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O que é fibromialgia: a radiografia

O que é fibromialgia: a radiografia

A enquete realizada pelo blog abrangeu 250 pessoas com fibromialgia, ou que se imaginam portadores. Para minha surpresa, ela mostrou pouco conhecimento sobre essa síndrome. A sua ficha técnica, por assim dizer. Sintomas, critérios de diagnóstico, tratamentos… essas coisas. Eu estranhei porque na página principal do site (FIBRODOR) aparece destacado o link “Visão Rápida” resumindo tudo – ou quase tudo, sejamos modestos – o que convém a um paciente saber sobre fibromialgia. Mas, com a realidade não se briga e eu resolvi insistir. Insistir, enfim, em levar a quem interessar, um apanhado de informações gerais sobre fibromialgia. Um conhecimento básico que permita ao paciente conversar de igual para igual com seu médico ou médica, e assim sair desse encontro com uma noção clara dos próximos passos a dar. Algo que hoje, por sinal, raramente acontece.

“A posse do conhecimento não mata o mistério. Há sempre mais mistério.”

– Anais Nin

A fibromialgia é um distúrbio que causa dor musculoesquelética em todo o corpo por longos períodos, portanto é também uma dor crônica. Viver com dor crônica pode ser altamente desafiador se não for tratada e controlada. Isso pode afetar sua qualidade de vida e prejudicar suas habilidades.

Conhecer essa síndrome – conjunto de sinais e sintomas – é importante, pois isso pode levar a um melhor manejo do paciente.

  • A fibromialgia é classificada como “dor crônica primária” na International Classification of Diseases, da Organização Mundial da Saúde.
  • Ela é a segunda condição mais comum que afeta ossos e músculos em adultos.
  • No entanto, a fibromialgia ainda é frequentemente mal diagnosticada e mal compreendida. Leva entre 2 anos (Brasil Brasil) e 5 anos (EUA Estados Unidos) para ser diagnosticada.
  • Qualquer pessoa pode ter fibromialgia, até mesmo crianças. No Brasil Brasil, a sua prevalência varia entre 2,5% e 5%, segundo a fonte de pesquisa.
  • As mulheres têm sete vezes mais chances de ter fibromialgia do que os homens.
  • A maioria das pessoas desenvolve fibromialgia na meia-idade.
  • As pessoas que têm outras doenças crônicas, como artrite reumatoide e lúpus, também podem ter fibromialgia.
  • Não há cura. Mas uma combinação de medicação, exercícios, controle do estresse e hábitos saudáveis ​​pode aliviar seus sintomas o suficiente para que você possa viver uma vida normal e ativa.

Causas

Os médicos não sabem ao certo o que causa a fibromialgia. Alguns acham que é um problema com a forma como o cérebro e a medula espinhal processam os sinais de dor dos nervos. Alguns debitam essa anomalia a um distúrbio genético que ocorre em famílias. No entanto, qualquer pessoa pode obtê-lo, mesmo que não ocorra em famílias.

Fatores desencadeantes circunstanciais podem levar a mudanças que fazem com que o sistema nervoso central processe as mensagens de dor de maneira diferente.

Eles incluem:

  • Infecção viral.
  • Ferimento.
  • Estresse emocional como morte ou separação de um ente querido.
  • Cirurgia.

Sabe-se também que alguns fatores pessoais aumentam as chances de a síndrome se manifestar:

  • Sexo feminino, entre 55 e 65 anos.
  • Outra doença dolorosa, como artrite ou uma infecção.
  • Transtorno de humor, como ansiedade ou depressão.
  • Abuso físico ou emocional na infância.
  • Transtorno de Estresse Pós-Traumático.
  • Sedentarismo.
  • Outros membros da família têm.

Um estudo recente descobriu que os anticorpos de pessoas com fibromialgia induzem sintomas da doença em camundongos, o que sugere fortemente que a fibromialgia é um distúrbio autoimune.

Sintomas

Dores musculares e articulares generalizadas e fadiga.

Simplificando, dói tudo. Mas não é só isso, frequentemente comparecem também:

  • Dor muscular, queimação, espasmos ou aperto.
  • Baixo limiar de dor ou pontos sensíveis.
  • Fadiga.
  • Dificuldade para se concentrar e lembrar, chamada de “neblina fibro”.
  • Insônia ou não dormir bem.
  • Sentir-se nervoso, preocupado ou deprimido.
  • Comprometimento cognitivo (memória).

Mais da metade dos pacientes com fibromialgia também apresentam sintomas gastrointestinais desconfortáveis semelhantes à síndrome do intestino irritável, como diarreia, constipação, inchaço, gases, náuseas etc.

Ainda outros sintomas podem ser: dores de cabeça, boca, nariz e olhos secos, sensibilidade ao frio, calor, luz ou som, frequência urinária, e dormência ou formigamento no rosto, braços, mãos, pernas ou pés.

Diagnóstico

Não há teste que possa dizer que você tem fibromialgia. Em vez disso, como os sintomas são muito semelhantes a outras condições, após ouvir e examinar o paciente, o médico deverá descartar doenças como tireoide hipoativa, diferentes tipos de artrite e lúpus.

Não existe um teste específico e, como muitas doenças imitam a fibromialgia, os testes de diagnóstico se concentram principalmente na exclusão de outras doenças.

  • Hemograma completo.
  • Taxa de hemossedimentação.
  • Provas de função tireoidiana.
  • Perfil de anticorpos antinucleares.
  • Fator reumatoide.

Se o médico não conseguir encontrar outro motivo para como você se sente, ele usará um protocolo para o diagnóstico da fibromialgia, proposto em 2016 pelo American College of Rheumatology. Ele inclui vários critérios que, uma vez pontuados pelo paciente, supostamente indicam a extensão da sua dor, o quanto seus sintomas afetam a vida diária e, principalmente, até que ponto o quadro clínico assim relatado se ajusta a um quadro clínico de fibromialgia.

Usando o FIBROCONSULTA:

  1. Uma pontuação de sete ou mais no Índice de Dor Generalizada (WPI) e uma pontuação de cinco ou mais na Escala de Gravidade dos Sintomas (SS) OU uma pontuação de três a seis no WPI e uma pontuação de nove ou mais na SS (ferramentas de avaliação de medição).
  2. A dor deve ter durado mais de três meses.
  3. Você não deve ter nenhum outro distúrbio que possa produzir tais sintomas.

Como certas áreas do corpo sentem mais dor e são mais sensíveis ao toque, há 20 anos os médicos costumavam usar um sistema de “pontos sensíveis” para diagnosticar fibromialgia, no qual verificavam a sensibilidade em 18 partes diferentes do corpo.

Figura 1

Seus pacientes PODEM ter pontos sensíveis. Eles NÃO são mais um critério de diagnóstico.

Onze desses 18 pontos dolorosos confirmavam a fibromialgia. Esse critério de diagnóstico agora não é mais recomendado.

Tratamento

O tratamento da fibromialgia é principalmente sintomático, uma vez que ainda não existe cura. Ou seja, não há tratamento para curar a fibromialgia, e sim para aliviar os sintomas da fibromialgia. A dor generalizada é o sintoma mais característico.

A seguintes opções de tratamento farmacológico estão disponíveis:

  • Analgésicos são administrados para controle da dor. Medicamentos de venda livre, como naproxeno, ibuprofeno e acetaminofeno, são administrados para terapias crônicas.
  • Os opioides geralmente são evitados, pois podem gradualmente causar dependência e piorar a dor. A dosagem do analgésico pode ter que ser aumentada ao longo do tempo, e os pacientes podem apresentar sintomas de abstinência se perderem uma dose.
  • Os três medicamentos aprovados pelo FDA americano especificamente para a dor da fibromialgia são:
  • Antidepressivos como duloxetina e milnaciprano são medicamentos para fadiga e sintomas semelhantes aos da depressão.
  • Relaxantes musculares como a ciclobenzaprina também podem ser prescritos para o controle dos sintomas e causar relaxamento muscular.
  • Antipsicóticos como pregabalina e gabapentina também ajudam a controlar a dor.
  • A medicação para dormir, pode melhorar sua dor, bem como melhorar os padrões de sono. Contudo, dependendo do fármaco pode gerar dependência.

O exercício moderado regular é a chave para controlar a fibromialgia. Você vai querer fazer atividades de baixo impacto que aumentam sua resistência, alongam e fortalecem seus músculos e melhoram sua capacidade de se mover com facilidade – como iogatai chipilates e até caminhadas. O exercício também libera endorfinas, que combatem a dor, o estresse e a sensação de desânimo. E isso pode ajudá-lo a dormir melhor.

Terapias complementares, incluindo massagemacupuntura e manipulação quiroprática, para aliviar dores e estresse, também podem ser tentadas.

Dependendo do grau de severidade da síndrome e do grau de transtorno emocional do paciente, terapias mente-corpo (ex. Terapia Cognitivo Comportamental) são indicadas. Um conselheiro, terapeuta ou grupo de apoio também pode ajudar o paciente a lidar com emoções difíceis e como explicar aos outros o que está acontecendo com ele(a). 

Doenças Crônicas Sobrepostas

A fibromialgia integra um grupo de dores crônicas primárias e secundárias (ver International Classification of Diseases 11th Revision) que compartilham alguns sintomas, costumam ser comórbidas, e podem ser definidas como “dor nociplástica”.

As principais são:

  • Artrite Reumatoide.
  • Lúpus Eritematoso Sistêmico.
  • Doença da Tireoide.
  • Diabetes Tipo 2.
  • Anemia.
  • Síndrome de Fadiga Crônica.
  • Polimialgia Reumática.
  • Síndrome do Intestino Irritável.

A fibromialgia também pode se assemelhar a osteoartrite, bursite e tendinite. Mas, em vez de doer em uma área específica, a dor e a rigidez podem estar em todo o corpo.

Perguntas para o médico na primeira consulta

Se você foi diagnosticado com fibromialgia, é uma boa ideia pensar em coisas que você deseja que seu médico explique, como:

  1. Como você sabe que eu tenho fibromialgia?
  2. Existem medicamentos que posso tomar? Que efeitos colaterais posso esperar?
  3. Existem drogas, alimentos ou atividades que devo evitar?
  4. Que exercícios posso fazer para aliviar meus sintomas?
  5. Que terapias alternativas podem me ajudar?
  6. Como explico minha condição para amigos, familiares e colegas?
  7. Existem técnicas de gerenciamento de estresse (meditação, ioga, massagem) que podem ajudar?
  8. Você recomenda aconselhamento?
  9. Você pode recomendar um grupo de suporte ou comunidade online que eu possa participar?

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