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Fibromialgia – a rainha das comorbidades

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Pacientes com fibromialgia são propensos a ter 5 ou mais comorbidades e usar vários medicamentos. Eis a conclusão de pesquisadores da Mayo Clinic, uma organização da área de serviços médicos e de pesquisas médico-hospitalares que está entre as mais afamadas do mundo. No Brasil, porém, os pacientes diagnosticados com essa condição não foram incluídos no grupo prioritário dos comórbidos com direito a vacina. Foi um erro. Resta saber se intencionado ou fruto de pura ignorância.

“Não acho que ficamos cegos, acho que somos cegos. Cegos, mas vendo, Cegos que podem ver, mas não veem.”

José Saramago

Há evidências crescentes que mostram a simultaneidade de fibromialgia e condições médicas e psiquiátricas coexistentes. Isso passou desapercebido aos técnicos do Ministério da Saúde que excluíram a fibromialgia das comorbidades com direito a vacinação prioritária. Uma medida inaceitável por si só, mas se ela de fato refletir o que a classe médica pensa sobre a fibromialgia, a coisa fica bem pior.

Quando não reconhecida, a fibromialgia comórbida pode ser confundida com o controle inadequado da doença primária, levando a decisões de tratamento incorretas.

A fibromialgia é uma doença comórbida por excelência. O seu diagnóstico é um dos mais difíceis e demorados porque ela pode ser confundida com várias outras doenças, com as quais amiúde coexiste. O não reconhecimento disso pode levar a um diagnóstico errado e, consequentemente, ao paciente sofrer terapia excessiva e efeitos colaterais evitáveis ​​de medicamentos prescritos por engano.

Uma doença ou síndrome ser “comórbida” implica em coexistir com uma ou mais condições médicas distintas que ocorrem na mesma pessoa, ao mesmo tempo. A fibromialgia, repito, é tremendamente comórbida.

Vejamos o que um voo rasante pela literatura científica especializada em saúde aponta a respeito:

  • Um estudo recente abrangendo 158 homens e 624 mulheres na área de Nova York descobriu padrões de comorbidade que podem sugerir mecanismos comuns e/ou a presença de condições médicas que podem explicar os sintomas da fibromialgia. As três principais condições médicas relatadas pelas mulheres especialmente, foram dor lombar, cefaleia tensional e enxaqueca.
  • Uma grande clínica de dor de cabeça na Itália estudou a prevalência da fibromialgia em pacientes com enxaqueca. De um total de 1.123 pacientes com cefaleia primária 35% do grupo sofriam de cefaleia tensional e 44% destes, de cefaleia tensional crônica.
  • Uma revisão qualitativa da prevalência e importância da fibromialgia comórbida concluiu que ela ocorre concomitantemente com várias doenças reumáticas e tem um impacto adverso importante no estado de saúde global. Além disso, há cada vez mais relatos de fibromialgia associada a outras doenças que não são definidas por dor crônica.
  • A síndrome da fibromialgia é comórbida em todas as doenças reumáticas com prevalência de até 25% na artrite reumatoide (AR) e 30% no lúpus eritematoso sistêmico (LES) e nas espondiloartropatias (EpA).
  • Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas A síndrome de fibromialgia (SFM) e a encefalomielite miálgica/síndrome de fadiga crônica (EM/CFS) são duas condições médicas diferentes, mas compartilham sintomas. Ainda por cima, ambas também têm uma série de condições comórbidas (co-ocorrentes) associadas a elas, incluindo dor, problemas de sono, depressão grave, distúrbios do sistema nervoso e problemas digestivos. Também podem ocorrer problemas menstruais.
  • A fibromialgia é também associada a outras doenças não definidas por dor crônica. Por exemplo, transtornos psiquiátricos e reumatológicos. De fato, a International Classification of Diseases reconhece que transtornos mentais e alguns transtornos físicos sejam comumente comórbidos com fibromialgia – especialmente ansiedade, depressão, síndrome do intestino irritável e síndrome da fadiga crônica. Apenas adverte que estes devem ser diagnosticados separadamente.

Por fim, a prova científica da ultracomorbidade da fibromialgia mais contundente é a recente admissão de que enxaqueca, síndrome do intestino irritável, cistite intersticial/síndrome da bexiga dolorosa (IC/PBS), vulvodínia, distúrbio da articulação temporomandibular (DTM), também denominado dor orofacial, síndrome da fadiga crônica, depressão maior e transtorno do pânico são comórbidos com fibromialgia por compartilhar uma anormalidade fisiológica comum: a sensibilização central.123

Ou seja, atualmente a comorbidade da fibromialgia não é apenas observável, mas ela estaria também explicada.

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