Libere-se da Dor nas Costas – Dr. John Sarno – Capítulo 2 e 3

Libere-se da Dor nas Costas – Dr. John Sarno

Capítulo 2 e 3

CAPÍTULO II

A PSICOLOGIA DA SMT

As síndromes que produzem dor no pescoço, ombros e costas não são problemas mecânicos que podem ser curados por meios igualmente mecânicos, mas estão relacionadas aos sentimentos, personalidade e vicissitudes de quem as sofre. Se isso for verdade, o tratamento convencional dessas síndromes não é mais do que uma paródia da verdadeira medicina. Os diagnósticos médicos convencionais estão concentrados na máquina, isto é, no corpo, entretanto, aparentemente, o problema real está no que o faz funcionar: a mente. A SMT é caracterizada por dor física, mas é induzida por fenômenos psicológicos e não por anormalidades estruturais ou por qualquer deficiência muscular. Isso é extremamente importante. Nas páginas seguintes, explicarei como isso ocorre, mas primeiro vamos ver algumas definições para nos certificarmos de que os termos usados são claros para nós.

TENSÃO

A palavra tensão é usada com muita frequência e tem diferentes significados. Neste livro eu uso o termo Síndrome da Miosite Tensional (SMT) para me referir à condição que é o tema deste livro. A palavra “tensional” deriva de tensão, e esse termo é usado aqui para designar as emoções geradas no inconsciente que, na maioria das vezes, permanecem ali. Esses sentimentos são o resultado de uma interação complicada entre as diferentes partes da mente e entre ela e o mundo exterior. Muitos deles são desagradáveis, dolorosos, vergonhosos ou, de algum modo, inaceitáveis para nós mesmos ou para a sociedade, por isso os reprimimos. Os sentimentos aos quais estamos nos referindo são ansiedade, raiva e baixa autoestima (sensação de inferioridade), e nós os reprimimos porque nossa mente não quer que os vivenciemos ou os mostremos ao mundo exterior. É provável que, se tivéssemos a oportunidade de escolher conscientemente, a maioria de nós decidisse enfrentar esses sentimentos negativos. No entanto, dada a atual constituição da mente humana, tais sentimentos são imediata e automaticamente reprimidos, isto é, não temos escolha.

No resumo, a palavra tensão é usada neste livro para se referir a emoções reprimidas e inaceitáveis.

ESTRESSE

A palavra estresse é frequentemente confundida com tensão e parece designar qualquer coisa emocionalmente negativa. Eu prefiro usá-la para me referir a qualquer fator, influência ou situação que teste, force ou imponha algum tipo de pressão sobre o indivíduo. Podemos estar emocionalmente ou fisicamente estressados. O calor ou o frio em excesso provoca estresse físico, enquanto os problemas familiares produzem estresse emocional. E o estresse relacionado à SMT causa reações emocionais que mais tarde reprimimos.

O trabalho do Dr. Hans Seyle foi a primeira investigação do modo como o estresse afeta o corpo. Este cientista realizou muitos estudos e escreveu numerosos artigos, e seu trabalho constitui uma das maiores conquistas médicas do século XX. O Dr. Seyle define o estresse biológico como uma reação inespecífica do corpo a qualquer exigência que recai sobre ele.

O estresse pode ser interno ou externo. Alguns exemplos de estresse externo são trabalho, problemas financeiros, doença, mudança de casa, mudança de emprego, cuidado de filhos ou pais. No entanto, parece que os fatores que produzem estresse interno são mais importantes na produção de tensão. Esses fatores são identificados com alguns atributos da personalidade, como excesso de escrúpulos, perfeccionismo, necessidade de enfatizar, etc. Muitas pessoas dizem que seu trabalho é muito estressante e é por isso que elas estão tensas. No entanto, se elas não fossem tão picuinhas quanto ao que consideram um trabalho bem feito, e se não se esforçassem tanto para alcançar o sucesso, para obter conquistas e atingir a excelência, não gerariam essa tensão. Elas tendem a ser muito competitivas e determinadas a estar sempre à frente. E são geralmente muito críticas de si mesmas.

Uma mãe e uma dona de casa com esse tipo de personalidade ficarão tão estressadas quanto em qualquer outro emprego, embora o centro de suas preocupações seja sua família. Esse tipo de mulher se preocupa com os filhos, o marido e os pais. Ela quer o melhor para todos e fará tudo em seu poder para consegui-lo. Ela também dirá que é importante para ela que os outros a amem e também que ela se sente muito mal quando acha que alguém está chateada com ela. (Essa compulsão de agradar não é, obviamente, exclusiva das mulheres. Recentemente assisti em meu consultório um homem de idade madura que expressava sentimentos idênticos aos descritos).

Portanto, o estresse está fora do que poderíamos chamar de núcleo central da estrutura emocional. Consiste nas tensões e dificuldades da vida cotidiana e, mais importante, em certos aspectos da personalidade de alguém. E o estresse produz tensão (isto é, sentimentos inaceitáveis reprimidos). Em seguida, estudaremos a personalidade em maior detalhe.

A MENTE CONSCIENTE

A parte da nossa personalidade de que temos conhecimento reside na mente consciente; é onde as emoções que podemos experimentar são produzidas. Nós nos sentimos tristes, felizes, eufóricos ou deprimidos; e também sabemos que somos escrupulosos, trabalhadores, ansiosos, talvez compulsivos e perfeccionistas. Possivelmente percebemos que muitas vezes estamos irritados ou que precisamos nos impor. Um homem pode estar plenamente convencido da superioridade masculina e até se orgulhar disso. Esses sentimentos moldam nossa mente consciente e, aparentemente, determinam o que fazemos na vida e a maneira como agimos. Mas é mesmo assim? Muitas vezes, essas características externas refletem impulsos internos dos quais podemos não estar conscientes, por isso é importante estudar o inconsciente, como faremos mais adiante.

Muitas pessoas com SMT estão conscientes de que sua personalidade possui características de extrema escrupulosidade e muitas vezes referem-se a si mesmos como pessoas de Tipo A, de acordo com o trabalho de Meyer Friedman e Ray Rosenman, que descreveram o tipo de pessoas propensas a sofrer de doença cardíaca coronária em seu livro “Comportamento Tipo A e Seu Coração (Nova York, Alfred A. Knopf, 1974). Nesse trabalho, eles descreveram um tipo de pessoa comprometida e obcecada ao extremo pelo trabalho. É um tipo de pessoa que pode afirmar que trabalha dezoito horas por dia sem se sentir cansada.

Tal comportamento não é característico de pessoas que sofrem de SMT. Apesar de serem trabalhadoras, elas estão conscientes de suas próprias limitações e, de fato, de si mesmas como seres emocionais. Tenho a impressão de que as pessoas verdadeiramente do tipo A não têm nenhum contato emocional com elas mesmas. Essas pessoas tendem a negar seus sentimentos como se fossem sinais de fraqueza. A hipótese de que existe uma diferença entre pacientes com SMT e pessoas do tipo A baseia-se no fato de que pouquíssimos pacientes com SMT têm história de doença coronariana ou a contraem posteriormente. Claro, existem algumas pessoas com essas características, mas o seu número é pequeno em comparação com o número de pacientes que tiveram outros transtornos, como problemas de estômago, colitis, febre do feno, dores de cabeça tensionais, acne, urticária e muitas outras condições que parecem estar relacionadas ao estresse. Tais condições podem ser substitutas da SMT e refletir um menor nível de compulsão que as pessoas de personalidade do tipo A.

As características de personalidade de que estamos conscientes representam apenas uma parte da nossa estrutura emocional ou podem ser menos importantes do que aquelas que estão no inconsciente.  

O INCONSCIENTE

A palavra inconsciente tem um sentido infeliz denotando uma falta de contato com a realidade, como quando dormimos, ou quando alguém sofre danos cerebrais. No entanto, este conceito está firmemente enraizado nos livros de psicologia, e é usado para se referir a essa parte da atividade emocional que geralmente não é consciente, por isso é necessário usá-lo para falar sobre emoções. Talvez seja mais conveniente usar a palavra subconsciente ao falar de fatores não emocionais que estão abaixo do nível da consciência.

O inconsciente é subterrâneo; é o reino do oculto e misterioso e o lugar onde todos os tipos de sentimentos podem residir, nem sempre lógicos, nem sempre agradáveis e alguns decididamente assustadores. Nossos sonhos refletem até certo ponto o tipo de coisas que habitam nosso inconsciente. Alguém disse que todas as noites quando dormimos, todos nós enlouquecemos numa zona tranquila e segura, pois é quando os restos de nosso comportamento infantil, primitivo e selvagem, que são parte do repertório emocional de todos, podem mostrar-se sem estar sob a vigilância da mente consciente. O inconsciente é o repositório de todos os nossos sentimentos, independentemente de estes serem pessoal ou socialmente aceitáveis. É muito importante saber do inconsciente, porque o que acontece nele pode ser responsável por essas características pessoais que nos levam a nos comportar como fazemos quando acordamos, além de ser o lugar onde outros distúrbios se originam.

É interessante que a grande maioria das atividades mentais e emocionais ocorra abaixo do nível consciente. A mente humana é como um iceberg, em que a parte da qual temos conhecimento, isto é, a mente consciente, representa uma parte muito pequena do total. É no subconsciente que todos os processos complicados que nos permitem, por exemplo, comunicar verbalmente ou por escrito, pensar, raciocinar, lembrar, residem; em outras palavras, fazer a maioria das coisas que nos identificam como seres humanos. Nossa capacidade de entender as coisas que vemos, reconhecer rostos e realizar dezenas de atividades mentais é o resultado de uma atividade cerebral da qual não temos consciência.

É provável que a maioria das reações emocionais ocorra no inconsciente. Os sentimentos permanecem ali porque estão reprimidos, produzindo a série de eventos que causam a SMT. Esse distúrbio começa e termina no inconsciente.

A propósito, é necessário distinguir, como Freud fez há muito tempo, entre pensamentos inconscientes, mas que podemos tornar conscientes com algum esforço, como nossas memórias (Freud chamou de pré-consciente àquele campo mental) e aquelas que não estão em nosso nível de disposição e que não podemos trazer para o campo consciente. Nós simplesmente ignoramos que eles existem.

Para entender melhor como e por que a SMT se inicia, é essencial analisar alguns desses processos emocionais inconscientes.

Baixa autoestima

Estou muito surpreso com a frequência com que as pessoas abrigam sentimentos de inferioridade profundamente arraigados. Talvez seja devido a algum aspecto cultural refletido na forma como fomos tratados como crianças e, consequentemente, na maneira como nós nos desenvolvemos. Este é um assunto que deve ser estudado intensivamente e sem dúvida, o será um dia. Esses sentimentos de inferioridade são muito profundos e ocultos, mas se manifestam através do nosso comportamento. Geralmente, tendemos a compensar nossos sentimentos negativos, de modo que, por exemplo, se nos sentimos fracos, agimos com força. Isso é maravilhosamente exemplificado pelo caso de um cara durão e autoconfiante, que veio ao meu consultório há muitos anos para cuidar de uma dor nas costas que tinha-o transformado em um inválido. A equipe me informou que o homem constantemente se gabava de suas habilidades no combate corpo-a-corpo, em questões financeiras e com as mulheres. No entanto, na minha consulta, ele chorou inconsolável por causa de sua incapacidade de suportar a dor nas costas. Emocionalmente, ele era apenas uma criança tentando desesperadamente provar a si mesmo e aos outros o quão rude ele era. É provável que, para a maioria de nós, a necessidade imperativa de ter bom desempenho, alcançar o sucesso e atingir nossos objetivos, seja um reflexo de nossos sentimentos de inferioridade tão profundamente arraigados. Independentemente de sua origem, a necessidade de realização e de viver de acordo com um papel ideal como sendo o melhor pai, o melhor estudante ou o melhor trabalhador, é muito comum em pessoas propensas a SMT.

Um exemplo característico é um paciente que, através de trabalho duro, fundou um negócio próspero e se tornou o patriarca e benfeitor de sua numerosa família. Este homem gostava dessa função, mas sentia uma profunda responsabilidade. Durante toda a sua vida adulta, ele sofrera dores na região lombar, que não cediam a nenhuma forma de tratamento. Quando o tratei, os padrões de dor estavam profundamente arraigados e faziam parte do cotidiano do paciente. Ele entendeu o conceito de dor causado pela tensão, mas foi incapaz de eliminar os padrões de toda uma vida. Ele se sentia velho demais para se submeter à psicoterapia, o que geralmente é necessário para tratar esse tipo de paciente. O principal benefício obtido com o tratamento foi a garantia de que suas costas não sofriam de nenhuma anomalia estrutural.

Outro paciente, um jovem de vinte e poucos anos, teve seu primeiro filho pouco antes de abrir uma nova filial nos negócios da família. A imposição simultânea dessas novas responsabilidades produziu nesse jovem extremamente escrupuloso, uma dor severa na parte inferior das costas causada pela SMT. Assim que percebeu que a fonte de seus sintomas era a tensão interna, a dor desapareceu. Como veremos mais adiante, a consciência é a chave para se recuperar da SMT.

Todas essas pessoas tinham um grande senso de responsabilidade e um forte impulso interno para alcançar o sucesso tanto no local de trabalho quanto na família. São pessoas que não precisam de vigilância, porque são auto motivadas, autodisciplinadas e seus críticos mais severos.

Em nossa cultura, para alcançar o sucesso, geralmente é necessário competir efetivamente, e essas pessoas fazem isso. Elas estão acostumadas a se autopressionar e muitas vezes sentem que não fizeram o suficiente.

Às vezes, esse perfeccionismo se manifesta de maneiras incomuns. Lembro-me de ter assistido um homem que cresceu em uma fazenda. Este paciente afirmou que ao ler meu primeiro livro, não podia ver como esse perfeccionismo poderia se aplicar a ele até perceber que, no momento da colheita, sentia uma forte inclinação para colocar perfeitamente os fardos de feno.

Talvez neste momento o leitor esteja coçando a cabeça e se perguntando por que o fato de ser trabalhador, escrupuloso ou compulsivo causa a SMT. É claro que existe uma relação entre essas características da personalidade e essa síndrome dolorosa, mas o que é isso? Para entendê-lo, é necessário falar um pouco sobre ansiedade e raiva.

Ansiedade e raiva

Como não tenho nenhum treinamento no campo da psicologia ou da psiquiatria, sei que meus conceitos e explicações sobre esses processos psicossomáticos podem parecer muito ineficazes para profissionais nessas áreas. No entanto, este é um livro escrito para o público em geral, que certamente irá apreciar o fato de não usar jargão médico ou conceitos complicados. Apesar da minha falta de treinamento nas áreas mencionadas, é necessário que minhas observações sobre essa síndrome dolorosa e suas causas sejam levadas em conta pelos profissionais da psicologia. Estamos falando do território quase inexplorado que existe entre o físico e o puramente mental e emocional. Existe uma relação forte e importante que, infelizmente, a ciência médica contemporânea (com notáveis exceções) não está disposta a explorar. A razão para essa atitude é explicada no capítulo 7, mente e corpo. Minha experiência no diagnóstico e tratamento da SMT lança alguma luz sobre o que acontece naquela misteriosa área em que o emocional encontra o físico.

Raiva e ansiedade são discutidas juntas porque, na minha opinião, elas estão intimamente relacionadas e são os principais sentimentos reprimidos que causam a SMT e outros distúrbios similares.

Desde que comecei a trabalhar com esse distúrbio, ficou óbvio para mim que a maioria dos pacientes tinha as características de personalidade descritas acima. Aqueles que negaram possuir qualquer uma dessas características eventualmente admitiram que tinham muitas preocupações emocionais, mas que tendiam a negá-las e a “tirá-las da cabeça”.

Com este repertório de traços de personalidade não era difícil afirmar que a ansiedade fosse responsável pela SMT, uma vez que um indivíduo com essas características sofre de ansiedade sobre a maneira como as coisas vão acabar. A ansiedade é um fenômeno caracteristicamente humano que está intimamente relacionado ao medo, embora seja muito mais complexo, porque se baseia em uma habilidade que os animais não possuem: a capacidade de antecipar. A ansiedade surge em resposta a percepção de risco e de lógica, a menos que a percepção não seja ilógica. O que acontece muito frequentemente é que pessoas ansiosas tendem a antecipar o perigo, geralmente quando este é insignificante ou não existe. Essa é a natureza do animal humano. No entanto, geralmente não temos consciência dessa ansiedade porque ela é gerada por sentimentos de que não estamos conscientes, e que mantemos nessa parte da mente através do mecanismo bem conhecido da repressão. A natureza desagradável, constrangedora e com frequência dolorosa desses sentimentos e ansiedade que são gerados por natureza, nos provoca uma forte necessidade para mantê-los fora do âmbito consciente, o que é o propósito da repressão. Como veremos mais adiante, o objetivo da SMT é contribuir para o processo de repressão.

Narcisismo

Nas páginas anteriores, descrevi o papel da baixa autoestima. Junto com esse sentimento profundamente enraizado, há outro de igual importância conhecido como narcisismo. Ele se refere à tendência de algumas pessoas de se amarem excessivamente, isto é, tornarem-se enormemente egoístas. A evolução da cultura americana parece ter produzido pessoas mais orientadas para o eu do que para o nos. Ouvi dizer que em muitas das línguas dos nativos americanos não há nomes, nem o seu nem o meu, porque os povos que lhes deram origem têm um forte senso de comunidade e uma forte tendência a se sentirem parte de algo maior que eles. Em contraste, os americanos atuais acreditam no individualismo e admiram as pessoas que “trabalham sozinhas”. No entanto, o outro lado da moeda é que o indivíduo pode acabar se concentrando demais em si mesmo e, se não for motivado por altos ideais, tende a se tornar ganancioso. É impressionante e esclarecedor ver quantos membros prestigiados do governo ou empresas estão envolvidos em atos criminosos, mas isso não surpreende se percebermos que esse fato é uma extensão lógica das tendências narcisistas contemporâneas.

Raiva

Todos os seres humanos têm um certo grau de narcisismo. Quando ele é muito forte, aquele que sofre pode ter problemas porque fica facilmente irritado, e muitas vezes é frustrante para ele/a estar em contato com pessoas que não seguem suas ordens ou fazem errado. O resultado de tudo isso é a raiva, e se a pessoa é muito narcisista, é possível que ela esteja irritada o tempo todo sem perceber, já que a sua raiva, como a ansiedade, foi reprimida. Tudo isso está no inconsciente.

Aqui temos um aparente paradoxo. Por um lado, temos baixa autoestima, mas nosso narcisismo nos leva a comportar-nos como soberanos emocionalmente reinantes. É a história do príncipe e do mendigo: ambos são a mesma pessoa. Esses sentimentos diametralmente opostos são os lados da mesma moeda, embora possa parecer estranho para nós que eles possam existir simultaneamente.

Isso é muito característico da mente humana. Esta parece ser um armazém de sentimentos e tendências geralmente opostos, dos quais tendemos a ser completamente inconscientes. Nós também ficamos com raiva por outras razões. De fato, qualquer coisa que (inconscientemente) causa ansiedade também tenderá a produzir raiva. Por exemplo, você tenta fazer um bom trabalho e espera que funcione bem (ansiedade), mas, ao mesmo tempo, sente-se ressentido com os problemas que tem que enfrentar, por exemplo, as necessidades dos outros (raiva).

Ansiedade e raiva geralmente estão relacionadas ao trabalho, mas as relações pessoais são uma fonte igualmente comum de emoções reprimidas, a dinâmica familiar muitas vezes produz problemas sérios que podem passar despercebidos devido a sua sutileza.

Uma de minhas pacientes era uma dama de quase cinquenta anos de idade. Ela tinha tido uma adolescência protegida, casara-se muito jovem e, seguindo os ditames de sua cultura, dali em diante dedicou-se exclusivamente ao lar e à família. Ela fez um bom trabalho por ser uma mulher competente e compassiva. No entanto, chegou o momento em que ela começou a se ressentir do fato de não ter recebido permissão para ir à escola quando criança, de modo que mal sabia ler e escrever, não podia dirigir um carro, e de que muitas experiências lhe foram negadas porque as necessidades de sua família dominaram sua vida. A paciente não tinha consciência da existência desse ressentimento e, consequentemente, contraiu uma dor nas costas prolongada e incapacitante, o que a levou a recorrer sem sucesso à cirurgia. Quando ela veio me consultar, sofria de dores constantes e era quase completamente incapaz de agir. O programa de educação e psicoterapia ajudou-a tornar-se consciente desses sentimentos reprimidos e sua dor desapareceu gradualmente.

O processo afetou-a psicologicamente, porque agora ela tinha que enfrentar a desaprovação de sua família e amigos, bem como suas atitudes profundamente enraizadas. A paciente experimentou um grande conflito e então passou a sofrer emocionalmente. No entanto, tudo isso era suportável e preferível à dor física, da qual ela havia sido uma vítima indefesa.

Uma fonte importante de raiva e ressentimento, da qual normalmente não temos consciência, é o nosso senso de responsabilidade para com pessoas próximas a nós, como nossos pais, nosso cônjuge e filhos. Mesmo que os amemos, eles podem nos sobrecarregar de muitas maneiras, o que nos leva a transformar a raiva resultante em raiva de nós mesmos. Como podemos ficar com raiva dos nossos pais idosos ou do nosso bebê?

O seguinte é um bom exemplo: Um homem de cerca de quarenta anos foi visitar seus pais que viviam em outra cidade. Antes do fim de semana, ele teve uma recaída em sua dor nas costas, a primeira desde que concluíra com sucesso o meu programa terapêutico contra a SMT um ano antes. Quando sugeri que a recaída significava que algo o incomodava inconscientemente, ele disse que o fim de semana fora muito agradável. No entanto, depois confessou que sua mãe estava delicada de saúde, que ele passou a maior parte do tempo atendendo às suas necessidades e que ambos os pais estavam preocupados. Para piorar as coisas, para chegar onde eles moravam, era necessário pegar um avião. No entanto, o paciente era um bom homem e seus pais não podiam deixar de envelhecer. Assim sendo, a sua moléstia (raiva, ressentimento) natural (intrínseca, de fonte inconsciente narcisista) foi completamente reprimida e, por razões que explicamos continuamente, levou à recaída.

Vejamos agora o caso do jovem pai, cujo primogênito passa a maior parte da noite acordado. Isso não só faz ele dormir menos, mas sua esposa também fica muito apegada ao bebê o dia todo. O homem tem que cozinhar em seu tempo livre, a vida social do casal foi reduzida consideravelmente e o que era uma longa lua-de-mel antes da chegada do bebê, vira uma provação. O paciente adquiriu dor nas costas porque está furioso com o bebê (que ridículo!), e com sua esposa por não poder satisfazer suas necessidades físicas e emocionais, como fazia antes (que absurdo!). E para piorar as coisas, agora ele tornou-se uma babá e cozinheira em tempo parcial. No entanto, ele não está ciente desses sentimentos. Eles estão profundamente enterrados em seu inconsciente, e para assegurar-se de que ainda estão lá, este homem contraiu dores nas costas ou a SMT.

Um grande número de psicólogos e médicos daria uma interpretação diferente para o sofrimento desse jovem pai. Esses profissionais afirmam que a dor nas costas se deve ao fato de terem que carregar o bebê nos braços, já que não dormiram o suficiente, e que a dor é intensa, pois fornece uma boa desculpa para não participar do cuidado da criança. É claro, eles dirão, tudo isso é subconsciente.

Essa é a chamada teoria do ganho secundário da dor crônica. O problema dessa teoria é que ela pressupõe a existência de uma causa estrutural da dor, o que geralmente é insustentável (o homem no nosso caso tinha sido jogador de futebol na universidade) e, em segundo lugar, dá destaque a um sentimento secundário inexistente, isto é, que a pessoa obtém certo benefício da dor. No entanto, os psicólogos comportamentais aceitam essa teoria porque é simples e tudo o que precisa ser feito é recompensar o “comportamento não doloroso e punir o oposto”. Eles não precisam lidar com sentimentos inconscientes confusos, como ansiedade e raiva. Anos atrás, antes de começar minha pesquisa sobre SMT, tentei essa abordagem e a considerei particularmente ineficaz: era de se esperar, já que se baseia em um diagnóstico incorreto.  Todos os relacionamentos familiares têm uma carga emocional. Este é um dos primeiros fatores que devem ser levados em consideração quando uma pessoa tem um ataque de SMT que parece vir do nada. A combinação de preocupação e amor verdadeiro para com um membro da família, e o ressentimento interno devido ao trabalho e responsabilidades associados com a relação, constituem um profundo gerador de conflitos, que é a causa da SMT.

O seguinte é um caso comum que permite fazer alguns comentários interessantes sobre a história natural da SMT. O paciente era um homem casado de 39 anos que administrava um negócio familiar iniciado por seu pai. O paciente me disse que o pai ainda estava participando do negócio, mas isso se tornou um incômodo, em vez de uma ajuda. Ele admitiu estar em conflito com o pai por causa desse fato e se sentiu culpado por tudo isso. A síndrome dolorosa começara aproximadamente dois anos e meio antes. Quatro meses após o início do distúrbio, o paciente leu meu primeiro livro, pensando que era uma série de bobagens. Ele decidiu tentar o sistema médico convencional, determinado a se livrar da dor. Ele disse que consultou muitos médicos e tentou praticamente qualquer tratamento disponível, tudo sem sucesso. Dois anos depois, ele ainda sentia a dor, tornara-se obcecado por ela e aquilo lhe causava grandes limitações físicas. Ele temia qualquer atividade física e nem conseguia se curvar. Naquela época, ele releu o livro no qual era descrente e que agora ele “tinha produzido um efeito totalmente diferente”. Disse ter visto a si mesmo em todas as páginas. Sua explicação foi a de que ele precisara passar por todos os testes e por todos os médicos, antes de estar pronto para aceitar que sua dor tinha influência psicológica.

Não é preciso dizer que ele se saiu bem e que logo livrou-se da dor. Durante a consulta, eu achei que tratava-se de uma pessoa tão perspicaz e “psicologicamente sintonizada” que não fui capaz de imaginar que ela originalmente rejeitasse o diagnóstico. Essa foi uma lição para mim: uma das desafortunadas realidades em trabalhar com uma doença como SMT é que a maioria dos pacientes rejeitam a ideia de que você está desesperado por uma solução.

A seguir, um outro bom exemplo do papel da dinâmica familiar na produção de sintomas. Uma mulher que tinha sido tratada com sucesso, diagnosticada com dor na parte inferior das costas, há dois anos, me ligou um dia dizendo ter contraído uma dor no pescoço, ombro e braço, mas que ela tinha certeza de que fora devido a uma situação psicologicamente dolorosa que tinha a ver com o marido e uma enteada adolescente. Encorajei-a a se submeter a um tratamento médico convencional, mas a situação não se resolveu e a dor tornou-se cada vez mais intensa. A paciente perdeu uma parte considerável de sua capacidade de movimento em ambos os ombros, o que é uma consequência comum da SMT no pescoço e ombros. Um dia, ela decidiu enfrentar o problema diretamente e confrontou seu marido. O resultado foi uma solução surpreendentemente fácil, que encerrou toda a situação. Com a resolução de seus problemas pessoais, a dor desapareceu. Sem dúvida, essa paciente nutria um grande ressentimento cuja permanência fazia a dor persistir. No capítulo dedicado ao tratamento, falarei mais sobre como lidamos com esse tipo de situação. No entanto, este caso ilustra claramente a relação entre a raiva reprimida e a SMT.

Um dos maiores geradores de conflito no inconsciente é a batalha entre os sentimentos e as necessidades decorrentes dos impulsos narcisistas descritas nas páginas anteriores, e outra parte muito real da mente, que lida com o que é apropriado, razoável e maduro ou, se assumir uma posição mais exigente, o que devemos fazer. Uma psicanalista bem conhecida, a escritora e professora Karen Horney descreveu o que ela chama de “a tirania do dever’, e que pode vir a dominar a vida de muitas pessoas. Muitos pacientes descrevem em detalhes como suas vidas são governadas por esses imperativos de comportamento. Depois de ter negado que era compulsiva ou perfeccionista, uma mulher me disse que ela veio de uma família que se orgulhava de sua força de caráter e sua rigidez e inflexibilidade. Era evidente que havia outras partes de sua personalidade que eram mais brandas e flexíveis, para o seu conflito inconsciente ser considerável.

Às vezes a pressão para agir de determinada maneira vem da cultura. Lembro-me de uma mulher muito atraente que fazia parte de um grupo religioso que acreditava em famílias numerosas, em que o habitual era ter seis ou oito filhos. Embora ela tenha admitido que sua dor era devido à “tensão”, não conseguia entender por que. Eu sugeri que talvez ela estivesse ressentida por causa do trabalho e da responsabilidade associada com uma família tão grande. A paciente negou durante muito tempo, insistindo que ela não sentia tal ressentimento. A dor persistiu e em certas ocasiões ela se agravava. Lhe indiquei que talvez não estivesse ciente desse sentimento, por ele estar reprimido no inconsciente. Sua perseverança, juntamente com a minha, rendeu bons resultados. A paciente começou a perceber seu ressentimento profundamente reprimido e finalmente teve um alívio perceptível dos sintomas.

Quanto mais eu trabalhava com SMT, mais eu me perguntava qual é a função da raiva nele. Todos nós aprendemos a reprimi-la tão plenamente, que em muitas situações ignoramos completamente sua existência. Na verdade, comecei a me perguntar se a raiva não era fundamental para o desenvolvimento dos sintomas que a ansiedade, e de fato, também me perguntei se esta última não seria uma reação à raiva reprimida.

O seguinte caso me impressionou profundamente. O paciente tinha cerca de quarenta e cinco anos e, entre outras coisas, apresentava antecedentes de ataques de pânico ocasionais. Esses ataques são uma manifestação aguda de ansiedade. Depois de examiná-lo e determinar que ele tinha a SMT, falamos sobre os fatores psicológicos do distúrbio e eu disse a ele que havia começado a suspeitar que a raiva era mais importante do que a ansiedade. Ele me disse que algo havia acontecido com ele que apoiava essa suposição. Ele tinha ficado profundamente furioso com outra pessoa e esteve até prestes a começar uma briga quando decidiu que aquilo não seria “adequado” e que era melhor engolir sua raiva. Pouco depois ele sofreu um ataque de pânico. É provável que o paciente sentisse mais raiva, e a necessidade de suprimir esse sentimento inconscientemente exigiu algum tipo de reação. Daí o ataque de pânico. Como veremos mais adiante, essa é precisamente a situação que causa a SMT e outras reações físicas. Mas primeiro vamos estudar o fenômeno da repressão. De onde ela provém?

A repressão

Eu me lembro que uma vez uma mãe me disse com orgulho como ela conseguiu que seu bebê de 15 meses parasse de fazer birras. Seu sábio médico de família aconselhou-o a derramar um pouco de água fria no rosto da criança assim que ela começasse a fazer birra. O método funcionou muito bem: a criança nunca fez outra birra. Ela aprendeu a reagir a técnica de repressão na idade madura de quinze meses. Ficou programada para suprimir sua raiva devido as consequências muito desagradáveis, e levaria consigo esse talento duvidoso ao longo de sua vida. Quando confrontado com a multidão de coisas acontecendo diariamente e que produzem frustração, desconforto e ocasiões fúria, o menino vai absorver a sua ira e quando a mesma se acumular, ele apresentará SMT ou alguma outra reação em resposta a ela.

O caso anterior aponta para uma das origens da necessidade de repressão, a influência inocente dos pais. Este pode ser o motivo mais comum para aprender a reprimir (o que você sente). Ao tentar fazer que seus filhos sejam boas pessoas, os pais podem inesperadamente promover o surgimento de dificuldades psicológicas nas seguintes fases da vida delas.

Se você pensar no assunto, existem muitas razões pelas quais nós reprimimos a raiva, todos lógicas e mormente inconscientes. Todos nós queremos que gostem de nós ou sermos amados; ninguém gosta de desaprovação e, por isso, reprimimos comportamentos pouco amorosos. Talvez seja difícil para nós admitir, mas inconscientemente tememos as represálias. As demandas culturais da família e da sociedade nos motivam a esconder nossa raiva. Isso está profundamente enraizado em nós desde a infância. Percebemos inconscientemente que a raiva geralmente é inadequada e que ela é provocada por fatores que não devem nos deixar com raiva, então a reprimimos. Instintivamente sabemos que a raiva nos mantém para baixo e quando ficamos com raiva, nos sentimos fora de controle. Isso é algo difícil de suportar para pessoas com personalidade propensa a SMT. Tudo isso é inconsciente, de modo que não percebemos as nossas necessidades de reprimir toda a dor que sentimos. Em vez de experimentar um sintoma que seja físico, a própria SMT ou um distúrbio gastrointestinal, por exemplo.

Isso acontece comigo muitas vezes. Eu aprendi que minha azia significa que estou com raiva por algum motivo e que não estou ciente disso, então tento descobrir qual é a causa. Quando encontro a resposta, a acidez desaparece. É muito notável o quão profundamente enterrada está a raiva. No meu caso, geralmente é algo que me incomoda, mas não tenho ideia da causa pela qual me enfureceu. Às vezes é algo tão emocional que eu não consigo encontrar a resposta até muito tempo depois.

Após dezessete anos de trabalho com a SMT, vejo claramente que, pelo menos em nossa cultura, todos nós geramos ansiedade e raiva e que, em qualquer campo cultural, os seres humanos reprimem emoções potencialmente problemáticas. Em outras palavras, as circunstâncias psicológicas que produzem reações psicossomáticas, como SMT, como úlceras estomacais e colite, são universais e variam apenas em intensidade. As neuróticas são as mais severas que produzem sintomas mais graves, mas na verdade todos nós somos neuróticos até certo ponto, o que nos faz achar que não somos uteis.

Os conceitos da repressão e do inconsciente estão firmemente relacionados. Freud foi o primeiro a estudá-los a partir de uma base científica e sólida. Peter Gay, em sua excelente biografia de Freud, titulada  “Freud: Uma vida para o nosso tempo” (New York; Norton, 1988) afirma na página 28, uma excelente metáfora do inconsciente: “O inconsciente é como uma prisão de segurança máxima que abriga criminosos antissociais que permanecem ali desde muitos anos ou que acabam de ingressar, são maltratados e extremamente vigilados e monitorados de perto, mas mal mantidos sob controle e em uma tentativa permanente de escapar”.

Os fenômenos emocionais descritos neste capítulo são aqueles “criminosos antissociais” do inconsciente. Parece que temos um mecanismo integrado para evitar aquilo que é emocionalmente desagradável, e que provoca repressão. Porém, também parece haver uma força igualmente poderosa na mente que trabalha para tornar conscientes esses sentimentos que estão “…em uma tentativa permanente de escapar “, e que é a razão dos reforços ou, na linguagem dos psicanalistas, dos mecanismos de defesa.

Há pouco tempo, encontrei uma mulher que me contou uma história muito interessante.  Depois de examiná-la, e de alertá-la de que sofrera SMT e o que isso significava, ela me disse que a dor havia começado após ter sido convidada por uma de suas irmãs mais velhas para uma viagem à Europa, às custas da paciente. Ela começou a se preocupar se sua irmã passava bem, sentindo-se responsável por isso e sentindo raiva e ressentimento por se sentir assim. Ela também alegou ter começado a sonhar com sua irmã e sua mãe, e a lembrar do seu antigo ressentimento contra ambas, com base na ideia (provavelmente injustificada) de que “…as duas conspiraram contra ela e de que ela, a minha paciente, de que teria sido privada de ter uma relação estreita com a dupla”. Tudo isso era agravado pelo fato de que ela sentia que seu pai, com quem ela havia estabelecido um relacionamento muito próximo, a abandonara. O homem morreu quando ela tinha onze anos de idade.

Essa é o tipo de situação que a SMT normalmente provoca: ansiedade, raiva e ressentimento, cujas origens remontam à infância. Me pareceu muito interessante que a paciente tivesse revelado todo esse material psicológico tão importante com apenas uma sugestão minha.

A universalidade desses fenômenos psicológicos é apoiada pelo fato ignorado de que mais de 80% da população tem uma história destas síndromes de dor e sua frequência aumentou geometricamente nos últimos trinta anos. Síndromes que causam dor nas costas e pescoço são a principal causa de absentismo ao trabalho neste país e é estimado gastar anualmente cerca de 56 bilhões de dólares, devido à devastação desses distúrbios. Essa epidemia virtual de síndromes dolorosas só pode ser adequadamente explicada com base em um processo psicossomático universal.

DEFESAS FÍSICAS CONTRA AS EMOÇÕES REPRESSADAS

Durante muitos anos, tive a impressão de que a SMT era uma espécie de expressão ou descarga das emoções reprimidas descritas nas seções anteriores. Na verdade, foi isso que sugeri na primeira edição deste livro. Desde o início da década de 1970, sei que essas síndromes dolorosas comuns são devidas a emoções reprimidas. Por outro lado, 88% de um grande grupo de pacientes com SMT tinham uma história de condições relacionadas ao estresse, como úlceras estomacais, colite, cefaléia causada por tensão e enxaqueca. Portanto a ideia da SMT como uma manifestação física de tensão nervosa era um tanto insatisfatória e incompleta. A coisa mais importante é que ela não explicava a repetida observação de que tornar um paciente consciente do papel da dor como participante do processo psicológico conduziria a cessação da dor, a uma “cura”.

Foi um colega psicanalista Dr. Stanley Coen, que sugeriu, enquanto estávamos trabalhando no desenvolvimento de um artigo conjunto, que a função da síndrome dolorosa não era expressar as emoções ocultas, mas impedi-las de se tornarem conscientes, o que, explicou ele, é chamado de mecanismo de defesa. Em outras palavras, a dor provocada pela SMT (ou o desconforto devido a úlcera péptica, a colitis, a dor de cabeça tensional, ou o terror de um ataque de asma) foi criada para desviar a atenção do paciente do que o que acontece no campo emocional. Sua finalidade é direcionar essa atenção para o corpo, desviando-o da mente. É uma resposta à necessidade de evitar que sentimentos antissociais, cruéis, pueris, zangados e egoístas (isto é, os “prisioneiros”) se tornem conscientes. Segue-se que, longe de ser uma desordem física no sentido usual, a SMT faz parte de um processo psicológico.

As defesas contra as emoções reprimidas desviam nossa atenção para outra coisa que não as emoções que mantemos escondidas. Os pacientes usam diferentes metáforas para descrever o processo: que a defesa age como uma camuflagem; que é uma diversão, uma distração. Para ter sucesso precisa chamar a atenção da gente, e funciona ainda melhor se você está totalmente preocupado ou obcecado pelo que quer que seja. É por isso que as defesas físicas são tão eficientes, porque têm a capacidade de atrair toda a nossa atenção, particularmente se são dolorosas, produzem medo ou incapacitam. Isto é exatamente o que acontece com a SMT.

As síndromes comuns que causam dor nas costas, pescoço e ombros atingiram proporções epidêmicas nos Estados Unidos (e praticamente em todo o mundo desenvolvido) durante os últimos trinta anos, devido as más defesas utilizadas contra as emoções reprimidas descritas nas páginas anteriores. A principal característica de uma boa camuflagem é que ela não é reconhecida pelo que é, e também que ninguém percebe que ela esconde algo. Praticamente ninguém que sofre dessas síndromes acha que tem a ver com fatores emocionais. Pelo contrário, todos acreditam que a dor é devida a uma lesão ou uma variedade de anomalias degenerativas e congênitas da coluna vertebral. Existe outro tipo de perturbação que pode formar parte do repertório de SMT e acredita-se que sejam por conta de doenças dos tecidos moles (fibromialgia, fibrosite e mio-fascite, etc.), mas também são atribuídas a lesões, incapacitação muscular, etc, o que os torna uma camuflagem perfeita. Enquanto a atenção da pessoa permanecer focada nas síndromes, não há perigo de manifestação de emoções.

Tenho muitas vezes observado que o mais doloroso é a emoção reprimida, mais severa que a dor produzida pela SMT. O paciente que abriga uma enorme raiva devido, por exemplo, ao abuso sofrido na infância, geralmente sofre de uma dor severa e incapacitante, que só desaparece quando ele tem a oportunidade de expressar a fúria terrível e amarga que tem permanecido em seu inconsciente por anos. Este é outro exemplo do potencial de irritação para desencadear a dor SMT.

EQUIVALENTES A SMT

Conforme mencionado, existem outros distúrbios físicos que servem ao mesmo propósito que a SMT. O que se segue é uma lista dos mais comuns:  Úlcera péptica; Dor de Cabeça; Hérnia do Hiato; Enxaqueca; Psoríase; Síndrome de Cólon Irritado; Acne Urticária; Febre do Feno; Asma; Zumbidos nos ouvidos; Prostatite; Micção frequente.

Todos esses distúrbios devem ser tratados por um clínico geral. Eles podem servir a um propósito psicológico, mas devem ser estudados e tratados clinicamente. Com um pouco de sorte, o paciente também receberá alguns conselhos.

Cada uma dessas doenças físicas também contribui para a repressão. Quanto mais eles são catalogados como “inteiramente físicos” pelos médicos, mais contribuem para o mecanismo de defesa, o que significa prolongar a dor, úlcera, enxaqueca ou qualquer desconforto. A defesa continuará enquanto for eficaz.

Ao contrário de mecanismos psicológicos, os de defesa física contra as emoções reprimidas são certamente os mais comuns, porque eles cumprem sua missão com sucesso. Eles também são muito eficazes, pois o paciente pode trocá-los. Por exemplo, medicamentos extraordinários foram descobertos para neutralizar os distúrbios causados pela úlcera péptica. Como resultado, a mente simplesmente escolheu outra condição física.

Um homem de cerca de quarenta e cinco anos me disse que dez anos antes, havia tido algumas complicações em sua lombar. Muitos anos depois, esses problemas foram resolvidos por cirurgia. Poucos meses depois da operação, ele começou a ter problemas com uma úlcera péptica que se estendeu por quase dois anos. O médico que o tratou tentou vários medicamentos, mas o homem simplesmente não conseguiu se livrar da úlcera. Finalmente, ela desapareceu e pouco depois o paciente começou a sofrer dor no pescoço e ombros. Esta dor vinha incomodando-o há quase dois anos, então ele veio me ver.

Nem a cirurgia ou o tratamento para úlcera aliviaram o problema fundamental, sendo que simplesmente agiram com placebos e fizeram que os sintomas físicos mudassem de lugar.

O caso da úlcera péptica

O caso da úlcera é interessante. Nos últimos vinte ou trinta anos, a frequência dessa condição nos Estados Unidos e no Canadá diminuiu. Isto é devido em parte à um tratamento medicamentoso eficaz.

No entanto, o colunista Russell Baker propôs uma explicação melhor em uma de suas colunas dominicais no New York Times Magazine (16 de agosto de 1981) intitulada “Onde se foram todas as úlceras?”). E o sr. Baker aponta que, aparentemente, as pessoas têm menos úlceras. Este artigo me fez pensar que uma vez que todos, leigos e médicos também, perceberam que as úlceras envolvem tensão, elas pararam de servir para escondê-la, então há menos pessoas que as sofrem. É esta a razão pela qual as dores de costas e ombros se tornaram tão comuns nestes poucos anos? É possível que essas partes do corpo sejam melhores esconderijos para a tensão do que o estômago?  

MENTE E CORPO

Tenho a impressão de que praticamente qualquer órgão ou sistema do nosso corpo pode ser usado pela mente como uma defesa contra as emoções reprimidas, produzindo transtornos no sistema imunológico, como a febre do feno, ou infecções respiratórias ou geniturinárias. Conheço um pesquisador em urologia que afirma que 90% dos casos de próstata que ele vê são decorrentes do estresse. Eu tenho um paciente que sofre de secura constante na boca, resultado da constrição de seus dutos salivares devido à tensão. A laringite pode ser de origem emocional: os oftalmologistas afirmam que as dificuldades visuais induzidas pela tensão são muito comuns, etc. Vale a pena repetir que todos os sintomas devem ser examinados em detalhe para descartar a possibilidade de que eles se devam a processos estruturais, infecciosos ou neoplásicos. Este tópico é discutido em mais detalhes no capítulo sobre mente e corpo.

Embora seja uma boa ideia excluir a possível existência dos chamados distúrbios orgânicos, é necessário que o diagnóstico de distúrbios psicossomáticos seja feito de forma positiva e não por exclusão. Um diagnóstico por exclusão não é um diagnóstico. É como dizer: “Como eu não sei o que é isso, provavelmente é causado por tensão”. Em vez disso, o médico deve dizer: “Agora que descartei a possibilidade de que seja um tumor ou um câncer, posso agir com confiança, já que a condição física que estou assistindo tem todos os sinais e sintomas de um processo induzido emocionalmente.” No entanto, isso é um feito raro porque a maioria dos médicos não reconhece a condição psicossomática, ou se isso acontecer, limitam-se a tratar os sintomas da mesma, como se fossem de origem orgânica.

A função do medo na SMT

A severidade da SMT não se mede apenas pela intensidade da dor, mas também pelo grau de deficiência física que a mesma provoca. Que coisas as pessoas têm medo ou não podem fazer? A deficiência pode ser mais importante que a dor na capacidade do indivíduo para desempenhar suas funções no pessoal, profissional, social e esportivo.

A longo prazo, o medo e a preocupação com as restrições físicas tornam-se defesas psicológicas mais eficazes que a própria dor. Um ataque severo de dor desaparece em poucos dias, mas se a pessoa deixa de fazer certas coisas por medo de provocar outro ataque, ou porque ela descobriu que a atividade invariavelmente produz dor, mesmo que não seja um ataque agudo, sua preocupação com o corpo será contínua e o mecanismo de defesa atuará o tempo todo. Para a maioria dos meus pacientes, esse é o fator mais importante.

Eu tratei pacientes que afirmaram que não sofriam nenhuma restrição física e que a dor era o único problema. No entanto, esses pacientes são raros, a maioria deles teme a atividade física, o que tende a perpetuar o problema causando mais ansiedade e, frequentemente, depressão. O que resulta é uma verdadeira cinesiofobia, isto é, um medo da atividade física, ou do movimento.

O grau de preocupação com os sintomas é um bom indicador da gravidade do problema. Muitos pacientes afirmam que a síndrome da dor domina suas vidas, enquanto outros são claramente obcecados por ela. É a primeira coisa em que eles pensam quando acordam e a última coisa que percebem antes de dormir.

Uma jovem a quem assisti disse-me um dia que estava apavorada com sua dor física. No entanto, depois de falar com ela, tornou-se claro para mim que o que de fato a aterrorizava eram fatores emocionais dos quais a síndrome de dor lhe tinha permitido escapar.

Segundo a minha experiência, a gravidade geral da síndrome dolorosa, incluídos seus componentes obsessivos, é um bom Indicador para avaliar a importância do estado emocional subjacente do corpo. Por importância quero dizer quanta raiva e ansiedade existem, e quão severos são os traumas do início da vida que contribuíram para o atual estado psicológico dessa pessoa. Os pacientes que sofreram abusos quando crianças, sejam esses abusos emocionais, físicos e especialmente sexuais, tendem a nutrir uma enorme quantidade de ansiedade e raiva. Essa é uma das primeiras coisas em que penso quando entrevisto um paciente cujo caso de SMT é particularmente severo. Os sintomas físicos são os meios pelos quais a pessoa é mantida fora de contato com certos sentimentos profundamente enterrados e terríveis. Isto não é um exagero. Essas pessoas estão com muito medo e provavelmente uma enorme raiva furiosa em suas mentes, mas não ousam reconhecê-lo. Esses pacientes dirão que entendem porque a dor persiste, mas a partir do momento que começam a abordar sentimentos ocultos, o medo os paralisa e não podem dar mais um passo. Essas pessoas invariavelmente precisam receber psicoterapia como parte de seu programa de tratamento.

Por outro lado, na grande maioria (95%) das pessoas com SMT, o nível de ansiedade e os motivos que a causam são muito mais leves. São pessoas que não experimentam nenhuma reação emocional quando a dor desaparece. Esses casos dão a impressão de que a mente produziu uma reação excessiva à raiva e à ansiedade, e que tal mecanismo de defesa era desnecessário.

O que foi descrito até agora está presente em todas as áreas de nossa cultura; a única coisa que varia é o grau de repressão das emoções E, em nossa cultura, a natureza criou um mecanismo com o qual podemos evitar ter consciência desses sentimentos negativos: os sintomas físicos.

Felizmente, há uma maneira de parar o que para a maioria de nós é claramente uma reação desadaptada (maladaptive). A lógica nos diz que o cérebro está reagindo de maneira pueril. No entanto, meu trabalho com o SMT mostrou que o cérebro tem outros atributos e que pode reverter o processo que produz os sintomas físicos.

O medo é penetrante. Qualquer coisa que aumente a ansiedade pode aumentar a gravidade dos sintomas. Uma de minhas pacientes me disse que, ao sair da clínica após consulta com seu médico, ela estava em estado de choque emocional, pois este a informara de que ela sofria de um processo degenerativo na parte inferior da coluna. A paciente me disse que quase desmaiou na calçada e que a dor piorou com essa consulta.

Um jovem de cerca de vinte anos, com a forma física de um jogador de futebol, me disse que ele era o pilar de sustentação da sua empresa familiar. Um dia, ele decidiu acompanhar o seu pai na visita a um especialista em coluna por aquele ter sentido uma leve dor na região lombar enquanto escovava os dentes. Após fazer um exame de raios X lhe foi dito que a sua região lombar no extremo inferior da coluna estava mal alinhada. A partir desse momento, sua dor, que a princípio era leve, piorou. Quando ela persistiu, foi aconselhado a consultar um médico especialista. Ele foi submetido a uma tomografia computadorizada, que mostrou uma hérnia de disco e agora disseram a ele que seu problema era sério e que ele não deveria levantar objetos pesados, que nunca mais voltaria a jogar basquete (que era uma de suas especialidades). O paciente ficou arrasado. Embora ele tivesse começado a sofrer uma leve dor lombar, agora sofria uma dor severa todo dia que o limitava muito em sua vida e trabalho. Ele tinha se tornado um incapacitado graças aos diagnósticos estruturais e suas implicações. Agora ele acreditava que havia algo seriamente errado com sua coluna e que nunca mais seria capaz de levantar objetos pesados ou de praticar esportes. Quando o assisti na minha consulta, ele estava profundamente deprimido.

Felizmente, esse paciente sofria de SMT e respondeu positivamente ao tratamento, de modo que foi capaz de retornar a uma vida normal novamente (incluindo praticar basquete).

Muitos dos fatores associados à dor nas costas causam medo. Os americanos estão convencidos de que as costas são uma estrutura frágil e delicada que é facilmente ferida e que é sempre vulnerável. Existem dezenas de recomendações e proibições: Não se curve, não faça trabalho pesado, levante objetos com as costas retas, não sente em uma cadeira macia ou em um sofá, não nade crawl ou peito, não use salto alto, não arqueie as costas (que é o que acontece nadando crawl ou peito e usando salto alto), durma em um colchão rígido, não corra, não pratique nenhum esporte vigoroso, e assim ad nauseam. Um grande grupo de pacientes tratados com sucesso (alguns milhares) demonstrou que não são instruções válidas. Tudo o que elas conseguem fazer é ajudar a perpetuar a síndrome da dor e tornar a vida um inferno.

Os pacientes temem ataques recorrentes. Qualquer pessoa que tenha sofrido um ataque severo de dor nas costas não pode evitar a dor de viver temendo o próximo. Ironicamente, à medida que aumenta a ansiedade, esse medo quase garante que, mais cedo ou mais tarde, ocorrerá um novo ataque.

A ansiedade e a raiva aumentam com a ideia de que somos maus pais, cônjuges, parceiros sexuais, trabalhadores, donas de casa ou qualquer que seja a nossa função na vida. Os pacientes que sofrem desta síndrome não podem ir ao cinema, ao teatro ou a um concerto porque não conseguem permanecer sentados por muito tempo. E seu infortúnio dobroase eles trabalham em seu próprio negócio.

A triste realidade é que o paciente com dor nas costas é o prisioneiro do medo generalizado, que é o principal culpado dessa síndrome dolorosa.

Enfrentamento da Dor (Coping)

Ouvi dizer que a dor induzida por estresse ocorre porque os pacientes são incapazes de lidar com seus problemas. Na verdade, acontece o contrário: essas pessoas sofrem de SMT porque enfrentam suas dificuldades muito bem. Esse processo exige que reprimamos emoções que possam interferir com o que tentamos fazer, não importa o que seja, e a SMT existe para manter essas emoções sob controle.

Um homem de negócios muito poderoso a quem assisti recentemente disse-me que nunca poderia dizer não a parentes ou amigos que lhe pedissem alguma coisa, porque, para ele, recusar era como desistir. Dizer sim e fazer o que foi pedido era como um triunfo, independentemente do custo emocional. Este homem é um confrontador por excelência e um candidato perfeito para a SMT. Este caso ilustra algumas das outras características da personalidade propensa ao SMT: a necessidade de ser amado, admirado, respeitado; o impulso para alcançar conquistas e a intensa competitividade. Pagamos um preço por enfrentar nossos problemas: somos ótimos no exterior, mas por dentro sofremos.

Rejeição do diagnóstico

Infelizmente, a maioria das pessoas rejeitaria o diagnóstico de SMT se lhes fosse apresentado. Isto não é surpreendente, uma vez que em nossa sociedade existem muitos preconceitos relacionados a tudo que tem a ver com problemas psicológicos e psicoterapia. Não importa que a grande maioria desses problemas seja leve ou que milhões de pessoas se submetam à psicoterapia anualmente. As dificuldades emocionais parecem se encaixar na mesma categoria dos preconceitos raciais ou religiosos.

A julgar pela política existente sobre candidatos a cargos públicos, os eventos nos últimos anos sugerem que a sociedade tem avançado em superar suas fobias raciais ou religiosas que não estão relacionadas com a psicologia. Os americanos escolheram a John Kennedy, mas a partir dos processos eleitorais nos últimos anos, aprendemos que qualquer histórico de problemas psicológicos, independentemente do seu tamanho significa a ruína para qualquer político que aspirar a um cargo público. É um paradoxo cruel, já que a cena política contemporânea sugere que muitos políticos se beneficiariam enormemente da psicoterapia. Em tais circunstâncias, é muito difícil para um político admitir estar sofrendo de SMT.

Da mesma forma, a maioria dos atletas iria rejeitar o diagnóstico porque síndromes psicológicas são sinónimo de fraqueza, e atletas devem manter a sua imagem de força indómita. Eu sei que alguns deles foram enviados para me consultar, mas eles nunca vieram.

Naturalmente, o mesmo preconceito é bastante forte no campo da medicina. Os médicos preferem tratar doenças físicas, pois se sentem inseguros ao cuidar de pacientes com sintomas emocionais. Sua resposta usual é prescrever medicamentos e esperar que o paciente se sinta melhor. Mesmo na área da psiquiatria há um grande grupo de médicos que preferem tratar seus pacientes principalmente com drogas. E conheço vários psiquiatras que rejeitaram o conceito de SMT quando foi lhes sugerido que podia ser a causa de sua própria dor nas costas.

Por outro lado, pessoas com sintomas físicos raramente enfrentam tais preconceitos. O seguro médico cobre os diagnósticos e procedimentos terapêuticos mais elaborados, mas a maioria deles exclui ou limita muito o pagamento de tratamentos psicoterapêuticos. As seguradoras pagam milhares de dólares pelo transplante de algum órgão, mas atribuem quantidades ridículas à psicoterapia, que é um sistema capaz de melhorar a qualidade de vida.

Não é de surpreender que a mente crie estratégias para evitar a experiência e a aparência de dificuldades emocionais. Inconscientemente, preferimos ter uma doença física do que reconhecer qualquer tipo de distúrbio emocional.

Ao falar sobre isso com um dos meus pacientes, ele fez uma observação muito convincente, dizendo: “Se você pedir a alguém para ser paciente com você, porque você está sofrendo uma sobrecarga emocional, não espere uma reação compassiva daquela pessoa. No entanto, se você disser a ela que você sofre de algum problema físico, imediatamente se mostrará sensibilizada e solícita.” Como ele está certo! Em nossa cultura, é perfeitamente aceitável ter um problema físico, mas as pessoas tendem a fugir de tudo o que tem a ver com emoções. Esta é outra razão pela qual a mente escolhe uma manifestação física, em vez de emocional, quando se depara com fenômenos emocionais desagradáveis.

EXISTE SMT NO MUNDO INTEIRO?

Ocasionalmente alguém me pergunta se em algum lugar do mundo existem pessoas que não sofrem de SMT. O Dr. Kirkaldy-Wallis, um educador formado na Inglaterra que trabalhou no Quênia por vinte e dois anos, nos dá a resposta. Esse profissional relatou em um congresso médico realizado em 1988 que a dor nas costas é muito rara entre os nativos africanos, mas é tão comum entre caucasianos e asiáticos quanto entre os habitantes dos Estados Unidos e do Canadá. O Dr. Kirkaldy-Wallis atribuiu esse fato em parte às diferenças culturais entre esses grupos, afirmando que os africanos não parecem desenvolver ansiedade como nós. Parece inteiramente lógico para mim.

NÃO HÁ NADA NOVO

Todos os detalhes desse transtorno começaram a ser revelados há muitos anos, acho difícil acreditar que ninguém tenha percebido o problema. Uma investigação bibliográfica revelou a existência de um artigo em uma edição de 1946 do New England Journal of Medicine, escrito pelo major Morgan Sargent, indicando que muitos dos soldados da Força Aérea voltando do combate estavam com dor nas costas. O Dr. Sargent, que não era psiquiatra, relatou que 96% de um grande grupo de soldados sofria de dor psicologicamente induzida e descreveu o que eram claramente casos de SMT. O fato de o artigo do Dr. Sargent ter sido publicado é um sinal dos tempos. Atualmente, ele provavelmente teria sido rejeitado por um cientista não renomado. (No capítulo 7, falarei um pouco mais sobre a mudança de atitudes sobre as interações corpo-mente).

A SOLUÇÃO

Neste momento, o paciente dirá: “Está tudo bem, isso me convenceu. Eu entendo porque sofro com essa dor. Agora, como diabos eu vou mudar minha personalidade, para resolver meus problemas (especialmente os insolúveis, como minha mãe de noventa anos), para parar de gerar raiva e ansiedade e parar de reprimir meus sentimentos?”

De fato, a Mãe Natureza tem sido extremamente gentil nesse aspecto, já que a solução não exige, na maioria dos casos, nenhuma dessas difíceis transformações. Certamente, um pequeno número de pacientes deve se submeter à psicoterapia para se recuperar, mas eles representam menos de 5% do total. O resto vai melhorar com o simples fato de aprender tudo sobre a SMT e mudar sua atitude em relação às suas costas. Parece simples? É e não é, como veremos no capítulo em que o tratamento é descrito.

CAPÍTULO III

A FISIOLOGIA DA SMT

A palavra fisiologia refere-se à maneira como os diferentes sistemas e órgãos do corpo funcionam. Todos os sistemas biológicos são extremamente complexos e quanto maior o animal na escala evolutiva, mais complicada é sua fisiologia. Isso é particularmente verdadeiro no caso da SMT, uma vez que esse distúrbio é o resultado da interação entre as esferas físico-emocional e mental da biologia humana. Nos últimos cem anos, a ciência médica adquiriu muito conhecimento sobre o funcionamento da maioria dos sistemas biológicos, assim como a química e a física do corpo humano, mas muito pouco se sabe sobre as interações que ocorrem entre a mente e o corpo, que podem ser de grande importância para entender tanto a saúde quanto a doença. A SMT parece ser um exemplo clássico de interação corpo-mente, embora não saibamos a química, a física ou a biologia celular de como as emoções produzem certas reações físicas. Aqui está o meu ponto de vista sobre o funcionamento da SMT.

O SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO

A fisiologia da SMT começa no cérebro. Nele, emoções reprimidas, como ansiedade e raiva, colocam em movimento um processo no qual o sistema nervoso autônomo provoca a redução do fluxo sanguíneo em certos músculos, nervos, tendões ou ligamentos, causando dor e outras disfunções nesses tecidos. O sistema nervoso autônomo é um subsistema do cérebro cuja responsabilidade é controlar todas as funções involuntárias do corpo. Este sistema determina a velocidade na qual o coração bate, o grau de acidez que o estômago segrega para realizar a digestão, o ritmo da respiração e muitos outros processos fisiológicos que mantêm o funcionamento ideal do nosso corpo tanto na nossa vida diária como em situações de emergência. A reação conhecida como “lutar ou fugir”, típica de todos os animais, especialmente os inferiores, é dirigida pelo sistema nervoso autônomo. Para enfrentar qualquer emergência, todos os órgãos e sistemas do corpo são preparados adequadamente. Para alguns sistemas, isso significa a cessação total de sua atividade, de modo que os recursos do corpo sejam usados para enfrentar o perigo da maneira mais eficaz. Normalmente, a maioria das funções nutricionais e excretoras do corpo são suspensas, o coração bate mais rápido e o sangue deixa de desempenhar as funções menos importantes para estar disponível em maior quantidade para os sistemas que são cruciais para lutar ou escapar, como músculos. A grande importância do sistema nervoso autônomo é evidente.

O sistema autônomo controla a circulação do sangue e o faz com a precisão mais requintada. É capaz de aumentar ou reduzir o fluxo sanguíneo em qualquer parte do corpo e geralmente o faz por boas razões, como descrito acima. No entanto, na SMT, esse sistema executa o que nós catalogamos como uma atividade autônoma anormal. Não tem propósito útil no sentido usual. Não contribui para o desempenho normal durante o dia ou prepara o corpo para lutar ou fugir. Contudo, ele responde a uma necessidade fisiológica. No entanto, acreditamos que o que acontece é aberrante, porque resulta em dor e outros sintomas preocupantes.

A PRIVAÇÃO DE OXIGÊNIO: FISIOPATOLOGIA DA SMT

Digamos que na SMT, o sistema nervoso autônomo reduz seletivamente o fluxo sanguíneo em certos músculos, nervos tendões e ligamentos em resposta à presença de emoções reprimidas, como a ansiedade e a raiva. Nessa condição, conhecida como isquemia, o tecido afetado recebe uma quantidade de sangue inferior à normal. Isso significa que esses tecidos terão menos oxigênio à disposição, o que produz certos sintomas: dor, dormência, formigamento e, às vezes, fraqueza. Isso acontece devido à grande importância do oxigênio em todos os processos fisiológicos, quando a quantidade de oxigênio está abaixo do seu nível normal, podemos esperar que ocorra uma reação que denote esse fato.

É difícil entender por que o sistema nervoso autônomo reage dessa forma, e produz dor entre outros sintomas desagradáveis, quando sua função normal é manter o funcionamento do corpo em um nível ideal, independentemente do que acontece ao seu redor. Evidentemente, isso é muito incomum, mas tudo indica que deve haver alguma necessidade urgente para tal reação. Como dissemos, a necessidade é a de transportar a nossa atenção para longe de emoções desagradáveis e muitas vezes dolorosas, que a mente tenta reprimir. É como se nossa mente tiver decidido que é melhor sofrer uma dor emocional física. Visto desta perspectiva, o processo não é totalmente ilógico.

O OBJETIVO DA PRIVAÇÃO DE OXIGÊNIO

Como sabemos que a privação de oxigênio é responsável pela dor? Primeiro, muitas das reações corporais ao estresse e à ansiedade são o resultado de reações autônomas anormais. A mais conhecida delas é a úlcera péptica (há alguns anos, uma cirurgia tão comum para tratar esta condição consistia em cortar os nervos autônomos do estômago), mas outras reações também são colites espásticas, dor de cabeça causada por tensão, enxaqueca e muito mais. Portanto, é lógico pensar que a fisiologia patológica da SMT também possa ter origem no sistema nervoso autônomo.

Se as faculdades autônomas participarem da SMT, a melhor maneira de causar danos aos músculos e nervos seria usar o sistema circulatório. Vasos sanguíneos pequenos (denominados arteriolas) que transportam o sangue para esses tecidos apenas têm de ser constrangidos ligeiramente para causar menos sangue chegando, o que gera uma ligeira privação de oxigénio, que por sua vez provoca dor.

Uma das provas de que a alteração fisiológica que produz a SMT é a privação de oxigênio, é de caráter clínico. Há muito se sabe que a introdução de calor no músculo por diatermia ou ultra-som alivia temporariamente a dor, assim como a massagem e o exercício ativo dos músculos afetados. Sabe-se que todos esses meios físicos aumentam o fluxo sanguíneo nos músculos. Esse aumento significa uma quantidade maior de oxigênio e, se alivia a dor, é lógico supor que a privação de oxigênio seja a responsável. Existem também testes de laboratório que suportam essa ideia. Em 1973, dois investigadores alemães, HG Fassbendere K. Wegner, relatado no seu artigo “Morphologie und Pathogenese des Weichteilrheumatismus”, exposto em Z. Rheumaforsch (Vol. 32, p.355), sobre câmbios microscópicos em núcleos de músculos submetidos a biopsia dos pacientes com dores nas costas, sugeriram uma privação de oxigênio.

Outros testes sobre a importância da função do oxigênio na SMT têm sido produzidos por um grupo de investigadores, aqueles que têm demonstrado recentemente que a oxigenação dos pacientes que sofrem de um distúrbio conhecido como fibromialgia primária é inferior ao normal. Um relatório foi publicado no Scandinavian Journal of Rheumatology em 1986 (vol. 15, p.165) por N. Lund, A. Bengtsson e P. Thorborg com o título de “Pressão do Oxigênio em seu Tecido Muscular em Pacientes com Fibromialgia Primária”. Usando um sofisticado sistema de laboratório, esses cientistas mediram com grande precisão a concentração de oxigênio nos músculos e descobriram que em pacientes com fibromialgia ela era inferior ao normal.

Como venho afirmando, isto significa que a fibromialgia, também conhecida como fibrostitis ou miofibrostitis (embora alguns também a conheçam por myofascitis ou dor miofascia) é sinônimo de SMT. Eu tratei um grande número de pacientes que foram diagnosticados com fibromialgia; sua história médica e os resultados de seus exames físicos coincidiram com os da SMT. Como prova de que o diagnóstico estava correto, esses pacientes se recuperaram completamente. Por isso, é razoável supor que o achado de leve privação de oxigênio nos músculos dos pacientes com fibromialgia suporta a hipótese de que a causa da dor na SMT seja a mesma: falta de oxigênio.

Como vimos, a SMT se manifesta de várias maneiras, qualitativa e quantitativamente falando, e é claro que o que é conhecido como fibromialgia seja uma das maneiras em que a doença se manifesta. Esses pacientes estão entre aqueles que sofrem os sintomas mais graves, porque eles tendem a sofrer dores em muitos músculos diferentes e a sofrer de insônia, ansiedade e depressão, além de fadiga generalizada. Todas essas manifestações podem ser consideradas como prova de que tais pacientes apresentam um nível mais elevado de emoções reprimidas, principalmente a raiva e, portanto, seus sintomas são mais graves.

A maioria dos pesquisadores contemporâneos é incapaz de aceitar tal explicação, porque viola a suposição básica segundo a qual a explicação etiológica das anomalias físicas deve ser encontrada no próprio corpo. Eles não podem conceber a ideia de que algo como dor nas costas pode se originar no cérebro. E essa é a grande tragédia para o paciente, uma vez que, enquanto persistir esta teimosia conceitual, ela continuará a ser diagnosticada incorretamente.

AS CONSEQUÊNCIAS DA DEPRESSÃO DE OXIGÊNIO

Músculos

Os músculos que sofrem de privação de oxigênio sofrem de dor por dois motivos conhecidos e talvez outros que estão além da nossa capacidade de compreensão.

Espasmos musculares são os primeiros e mais notáveis desses motivos. Essas anomalias são responsáveis pela dor terrível experimentada por aqueles que sofrem um ataque agudo, conforme descrito no primeiro capítulo deste livro. No entanto, uma vez que o ataque diminui, o músculo não sofre mais espasmos. Nas centenas de pacientes que examinei em todos esses anos, raramente descobri que os músculos afetados sofrem de espasmos.

O segundo mecanismo, sugerido pelos Drs. Holmes e Wolfe em um artigo impresso em 1952 com o título Situações de Vida, Emoções e Dor nas Costas e publicado na Psychosomatic Medicine (Vol 14, p.18), indica que a composição química dos músculos desses pacientes é alterada, e eles sentem dor por causa do acúmulo de resíduos químicos produzidos pelo metabolismo do ácido lático.

É interessante que tanto os espasmos musculares quanto o racionamento de substâncias químicas também se manifestem nos corredores de longa distância, cujos músculos sofrem com a falta de oxigênio. A presença de dor muscular, seja espontânea ou induzida por pressão manual do médico, indica que o músculo sofre de privação moderada de oxigênio. Isso não significa que o músculo esteja “tenso”. É necessário insistir que essa privação de oxigênio seja geralmente leve, de modo que não danifique os tecidos, e isso é especialmente verdadeiro no caso do tecido muscular.

Pontos sensíveis

Os pontos sensíveis, conhecidos por muitos anos, referem-se a dor que é causada pela aplicação de pressão em vários músculos do colarinho, pescoço, ombros, costas e nádegas. Há algum desacordo quanto ao local preciso da dor, embora a maioria as pessoas concordam que seja uma parte do músculo, e os reumatologistas, que assumiram o tratamento da fibromialgia, parecem evitar o uso do termo, provavelmente porque com o tempo, este tem sido associado a outros distúrbios. Eu não o uso, mas também não o evito, pois cheguei à conclusão de que esses pontos sensíveis são simplesmente as áreas centrais da privação de oxigênio. Também, existem testes que dizem que esses tais pontos podem persistir durante toda a vida nas pessoas suscetíveis ao SMT, assim como eu, embora possa não haver dor.

No primeiro capítulo, indicamos que a maioria dos pacientes com SMT tem seis pontos sensíveis chave: a face externa dos glúteos, ambos os lados da parte estreita das costas (parte inferior das costas) e a parte superior de ambos os ombros. Esses pontos sensíveis são os achados fundamentais na SMT e tendem a persistir mesmo após a dor ter desaparecido. Uma parte importante da fisiologia da SMT é saber que o cérebro decidiu envolver esses músculos para criar a síndrome.

Às vezes, os pacientes perguntam se respirar oxigênio puro alivia a dor. Isso foi feito e, infelizmente, não foi útil. Se o cérebro tentar criar um estado de privação de oxigênio, ele o fará independentemente da quantidade de oxigênio no sangue.

Nervos

O tecido nervoso é mais sensível e delicado que o músculo. É provável que a falta de oxigênio cause dor nesse tecido, porque a redução na concentração de oxigênio ameaça a integridade do nervo, o que não acontece no caso dos músculos. Em outras palavras, o músculo pode suportar uma falta de oxigênio muito maior do que a causada pela SMT antes de sofrer danos. No entanto, o tecido nervoso, que é mais sensível, é mais facilmente danificado, de modo que uma leve privação de oxigênio desencadeia a dor para avisar o cérebro de que algo está errado. Portanto, afirmamos que, a SMT e a dor no tecido nervoso são um alerta.

A SMT pode produzir outros sintomas relacionados ao tecido nervoso. O paciente pode sentir sensações de dormência, formigamento, ardor, queimação, pressão e outras menos comuns. Essas sensações, como a dor, são experimentadas na parte do corpo onde está o nervo.

Os nervos são como cabos que conectam o cérebro a todas as partes do corpo; sua função é transmitir mensagens do cérebro destinadas a ativar os músculos de modo que eles movam as diferentes partes do corpo. Mas também transmitem mensagens na direção oposta, informando o cérebro do que acontece no corpo. Por exemplo, se o leitor é picado com um alfinete, impulsos viajam através dos nervos e informam o cérebro que algo aconteceu que provoca dor. Se o nervo é danificado ou irritado em qualquer parte, a dor é sentida no corpo onde essas mensagens comumente se originam. Por exemplo, se nosso nervo ciático sofre uma provocação de oxigênio em uma área específica do glúteo, sentiremos dor em qualquer uma das partes da perna que é recorrente deste nervo. Dado que esse nervo recorre em toda a extremidade, existem muitas variedades de dor ciática. Em alguns casos, essa dor ocorre em toda a parte de trás da perna, enquanto em outras ela se manifesta no lado da perna. Ou a dor pode afetar apenas uma parte da perna ou do pé, a coxa, a frente ou a parte de trás da panturrilha, ou a parte superior ou inferior do pé. Às vezes há dor no lado da coxa que depois se move para o pé. Existem poucos casos em que há neuralgia em qualquer parte da perna ou pé, sem dor no pescoço ou nas costas.

Os pacientes cujos nervos lombares superiores foram afetados pela condição podem sofrer dor na parte superior da coxa, na virilha ou até mesmo no baixo-ventre. Embora os órgãos genitais sejam servidos por nervos espinhais sacrais baixos, a gente ocasionalmente vê um paciente com dor escrotal ou labial cuja origem é um dos nervos espinhais lombares superiores. O primeiro capítulo apresenta uma descrição completa dos nervos das partes superior e inferior das costas que podem ser afetados.

As fibras dos nervos que transmitem a informação para o cérebro são conhecidas como fibras nervosas sensoriais.

As fibras motoras atuam na direção oposta, mandando mensagens cerebrais aos músculos, os quais produzem contrações musculares e consequentemente, movimento. Contração muscular significa que o músculo é encurtado. É assim que ele move uma parte do corpo. Quando um músculo se contrai de forma constante e contínua, diz-se que sofre um espasmo, como já descrevi. Este é um estado anormal que é terrivelmente doloroso.

A maioria dos nervos é composta, como a ciática, de nervos misturados. Isso significa que eles são compostos de fibras motoras e sensoriais. É por isso que o dano ou irritação de um nervo pode produzir sintomas sensoriais e motores, embora nem sempre seja esse o caso. Na SMT existem grandes variações entre os pacientes. Pode haver apenas sintomas sensoriais (dor, formigamento, dormência, ardor, pressão) ou, menos frequentemente, apenas sintomas motores (sensação de fraqueza ou fraqueza real). O mais comum é observar sintomas de ambos os tipos.

Os tendões e ligamentos

A SMT apresenta muitos mistérios, e um dos aspectos mais difíceis de compreender é a participação aparente de tendões e ligamentos. Por exemplo, a tendinite do cotovelo, ombro ou joelho muitas vezes desaparece durante o curso do tratamento da SMT. Portanto, devemos supor que eles são parte da síndrome. Se isto é assim, qual é a alteração fisiológica responsável pela dor?

Tendinite geralmente é considerada resultado de inflamação, mas não há prova disso. Como faz parte da SMT, somos tentados a pensar que existe uma privação de oxigênio. Embora os tendões não possuam vasos sanguíneos, eles são feitos de tecido vivo, então eles precisam de nutrientes e oxigênio. É razoável supor que a falta de oxigênio também seja responsável pela dor dos tendões e ligamentos. Qualquer que seja o mecanismo, é evidente que estas estruturas também participam da farsa montada pelo cérebro para evitar a ansiedade e raiva, e é muito importante saber que a tendinite é uma outra parte da SMT.

RESUMO

A seguir, um resumo da fisiologia da SMT: o padecimento começa com determinados estados emocionais que geram a atividade do sistema nervoso central, especialmente no sistema nervoso autônomo, que produz uma ligeira vasoconstrição e privação de oxigênio em certos músculos, nervos, tendões e ligamentos. Essa falta de oxigénio é responsável pela dor, que é a principal manifestação da SMT, e pela possibilidade de anormalidades sensoriais (adormecimento, latejo) e déficits motores tais como fraqueza ou transformações nos reflexos dos tendões. (O capítulo 1 explica os músculos, nervos, tendões e ligamentos afetados em maior detalhe).

A razão pela qual a mente decide envolver esses músculos, nervos, tendões e ligamentos na SMT parece escapar a nossa capacidade atual de compreensão. De fato, é provável que neste estágio da evolução humana, não possamos entender como o cérebro funciona em termos gerais, como ele entende e produz a linguagem, como ele pensa e se lembra, etc. A compreensão do mecanismo da SMT é um dos muitos imponderáveis do funcionamento do cérebro humano.

Embora possa ser de interesse acadêmico, não é imprescindível entender a fisiologia da SMT. Sabemos como parar o transtorno, como curá-lo, dado que sabemos sua verdadeira causa. As alterações químicas e físicas que ocorrem nos músculos, nervos, tendões e ligamentos e que produzem dor e outros sintomas são consequências de um processo iniciado no cérebro por razões psicológicas. Como qualquer alteração na fisiologia normal que produz sintomas físicos serviria ao mesmo propósito, não é importante saber exatamente o que acontece nesses tecidos. Como você pode ver no capítulo seguinte (dedicado ao tratamento de SMT), concentrar-se na fisiologia e sintomas da doença é contraproducente, porque tende a perpetuar o problema ao invés de aliviá-lo.

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Libere-se da Dor nas Costas - John Sarno - Capitulo II e III

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