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Estresse e inflamação intestinal: o que a vovó dizia agora a ciência comprova

Estresse e inflamação intestinal

Sabe-se que o estresse psicológico piora a inflamação intestinal causada por certas doenças intestinais. Agora os cientistas descobriram o porquê. Uma nova pesquisa, recém publicada na Nature, descreve uma narrativa abrangente que começa com sinais químicos produzidos no cérebro e termina com células nervosas intestinais. Entre outras conclusões importantes, isso comprova a capacidade do cérebro de conduzir a inflamação em órgãos imunológicos distantes no intestino – uma sequência que significa problemas para pessoas com essas condições.

“Sempre confie no que seu estômago diz. Seu cérebro pode ser enganado, seu coração é um idiota, mas seu estômago não sabe mentir.”

– Stephen J. Mordue

Autor: Julio Troncoso

Nota do blog:

Há tempo, muito tempo, que o senso comum e alguns poucos cientistas vinham apontando para o fato de pacientes com Doença Intestinal Inflamatória (DII) terem maior risco de desenvolver sintomas de ansiedade e depressão do que indivíduos saudáveis. Nada de ressonância na frente médica. Em 2021, eu postei uma matéria baseada no magistral texto de Gabor Maté, MD. – “When the Body Says “No”: Listening to Our Stress & Re-connecting with Our Self”. Nada de ressonância por parte dos profissionais da saúde que visitavam o blog na época.

Gabor Maté, um psicoterapeuta judeu húngaro que sobreviveu a Dachau, ora lecionando criminologia no Canadá, foi pioneiro em avaliar a possível integração neurovisceral, modulação imunológica e alterações cruciais do microbioma intestinal na DII, de uma perspectiva psiconeuroimunológica. Além disso, ele enfatizou a bidirecionalidade do eixo cérebro-intestino, indicando que a fisiopatologia da DII aumenta a resposta inflamatória no sistema nervoso central e contribui ainda mais para comorbidades comportamentais como a depressão.

A conclusão é clara: o estresse psicológico e a atividade da doença IBD estão muito associadas. Implicações disso no âmbito clínico há várias. Por exemplo, a aplicação clínica de imagens cerebrais funcionais, tratamento direcionado à microbiota, psicoterapia e antidepressivos no tratamento e diagnóstico de DII com comorbidades comportamentais.1

A relação entre saúde mental e saúde do intestino vem sendo estudada há muito tempo. Recentemente, por exemplo, descobriu-se que células imunológicas hiperativas no intestino, por ex. mastócitos, liberam CRH, NGF e outras citocinas e peptídeos que ativam neurônios e mastócitos no cérebro, provocam neuro-inflamação. Um estudo de longo prazo sobre a Síndrome do Intestino Irritável (SII) mostrou que, para 70% dos pacientes, os problemas intestinais ocorreram primeiro e, em seguida, a ansiedade, o estresse e a depressão.2

Contudo, em estudo publicado na Nature, a relação entre saúde mental, respostas inflamatórias e doença inflamatória intestinal (DII) não passava de uma suspeita educada. Esse trabalho agora parece confirmar tal possibilidade.

Ele revela que o estresse crônico afeta significativamente a inflamação intestinal, e o sistema nervoso entérico (ENS) desempenha um papel crucial na mediação desse efeito. Os pesquisadores descobriram que altos níveis de glicocorticoides levam à ativação de células gliais entéricas inflamatórias que contribuem para a inflamação por meio da liberação de líquido cefalorraquidiano (LCR). Os glicocorticoides também afetam os neurônios entéricos, causando imaturidade transcricional, deficiência de acetilcolina e motilidade intestinal prejudicada por meio do TGF-β2. (Nota do blog: O fator de crescimento transformador beta 2 é uma proteína secretada conhecida como citocina que desempenha muitas funções celulares e tem um papel vital durante o desenvolvimento embrionário. É uma proteína glicosilada extracelular.)

Essas descobertas fornecem uma compreensão mecanicista de como o cérebro influencia a inflamação periférica, destacam o ENS como um elo entre o estresse psicológico e a inflamação intestinal e sugerem que o controle do estresse pode beneficiar o tratamento da DII. O artigo original foi publicado na Cell.3

Os sinais originários no cérebro chegam às células nervosas intestinais, levando à liberação de substâncias químicas inflamatórias.

Os sinais originários no cérebro chegam às células nervosas intestinais, levando à liberação de substâncias químicas inflamatórias.

Essa ideia é contrária ao tratamento médico convencional, que “negligenciou completamente o estado psicológico de um paciente como um dos principais impulsionadores da resposta ao tratamento”, diz o coautor do estudo Christoph Thaiss, microbiologista da Universidade da Pensilvânia em Filadélfia.

Trabalhando em camundongos, ele e outros descobriram que os glicocorticoides agem nos neurônios do intestino e nas células chamadas glia, que conectam os neurônios intestinais uns aos outros. Por sua vez, essas células imunes liberam moléculas que normalmente seriam usadas para combater patógenos, mas neste caso acabam causando inflamação intestinal dolorosa. Ao mesmo tempo, os glicocorticoides impedem que os neurônios intestinais imaturos se desenvolvam totalmente, descobriram os pesquisadores. Como consequência, esses neurônios produzem apenas baixos níveis de moléculas sinalizadoras que causam a contração dos músculos intestinais. Isso significa que a comida se move lentamente pelo sistema digestivo, o que aumenta o desconforto da DII. Os pesquisadores ficaram surpresos ao saber que os glicocorticoides causam inflamação intestinal, porque esses compostos às vezes são usados ​​para tratar a DII. Esse aparente paradoxo pode ser explicado pelo curto espaço de tempo em que tais tratamentos são utilizados. Embora surtos rápidos de glicocorticoides pareçam ser anti-inflamatórios, quando o estresse se torna crônico, “o sistema muda completamente” e os glicocorticoides assumem um papel pró-inflamatório, diz Thaiss.4

É uma “explicação plausível”, diz o gastroenterologista e imunologista John Chang, da Universidade da Califórnia, em San Diego. A capacidade do cérebro de conduzir a inflamação em órgãos distantes “parece ser muito mais forte” do que se pensava antes. Isso sugere que os medicamentos para DII, em combinação com técnicas de controle do estresse, podem ser mais eficazes do que os medicamentos sozinhos. Moléculas na via de sinalização que vai do cérebro ao intestino também podem se tornar alvos de novos tratamentos farmacológicos.

As implicações do trabalho podem ir além da DII. Acredita-se também que o estresse aumente as doenças inflamatórias da pele e dos pulmões, possivelmente por meio de vias de sinalização semelhantes.

Contudo, ainda precisamos aprender muito sobre o cérebro e como o cérebro controla aspectos aparentemente não relacionados da fisiologia e da doença.5

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