O pentágono e o seu estresse

O pentágono e o seu estresse

O primeiro passo para tratar do estresse consiste em… conversar a respeito. E ninguém com mais autoridade para fazer isso que o médico. Tempo, um copo d’água e disposição para ouvir, podem resolver. O Pentágono é um passatempo digital que oferece ao estressado uma oportunidade de refletir sobre sua condição. Recomendá-lo aos pacientes pode ajudar muito na relação médico/paciente.

“A emoção mais antiga e mais forte da humanidade é o medo, e o mais antigo e mais forte tipo de medo é o medo do desconhecido”

H.P. Lovecraft

Ele olhou para mim de maneira estranha. Um médico, meu amigo.

“Isso aí é psicologia”, ele disse. “Eu não sou psicólogo”.

Diabos!, eu jamais teria imaginado uma resposta dessas. Eu acabava de lhe oferecer repassar o Pentágono, um aplicativo, a seus pacientes. De graça.

Era uma oferta que eu julgava merecedora de palmas e, no entanto, ele a via como uma ameaça! Ou, na melhor hipótese, como um poema declamado em mandarim. Inconsequente.

Ah, o Pentágono – o que seria isso? Um passatempo que induz a pessoa a escolher seus principais estressores, primeiro, e a examinar a possibilidade de controlá-los, ou de eliminá-los, depois. Tudo isso, de maneira entretida, em não mais de 5 minutos, na palma da mão e de graça.

Qual a origem da ideia? Anos de experiência operando por conta própria na bolsa, o ofício voluntário mais estressante do mundo. Anos sabendo-se ora ansioso, ora excitado, às vezes deprimido e quase sempre eufórico, em que, no entanto, tentei de tudo para me equilibrar – desde ficar vinte minutos com os pés mergulhados no gelo (uma receita da minha mãe, que foi mestre ioga) até mindfulness, passando por ansiolíticos e demais.

Nada funcionou.

Até, por motivos que não vem ao caso, eu parar e pensar. “Colocar as coisas no contexto”, diria um psiquiatra extasiando seus ouvintes na Casa do Saber. No meu caso foi mais simples: pensar na m… em que a minha existência tinha se convertido. E por vontade própria, pior ainda. E nas consequências disso para a família, o futuro, a vida, enfim.

Desse estalo – insight, my dear – veio a decisão de mudar. Ou de voltar a viver em paz, se preferir.

Em síntese: o estresse crônico mata e você não sobrevive a ele, a menos que pare para refletir sobre o que está acontecendo.

O estressado não faz isso. Quase nunca – até porque ele (ou ela) jamais se sente, ou se percebe, muito menos se declara… estressado.

Faça uma pausa e use esse tempo para redescobrir as coisas que mais lhe importam. E que no presente você nem sabe quais são.

E meu amigo, o médico da estória, não via isso – tudo isso – de cara! E como ele é uma pessoa inteligente, culta e preparada profissionalmente, a conclusão foi rápida: falha minha. O Pentágono é um recurso a ser disponibilizado pelos profissionais da saúde – médicos, especialmente – para seus pacientes melhorarem de vida (e de saúde, de passagem). Esses profissionais obviamente precisam entender do tal recurso e das vantagens que traz para seus paroquianos e, last but not least, para eles próprios.

Então, meus amigos, aqui vai a explicação:

O Pentágono

Não é um a intervenção freudiana. Mas uma oportunidade que o estressado tem de refletir sobre sua condição e, eventualmente, se dispor a aliviá-la. Mais nada.

  • Porque o estresse não age de graça, ele causa dor e agrava qualquer doença, muitas vezes desnecessariamente.
  • Porque tratar do estresse começa com uma conversa e isso não é território proibido, reservado a psicólogos e psiquiatras.
  • Porque se o médico encaminhar, assim sem mais, um paciente estressado a outros profissionais “especializados em tratar disso”, este dificilmente acatará a recomendação, fora ficar ainda mais ansioso, por pensar ser portador de uma doença mental.
  • Porque o primeiro passo para tratar do estresse consiste em… conversar a respeito. E ninguém com mais autoridade para fazer isso que o médico. Conversar, também, é barato. Tempo, um copo dágua e disposição para ouvir, podem resolver. (Ou, de todo modo, motivar o paciente, se for o caso, a procurar tranquilamente ajuda profissional especializada.)
  • E por fim, porque se o médico oferecer ao paciente um benefício, algo que é claramente bem intencionado e possa ajudar sem ter que pagar nada por isso nem investir mais do que 10 minutos… a sua relação interpessoal irá se fortalecer, o profissional será considerado um amigo e, embora ele não goste de que isso seja dito em público, o seu nome irá se destacar da competência.

Então, recomende o uso do Pentágono a seus pacientes. É rápido, grátis, e todos os envolvidos têm a ganhar com isso.

Vídeo Pentágono publicado no Youtube:


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