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Fibromialgia e saúde mental: o que os pacientes querem saber

Fibromialgia e saúde mental

A síndrome da fibromialgia reduz o funcionamento nas esferas física, psicológica e social, e também tem um impacto negativo no desempenho cognitivo, nas relações pessoais (incluindo sexualidade e parentalidade), no trabalho e nas atividades da vida diária. Em alguns casos, os pacientes com fibromialgia apresentam ideação suicida, tentativas de suicídio e suicídio consumado. Todas essas considerações vêm à tona ao comentar as respostas dadas pelas pacientes à enquete feita pelo blog no final de 2022. Questões referentes à influência da fibromialgia na saúde mental e no ânimo do portador, bem como a associação da síndrome com estados de confusão mental e transtornos mentais como ansiedade e depressão, foram destacadas por ¼ da amostra de 203 respondentes. Para apresentar o que atualmente se sabe sobre a relação entre fibromialgia e esses aspectos da saúde mental e vários outros, eu me apoiei na literatura científica mais recente.

“O único antídoto para o sofrimento mental é a dor física.”

– Karl Marx

A síndrome de fibromialgia (SFM) está associada a uma alta prevalência de distúrbios emocionais e afetivos. Esses sintomas e comorbidades podem se reforçar mutuamente.

A pesquisa mostra que as pessoas com fibromialgia são três vezes mais propensas a ter depressão do que as pessoas que não têm fibromialgia. O que não está claro é como a depressão e a fibromialgia estão ligadas: a depressão é uma parte “normal” da fibromialgia, a depressão é desencadeada pela fibromialgia ou há algo na fibromialgia que torna a depressão mais provável?

Além da ansiedade e depressão, outros problemas de saúde emocional também são mais comuns entre pessoas com fibromialgia, incluindo: transtorno obsessivo-compulsivo (TOC); transtorno de estresse pós-traumático (TEPT); transtorno bipolar; ataques de pânico e fobias.

Os pacientes com fibromialgia também apresentam problemas no desempenho cognitivo, especialmente no planejamento, atenção, memória, funções executivas e velocidade de processamento.

Há também evidências de altos níveis de afeto negativo, neuroticismo, perfeccionismo, estresse, raiva e alexitimia em pacientes com SFM.

Alta evitação de danos, juntamente com alta autotranscendência, baixa cooperação e baixo autodirecionamento foram encontrados como características de temperamento e caráter de pacientes com fibromialgia.

Além disso, os pacientes com SFM tendem a ter uma autoimagem e percepção da imagem corporal negativas, bem como baixa autoestima e autoeficácia percebida. Em alguns casos, os pacientes com SFM apresentam ideação suicida, tentativas de suicídio e suicídio consumado.

Os pacientes com SFM percebem a doença como um distúrbio estigmatizado, invisível e de difícil compreensão. A percepção negativa da doença e a falta de suporte social pioram seus sintomas e funcionamento, dificultando sua capacidade de adaptação à doença.

O diagnóstico

Para tratar corretamente qualquer doença é fundamental conhecer a sua etiologia – a sua origem ou causas. No caso da fibromialgia, isso ainda não é possível. Seus sintomas muitas vezes podem ser desencadeados ou agravados pelo estresse emocional, criando um ciclo de autoperpetuação que torna o tratamento desafiador. Tanto a depressão quanto a ansiedade, quando associados à fibromialgia, podem ser causados em parte pela persistência de sintomas dolorosos que podem dificultar a socialização e a participação em atividades diárias que a maioria de nós considera normais.

O tratamento

Devido ao escasso conhecimento etiológico sobre a SFM, atualmente não há consenso sobre sua terapia apropriada, e os efeitos do tratamento foram considerados insatisfatórios.

Intervenções psicológicas podem constituir um complemento benéfico aos tratamentos farmacológicos para melhorar os sintomas clínicos e reduzir o impacto da fibromialgia na qualidade de vida relacionada à saúde.

Combinações de tratamentos farmacológicos com outros tipos de tratamentos, podem ser úteis para reduzir sintomas da SFM e seu impacto na qualidade de vida.

Algumas evidências estão disponíveis para efeitos positivos de exercícios aeróbicos moderados, terapia cognitivo-comportamental, programas de autogerenciamento, treinamento de atenção plena e terapia de aceitação e compromisso.

Além disso, programas educativos podem ajudar a aumentar a autoconfiança, a autoestima e a autoeficácia.

Finalmente, os pacientes com SFM devem permanecer ativos nos níveis físico e social e evitar estilos de vida sedentários para controlar o IMC e melhorar o funcionamento e a qualidade de vida relacionada à saúde.

Fonte: Psychological impact of fibromyalgia: current perspectives”. Carmen M Galvez-Sánchez, Stefan Duschek, e Gustavo A Reyes del Paso. Psychology Research and Behavior Management.

Outras postagens referentes à enquete feita pelo blog em final de 2022:

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