Dor nas costas- by dorcronica.blog.br

Exorcizando a dor crônica nas costas

Exorcizando a dor crônica nas costas

O mito difundido da fragilidade da coluna vertebral tem muitas consequências infelizes, como cirurgias desnecessárias e dor nas costas que dura anos em vez de meses ou semanas. Por que o mito da dor mecânica nas costas, premissa para tantos tratamentos ineficazes, se repete indefinidamente na Internet e em consultórios de saúde em todo o mundo? Porque fomos ensinados, por médicos desinformados, pela indústria da dor nas costas, pela mídia, e até pela lógica cartesiana, a acreditar nele. Ou melhor, em dogmas que nos convencem a fazer pouco ou nada por nós mesmos para sair dessa situação.

“Nem tudo é o que parece, e nem tudo o que parece é.”

José Saramago

Você sofre com uma dor lombar crônica. Há quanto tempo? Anos? Décadas? E se eu disser que boa parte dessa dor persistente, impiedosa, que você sente, é você que faz?

Não, não fique zangado comigo, nem desligue. E fui você anos atrás e sei como se sente. Eu respeito demais a sua dor. E é justamente por isso, e por você, que escrevi esse post. Aguente firme aí.

Você já deve ter lido isso de que mais de 80% dos humanos sentem dor nas costas ao menos uma vez na vida. E que a prevalência de dor lombar crônica é de cerca de 23%, com 11-12% da população incapacitada por essa causa. Isso é sabido, a Organização Mundial da Saúde que diz. Menos conhecido é o fato de que a maioria dos que consultam médicos pela primeira vez, saem com o diagnóstico de que a sua dor é “inespecífica”. Algo que a ouvidos mais suspicazes soa como etérea, gasosa ou… inexistente.

De fato, há evidências de que em 90% dos casos de atendimento primário, a dor lombar é diagnosticada como “inespecífica”.  Ou seja, não atribuível a uma patologia reconhecível (por exemplo, infecção, tumor, osteoporose, fratura, deformidade estrutural, distúrbio inflamatório, síndrome radicular ou síndrome da cauda equina).

Então o paciente volta para casa e inicia um tratamento padrão: anti-inflamatórios, massagem, compressas quente/frio, TENS… e completados três meses, a probabilidade de ele ou ela ainda sofrer com a dor original varia de 10 a 40% dependendo do estudo.

Noutras palavras, em cada 10 pacientes com dor lombar aguda, específica ou não, ao menos 1 e até 4, desenvolvem sintomas crônicos.

Uma das principais explicações para isso é dada pela teoria da evitação da dor, de Vlaeyen, Crombez e Linton. Ela foi descrita noutro post e, portanto, não cabe repeti-la aqui. Basta com lembrar a sua ideia central: o paciente com dor aguda tem medo de, e portanto ele evita, movimentar a parte dolorida. O resultado é o descondicionamento físico e, consequentemente, a cronicidade da dor seguida de depressão e por aí vai.

A pergunta do milhão de dólares é pedestre, infantil: por que o medo da dor é tão poderoso, a ponto de praticamente “imobilizar” o paciente?

Somente por causar dor física?

Não. O significado da dor é o que mais pesa, no caso. As crenças, pensamentos, ruminações etc. do paciente, que a dor evoca.

O que você acha, por exemplo, das três afirmações seguintes? Qual é verdadeira? Qual é falsa?

  • “A dor lombar é uma condição médica séria, com risco de vida.”
  • “A maioria dos episódios de dor lombar piora com a idade.”
  • “A postura da coluna durante a posição sentada, em pé e levantando prediz a dor lombar ou sua persistência.”

O que você respondeu?

Huuuuummmm….ok, guarde isso.

Eu passei décadas da minha vida jurando que essas três eram verdadeiras. Ironicamente, a minha convicção emanava do muito ouvido e lido no intuito de aliviar a dor. “O corpo é frágil”, “a causa da dor é uma coluna pifada”, “o único que a acalma é um comprimido”, “se eu me mexer, a lesão vai piorar, e se isso ocorrer eu vou deixar de trabalhar, de sair a correr ao cair da tarde, de escrever enquanto sentado”…etc.

Para encurtar a estória, eu melhorei somente após erradicar essas crenças da minha mente. Como foi isso?

O que você pode fazer pela sua dor nas costas

Eu descobri, primeiro, que o que os profissionais da saúde, em geral, sabem sobre a dor humana, como diagnosticá-la, tratá-la, enfim, não era “tudo isso”… Fiquei sabendo, também, que o conhecimento dessa dor não é ensinado nas faculdades de medicina. E que até hoje muitos profissionais da saúde avaliam o relato de um paciente com dor baseados nos preceitos de Descartes (1596-1650). Espantoso.

Depois, eu tive a sorte de ler sobre as ideias de um grupo de médicos e fisioterapeutas especializados no estudo da dor nas costas, espalhados pelo mundo. Impressionou-me a qualidade científica das suas pesquisas. A praticidade dos seus ensinamentos. Um discurso extravagante, porém, que começava dizendo que a dor emanava do cérebro e não do local do corpo onde era sentida. Por exemplo, se você leva um murro, a intensidade da dor que você sente pode ser aumentada ou diminuída pelo que você tem na cabeça, seus pensamentos, emoções, lembranças etc. no momento.

Um absurdo, claro. Aquilo afrontava tudo o que eu aprendera, ou melhor, eu ouvira falar a vida toda sobre dor. Pior ainda, sobre a minha dor.

Você está me dizendo que as minhas costas doem porque o cérebro manda, e não por que eu tenho uma protusão cervical comprovada por uma ressonância magnética de última geração? Ou pior ainda, que eu (apenas) imagino a dor que (muito) sinto?

Inaceitável, sem dúvida. Confesso que larguei o assunto um par de vezes. Contudo, eu não tinha escolha, após décadas batendo em portas de médicos, fisioterapeutas, acupunturistas e curandeiros apaches, o resultado fora… nada. Mais dor, menos dor, sempre dor. Eu tinha de tentar outra coisa. Fora da caixa.

Então fui lendo sobre “dor” e entendendo mais do riscado. O suficiente para montar meu próprio programa multidisciplinar de recuperação. E então, aos poucos fui recuperando os movimentos do pescoço, dos ombros e dos braços, que perdera graças a uma hérnia cervical. Uma condição estrutural paralisante que, segundo eu ouvira de um médico após ou outro, “não tinha jeito”. E no ensejo, juntei tanta literatura sobre a dor crônica que resolvi criar este blog. Para informar outros sobre o que eu aprendera e assim, quem sabe, ajudar alguém a tentar uma opção parecida.

Vira e mexe, nos últimos 5 anos, desde quando percebi que a medicina convencional não ia aliviar a minha dor crônica, recuperei todos os movimentos e controlo bem os surtos de dor que aparecem, acumulei muita informação sobre a dor crônica e as possibilidades de aliviá-la.

E vira e mexe, conclui que a recuperação obrigatoriamente passa por entender que:

  • a virada começa pela cabeça; especificamente, por se livrar de crenças equivocadas sobre a fragilidade do corpo, as causas da dor lombar e as chances de se livrar dela por completo, o quanto os profissionais da saúde são infalíveis, e a impossibilidade de uma pessoa criar sua própria estratégia terapêutica por ela “nunca ter estudado isso”;
  • sem se informar direito sobre o tema “dor crônica”, é impossível avançar para os dois passos seguintes;
  • a melhor terapia para a lombalgia crônica é: o movimento, com boa alimentação e sem estresse; e que analgésicos, anti-inflamatórios e antidepressivos não só não curam, como acabam agravando a dor, e complicando o sono, a digestão, e a saúde em geral;
  • cabe ao paciente participar ativamente no seu diagnóstico e no seu tratamento, ao invés de delegar a responsabilidade à médicos, fisioterapeutas, psiquiatras etc.; e
  • a missão de se livrar de dores crônicas, qualquer uma ou todas juntas, é para o resto da vida.

Desapontado? Simples demais? E sem ter estudado para médico, fisioterapeuta etc.? Impossível!

Uma pena. No fundo, quem pensa assim está implicitamente dizendo: “Marcar com um médico e passar pela farmácia é mais fácil”. E é. Apenas que, para quem sofre com dor lombar crônica inespecífica, isso quase nunca dá certo. A definição de insanidade é “fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes”. Einstein nunca disse isso, mas você me entende. Suponho.

Quer saber mais sobre a evitação do medo?
Leia o artigo “Dor muscular, modelo de evitação do medo”.

Cadastre-se E receba nosso newsletter

Veja outros posts relacionados…

nenhum

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

SAIBA TUDO SOBRE VACINAS COVID-19
CLIQUE AQUI
Preencha e acesse!
Coloque seu nome e e-mail para acessar.
Preencha e acesse!
Você pode baixar as imagens no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
ATENÇÃO!
Toda semana este blog publica dois artigos de cientistas e dois posts inéditos da nossa autoria sobre a dor e seu gerenciamento.
Quer se manter atualizado nesse tema? Não duvide.

Deixe aqui seu e-mail:
Preencha e acesse!
Você pode ver os vídeos no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas