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Eu venci a Covid-19. Porém, quase perdi… E foi ruim.

Eu venci a Covid 19. Porém, quase perdi... E foi ruim.

Veja o relato de paciente que venceu a Covid-19. Em princípio, barrar uma pandemia que se expande pelo contato humano é simples. Ora, é só evitar esse contato! No entanto, milhões já morreram por conta da Covid-19 e vão morrer no mundo e no Brasil, porque os apelos de cientistas, jornalistas e autoridades nesse sentido, vira e mexe, deram em nada, ou quase. A culpa disso é compartilhada entre os que, de um lado, não ouviram esses apelos e, de outro lado, os que preferiram advertir em vez de coagir. Um exemplo entre mil: semana passada, com média de 2 mil mortos por dia, a polícia suspendeu uma festa em que havia 537 pessoas. E o que fez? Levou o organizador para a delegacia e liberou os outros 536. Na hora. De leve. Ora, essa abordagem não corrige, apenas faz rir. O post a seguir integra o hipotético elenco de peças de uma campanha de comunicação que hipoteticamente poderia ter sido feita em abril ou maio do ano passado. Uma campanha destinada a divulgar crua e cruelmente o que a Covid-19 é e o que pode causar a uma pessoa como você, ou como eu. Aposto que nesse tom, alguns teriam pensado duas vezes antes de sair por aí arriscando a própria vida e a dos outros.

“Algumas coisas arranham a superfície, enquanto outras atingem sua alma.”

– Gianna Perada

Nota do blog:

O protagonista da estória é meu amigo há mais de 40 anos. Uma linha de amizade estranha, cravejada de espaços de tempo em branco. Nesse período, ambos moramos em cidades e países distintos, envolvidos em projetos diferentes. Mas sempre voltando à conversa franca sobre a cordilheira, as Malvinas e claro, o rugby. Dois fanáticos do rugby falando de coisas da vida dá trela para 10 filmes da Netflix! Enfim, há uns meses eu fiz o de sempre, ligar para marcarmos o encontro de praxe. E nada. Fui atrás de outras referências, até no exterior. Deixei mensagens onde podia haver uma pista. Dois meses nisso. E nada. A Covid-19, concluí. E passei a pensar melancolicamente que eu ia sentir falta daquela conversa. Muita falta. Afinal, a certa altura da vida você sabe, por um lado, que muita coisa já não mais faz falta, e por outro, que ocasiões como essa são raras, inestimáveis.

E de repente, a mensagem no celular. A Morte tinha passado ao largo. (“Respirando, respirando, que é só treino!”). O relato disso você pode ver em seguida. E reler depois, quando pensar em sair de casa sem um bom motivo.

O RELATO

A partir de março de 2020, quando teve início a pandemia no Brasil, minha família e eu tomamos todas as precauções para prevenir a doença.  O entorno não era favorável:  minha mulher (69) e eu (74) éramos do grupo de risco, minha sogra (99) que mora conosco e necessita de atenção permanente de 4 enfermeiras, fisioterapeuta, além de uma funcionária doméstica diarista eram todos potenciais vetores de contágio.

As medidas funcionaram muito bem até o mês de setembro quando, para celebrar os 100 anos da minha sogra, decidimos realizar uma pequena reunião de família, num total de sete adultos e duas crianças (!). Havíamos assumido que todos estavam livres de contaminação, mas, infelizmente, não foi assim.  Aos três dias do almoço, eu comecei a passar mal e, na sequência, fui internado.

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Fiquei hospitalizado por 35 dias, 8 dos quais entubado e pronado. O meu quadro, segundo os médicos, era muito grave.  Decorridos os 8 dias de coma induzido, eu acordei e me emocionei às lágrimas quando a equipe de médicos e enfermeiros entrou no meu quarto me parabenizando pela “vitória sobre a Covid-19”. A vida prevaleceu sobre a morte.

Ao ser transferido do ‘Covidário’ para a UTI regular, pude receber a visita da minha esposa que me comentou o que havia feito. Isso provocou em mim uma profunda reflexão, já que a doença, pela primeira vez, me alertou sobre a finitude da vida. Também me levou a questionar todos os meus valores espirituais pois, no meu entendimento, para a situação que passei não existem coincidências. A força do pensamento positivo, das preces, das velas acesas não foi mera coincidência.

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Na saída do hospital, agradeci a equipe da Terapia Intensiva por ter salvado a minha vida e depois, em casa, agradeci a todos aqueles que oraram por mim e enviaram energia positiva para a minha recuperação. No dia seguinte, iniciei o processo de recuperação com sessões diárias (inclusive nos fins de semana) de fisioterapia, pois as sequelas que me deixaram a Covid foram grandes:  tive que reaprender a andar, a usar as mãos, pois havia perdido o controle de alguns dedos da mão direita, sem contar da significativa perda de massa muscular. Depois de quatro meses, este processo ainda está em andamento, mas agora já me recuperei 80%.

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Por que eu me salvei? Eu sempre fui cético em relação às religiões e pensamentos transcendentais, mas eu desconhecia que, enquanto estava isolada em casa combatendo também uma infecção com Covid leve, a minha esposa contatou grande parte dos meus amigos e colegas de trabalho pedindo que se unissem a ela em orações e envio de energia positiva para mim.  A lista inicial era de 70 pessoas que, por sua vez, se multiplicou. Isso deve ter ajudado.

Existe na vida o que se chama os “S.E.E.” (Significant Emotional Events – Eventos Emocionais Significativos).  São aqueles eventos que produzem um impacto tal que te obrigam a reprogramar o cérebro a pensar de outra forma. Este foi para mim um deles. Que bom seria se pudéssemos redescobrir-nos da forma que eu me redescobri, sem ter que passar por essa situação traumática.

Se a vida pudesse ser descrita em círculos concêntricos, sendo o círculo primário formado pela família, eu diria que voltei à “base zero” e comecei a ver tudo dentro destes círculos. Daí que passei a apreciar mais determinadas coisas, relacionamentos e tirar da minha mente as coisas que eu julgava importantes, mas que, diante desta nova realidade, já não eram.

Eu era ateu. Agora sou uma pessoa agnóstica que admite a possibilidade de haver, além da ciência, uma força superior que impacta decisivamente sobre a nossa vida.

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