava de fazer antes que a dor se tornasse parte da vida. E o que mais interessa preservar de tudo isso? Afinal, “qualidade de vida” para o paciente A não é o mesmo no paciente B.

2. Reduzir o desconforto e a intensidade da dor

Ideal seria trocar este objetivo por algo assim como “cura completa”, “dor zero” ou coisa parecida. Porém, para a maioria dos pacientes com dor crônica, alcançar uma vida totalmente livre de dor é irreal. O que cabe é se concentrar na redução dos sintomas dolorosos, a um nível gerenciável e suportável. O que, sim, pode ser alcançado por meio de um procedimento ambulatorial de emergência, por uma prescrição medicamentosa… mas não é o mais provável. Gostemos ou não, na maioria dos casos o que precisa é uma combinação de fisioterapia, medicamentos não narcóticos e aconselhamento comportamental. E muita, muita paciência para progredir por tentativa e erro.  Cada paciente é diferente e o tratamento deve ser adaptado especificamente a seus anseios e possibilidades.

3. Manter a Movimentação Física

Pesquisas provam que a falta de movimento piora a dor, e que o movimento pode ser um grande benefício para os pacientes com dor. O objetivo deve ser encontrar um equilíbrio para o paciente fazer exercícios sem causar muita dor. Se ele ou ela estiverem muito fora de forma, a fisioterapia pode ser necessária para ajudá-los a ganhar força e função. Exercícios suaves, como caminhada, natação, ioga, esportes aquáticos etc., podem vir depois, adotados sempre aos poucos, progressivamente.

4. Preservação do bem-estar mental

Ter dor crônica geralmente causa depressão, ansiedade, culpa, tristeza, remorso, sentimentos de perda e, às vezes, até inclinações suicidas. Esses transtornos psicológicos são previsíveis e devem ser abordados como parte de um tratamento. Quase sempre, quando isso é constatado pelo médico, este remete o paciente aos cuidados de um Psicólogo Clínico ou de um psiquiatra. De fato, esses profissionais podem fornecer a pacientes com dor crônica o apoio emocional e os recursos de enfrentamento necessários para lidar com sua condição, porém não necessariamente. Depende da severidade do transtorno. Sob a orientação de um bom médico ou mesmo sozinho, o paciente pode fazer mentalmente muito por si mesmo antes de pensar em ver um especialista.

5. Uso adequado de medicamentos

Combater a dor e os sintomas da dor crônica com analgésicos de venda livre ou, pior ainda, via medicamentos, sobretudo narcóticos, tipo ansiolíticos, opioides etc. Isso é um equívoco. Mesmo sob prescrição médica, e com acompanhamento médico, a funcionalidade deles têm vida limitada, além de apresentar efeitos colaterais e o risco de dependência. O papel do médico é prescrever medicamentos quando absolutamente necessário e isso se aplica especialmente aos narcóticos. O papel do paciente é seguir o tratamento medicamentoso prescrito à risca até uma data-limite também determinada claramente pelo médico.

6. Controle dos surtos

Um surto refere-se a um período de dor intensa que é sentida mais severamente do que a dor crônica do dia-a-dia. Os surtos podem durar horas, dias ou semanas e muitas vezes não há um padrão definido para eles. Eles geralmente aparecem rapidamente e sem muito aviso, então podem ser preocupantes e difíceis de lidar. Surtos amiúde não podem ser prevenidos, mas a maneira de o paciente se postar diante deles, sim pode e deve. Orientações básicas têm a ver com: 1) repouso e exercício – em vez de altos e baixos de atividade, tente manter um nível de atividade constante; uma boa noite de sono é extremamente importante. 2) Alívio da dor – tome todos os medicamentos prescritos regularmente na dose correta; use calor e/ou gelo nas áreas doloridas.3) Cuide do humor e evite pensamentos tóxicos, como  ‘eu não consigo lidar com isso’, ou  ‘estou de volta ao o início’. Aprenda estratégias, incluindo reestruturação cognitiva e meditação, que ajudam a gerenciar esses padrões de pensamento. 4) Se os sintomas de ansiedade ou depressão se tornarem intensos, consulte um médico. 5) Crie distrações (ex.: reaver fotos, ouvir música, ler livros…), para remontar o surto. 6) Evite se expor a incompreensões ou aconselhamentos caseiros vindos de terceiros. 7) Leve um registro do comportamento de cada surto. Desenhe um perfil. Depois de dois ou três episódios você terá identificado o que fazer e não fazer para controlá-lo.

7. Manter-se organicamente acima da linha de base

Uma linha de base é um ponto de partida ou um limite que diferencia territórios. No que se refere ao preparo para controlar os sintomas de uma ou mais dores crônicas, uma linha de base divide a população de pacientes em dois grupos: os mais e os menos qualificados organicamente. Ou melhor, do grau de preparo físico e mental possuído no momento que o surto de dor aparecer. O que por sua vez depende de três fatores: alimentação, sono e estresse. Quanto mais o paciente estiver zerado nessa conta tríplice, mais acima da linha da base ele há de ficar, e melhores serão as suas chances de levar a sua vida normal adiante apesar da dor, bem como de se prevenir de eventuais surtos, ou de encurtá-los e/ou sair deles sem sequelas.

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