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Infelizmente, o alzheimer não acaba em demência

O Alzheimer não acaba em demência

A doença de Alzheimer, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como patologia crônica, não é transmissível e é a forma mais comum de demência, representando entre 50% e 70% de todos os casos. Um estudo publicado na revista Neurology há uma década descobriu que a doença de Alzheimer era responsável por muito mais mortes do que se pensava anteriormente. O motivo – o subregistro dos óbitos – não parece ter mudado, mas como doenças que matam pessoas recebem muita atenção, eu escolhi esse lado tenebroso do Alzheimer para comentar na postagem dessa semana.

“A doença de Alzheimer não é uma pessoa, mas um ladrão que rouba seu ente querido bem diante de seus olhos.”

– Anônimo

A doença de Alzheimer (DA) é apenas um dos muitos tipos de problemas associados à demência, embora represente entre 60 a 80% de todos os casos de demência.

A demência resulta de uma variedade de doenças e lesões que afetam o cérebro. O número global de pessoas com demência de DA, DA prodrômica e DA pré-clínica foi estimado em 32, 69 e 315 milhões, respectivamente. Juntos, eles constituíam 416 milhões em todo o continuum DA, ou 22% de todas as pessoas com 50 anos ou mais. No mundo todo.1

Uma doença em crescimento

De 1990 a 2019, a incidência e prevalência da doença de Alzheimer e outras demências aumentaram 147,95 e 160,84%, respectivamente. Essa tendência foi mais notada em áreas de alto nível de desenvolvimento social de uma região considerando a taxa de educação, a situação econômica e a taxa de fecundidade total – e especialmente entre as populações idosas e femininas.234

Nos Estados Unidos Estados Unidos, estima-se que 6,7 milhões de americanos com 65 anos ou mais vivam com Alzheimer em 2023. Cerca de 1 em cada 9 pessoas com 65 anos ou mais (10,7%) tem Alzheimer. Quase dois terços dos americanos com Alzheimer são mulheres.5

Comparado aos Estados Unidos Estados Unidos (332 milhões de habitantes), a prevalência do Alzheimer no Brasil (212 milhões) proporcionalmente falando, deveria ser em torno de 4,5 milhões. No entanto, suspeitamente ela é muito menor: em 2020 o Ministério da Saúde estimava a existência de 1,2 milhão casos de Alzheimer, a maior parte deles ainda sem diagnóstico.6 (Em que será que os americanos diferem fisiologicamente dos brasileiros? Um mistério? Ou simplesmente estatísticas fajutas?)

A controvérsia

Segundo o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) americano, a doença de Alzheimer seria a sexta principal causa de morte nos EUA.7

Um estudo epidemiológico de cientistas da Rush University Medical Center in Chicago (EUA), desmente: a DA seria a terceira principal causa das mortes de americanos com mais de 75 anos, significando meio milhão de óbitos – a um custo de US$ 220 bilhões – ao ano.8 (Proporcionalmente falando, no Brasil seriam 330 mil). Nesse caso, a doença pode ser responsável por quase tantos óbitos quanto as patologias cardiovasculares e câncer e à frente de doenças pulmonares crônicas e dos derrames.

Em geral, um em cada três idosos morre com doença de Alzheimer ou outra forma de demência. O que esse “um” pode esperar após ser diagnosticado.

Segundo o estudo antes mencionado, as pessoas diagnosticadas com Alzheimer vivem em média cerca de 8 anos após o diagnóstico, mas a sobrevida varia de quatro a 20 anos.9

Nos últimos estágios da doença, as pessoas com Alzheimer perdem a capacidade de responder ao ambiente e muitas vezes perdem a consciência do ambiente. Eles geralmente requerem cuidados em tempo integral e gradualmente perdem a capacidade de andar, sentar e, eventualmente, engolir. Eles também se tornam vulneráveis a infecções como pneumonia. Além disso, comportamentos de alto risco em estágios moderados, como perambular e se perder, podem aumentar a chance de acidentes fatais.

“As pessoas em geral não percebem que a doença de Alzheimer é uma doença fatal. Ela leva à morte muito lentamente ao longo de muitos anos. Começa na parte do cérebro que controla a memória e o pensamento, e todos nós estamos bem conscientes disso. Mas o que as pessoas não sabem é que, com o tempo, ele se espalha lentamente para as partes do cérebro que controlam as funções mais básicas, como engolir, respirar e a frequência cardíaca. E isso pode levar a condições fatais, como pneumonia e insuficiência cardíaca.”10

– Dr. Bryan James

Conforme dados publicados na revista científica Neurology, a taxa de mortalidade do Alzheimer é quatro vezes mais elevada nas pessoas que sofriam de demência entre os 75 e os 84 anos e cerca de três vezes superior nas que tinham 85 anos ou mais.11 Por que isso? Simples: a doença de Alzheimer é subnotificada nas certidões de óbito. Quando as pessoas preenchem certidões de óbito, a DA e outras formas de demência não figuram nessas certidões e nos dossiês médicos como causa direta e imediata de morte. A oportunidade de escrever as causas subjacentes existe, mas a doença de Alzheimer geralmente é omitida. É mais simples apontar uma pneumonia, por exemplo, do que mencionar a demência como causa subjacente.

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