Dor Crônica - by dorcronica.blog.br

Uma proposta para você enfrentar a dor crônica

“Minicrônicas da dor”: Uma proposta para você enfrentar a dor crônica

Este post comenta “Minicrônicas da Dor”, uma atividade educacional destinada a pacientes com dor crônica. O seu objetivo é transmitir de maneira leve e amena, o mais básico que a medicina hoje pode afirmar sobre essa condição, reduzindo assim as falácias e crenças equivocadas que a cercam. “O medo da dor é pior do que a própria dor”, a frase é atribuída a um cientista famoso no estudo da dor e foi usada como manchete de uma matéria pelo The New York Times. O que essa frase sugere é que a incerteza gerada pelo que os pacientes ignoram sobre a dor em geral, e sobre a dor crônica em particular, sabota qualquer iniciativa por levar adiante uma estratégia de recuperação. Em suma: a dor dói, o medo da dor paralisa e a base disso é a ignorância. “Minicrônicas da dor” é uma forma inovadora de começar a ensinar DOR a pacientes, no intuito de motivá-los a pro-agir no controle da dor e dos sintomas que a acompanham (ex.: fadiga, estresse, problemas de cognição e sono etc.).

“É preciso uma nova forma de pensar para resolver os problemas produzidos pela velha forma de pensar”.

– Albert Einstein

Certa vez, enquanto perseguia o meu doutorado, escolhi uma matéria sobre, se não me engano, “Estratégias de Marketing Virtual”. Simples assim. Ledo engano. Nada de simples. Graças a Deus, a Escola de Negócios da Cornell University na época, dava uma semana de prazo para desistir e trocar por outra matéria, se fosse o caso. Foi o caso. O enfoque dado pelo professor naquela aula foi 99% quantitativo; faltou quadro negro para o fulano atirar equações, algoritmos, e cossenos obscenos a torto e direito. Eu, em atitude contemplativa o tempo todo, igualzinho a uma vaca diante de um piano, entendendo zero do que via e ouvia. Ze-ro.

A lembrança me veio à mente conversando com um amigo neurologista sobre educação em dor. Sobre como levar conhecimento básico sobre a dor, em primeira mão a pacientes com dor. Como fazer isso de forma rápida, barata e esclarecedora. Etcétera.

Considerando essa educação imprescindível, ambos cogitávamos temas como: O Processo Nociceptivo; A Neuroplasticidade e a Dor; A Terapia Cognitivo Comportamental, e muitos mais, todos validíssimos. Até que de repente, se fez a luz: ora, os pacientes entenderiam NADA disso. Dito, assim, de chofre? Nadica de nada. Zero de novo. Pela mesma razão que eu saí humilhado daquela aula na universidade. Faltava-me base matemática, ou astronomia, cibernética, ou o que for, para entender o ensinado. A mesma base que naturalmente também escasseia em um paciente com dor crônica para entender o que nós, o meu amigo neurologista e eu, tínhamos cogitado ensinar em primeira instância. Afinal, pensa-se na dor somente quando ela acontece e em geral esse vislumbre de conhecimento dura pouco, um par de dias ou semanas. Assim, quando a dor persiste é um mistério jamais imaginado. O cérebro carece de arquivo de informações para entender o que ocorre e, principalmente, como sair dessa.

Base, então. Conhecimento básico, rasteiro, fundamental, sobre o fenômeno da dor. A letra “A”, enfim, do abecedário que decifra o que é a dor em geral, e especialmente a dor crônica, a mais complexa, em particular.

A meu ver, a forma mais fácil e inútil de aprender qualquer coisa – quanto mais sobre a dor humana, ainda não de todo destrinchada pela ciência – é lendo ou assistindo a uma aula convencional. Uma aula bem arrumadinha, com slides impecáveis passando em ordem na sua frente enquanto você pensa… noutra coisa. Eu já vi isso em vários congressos médicos dos que participei.

Apresentar o tema DOR a um paciente leigo é briga feia. O que há para ser dito em boa parte é contraintuitivo em relação ao que ele ou ela pensa que sabe sobre o assunto. Esse tipo de situação requer tentar um método de ensino diferente, inovador. Ele chama “pensar”. Isso, porque a intenção é incentivar os neurônios do(a) estudante a receber informações e ele(a) próprio(a) se dar ao trabalho de ligar coisa com coisa e depois, tirar suas próprias conclusões. Pensar. Uma meta para lá de ambiciosa, convenhamos. Porém, viável, dependendo da didática utilizada.

Cérebro / Pensamentos

E como seria isso? Recorrendo a uma fonte de sabedoria que nunca me deixa indiferente: a história. No caso, representada por frases de personagens célebres. Gente que marcou presença na linha de tempo da humanidade e que deixou a sua experiência impressa em pensamentos escritos, frases breves que dizem muito a quem se detém a… pensar. A pensar no que a personagem quis dizer, no que a frase significa ou insinua no momento da vida do leitor, no que se pode aprender no ensejo etc. Ou até, a pensar que a tal frase nada significa. Às vezes, quando a gente fica olhando para o pôr do sol, ou lendo um poema, ou ouvindo Frank Sinatra cantar “My Way”, sem sentir uma leve coceira nos olhos, isso, meu amigo ou amiga, diz mais a você sobre você mesmo(a) que um scanner ou uma enciclopédia.

“Somos viciados em nossos pensamentos. Não podemos mudar nada se não pudermos mudar nosso pensamento.”

– Santosh Kalwar

Enfim, voltando à empreitada. Chamei-a de “Minicrônicas da Dor” porque é justamente isso que pode ser. Ou vir a ser. Elas, as minicrônicas estão em nós, eu apenas vou incentivá-las a vir à tona. Na hora, tudo depende da frase X ou Y evocar algo de interesse na mente do(a) paciente, e de o condutor da atividade ser capaz de aproveitar esse súbito pensamento, para extrair uma ilação relacionada à dor.

Uma inferência qualquer que possa desembocar em conclusões tais como:

  • A DOR É UM PRODUTO DO CÉREBRO – 100% DO TEMPO.
  • DOR AGUDA E DOR CRÔNICA SÃO ANIMAIS DIFERENTES.
  • A DOR NÃO SIGNIFICA DANO – E DANO PODE NÃO SIGNIFICAR DOR.

Conclusões como essas importam ao paciente com dor crônica porque abrem a ele ou ela janelas de oportunidade nas quais nunca pensou – até porque antes ninguém parou para lhe dizer. Afinal, numa consulta de 10 a 15 minutos, não há tempo para isso.

Por exemplo,

“…. se a dor não significa dano, então a dor que eu tenho, que não mostra dano porém dói como se dano houvesse, é uma dor legítima, real e não – como alguém disse por aí – um produto da minha imaginação. Ora, ora, ora, então eu não estou louca, no final das contas!”. Para pessoas que desgostam de pensar que estão loucas, bem, essa constatação importa.

O que por fim nos leva a questão de por que eu me proponho a conduzir “Minicrônicas da Dor” ao longo de 2 sessões de 90 minutos cada, em dias separados? Resposta: Primeiro, porque eu sou o responsável pelo invento. Segundo: porque embora eu pudesse acenar com credenciais acadêmicas respeitáveis, sinto que a credencial que aqui interessa é a de eu ter sobrevivido a uma dor crônica cervical por quase 3 décadas, e finalmente recuperado qualidade de vida, estudando a fundo a dito cuja. Isso me permitiu desenvolver uma estratégia de escape que acabou funcionando. Prevenido, todavia, convidei dois especialistas no manejo da dor – um neurologista e uma dentista, ambos com fortes credenciais na matéria – para me ajudar na condução. E certamente vou precisar de ajuda nisso, porque as reações das pessoas às frases apresentadas são imprevisíveis. Imagine você um mágico que não faz ideia do que irá sair da sua cartola. É por aí.

Então, vamos ao que interessa. Você, caro leitor, está com dor há tempo? E quer sair dessa piscina de m… nadando pelos próprios meios? Inscreva-se em “Minicrônicas da Dor””, pagando menos da metade de uma consulta médica privada nível médio. Dias 13 e 17 de Julho, das 19:30 às 21:00 hs.  Haverá 3 pessoas capazes de conversar amenamente sobre dor crônica & Cia. Com você.

O que nós esperamos que você espere obter após assistir “Minicrônicas da Dor”?

  • Passar a pensar mais na sua qualidade de vida do que na dor.
  • Assumir um papel proativo em seu tratamento.
  • Comunicar-se de forma mais produtiva sobre a sua dor com seu médico ou médica.
  • Perceber o quanto o que você pensa sobre a dor sabota a reabilitação desejada.
  • Ficar ciente do papel-chave do estresse na manutenção da dor e do sofrimento.
  • Entender que o medo da dor é mais incapacitante que a própria dor.
  • Aceitar que a farmácia resolve temporariamente a menor parte do seu problema.

Assimilando 4 desses pontos a sua atitude perante a dor será outra, e provavelmente o incentivará a desenhar um tratamento diferente do seguido até agora.

Cadastre-se E receba nosso newsletter

Veja outros posts relacionados…

nenhum

6 respostas

  1. Parabéns Prof. Júlio pela iniciativa inovadora. Tenho certeza que o tratamento da dor crônica começa com conhecimento e educação!

  2. desde 2013 acredito.
    Paciente do HC.
    Hj do 6a sala 7.
    A clínica da Dor do Hospital das Clínicas. 3 ciclos de cama direto.
    1o 4 meses. 2o 5 e 3o 4 meses.
    Outubro/21
    13 dias de cadeira de rodas.
    E toda vez eu levanto e cada vez com menos crises. Sem morfina, codeína e outros remédios fortes como metadona. Hoje apenas gaba e mais cloridrato de cloridrato de ciclobenzaprina. E CBD. Entre dias bons, aos quais sinto dor e penso q “controlo” tem dias terríveis ou até fases, e saio deles/as. Porém quero que fiquem cada vez mais espaçados e menos frequentes, ainda mais. Perco tempo de vida e sofro mto. Assim como mtos. Quero aprender e compartilhar. Entender e transformar. Pq não leio sobre pesquisas e possíveis soluções mais sólidas. Apenas dar o CID Dor Cronica Intratável não basta. Ouço sobre pesquisas de Câncer e HIV. Oq se dar sobre dor intratável??? Só medicar? Sai de tantos remédios e do buraco por “conta própria” com outras ferramentas além da medicina alopática. Que é deveras importante e salva. Porém não é única e suficiente. Peço ajuda e apoio, peço atenção e principalmente, quero agradecer!!! Lendo este blog q achei por acaso, sinto esperança.
    Fui e sou bem atendida do HC e sei que mais talvez não possam fazer pelas limitações de demanda e pelo sistema em si, ao qual tb tenho visto mudanças. A passos lentos porém está acontecendo. Entretanto somos muitos e não é possível seguir sem saber o que mais seja importante para nossa melhora. Chega de tanta dor e descaso. Chega de falta de informação. Importante de mais este espaço!!! Estou reluzente em ler cada página e vendo q mais médicos estão sendo habilitados e pacientes em trocas que nos auxiliam uns aos outros. Agradeço.

    1. Natacha, fiquei comovido pelo seu comentário e gostaria de dispor de mais tempo para responder à altura. Dentro do apremiante de sua condição, a boa notícia – muito boa, por ser incomum – é sua resiliência e atitude observadora em relação ao que lhe acontece. Dessa forma, você está participando ativamente na sua recuperação, algo essencial. Alegro-me que esteja contente e seja compreensiva em relação ao atendimento recebido no HC. Nesse aspecto, você teve muita sorte: o tratamento multidisciplinar para a dor crônica, que eu sei que o HC oferece, não está ao alcance de 99,9999999% dos brasileiros. À essa altura, a minha sugestão é continuar navegando pelo blog porque ele contém muita informação valiosa para profissionais e pacientes que se disponham a ler (coisa raríssima, por sinal!). E principalmente, ter paciência, muita paciência, e consistência no tratamento.
      Cordialmente,
      Julio

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

CONHEÇA FIBRODOR, UM SITE EXCLUSIVO SOBRE FIBROMIALGIA
CLIQUE AQUI