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O que pais e educadores devem saber antes da volta às aulas – Parte 4

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

Até o momento, as evidências sugerem que as crianças desempenham um papel mínimo na transmissão do novo coronavírus. Mas considerando que a Covid-19 representa uma ameaça potencialmente mortal, seria temerário afirmar que a volta às aulas é uma operação “100% segura”. Este post apresenta 4 razões para se concluir que, ao contrário, o risco sanitário associado é alto.

“Nós nos preocupamos com o que uma criança se tornará amanhã, mas esquecemos que ela é alguém hoje.”

Stacia Tauscher

A volta as aulas não é uma operação “100% segura”, pelos motivos seguintes:

A definição de “criança”

Como observado nos três posts anteriores, a maioria das estatísticas sobre o efeito da Covid-19 em crianças provém de pesquisas chinesas e europeias em que a faixa etária da “criança” vai de 1 a 19 anos. Crianças (até 10 anos) e adolescentes (até 19 anos), todavia, são muito diferentes quanto a se infeccionar ou infeccionar outros com o novo coronavírus. Evidências muito recentes, vindas da Coreia do Sul, indicam que os adolescentes são tão infecciosos quanto os adultos. Eles têm maior probabilidade de espalhar o coronavírus entre os membros da família do que adultos e crianças menores de 10 anos.

Testagem

As estatísticas oficiais dos testes não podem ser usadas para determinar a probabilidade de pessoas de diferentes idades pegar o novo coronavírus. Na população geral, há um grande número de infectados assintomáticos que não são testados, entre eles, as crianças.  É possível então que as crianças apareçam apresentando sintomas mais leves que os adultos, simplesmente porque elas são muito menos testadas para a Covid-19 do que estes.

Transmissão

É impossível dizer o quanto uma criança é mais ou menos infecciosa que um adulto porque não existem “experimentos diretos comparando a exposição a uma criança infectada com a exposição a um adulto infectado”.  Segundo o Royal College of Paediatrics and Child Health do Reino Unido seria necessário medir os anticorpos contra a Covid-19 em toda a população para quantificar com segurança o risco de transmissão do novo coronavírus de crianças para outras pessoas.

Porém, há um outro caminho de se testar a hipótese de que uma criança é potencialmente um transmissor do vírus. Admitindo uma relação positiva entre carga viral e potencial infeccioso, as crianças infectadas com pelo menos a quantidade de coronavírus no nariz e na garganta que os adultos infectados, seriam transmissoras do vírus. E foi isso que pesquisadores da Northwestern School of Medicine (EUA) afirmaram num artigo recentemente publicado na JAMA Pediatrics.  De fato, crianças menores de 5 anos podem hospedar até 100 vezes mais vírus no trato respiratório do que os adultos.

Essa medida não prova necessariamente que as crianças passam o vírus para outras pessoas. Ainda assim, os resultados devem influenciar o debate sobre a reabertura de escolas. Nesse momento, as comunidades começarão a ver grupos de infecções se enraizarem, incluindo crianças de todas as idades, disseram vários especialistas ao The New York Times.

Comunicação

Pelo visto, a comunicação às crianças referente a ameaça representada a elas e aos pais e educadores pelo novo coronavírus estará ausente na retomada das aulas. O esforço de prevenção se concentra no preparo da infraestrutura, da agenda curricular, da logística etc., e ignora por completo as crianças como entidades pensantes que precisam entender das coisas antes de fazer o que deseja delas.

Dessa forma, estados e prefeituras irão cometer o mesmo erro já cometido com os pais: uma comunicação passiva, voltada para o adestramento.

Passiva, porque ao invés de se usar a tecnologia de informação para levar a ameaça do novo coronavírus e a Covid-19 à mão de cada estudante, via celular, se deixa essa explicação por conta do noticiário da TV e do discurso dos pais. Nada de bom resultou disso, haja visto o fracasso da política de distanciamento social; nada de bom irá resultar do mesmo, na volta às aulas, provavelmente em Outubro.

E quanto ao adestramento? Mandar adultos lavarem as mãos, usarem máscaras, manterem distância social de 1 metro do próximo e evitarem aglomerações e só… é o mesmo que dizer a uma criança de 5 anos, n vezes, “Não”, “Não”, “Não”…ou “Não faça isso”, “Não faça isso”, “Não faça isso”…e só.

Eu sou educador e sei que não é assim que as pessoas acima de 5 ou 6 anos aprendem. Lembre você de como aprendeu a ler. Uma criança não vai se interessar em juntar o P com o A e com o I, a menos que alguém lhe indique que isso forma a palavra PAI (uma razão) e que PAI é esse senhor que aparece todo dia em casa no café da manhã, sonolento e sempre reclamando de alguma coisa (o sujeito da comunicação). Ou seja, para convencer milhões de adolescentes aborrecentes a fazer o que não querem (ou acham besteira, bobagem, tolice… essas coisas de adultos…) é preciso educar, não apenas informar, e muito menos apenas mandar.

E o que isso tem a ver com a prática? Tudo. Revise o plano de retomada das aulas presenciais publicado pelo Governo de SP. Nenhuma palavra sobre uma ação programada para explicar pedagogicamente aos alunos a ameaça representada pelo novo coronavírus e a Covid-19, tanto para a saúde deles como a dos seus pais e educadores.

Ameaças localizadas (hotspots*)

A volta às aulas dificilmente poderá ser um único movimento, deflagrado numa mesma data em todo o país, estado ou município. O critério para um estabelecimento educacional ser aberto aos alunos é o da região ter atingido a Fase 4 da reabertura e apresentar uma taxa de infecção de 5% (ou menos) por 14 dias. Por outro lado, as escolas fecharão se a taxa de infecção regional for 9% ou mais, usando uma média de sete dias. Isso, em Nova York, Amsterdam ou São Paulo. (Os 5% e 9% do exemplo se referem a Nova York.)

*Hotspots são espaços geográficos (região, cidade) onde muita gente testou positivo para a Covid-19 em pequenas concentrações (clusters). Em termos gerais, um cluster de coronavírus é um local onde mais de 10 casos positivos são detectados, enquanto um hotspot compreende vários clusters.

Em suma:

  • Crianças (1-10 anos) e adolescentes (11-19 anos) não são farinha do mesmo saco, ao menos para efeito do novo coronavírus e a Covid-19.
  • As crianças que vão para o ensino médio provavelmente passarão o vírus entre si e o levarão para casa, mesmo que não tenham nenhum sintoma.
  • A repetição da (in)comunicação míope praticada com os adultos em relação a ameaça do vírus pelas autoridades estaduais e municipais terá o mesmo resultado pífio, se não pior, com crianças e adolescentes.
  • Enquanto os municípios brasileiros não desenvolverem capacidade e experiência de testagem, e se valerem dos testes certos, é impossível dizer aos pais dos alunos de qualquer escola do município que seus filhos estarão minimamente seguros na escola A ou B.
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