Dor Crônica - by dorcronica.blog.br

O que faz o médico especialista em medicina da dor?

O que faz o médico especialista em medicina da dor?

O médico especialista no manejo da dor trata muitos tipos diferentes de dor, incluindo dor causada por cirurgia, lesão tecidual, lesão nervosa e doenças crônicas como diabetes e fibromialgia. Os mais experientes também tratam a dor crônica em si mesma, que em geral não tem uma causa clara e é de difícil diagnóstico e tratamento. Isso, no geral. Esse post detalha responsabilidades, tipos de dor comumente tratados, exames para diagnóstico e possíveis tratamentos.

Este é o segundo capítulo de uma série de 6, que informa sobre os temas seguintes:

“Às vezes, a melhor coisa que podemos fazer por nossos pacientes é dizer a eles qual é o melhor comportamento e depois negociar algo com o qual eles possam conviver.”

– Dra. Nancy Dickey

Este post é o segundo da série

Autor: Julio Troncoso, PhD

Você provavelmente confia sua saúde a um médico conhecido, mas se sentir dor, já desde o início dos sintomas, pode ser que um especialista em dor seja uma opção melhor. Principalmente se a dor for crônica: qualquer condição de dor como artrite, dor nas costas ou neuropatia que dura mais de três meses. Se você atingir a marca de três meses sem qualquer alívio da dor, e seu médico de cuidados primários não conseguir encontrar uma condição de saúde que esteja causando a dor, você pode precisar das habilidades avançadas de diagnóstico de um especialista em dor.

Pode ser que seu médico favorito esteja ausente ou que a dor em si seja insuportável; em ambos os casos, talvez você encontre alívio com um especialista.

Mesma coisa, em relação a opioides. Muitos médicos se apressam em prescrever esses medicamentos como tratamento padrão para qualquer condição de dor. A dor crônica, no entanto, requer uma estratégia holística e um plano apenas com opioides pode aliviar em alguma medida a dor, mas também representar sérios riscos.

Por fim, se o seu médico está recomendando um procedimento cirúrgico, ainda cabe explorar suas opções com um especialista em dor, que eventualmente pode oferecer opções menos invasivas. Existem muitos tratamentos alternativos que não envolvem cirurgia ou medicamentos viciantes. Idealmente, o seu médico de gestão da dor será bem versado em tratamentos de medicina alternativa. Estes geralmente incluem neuromodulação, terapia cognitivo-comportamental, exercícios mente-corpo, meditação, terapia de água, acupuntura e massagem, num programa integrado com intervenções da medicina convencional.

Qual é a função do médico especialista no manejo da dor?

Idealmente, reduzir e controlar a dor do paciente, especialmente o que sofre da versão crônica. Ao visar a qualidade de vida geral do paciente, trata-o como um todo, e não apenas uma parte do corpo.

Para tanto, o especialista em dor desenvolve um plano de tratamento para aliviar, reduzir ou controlar a dor e ajudar os pacientes a retornar às atividades diárias rapidamente, sem cirurgia ou dependência pesada de medicamentos.

O plano de tratamento visa principalmente recuperar a funcionalidade do paciente, ajudando-o a retornar às atividades diárias rapidamente, sem cirurgia ou dependência pesada de medicamentos. A abordagem de trabalho é multidisciplinar, em parceria com outros especialistas, de modo que o paciente seja tratado dentro de uma visão sistêmica do seu problema de saúde e de uma convivência tolerável com a dor (quando crônica).

Alguns fisiatras possuem treinamento avançado em Manejo Intervencionista da Dor (IPM). IPM é uma área da medicina dedicada ao diagnóstico e tratamento de distúrbios relacionados à dor. Os tratamentos intervencionistas consistem em diversas técnicas minimamente invasivas para a dor, realizadas por meio da aplicação de técnicas percutâneas (por exemplo: neuroablativas e neuromoduladoras), independentemente ou em conjunto com outras modalidades de tratamento.

O que trata o especialista no manejo da dor?

É responsabilidade do especialista no manejo da dor:

  • Abordar clinicamente o paciente com queixa de dor.
  • Reconhecer as principais síndromes dolorosas e seu manejo clínico.
  • Reconhecer os principais métodos de avaliação e diagnósticos da dor.
  • Manejo correto das principais medicações utilizadas no tratamento da dor.
  • Indicar os principais tratamentos intervencionistas em caso de falha ou intolerância ao tratamento medicamentoso.

Tipos de dor tratados por um especialista em controle da dor

Na América do Norte, os especialistas em dor são mormente fisiatras intervencionistas, fisioterapeutas ou até quiropatas com experiência para diagnosticar e tratar distúrbios da coluna vertebral. Os médicos especializados em dor geralmente conduzem clínicas universitárias ou particulares.

No Brasil, o leque de especialistas em dor é mais amplo – em parte porque as exigências para merecer esse título são menores que na América do Norte.

Geralmente tratam pacientes que se enquadram em um ou mais dos seguintes grupos:

  • o primeiro grupo de dor é o resultado de tecidos danificados no corpo, normalmente encontrados nas articulações;
  • o segundo se origina como um sintoma de um distúrbio nervoso, e
  • o terceiro grupo é uma dor mista que abrange áreas mais amplas, como as costas. Doenças tratadas são : dor de pescoço, distúrbios de dor causados ​​por lesão tecidual, osteoartrite (geralmente nos joelhos ou quadris), artrite reumatoide (uma doença autoimune – afetando pequenas articulações como dedos, pulsos), dor nervosa ou distúrbios de dor do sistema nervoso AVC (recuperação da dor pós-AVC), esclerose múltipla, lesão da medula espinal, neuropatia (dor no nervo devido a herpes zoster, HIV, diabetes), câncer e a dor crônica entendida como uma doença em si mesma, não necessariamente associada a uma das doenças anteriores.

O que esperar de um médico especializado no manejo da dor?

Quando você visita um médico de controle da dor, ele realiza um exame físico e pergunta sobre seu histórico médico e sintomas de dor atuais.

Avaliação detalhada do paciente

O médico e o paciente conversam profundamente sobre o problema atual e o histórico médico do paciente. O médico pode perguntar quando e como a dor começou, para uma descrição da dor, sobre atividades que aumentam ou reduzem a dor e tratamentos atuais ou anteriores.

Exame Físico e Neurológico

Um exame físico avalia os sinais vitais do paciente; pulso, respiração, batimento cardíaco, pressão arterial e assim por diante. Um exame neurológico avalia as capacidades sensoriais (tato) e motoras (funções) do paciente, incluindo reflexos, equilíbrio, capacidade de andar, força muscular e tônus muscular.

Os principais exames solicitados pelo médico no fim de uma consulta relacionada à dor são os seguintes:

  • Exames de Sangue
  • Exames de Imagem
    • Raio-x ou radiografia é um teste comum realizado para revelar a condição das estruturas ósseas do corpo. Os resultados podem sugerir que mais testes são necessários.
    • Tomografia computadorizada é um estudo de imagem tridimensional também usado para avaliar ossos e tecidos moles. Cada imagem anatômica detalhada se assemelha a fatias ou seções transversais da área específica do corpo.
    • Ressonância magnética é uma ferramenta de imagem poderosa. É comumente usada para avaliação musculoesquelética, pois fornece muitos detalhes sobre ossos e tecidos moles.
    • PET scan (Positron Emission Tomography). Usa pequenas quantidades de radionuclídeos (isótopos radioativos) para medir as mudanças no tecido em nível celular. Este teste é realizado quando há suspeita de câncer.
    • Discografia. Avalia a integridade estrutural dos discos e pode ser usado para replicar dores nas costas ou nas pernas. O procedimento envolve o uso de um corante de contraste injetado em cada disco suspeito para ser examinado por raio-x ou tomografia computadorizada.
    • NCS (Nerve Conduction Study) avalia a velocidade dos impulsos nervosos conforme eles viajam ao longo de um nervo. Este teste pode ajudar a determinar se há dano ao nervo, a extensão do dano e se os nervos foram destruídos.
    • EMG (eletromiografia) usa estimulação nervosa para avaliar a atividade elétrica dentro de fibras musculares selecionadas. O teste mede a resposta muscular e detecta danos e doenças musculares. Pode ajudar a distinguir entre distúrbios musculares e nervosos.

Esses exames não são obrigatórios ou constituem uma praxe. O exame determinante é o realizado pelo médico.

Depois de diagnosticar sua dor, o médico especialista em dor propoe um plano de tratamento. Isso pode incluir medicação, terapia ou cirurgia.

A consulta dura cerca de uma hora. Trazer um histórico completo de sua situação médica pode agilizá-la. 

Eu vou sentir dor ou desconforto durante a consulta?

Não. Dependendo dos testes realizados, você pode fazer exames de sangue, que requerem uma picadinha rápida, ou potencialmente um ultrassom ou ressonância magnética, que são indolores. A consulta inicial não envolve nenhum tratamento extremo.

Que tipo de tratamentos o especialista no manejo da dor pode oferecer?

Recomendação de medicamentos para dor crônica, como analgésicos AINEs ou terapias como fisioterapia e acupuntura, por exemplo. Para obter mais informações sobre os tipos de medicamentos usados para o controle da dor, clique aqui.

Os tratamentos para o controle da dor aguda mais comuns são medicamentos, injeções anti-inflamatórias, bloqueadores nervosos, bombas e estimuladores, fisioterapia, cirurgia, acupuntura e métodos de relaxamento. A dor crônica exige um outro enfoque, medicamentoso e não medicamentoso.

O tratamento intervencionista da dor é indicado quando os do tipo farmacológico não promovem analgesia eficaz, ou quando os efeitos adversos se tornam intoleráveis. Ele pode consistir de técnicas minimamente invasivas para a dor, realizadas por meio da aplicação de técnicas percutâneas (ex.: neuroablativas e neuromoduladoras) de tratamento.

No final das contas, o tipo de tratamento depende do profissional que você consultar e da gravidade de sua condição. Alguns médicos podem tentar uma abordagem mais holística e se concentrar em ajudar sua mente e corpo a relaxar para aliviar a dor. Eles podem recomendar tratamentos como terapia mental e/ou física, tratamentos quiropráticos e acupuntura. Outros médicos podem confiar mais em métodos médicos convencionais para reduzir sua dor, como cremes ou injeções. Se esses métodos de tratamento não reduzirem sua dor o suficiente, a cirurgia pode ser a única opção restante. 

Quanto tempo leva para diagnosticar a dor?

Varia de acordo com a gravidade da condição, dos sintomas exibidos e do tempo que eles estão presentes, e dos métodos de tratamento utilizados.  A dor crônica, por exemplo, em geral é difícil de diagnosticar. Ela pode ser um sintoma coadjuvante de outra ou outras doenças crônicas ou pode ser uma doença em si mesma que é comórbida em relação a essas doenças. 

O médico especialista em dor trabalha sozinho?

Em geral, não. Para garantir que todas as necessidades do paciente com dor crônica sejam atendidas, o médico idealmente coordena, formal ou informalmente, uma equipe interdisciplinar de profissionais de saúde.

Esses profissionais podem incluir:

  • Fisiatras
  • Anestesiologistas
  • Internistas
  • Oncologistas
  • Especialistas cirúrgicos
  • Psiquiatras
  • Psicólogos
  • Enfermeiras
  • Terapia ocupacional
  • Fisioterapeutas

A utilização de uma abordagem interdisciplinar permite que o paciente com dor crônica permaneça no centro de suas necessidades de gerenciamento da dor e utilize vários recursos e modalidades para fornecer o melhor cuidado potencial.

Pelo visto, em se tratando de dor crônica, seja ela associada a uma ou mais doenças crônicas ou não, uma abordagem multi ou interdisciplinar é o ideal. Contudo, no Brasil essa modalidade clínica está ao alcance de poucos, uma vez que localizada exclusivamente em Clínicas de Dor ou Centros de Dor.

Não perca os temas abordados pela série a serem publicados nas próximas semanas:

A série de posts foi revisada pela Dra. Luci Mara França, vice-presidente da SBED – Sociedade Brasileira do Estudo da Dor.

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