Terapias Alívio da Dor & Outros - by dorcronica.blog.br

Melatonina: menos (às vezes) é mais

Melatonina: menos (às vezes) é mais

Semana passada eu compartilhei com você um voo rasante pelo território da melatonina – um suplemento que ajuda a pegar no sono recentemente autorizado pela ANVISA. A melatonina oferece uma solução natural que imita o hormônio que o cérebro já produz. Para muitas pessoas, ela é uma alternativa eficaz aos medicamentos prescritos para dormir. No entanto, as pessoas devem tratar a melatonina da mesma forma que qualquer outro medicamento e observar cuidadosamente os efeitos colaterais. Isso requer um conhecimento mais íntimo do que seria uma “dose farmacológica certa”. Esse post trata disso.

“A Anvisa aprovou o uso da melatonina para formulação de suplementos alimentares, destinados a pessoas com idade igual ou maior que 19 anos e consumo diário máximo de 0,21 mg. Esses suplementos deverão conter advertências sobre o consumo.”

15/10/21

A melatonina é frequentemente sugerida como um remédio para aqueles que têm problemas de sono. Trata-se de um hormônio que hoje ocupa um papel central na discussão de soluções para esse problema. Por isso, eu dediquei à melatonina um extenso capítulo no ebook “INSÔNIA NA MULHER”, que você pode acessar clicando aqui.  (De quebra, aliás, você vai ficar por dentro de tudo o que a ciência já diz sobre o que fazer para dormir bem).

Ocorre, porém que a melatonina “funciona” para algumas pessoas, mas não para outras. Quando não funciona é provável que seja por estar sendo usada a dose errada. Eis o foco deste post. 

A dose básica da melatonina

Quando se fala em dosagem hormonal, surgem frequentemente dois termos: dose fisiológica e dose farmacológica.

A dose fisiológica de um hormônio é a dose que replica o nível do hormônio normalmente encontrado no corpo. Por exemplo, pessoas com doença de Addison, uma deficiência do hormônio cortisol, geralmente tomam de 15 a 25 mg de cortisol por dia, o que resulta em um nível sérico de cortisol semelhante ao de uma pessoa saudável. Outra frase para descrever a dose fisiológica é a “dose de reposição” que significa essencialmente a mesma coisa.

A dose farmacológica de um hormônio é a dose necessária para produzir um efeito específico desejado. Em alguns casos, a dose farmacológica é muito maior do que a dose fisiológica. O cortisol, por exemplo, tem um efeito supressor do sistema imunológico em altas doses, então pessoas com doenças autoimunes geralmente recebem cortisol (ou análogos do cortisol) em doses muito mais altas do que as doses de reposição usadas para a doença de Adddison. Não há nada necessariamente errado em usar doses tão altas. Frequentemente, são o melhor tratamento para uma doença. Mas eles têm um risco muito maior de efeitos colaterais, já que você está introduzindo um hormônio em doses muito mais altas do que o corpo está acostumado.

Os níveis de melatonina durante o dia são muito baixos, normalmente 1-10 pg/ml, e muitas vezes indetectáveis. À noite, os níveis de melatonina aumentam para valores muito mais altos, geralmente 40-100 pg/ml ou cerca de 10 a 40 vezes o nível diurno.

Os suplementos de melatonina estão disponíveis em uma ampla gama de dosagens, de 1 miligrama a 10 miligramas, e podem ser tomados na forma de pílulas, comprimidos solúveis, ou gotas líquidas.

A quem nunca tomou melatonina é recomendado começar aos poucos e ir aumentando, se necessário.

Para adultos, começar com uma dose de 1 a 2 miligramas por dia e aumentar a dosagem em mais 1 a 2 miligramas por vez.

Para crianças, a dose deve permanecer baixa (entre 0,5 e 1 miligrama), chegando a não mais que 3 a 6 miligramas de melatonina.

“Tome 1 a 3 miligramas duas horas antes de deitar.”

Luis F. Buenaver, Ph.D., CBSM. Especialista em sono da Johns Hopkins Medicine

A dosagem máxima para adultos varia de 5 a 10 miligramas. Se isso soa como um amplo espectro do normal, é porque a dose “certa” de melatonina é muito individualizada.

Frequentemente, você verá recomendações para tomar doses de melatonina à noite de 3 mg. Essa dose de melatonina não só produzirá níveis muito mais altos do que os diurnos, mas também produzirá níveis muito mais altos do que os normalmente encontrados à noite. Se o nível noturno de melatonina for cerca de 10-40 vezes o encontrado durante o dia, 3mg de melatonina produzirá níveis aproximadamente 10-40 vezes maiores do que os níveis noturnos (ou mais de 100 vezes que ocorrem normalmente durante o dia).

Por que doses tão altas são sugeridas? Um dos motivos é porque essa alta dose maximiza o efeito sedativo da melatonina. Para a maioria das pessoas, quanto mais você toma, maior o efeito sedativo imediato. Esta é uma dose farmacológica – está maximizando o efeito de um hormônio ao tomar doses muito grandes que produzem um efeito semelhante ao de uma droga.

Bem, o que há de errado nisso? Se você quer dormir, não quer maximizar o efeito sedativo? Bem, talvez sim, talvez não. Na verdade, a maioria dos sedativos não funciona muito bem para distúrbios circadianos. O que procuramos ao usar a melatonina é uma mudança de fase no tempo do sono, não apenas um efeito sedativo agudo e, por isso, melatonina em excesso pode ser prejudicial.

A melatonina tomada à noite produz um efeito de avanço de fase, enquanto a melatonina tomada após o ponto médio do sono (aproximadamente) produz um efeito de retardamento de fase. Lembre-se de que a melatonina administrada por via oral tem meia-vida no sangue que pode variar de 30 minutos a 2 horas (dependendo do indivíduo e do método de estudo). Se você tomar 3 mg, terá níveis sanguíneos extremamente altos à noite e levará muitas horas para que esses níveis voltem a baixar. E esse é o problema. Você ainda terá melatonina em seu sistema na manhã seguinte, quando ela produzirá um atraso de fase. 

Os (eventuais) efeitos colaterais da melatonina

Além do efeito secundário de altas doses de melatonina, o efeito sedativo imediato de uma grande dose pode causar outros problemas. Com qualquer tipo de sedativo pode ocorrer o fenômeno de tolerância aguda, o que significa que à medida que o efeito sedativo passa no final da noite, a pessoa pode acordar novamente no meio de seu período normal de sono.

De qualquer maneira, a dose diária de 3 miligramas não é o “padrão ouro”. Enquanto algumas pessoas respondem bem a ela, outras podem precisar de mais ou menos. De fato, para se atingir níveis fisiologicamente normais de melatonina no sangue, uma dose oral deve ser de cerca de 0,1 a 0,2 mg (100 – 200 mcg). Isso produzirá níveis semelhantes aos normalmente presentes no corpo.

Trate a melatonina como faria com qualquer comprimido para dormir, sob a supervisão de um médico.”

Quanto mais melatonina você ingere, maior é a probabilidade de ter efeitos colaterais, os quais, em todo caso não são severos – em geral, muita sonolência. De acordo com o National Institutes of Health americano, crianças, adultos mais velhos, mulheres grávidas e lactantes, e pessoas com epilepsia ou outros distúrbios convulsivos devem tomar doses baixas de melatonina sob orientação médica, ou nenhuma. A melatonina também pode interferir com alguns medicamentos, incluindo imunossupressores, anticoncepcionais orais e anticoagulantes, para citar alguns. A dosagem que você toma também pode depender do motivo pelo qual está tomando melatonina.

Por fim, não há nenhuma evidência que prove conclusivamente que o uso de melatonina a longo prazo é seguro. Mas também não há nada apontando na direção oposta. De todo modo, embora o suplemento geralmente não esteja associado a sintomas de dependência, habituação ou ressaca, médicos prudentes sugerem não tomar melatonina todas as noites por causa da falta de ensaios clínicos de longo prazo que avaliem a segurança do uso crônico.

Em suma, é difícil avaliar o quanto de melatonina é demais. Contudo, lembre-se: para a melatonina, menos é (às vezes) mais.

Esse post reproduz trechos do artigo: “Melatonin: Lesss is (Sometimes) More”, de James Fadden, bioquímico, Circadian Sleep Disorders Network. Publicado no site LivingwithN24.

Também foram usadas outras referências: “Melatonin”. Mayo Clinic Staff e “Melatonin for Sleep: Does It Work?

Cadastre-se E receba nosso newsletter

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

SAIBA TUDO SOBRE VACINAS COVID-19
CLIQUE AQUI
Preencha e acesse!
Coloque seu nome e e-mail para acessar.
Preencha e acesse!
Você pode baixar as imagens no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
ATENÇÃO!
Toda semana este blog publica dois artigos de cientistas e dois posts inéditos da nossa autoria sobre a dor e seu gerenciamento.
Quer se manter atualizado nesse tema? Não duvide.

Deixe aqui seu e-mail:
Preencha e acesse!
Você pode ver os vídeos no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas