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Neuromodulação: o mínimo que você precisa saber – e por quê

Neuromodulação: o mínimo que você precisa saber

A neurocirurgia funcional tem aplicação a uma ampla gama de doenças neurológicas com o objetivo de tratar condições como distúrbios do movimento, espasticidade, epilepsia e dor intratável.

“Ainda estou aprendendo”.

– Michelangelo aos 87 anos

A neurocirurgia funcional começou com técnicas cirúrgicas ablativas envolvendo a destruição de estruturas neurais responsáveis ​​pelas vias/redes neurais aberrantes causadoras da patologia.

Nos anos mais recentes, houve um afastamento da criação de lesões destrutivas permanentes para a modulação das redes neurais utilizando a neuromodulação.

O corpo de evidências para a neuromodulação como um tratamento eficaz e de longo prazo para a dor crônica é robusto e crescente. No entanto, o conhecimento da terapia tem sido limitado principalmente aos cirurgiões de coluna (ortopédicos e neurocirurgiões) e médicos intervencionistas da dor. Dadas as implicações impressionantes da dor crônica e a ineficácia em controlá-la demonstrada pelas inúmeras opções de tratamento vigentes, incluindo intervenções cirúrgicas e prescrições de opioides (principalmente nos Estados Unidos), é claro que a comunidade médica, desde médicos de atenção primária a especialistas cirúrgicos, que tratam diariamente pacientes com dor crônica, desconhece os conceitos e aplicações básicas da neuromodulação, ou seus mais recentes avanços (ex.: estimulação de alta frequência, estimulação de explosão, estimulação do gânglio da raiz dorsal), e não está capacitada para explicar essa nova modalidade médica e suas possibilidades terapêuticas aos pacientes com dor crônica. Publicações menores, como a presente postagem, são necessárias para em alguma medida preencher esse vazio.

O Espectro de Terapias de Neuromodulação

O Espectro de Terapias de Neuromodulação

As terapias de neuromodulação incluem abordagens invasivas (por exemplo, estimuladores cerebrais profundos, estimuladores corticais, estimuladores do nervo vago e estimuladores da medula espinhal) e não invasivas (por exemplo, estimulação magnética transcraniana) que envolvem a aplicação de estimulação elétrica para conduzir ou inibir a função neural dentro de um circuito.

A maioria dos sistemas de neuromodulação implantáveis ​​inclui três componentes principais:

  • eletrodo(s) estimulante(s) com contatos na ponta através da qual a eletricidade é fornecida,
  • um gerador de pulso implantável (IPG) que serve como um gerador de sinal/bateria e
  • cabo(s) de extensão para conectar subcutaneamente o(s) eletrodo(s) ao IPG.

As Aplicações

A neuromodulação é uma tecnologia que atua diretamente sobre os nervos. É a alteração – ou modulação – da atividade do nervo pela administração de agentes elétricos ou farmacêuticos diretamente a uma área-alvo.

Dispositivos e tratamentos de neuromodulação estão mudando a vida. Eles afetam todas as áreas do corpo e tratam quase todas as doenças ou sintomas, desde dores de cabeça a tremores, danos à medula espinhal e incontinência urinária. Com um escopo terapêutico tão amplo e melhorias contínuas significativas na biotecnologia, não é de surpreender que a neuromodulação esteja posicionada como uma indústria de grande crescimento para a próxima década.

Mais frequentemente, as pessoas pensam na neuromodulação no contexto do alívio da dor crônica, a indicação mais comum. Especificamente: Cefaleia; Síndrome complexa de dor regional; Neuropatia; Neuralgia Periférica; Dor Isquêmica; Síndrome da Cirurgia de Costas; Neuralgia do Trigêmeo.

Mas há várias outras aplicações já consolidadas.
Distúrbios do Movimento: Espasticidade; Mal de Parkinson; Tremor, Distonia; Síndrome de Tourette; Camptocormia; Espasmo Hemifacial; e Síndrome de Meige.
Epilepsia e Distúrbios Psiquiátricos: Depressão (resumos de pesquisa); Transtorno Obsessivo Compulsivo (resumos de pesquisa); Toxicodependência (resumos de investigação); Anorexia/Transtornos Alimentares.
Restauração Funcional: Traumatismo Cranioencefálico; Deficiência auditiva; Cegueira.
Distúrbios Cardiovasculares: Angina; Insuficiência cardíaca; Hipertensão; Distúrbios Vasculares Periféricos; Derrame.
Distúrbios Gastrointestinais: Distúrbios Dolorosos; Dismotilidade; Obesidade.
Distúrbios Geniturinários: Síndrome da Bexiga Dolorosa / Cistite Intersticial; Disfunção miccional.
E há ainda outras aplicações emergentes:
Estimulação cerebral profunda: Obesidade.
Estimulação do nervo coclear: Zumbido.
Terapias de infusão de drogas cerebrais e cerebrospinais: Doença do Sistema Nervoso Central.
Neuromodulação Optogenética / Estimulação por Luz Óptica: Distúrbios do Movimento; Dor crônica, epilepsia, lesão cerebral.
Lesão da medula espinal (aliás, onde tudo começou, há 40 anos).

Os dispositivos de neuromodulação podem estimular uma resposta onde não havia anteriormente, como no caso de um implante coclear que restaura a audição em um paciente surdo.

Cada uma das aplicações de neuromodulação requer técnicas específicas, como tratamento de estimulação cerebral profunda (DBS) para a doença de Parkinson, estimulação do nervo sacral para distúrbios pélvicos e incontinência e estimulação da medula espinhal para distúrbios isquêmicos (angina, doença vascular periférica).

E para cada tratamento neuromodulador existente, há muitos mais no horizonte. Uma tecnologia emergente chamada BrainGate Neural Interface System tem sido usada para analisar os sinais cerebrais e traduzir esses sinais em movimentos do cursor, permitindo que indivíduos com deficiência motora severa tenham um “caminho” alternativo para controlar um computador com o pensamento, e oferece potencial para um dia restaurar algum grau do movimento dos membros.

Os Riscos

O tratamento de neuromodulação não é isento de riscos. As complicações gerais podem incluir sangramento, infecção, coágulos sanguíneos e reações à medicação (no caso de uma bomba intratecal). E como o sistema nervoso de cada pessoa é único, a resposta a esses tratamentos pode variar de um paciente para outro. Por essas razões, um teste é realizado antes que um dispositivo seja implantado permanentemente.

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