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Fibromialgia não dá direito à vacina?

Fibromialgia não dá direito à vacina?

A dor crônica ainda não é plenamente reconhecida pela Classificação Internacional de Doenças. A fibromialgia, muito menos. Por que isso importa? Porque as políticas emanadas das autoridades sanitárias visam neutralizar os efeitos das doenças que elas reconhecem como tais. Exemplo disso, é a listagem divulgada pelo Ministério da Saúde especificando as comorbidades dando direito à vacinação. A fibromialgia ficou de fora dela e, do ponto de vista do bom senso médico, isso é uma estupidez. A sua exclusão daquela listagem, porém, é inquestionável do ponto de vista burocrático. Se uma doença não estiver coberta por um código constante da Classificação Internacional de Doenças, é mais ou menos como se ela não existisse. Embora no Brasil haja milhões de pessoas portadoras.

“Ele sabe nada; e pensa saber de tudo. Isso aponta claramente para uma carreira no Ministério da Saúde”. (Adaptação)

George Bernard Shaw

A listagem com as comorbidades específicas que dão direito à vacina, emitida pelo Ministério da Saúde, deixou de fora duas doenças crônicas importantes.

Sobre primeira omissão, envolvendo doenças neurológicas, eu postei de imediato. Agora vou me concentrar na segunda: fibromialgia.

Para começar, a listagem inclui doenças como a anemia falciforme (em adultos) e a obesidade mórbida, com taxas de prevalência de 3,9% (adultos) e 1,9% (máxima, mulheres), respectivamente. As taxas de ambas são comparáveis à da fibromialgia, que varia entre 2 a 8% dependendo do estudo, a região etc.

Obviamente, não se trata de estabelecer uma competição entre doenças em termos de prevalência. Mas, admitamos que é um bom critério para destacar uma comorbidade. Então, porque a fibromialgia foi excluída da vacinação prioritária, se ela pode afetar até 18 milhões de brasileiros?

A explicação mais óbvia é a de que a fibromialgia carece de carteira de identidade, CPF, essas coisas. Na Classificação Internacional de Doenças (CID-10), a fibromialgia é listada como uma doença diagnosticável em “Doenças do sistema musculoesquelético e tecido conjuntivo”, sob o código M79-7. (A CID-10 é uma ferramenta de diagnóstico usada na medicina para classificar e monitorar as causas de lesões e mortes e que mantém informações para análises de saúde.) Em síntese, no mundo médico, a CID-10 decreta o que é doença e o que não é (ex.: síndrome) e a CID-10 considera a fibromialgia uma síndrome – uma coleção de sintomas – somática funcional. Mais vago, impossível.

Isso equivale mais ou menos a você, que tem nome, família e um periquito, todos morando na Rua X, número tal, aparecer registrado num órgão oficial, tipo Receita Federal ou o SUS, com o codinome: Fulano do Tremembé. Ou da Zona Sul.

A International Association for the Study of Pain, sediada na Espanha e China, e atuando em 76 países, propôs mudanças a serem ratificadas no fim desse mês, na 72ª. Assembleia da Organização Mundial da Saúde. A fibromialgia ou dor lombar inespecífica, seriam dores crônicas a serem concebidas como uma doença por si só. Na proposta de reclassificação, a fibromialgia seria uma “dor primária crônica”, enquanto “… dor crônica relacionada ao câncer, dor neuropática crônica, dor visceral secundária crônica, dor pós-traumática e pós-cirúrgica crônica, dor de cabeça secundária crônica e dor orofacial e dor musculoesquelética secundária crônica – seriam “dores secundárias crônicas”, em que a dor pode, pelo menos inicialmente, ser concebida como (apenas) um sintoma.”

Voltando à exclusão da fibromialgia da lista de comorbidades que dão direito a se vacinar prioritariamente no Brasil. Eu penso que o burocrata do Ministério da Saúde, provavelmente recém-contratado pela quarta gestão nos últimos 16 meses, não está sabendo do antes relatado. Ou talvez pense que IDC é uma sigla para Instituto do Caos, ou algo assim. Compreensível, claro, estaria em linha com tudo o que está acontecendo com a vacinação. Ou no país. Vai saber.

Um outro motivo para a exclusão pode ter sido, em todo caso, mais pedestre: ignorância absoluta. O nosso amigo no Ministério da Saúde simplesmente não sabe que a fibromialgia é uma doença (ou síndrome, como quiser) das mais comórbidas que existem no planeta. Por enquanto fiquemos com a afirmação, resultante de um estudo abrangendo 1.100 pacientes, de que mais da metade podem ter comorbidades, desde dor lombar à depressão, passando por mais de meia centena de outras condições médicas que eu mesmo cadastrei.

Mas é melhor comentar isso num próximo post. Nele, eu vou apresentar uma síntese das evidências descobertas pela literatura científica comprovando que a exclusão da fibromialgia como comorbidade é um equívoco que pode custar vidas.

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4 respostas

  1. Bom dia tenho fibromialgia a 4 anos ,minha vida mudou totalmente, tenho 45 anos ,mais aparente 60 ou mais,muitas medicações sem susseso no sus nem olham pra gente já negam ,sempre trabalhei desde os meus 10 anos de idade hj sofro preconceito e muitas muita dores que me deixam quase incapacitante,gostaria muito de alguém que lutasse por nós pessoas que estão sofrendo sozinhas,quando olhei que fibromialgia não entrava como cormobidade fiquei pior ainda,porfavor lutem por nós. Obrigado!!Gratidão!!

    1. Compreendo a sua frustração. Através do blog tenho feito o possível por destacar a fibromialgia e o pouco que a medicina se importa com ela. Obviamente, isso não sensibiliza ninguém. Eu não sou médico e o blog não está autorizado a fazer recomendações relacionadas à tratamentos de saúde. Posso opinar, sim, e acho que você pode se beneficiar de algumas dicas que escrevi sobre como aliviar os sintomas da fibromialgia durante uma crise. Fique atenta porque serão publicadas na próxima terça-feira, 27/07. E tome cuidado com deixar que sua angústia se transforme em depressão e isso vir a complicar mais as coisas. Lamento não poder ajudar mais. Fique bem! Julio

  2. Sou fibromiálgica ha 30 anos, mais ou menos. Obviamente que não a designavam dessa forma, fui tratada de todos os tipos de reumatismo existentes, contudo, por volta de 10 anos, um medico acompanhou meu raciocínio e minhas parcas pesquisas, e me indicou um medico em Curitiba. Eu moro no Pará há muitos anos, enfim, esse médico de Curitiba, foi quem diagnosticou e começou um tratamento para Fibromialgia. Tenho 55 anos, vivo de teimosa, pois, a incapacitação é real, a dor é real. Hoje faço uso do canabidiol, contudo, nenhum remédio tem dado o resultado esperado, e devo dizer que qquer exercicio, tbm é terrivelmente doloroso. Enfim, se não é uma comorbidade, de fato eu não sei o que é. Mas, depois de quase morrer pela Covid 19, uma das médicas que me acompanhou, disse que eu deveria, sim, ser vacinada, fez um laudo e vacinei, já, as 2 doses. Consciência da inicio às mudanças que necessitamos.

    1. Grato pelo seu comentário, embora seja impossível se sentir bem após tomar conhecimento dele. Não vou cometer a ousadia de opinar que deveria enfrentar a sua dor fazendo isso ou aquilo, porque você já deve tê-lo feito. Se ainda tiver vontade de pesquisar sobre fibromialgia, no blog encontrará muita informação a respeito, embora depois de tanto bater cabeça sem resultados, a sua carência não é cognitiva, e sim psicológica (ânimo, disposição etc.). Não quero dizer com isso que a sua dor é irreal, absolutamente. Na próxima terça-feira, 27/07, vou publicar um post com dicas para enfrentar surtos de dor de fibromialgia que acabo de terminar após consultar fontes sérias pelo mundo afora. Quanto a ter tomado a vacina, fez muito bem.

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