Dor Crônica - by dorcronica.blog.br

O que diferencia o médico especializado em dor?

O que diferencia o médico especializado em dor?

Já expliquei aqui a necessidade de suprir o paciente com dor crônica com informações que permitam a ele ou ela encontrar apoio médico sem maiores delongas. Três razões: 1) os sintomas da dor crônica raramente desaparecem e pioram com o tempo; 2) um diagnóstico médico é essencial para iniciar o tratamento certo; e 3) atualmente o conhecimento do manejo da dor é detido por pouquíssimos profissionais da saúde – inclusive, contando outras profissões afins (ex.: fisioterapia, odontologia, psicologia). Assim, o paciente que pela primeira vez sente que precisa de ajuda especializada em dor não sabe sequer a quem recorrer. Dois aportes para resolver este problema foram descritos: o ENCONTREI!, um cadastro com os nomes, credenciais e endereços virtuais e físicos da maioria dos médicos com especialização em dor no Brasil; e uma série de posts sobre essa especialidade médica.

Os temas abordados pela série são:

“Você não precisa de um diploma para plantar uma árvore.”

– Wangari Maathai

Este post é o primeiro da série

Autor: Julio Troncoso, PhD

Você está sentindo dor há meses e (finalmente) decidiu consultar um médico ou médica. Se você não tiver um médico de família ou da sua confiança por perto, o que fazer? Ah, fácil, você pensa. Depende da dor. Se for de barriga, é um gastro; se for nas costas, um ortopedista; se for de cabeça, um neurologista e assim por diante. Certo?

Mais ou menos. A sua orientação é boa, mas no meio do caminho, bem, há uma pedra. Ou várias. E sorteá-las pode custar muito tempo e dinheiro, sem resultados. Refiro-me a médicos que em geral dedicam 99% de atenção à uma possível doença, provocada por uma possível causa aparente, e 1% (se isso), à dor que pode estar associada ou não a essa tal doença, se ela existir.

Os médicos “especializados em dor” são oriundos de qualquer especialidade médica – reumatologia, em primeiro lugar – e supostamente têm um conhecimento profundo da fisiologia da dor, capacidade de avaliar pacientes com problemas complicados de dor, compreensão dos testes especializados necessários para diagnosticar condições dolorosas e domínio das habilidades e conhecimentos apropriados necessários para tratar dores graves.

Supostamente, também, eles têm acesso a inúmeras técnicas terapêuticas mais ou menos eficazes para tratar a dor à disposição, algumas envolvendo a prescrição de medicamentos, e outras não. E por que “supostamente”? Porque tudo isso nem sempre ocorre. Especialmente no Brasil, uma vez que não há controle oficial pari passu das competências, ou do grau de atualização científica, desses profissionais.

Como se tornar um especialista em dor?

Estados Unidos

Nos Estados Unidos

Trata-se de uma especialidade médica relativamente recente. Nos Estados Unidos, por exemplo, ela foi certificada recém em 1991 pelo Comitê Americano de Anestesiologistas. Naquele mesmo ano, o Conselho Americano de Medicina da Dor foi estabelecido.

Como no Brasil, para se tornar um especialista em uma área médica específica, como oncologia ou pediatria, o médico precisa concluir um programa de treinamento de residência especializada. Uma vez concluída a residência, a maioria dos médicos opta por fazer o exame do conselho nacional de sua especialidade para se tornar um profissional certificado nessa especialidade.

Atualmente, não sei da existência de um programa de treinamento de residência em manejo da dor, nos Estados Unidos. Mas é possível um médico se tornar um especialista em dor certificado por um conselho médico estadual.

  • Primeiro, um programa de treinamento de residência em uma especialidade diferente, como anestesiologia ou medicina física e reabilitação, precisa ser concluído.
  • Em seguida, é necessário um treinamento de subespecialidade de um ano, conhecido como bolsa de estudos, em medicina da dor. Finalmente, o médico deve ser aprovado em um exame de controle da dor.

Embora a certificação de um conselho médico estadual seja uma maneira de se tornar um especialista em dor, nem sempre é necessário. Nos Estados Unidos, cada estado tem suas próprias diretrizes sobre quem pode praticar em uma clínica de tratamento da dor. Alguns estados exigem a certificação do conselho de todos os médicos que praticam em uma clínica de tratamento da dor. Outros estados exigem apenas que o médico proprietário da clínica seja certificado pelo conselho. Outros estados não exigem nenhuma certificação do conselho, e ainda há estados sem qualquer política em relação a clínicas e especialistas em controle da dor. (Eu estou informando a respeito da balbúrdia que ocorre num país medicamente desenvolvido, como o Grande País do Norte, para você ser magnânimo e compreensivo ao ler sobre a situação de nós, os aborígenes brasileiros, comentada mais adiante.)

Ao procurar um especialista em dor, o paciente interessado pode verificar se o médico é certificado em tratamento da dor pelo Conselho Americano de Anestesiologia, Conselho Americano de Medicina Física e Reabilitação ou Conselho Americano de Psiquiatria e Neurologia.

Certificação

  • Os especialistas em dor são profissionais médicos altamente treinados, geralmente exigindo 9 anos de treinamento médico para obter esse credenciamento. Quatro anos de faculdade de medicina oferecem uma ampla educação fundamental, com quatro anos adicionais de treinamento prático em áreas mais especializadas (ex.: Medicina Física e Reabilitação). O último ano é exclusivamente dedicado ao tratamento especializado da dor, resultando em certificação do American Board of Pain Medicine.1
  • O Certificado online em Medicina da Dor é um programa conjunto entre duas escolas de prestígio da USC, a Keck School of Medicine e a Herman Ostrow School of Dentistry. O programa online é adequado para profissionais de saúde em uma ampla variedade de campos, incluindo médicos, dentistas, enfermeiros, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, psicólogos, farmacêuticos e muito mais.2
  • A certificação Therapeutic Pain Specialist (TPS) da Evidence in Motion, em parceria com a Purdue University, é a principal certificação em dor para profissionais de saúde licenciados (Therapeutic Pain Specialist: PT, PTA, OT, OTA, MD, DO, RN, NP, PA, PSYCH).3
  • O exame de certificação do American Nurses Credentialing Center (ANCC), Pain Management Nursing (PMGT-BC™), é um exame baseado em competências que fornece uma avaliação válida e confiável do conhecimento clínico básico e habilidades de enfermeiros registrados com experiência em gerenciamento de dor após o licenciamento inicial do RN. Depois de concluir os requisitos de elegibilidade para fazer o exame de certificação e ser aprovado no exame, você receberá a credencial: Pain Management Nurse – Board Certified (PMGT-BC™).4

Brasil

No Brasil

O primeiro passo para atuar como médico especialista em dor crônica ou aguda é ter graduação em medicina. Depois de formado, o médico precisa se registrar na categoria e obter seu CRM médico. Após essas etapas, ele (a) se torna apto para fazer uma pós-graduação ou residência em medicina da dor.

“No Brasil, a criação dos programas de residência médica antecedeu o reconhecimento do Manejo da Dor como área de atuação pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Um dos primeiros Programas de Residência na área foi organizado no Departamento de Anestesiologia da Faculdade de Medicina de Botucatu, Unesp e seu primeiro especialista formado em 1994.”5

Todos os médicos pós-graduados, inclusive os que concluíram pós-graduação na modalidade de residência médica, para serem considerados especialistas por uma sociedade médica têm, obrigatoriamente, que realizar a prova de título das sociedades e, somente após aprovados e após registrarem o título no CRM, poderão divulgar essa informação.

A Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA), por exemplo, tem participado do processo de certificação de especialistas em dor. A partir da Resolução CFM n° 1.973/2011, outras oito especialidades também podem solicitar a certificação no Manejo da Dor.6

Na prática, porém, para o médico interessado em “especializar-se em dor” no Brasil, as coisas não são claras. As desavenças entre as duas instituições médicas mais poderosas parecem ter se estendido ao campo da qualificação dos médicos em dor. De um lado, o Conselho Federal de Medicina fornece um Registro de Qualificação de Especialista (RQE), e de outro lado, a Associação Médica Brasileira concede um Certificado de área de Atuação em Dor. Os requisitos de um e outro diferem em alguma medida. Eles são descritos a seguir.

Como solicitar o Registro de Qualificação de Especialista (RQE)?

Essa é uma dúvida comum dos profissionais que estão terminando suas qualificações de especialização: como é possível obter o Registro de Qualificação de Especialista? Vamos mostrar o passo a passo a seguir para auxiliá-lo nesse processo.

Nos casos em que você tenha feito residência, basta apresentar o diploma de conclusão do curso no Conselho de Medicina do seu estado de atuação.

Nos casos em que você tenha feito um curso de pós-graduação para especialização, é preciso realizar uma prova de comprovação de aptidão para aquela área de atuação. Ela é realizada pelos órgãos associados. Caso você tenha a pontuação mínima para aprovação, pode entrar com a requisição junto ao CFM para obtenção do RQE.

Ainda há a previsão de uma terceira possibilidade para a obtenção do RQE: quando o profissional possui o título de livre-docente ou, então, possui doutorado naquela área de especialidade.7

Como solicitar o Certificado de área de Atuação em Dor?

A Associação Médica Brasileira fornece a médicos que tenham concluído a sua residência, um Certificado de área de Atuação em Dor, em conjunto com 9 entidades médicas especializadas (ex.: Sociedade Brasileira de Reumatologia; Sociedade Brasileira de Anestesiologia etc.). São 60 questões e demora 3 (três) horas.89

Pré-requisitos

Comprovação de uma das seguintes especialidades: Acupuntura, Anestesiologia, Clínica Médica, Medicina Física e Reabilitação, Neurocirurgia, Neurologia, Ortopedia e Traumatologia, Pediatria ou Reumatologia.

Formas de comprovação:

  • Ser portador de Título de Especialista emitido pela Associação Médica Brasileira; ou
  • Ter concluído Residência Médica oficial reconhecida pela Comissão Nacional de Residência Médica – CNRM/MEC; ou
  • Ter registro de especialista no CRM/CFM.

e

Comprovação de formação em dor:10

  • Conclusão de Residência Médica oficial em DOR de um ano completo (doze meses) de duração, reconhecida pela Comissão Nacional de Residência Médica/MEC; ou
  • Conclusão de curso de formação nos moldes da Residência Médica, com duração mínima de 01 (um) ano completo (doze meses); ou
  • Treinamento e exercício na área de Dor supervisionado, preferencialmente por mais de um especialista, por um período mínimo de 2 (dois) anos completos (24 meses).

Cursos de Especialização

Os cursos de especialização são regidos pela Resolução nº 01, de 08 de junho de 2007, do Conselho Nacional de Educação (CNE) e não devem ser confundidos com a titulação de especialista, que pode ser obtida de acordo com as regras legais das profissões na área de saúde.

Existem vários Cursos de Especialização em DOR, oferecidos por entidades públicas11, e privadas12, abertos a candidatos com educação superior.

Conforme o Conselho Federal de Medicina, os cursos de Pós-Graduação lato sensu não são equivalentes a uma residência médica. Com duração mínima de 360 horas, ao final do curso o aluno obtém um certificado e não um diploma.

Não perca os temas abordados pela série a serem publicados nas próximas semanas:

A série de posts foi revisada pela Dra. Luci Mara França, vice-presidente da SBED – Sociedade Brasileira do Estudo da Dor.

Conheça ENCONTREI! Especialistas em Dor

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