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Fibromialgia: o diagnóstico (por enquanto)

Fibromialgia: o diagnóstico (por enquanto)

Há dois anos, ao decidir sobre o conteúdo do que seria este site sobre fibromialgia eu dediquei especial atenção ao diagnóstico dessa síndrome. Difícil demais. Os principais sintomas – dor generalizada e fadiga – são muito parecidos com os de outros problemas de saúde. E não há nenhum teste ou exame que possa diagnosticar a fibromialgia. Por isso, a maioria dos médicos que atendem pacientes que suspeitam ser portadores costumam descartar outras condições (ex.: síndrome do intestino irritável, síndrome da fadiga crônica, dor musculoesquelética crônica…) para chegar a um diagnóstico. Navegando pelo Fibrodor o visitante encontra várias postagens descrevendo a evolução dos critérios de diagnóstico da fibromialgia ocorrida nos últimos 43 anos. Inventei, inclusive, o Fibroconsulta, pelo qual o paciente pode tirar suas dúvidas a respeito com seu médico, via online.

Ainda assim, muitos me escrevem perguntando se o que sentem é fibromialgia, ou afirmam, com convicção assustadora, que “aquilo só pode ser fibromialgia”. Ora, quem diagnostica qualquer doença em definitivo é o médico e não o paciente. Aliás, no caso da fibromialgia pode até ser necessário consultar vários médicos para obter o diagnóstico correto. Enfim, a risco de ser redundante, resolvi oferecer aos visitantes do site uma visão rápida dos sintomas que justificam pensar na presença da fibromialgia, para assim evitar autodiagnósticos apressados, consultas médicas desnecessárias ou noites sem dormir imaginando ter fibromialgia apenas por sentir dor em várias partes do corpo. É muito mais do que isso.

“O que pode potencialmente levar a mais estresse é a dificuldade de obter um diagnóstico de fibromialgia.”

– Lady Gaga

Nos anos 90, os médicos supostamente verificavam 18 pontos específicos do corpo de uma pessoa para ver quantos deles doíam quando pressionados com firmeza. Supostamente, porque a maioria não sabia examinar os tais pontos, realizava o exame incorretamente ou simplesmente se recusava a fazê-lo. A partir de 2010 o American College of Rheumatology (ACR) foi fazendo algumas revisões importantes. As diretrizes mais recentes consideram o principal fator necessário para o diagnóstico de fibromialgia a dor generalizada por todo o corpo de tecidos moles, por pelo menos 3 meses.

Figura 1

Áreas de Dor Generalizada na Fibromialgia

Para atender aos critérios, o paciente deve sentir dor em pelo menos quatro destas cinco áreas:

  • Região superior esquerda, incluindo ombro, braço ou mandíbula.
  • Região superior direita, incluindo ombro, braço ou mandíbula.
  • Região inferior esquerda, incluindo quadril, nádega ou perna.
  • Região inferior direita, incluindo quadril, nádega ou perna.
  • Região axial, que inclui pescoço, costas, tórax ou abdômen.

Conforme a American Association of Reumathology, sintomas imprescindíveis para o diagnóstico:

SONO

  • Problemas moderados a graves de sono (acorda cansado, sonolência) por pelo menos 3 meses.

ENERGIA

  • Cansaço ao caminhar por pelo menos 3 meses.
  • Problemas moderados a graves de fadiga por pelo menos 3 meses.

DEPRESSÃO

  • Depressão por pelo menos 6 meses.
  • Dores de cabeça, tensão e enxaqueca por pelo menos 6 meses.
  • Dor ou cãibras no abdome por pelo menos 6 meses.

Sintomas não imprescindíveis para o diagnóstico, mas relevantes na consulta médica (vigentes pelo menos há 3 meses, presentes nos últimos 7 dias):

HIPERSENSIBILIDADE AO TATO/TOQUE

  • Dor/Sensibilidade generalizada de músculos à pressão que normalmente não seria esperado causar dor (últimos 7 dias).

CONCENTRAÇÃO E MEMÓRIA

  • Fibro Fog. Dificuldade de concentração, esquecimento e pensamento desorganizado ou lento.

RIGIDEZ

  • Rigidez musculoesquelética experimentada em vários graus; dor articular.
  • Rigidez músculo esquelética que não responde aos corticosteroides.

HIPER SENSIBILIDADE

  • Sensibilidade ambiental ou hipervigilância, manifestando-se como intolerância a luzes fortes, ruídos altos, perfumes e frio.

ANSIEDADE

PROBLEMAS DE EQUILÍBRIO

Outros sintomas esporadicamente presentes

  • Períodos menstruais dolorosos.
  • Aumento de frequência e urgência para urinar.
  • Boca seca.
  • Olho seco.
  • Espasmos musculares.
  • Pernas Irrequietas.
  • Parestesia (formigamento mãos e pés).
  • Irritabilidade.
  • Mudanças de humor.
  • Náusea.
  • Quantidade excessiva de gases.
  • Tontura, falta de jeito.

Exames

Seu médico pode querer descartar outras condições que possam apresentar sintomas semelhantes.

Os exames de sangue podem incluir:

  • Hemograma completo.
  • Taxa de sedimentação de eritrócitos.
  • Teste de peptídeo citrulinado cíclico.
  • Fator reumatoide.
  • Testes de função tireoidiana.
  • Anticorpo antinuclear.
  • Sorologia celíaca.
  • Vitamina D.

Nota final

A fibromialgia é mais comum em mulheres do que em homens.

As razões podem ser várias, tais como:

  • Níveis mais elevados de ansiedade.
  • Uso de métodos de enfrentamento desadaptativos (ex.: uso de fármacos além do tempo-limite ou das doses máximas estipuladas pelo médico).
  • Comportamento alterado em resposta à dor (ex.: mudanças de humor).
  • Níveis mais elevados de depressão.
  • Sistema Nervoso Central hipersensibilizado (ex.: alodinia e/ou hiperalgesia).
  • Efeitos hormonais do ciclo menstrual.
  • Vigência de outras doenças crônicas.

É imprescindível informar o médico que trata da fibromialgia dessas possíveis anomalias, se existirem. No caso da fibromialgia e outras doenças crônicas, o relato deveria complementar o exame médico e integrar a base para o diagnóstico.

Fontes: NHS, Physiopedia, WebMD, NIH – National Library of Medicine, ResearchGate, NIH – National Library of Medicine e The Analgesic, Anesthetic, and Addiction Clinical Trial Translations Innovations Opportunities and Networks (ACTTION) public-private partnership with the U.S. Food and Drug Administration (FDA) and the American Pain Society (APS).

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