Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

Fibromialgia e coronavírus: existe relação, sim… Mas não é a que você pensa.

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Pelo que se sabe até aqui, o coronavírus não vai contaminar alguém só pelo fato dela ter fibromialgia. Porém pessoas diagnosticadas com essa doença neuropática – ou que imaginam tê-la – podem ser mais propensas a “pegar o vírus”. Veja aqui as possíveis causas.

“A regra 50-50-90: sempre que você tem chances de 50-50 de acertar algo, há 90% de probabilidade de errar”.

– Andy Rooney

Dificilmente pode-se imaginar uma relação entre uma condição neuropática como a fibromialgia e um vírus. Ora, um vírus não distingue cor, status social ou tipo de doença. E de fato, como a fibromialgia não é uma doença autoimune, não se pensa que os pacientes com essa doença corram mais risco de se infectar do que os que não a padecem. Noutras palavras, quem tem fibromialgia não está condenado a “pegar o vírus”.

Não está, porém, nos tempos que correm, os diagnosticados com fibromialgia – ou que imaginam ter a doença – deveriam se preocupar com três fatores:

1º Fator (Fibromialgia e coronavírus)

O desenvolvimento da infecção viral tem muito a ver com o estado do sistema imunológico do hospedeiro. Quanto mais fraco for este, mais fácil a vida do vírus. E o sistema imunológico é caracteristicamente mais fraco que o normal em quem tem uma doença crônica como a fibromialgia.1

Por isso, o grau de risco depende de quais medicamentos o paciente toma – algum suprime seu sistema imunológico? – além de outras condições médicas que ele pode ter – por exemplo, diabetes, doenças cardíacas, uma história de câncer.

2º Fator (Fibromialgia e coronavírus)

Isso nos leva a questão da comorbidade, a coexistência da fibromialgia com outras doenças inflamatórias crônicas. Há tempo é sabido que pacientes com fibromialgia apresentam altas taxas ao longo da vida de enxaqueca, síndrome do intestino irritável, síndrome da fadiga crônica, depressão maior e transtorno do pânico.2

Estudos recentes citados no ebook “Tudo o que você queria saber sobre fibromialgia e tinha medo de perguntar”, acessível gratuitamente no blog, também apontam comorbidade com vários tipos de artrite (ex.: reumatoide, psoriática, lúpus, síndrome de Djögren e outros.).3

A fibromialgia, enfim, comumente existe em “regime de comorbidade”. E quem assiste o noticiário já deve ter notado que a taxa de mortalidade do novo coronavírus se concentra principalmente nos “idosos comórbidos”, ou seja, idosos já debilitados não apenas pela fibromialgia, mas pela fibromialgia &Cia.

3º Fator (Fibromialgia e coronavírus)

Por fim, last but not least, a resposta física exagerada do organismo a um estímulo persistente, como no caso do estresse crônico, e/ou distúrbios mentais como a ansiedade e a depressão, que enfraquecem o sistema imunológico ao ponto de este facilitar uma infecção viral.4

Conclusão

Quem tem fibromialgia, ou acha que tem (que são a maior parte das pessoas), tem motivos (poderosos) para ficar em casa.

Por isso, eu fiz um voo rasante por diversas fontes, estrangeiras e nacionais, que às vezes visito em busca de informações novas sobre fibromialgia.

Ainda há muitas incógnitas sobre como a pandemia de COVID-19 pode afetar pessoas com doenças crônicas, sistemas imunológicos suprimidos e problemas de saúde subjacentes.

Todavia, alguns sites começam a se concentrar especificamente na eventual relação do COVID-19 com doenças crônicas específicas (ex.: artrite, fibromialgia). Um exemplo é o Programa de Suporte ao Paciente COVID-19 GRATUITO para pacientes com doenças crônicas e seus entes queridos, do site Creak Joints focado em artrite.5

Segundo os responsáveis, eles procuram especialistas médicos para obter respostas. Num outro post que publicarei nos próximos dias, você vai ter uma amostra do que ali é publicado.

Outro site que pode interessar a quem padece de fibromialgia é o Health.com. Recentemente, um post ali tratou de “As 5 condições pré-existentes que podem dificultar o combate ao coronavírus”. Com base nos primeiros dados da China, onde o novo coronavírus COVID-19 foi iniciado, algumas pessoas correm maior risco de complicações graves da saúde do novo coronavírus. De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) americano, isso inclui pessoas que têm condições médicas crônicas graves, como doenças cardíacas, diabetes, doenças pulmonares e condições de saúde mental, como depressão e ansiedade.6

Um terceiro site americano, o Health Rising, segue linha semelhante ao se dirigir a pessoas com Myalgic Encephalomyelitis/Chronic Fatigue Syndrome (ME/CFS) ou fibromialgia (FM). O risco dessas pessoas serem infectadas, e também de terem maior dificuldade para se desinfectar, é maior que o normal com base em oito razões que, por falta de espaço aqui, resolvi expor num outro post a ser publicado brevemente.

No Brasil, a fibromialgia paga o preço de ainda não ser reconhecida como uma doença – e nem sequer como uma doença crônica importante – pela classe médica em geral. Ela é uma espécie de Rapunzel órfã, feia e sem dote, na época medieval, languidecendo na janela de um sobrado à espera de uma especialidade médica que decida adotá-la. Devemo-nos contentar, então, com o que sites pertencentes a sociedades médicas relacionadas a doenças em algum grau “emparentadas” com a fibromialgia têm informado sobre o coronavírus.

Exemplo disso é a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), a que, por sinal, às vezes parece reclamar a paternidade da fibromialgia pero no mucho. Convém dizer que a SBR exclui a fibromialgia da lista de doenças reumáticas consideradas inflamatórias crônicas.

Enfim, por um lado, a SBR reuniu num vídeo, esclarecimentos e recomendações às principais dúvidas de pacientes de doenças reumáticas sobre prevenção e condutas que podem ser adotadas face ao coronavírus.

Por outro lado, “respondendo a dezenas de pacientes…”, a SBR emitiu um documento sobre os riscos do paciente afetado por uma doença reumatológica no contexto do coronavírus.7

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8 respostas

  1. Eu tenho fibromialgia a uns 20 anos e luto pra não cair em depressão , mas fui obrigada a tomar antidepressivo , me sinto melhor e percebo que qdo não tomo fico mal…. peço a Deus pra que a ciência avance nessa causa pra encontrar a cura , aliviar essa enfermidade e sermos respeitados como tal…pq.é muito triste e muito doloroso o descaso tbm.

  2. Tem fibromialgia a 20 anos herdada da minha mãe, mas desencadeada de um estresse pós traumático, e o que tenho a dizer que só sabemos o que é dor quando passamos por ela. Saber que se acorda todos os dias com dor e vai dormir com dor e que não tem cura só tratamento que mesmo com tudo isso as dores não passa só amenizam, ou seja nunca passa totalmente nós nos tornamos dependes de remédios temos que mudar a nossa rotina tanto alimentar com física não por vontade própria ou vaidade, mas sim por necessidade em amenizar a dor que insiste em nos acompanhar, por isso caros colegas só se conhece a dor quando se passa por ela. Nunca duvidem das pessoas portadoras de fibromialgia não é fácil e sem apoio dos que amamos fica mais difícil ainda. Amém, cuidem e protejam seus parentes portadores dessa doença.

  3. Nossa meu diagnóstico foi em 01/06/2020. Eu descobri ela de uma forma tão avançada que não tenha um dia que eu não sinta dor, dói tanto que morfina só alivia não passa a dor , estou com depressão e diagnóstico de trombofilia, ainda sob investigação de Lúpus. Tenho certeza que quem tem Fibromialgia não aguenta uma infecção pelo novo corona vírus. Só quem tem sabe oq é ter dor todos os dias da sua vida, sair de casa e jamais poder esquecer a bolsa lotada de remédios, é deprimente.

  4. Tenho 40 anos, desenvolvi a fibromialgia quando era criança (7 anos), em um episódio traumático. Não lembro da vida sem dores, sempre tomei muitos remédios, os médicos do interior nem sabem o que é isso. Só tive o diagnóstico quando mudei pra capital, há 4 anos. Tomei ansiolítico, antidepressivo, relaxante muscular, fiz exercícios, mudei alimentação, mas nada cura. Não tem como evitarmos os “gatilhos”, stress, ansiedade e preocupação fazem parte da vida. As crises são desesperadoras, nenhum fibromiálgico quer morrer, só quer que a dor cesse. Sem contar o “combo” de outros problemas de saúde que “herdamos” junto.

    1. É difícil antepor alguma observação inteligente e útil diante de tantos anos de experiência sofrida, em que se fez de tudo para encontrar alívio. Qualquer médico – eu não sou médico e somente posso opinar deixando isso claro – que consultar, se ele ou ela for competente deveria examinar as seguintes hipóteses: Por que você não faz isso por si mesma?

      1) o seu diagnóstico é confiável? De fato, como você mesma disse, poucos médicos entendem dessa doença. A indagação é boa porque outras doenças crônicas parecem com fibromialgia e têm tratamentos melhor estabelecidos.
      2) as medidas de controle da dor não biomédicas (ex.: alimentação, exercício etc.) integraram um plano coerente? Foram seguidas à risca durante mais de 6 meses? Caso contrário, não há como concluir que não ajudaram.
      3) o uso de remédios foi prescrito, discreto e acompanhado por médicos? A farmacologia não é aconselhável para a fibromialgia, a não ser para superar surtos.
      4) você tentou se preparar, sobretudo mentalmente, para quando o surto acontecer?
      5) você tem feito algo por tratar os efeitos emocionais da doença (ex.: ansiedade, raiva, depressão)?
      6) você já contou (ou conta) com um plano de enfrentamento da dor e dos sintomas da fibromialgia?
      7) você poderia dizer que já leu o suficiente sobre fibromialgia como para dizer que sabe o que a um paciente interessa saber sobre ela?

      Bem, espero que você não me culpe por reagir com indagações a uma situação tão pungente, desesperadora e concreta, como é a sua. Contudo, penso que está no momento de pôr a mente para refletir, no intuito de descobrir uma saída. Será sempre uma combinação de várias coisas, possivelmente mudanças de hábitos, relações com outros, maneiras de pensar sobre a doença e seus efeitos.

      1. 1) o seu diagnóstico é confiável? Sim, feito por reumatologista que excluiu outras opções.
        2) as medidas de controle da dor não biomédicas (ex.: alimentação, exercício etc.) integraram um plano coerente? Foram seguidas à risca durante mais de 6 meses? Sim, se eu parar de fazer exercício e não cuidar da alimentação vou parar no pronto-socorro.
        3) o uso de remédios foi prescrito, discreto e acompanhado por médicos? Uso prescrito e ajustado pela reumatologista por vários anos, até porque medicamento controlado precisa de receita médica.
        4) você tentou se preparar, sobretudo mentalmente, para quando o surto acontecer? Eu vivo com surtos durante toda a vida, o preparo do que acontece já é natural pra mim.
        5) você tem feito algo por tratar os efeitos emocionais da doença (ex.: ansiedade, raiva, depressão)? Na verdade, no meu caso, ansiedade, raiva e stress são gatilhos, mesmo que a fibro os potencialize nas crises, acaba sendo um círculo vicioso se não tratar das dores.
        6) você já contou (ou conta) com um plano de enfrentamento da dor e dos sintomas da fibromialgia? Sim, faço acompanhamento desde o diagnóstico.
        7) você poderia dizer que já leu o suficiente sobre fibromialgia como para dizer que sabe o que a um paciente interessa saber sobre ela? Acho que poderia escrever um artigo de tudo que sei, mas o mais importante é se conscientizar de que não tem cura, mas tem como levar uma vida praticamente normal, mas só se consegue isso depois de conhecer a si mesmo e saber controlar as emoções e pensamentos. Mas mesmo assim, haverá crises, pois como disse no post anterior, impossível viver sem ter de encarar um momento de stress, nervosismo, ansiedade, não somos robôs 😉

        1. Ufa! O que eu posso dizer? A sua resposta é infelizmente impecável. “Infelizmente”, porque ao parecer na sua saga você não deixou nenhum cabo solto (dos que eu tenho conhecimento, claro) e mesmo assim a dor generalizada persiste. Sinto muito porque percebo em você uma sensibilidade rara e que também nesses anos todos deve ter refletido muito sobre sua condição. (Essa frase: “…o mais importante é se conscientizar de que não tem cura, mas tem como levar uma vida praticamente normal, mas só se consegue isso depois de conhecer a si mesmo e saber controlar as emoções e pensamentos.”, vale por uma enciclopédia).
          O único que me resta é recolher a sua sugestão de escrever um artigo para o blog. Relatos como o que poderia ser o seu – estou especulando – são de extremo valor para pessoas angustiadas e, em muitos casos, sem base ou disposição para digerir textos científicos ou coisa parecida. Se você não topar, de qualquer maneira, mesmo lamentando não poder ajudar, fiquei grato por tê-la conhecido (ao menos na tela).

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