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Especulando o que a Covid-19 nos prepara até agosto

Especulando o que a Covid-19 nos prepara até agosto

Com a terceira onda, incluindo a variante indiana, o futuro próximo da pandemia no Brasil se apresenta incerto. Ou decididamente tenebroso. Até aqui, as coisas vão mal, ou péssimo. Será que vão melhorar? Quanto? Quando? Nesse post eu vou especular sobre o que significa, para efeitos da pandemia no país, a trajetória da curva de novos infectados com a Covid-19 atingir certos pontos de inflexão num futuro bem próximo. Três deles, especificamente. Dentro dos próximos dois meses. Dependendo de qual deles for atingido, pode-se projetar o que a curva epidemiológica irá fazer depois.

“Qualquer pessoa que lhe disser qual é o nível de imunidade do rebanho para Covid-19 também está querendo lhe vender uma ponte para lugar nenhum.”

Dr. Michael T. Osterholm, epidemiologista (adaptação)

Tal como eu fiz no caso das duas ondas virais anteriores, eu previ uma terceira onda, ora em curso, há semanas. Tudo documentado. Ora, eu não sou vidente, nem trabalho profissionalmente com projeções estatísticas, apenas sei ler e tirar conclusões. E me pergunto se os governadores, os prefeitos, e os que os assessoram, fazem isso. Porque se assim fosse, a atual flexibilização das medidas de higiene anti-Covid, que causa contato humano, que causa infecção Covid, que causa uma onda viral… teria sido evitada. Melhor ainda, aquelas medidas hoje seriam duras e fiscalizadas à risca. Não o são, e a essa altura já é tarde. (Vide Campos de Jordão (SP), nesse fim de semana). E por vários motivos, que penso expor nesse post para lá de deprimente. (Vou logo avisando, se você é de epiderme muito sensível, padece de insônia ou ambas as coisas, pare por aqui.)

Enfim, chega de olhar para trás. O que será que temos pela frente?

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Essa é atualmente a curva dos novos infectados do Brasil, segundo o The New York Times, que mantém um time de estatísticos traçando as curvas de mais de uma centena de países.

De que depende essa curva cair consistentemente, significando o arrefecimento da pandemia?

Curvas gráficas, você sabe, se projetam sinuosamente. Elas sobem, descem, se estabilizam, caem e voltam a subir, e por aí vai. Responsáveis por se moverem assim ou assado são algumas variáveis que as puxam para baixo, e outras que impedem a queda.

Fatores puxando a curva epidemiológica para baixo

  • Campanha de vacinação (talvez pegando tração, se houver vacina).
  • Medo de se aglomerar (parte dos infratores potenciais já percebeu que agora é a vez de eles lotarem as UTIs).
  • Contenção da flexibilização em alguns estados e cidades (vide espasmos de sensatez aqui e acolá, exceto o Rio de Janeiro, claro).

Fatores impedindo a queda da curva

  • Medidas de contenção frouxas e inofensivas.
  • O desemprego em alta – na beirada dos 15%, desemprego é igual a desespero.
  • A “fadiga Covid” – a essa altura, a paciência e os nervos de uma parte importante dos brasileiros, está por um fio. A principal vítima? O distanciamento social. As taxas do Rio de Janeiro e de São Paulo são irrisórias: 38% e 42%, respectivamente.
  • O despreparo do Ministério da Saúde para quase tudo – testagem para rastreamento de contatos quase inexistente; zero campanha de comunicação nacional minimamente efetiva; e estrutura vacinal mais festejada do que eficiente (você sabia que a perda operacional de uma carga de vacinas nacionais, desde o momento que sai da fábrica até o ponto de aplicação é de 10%?).
  • O desgoverno – do Planalto só sai besteira, e do Ministro Queiroga, uma cruza canhestra de “Mandetta por fora e Pazuello por dentro”, coisa pior: fartas programações de vacinação anunciadas toda segunda feira, em geral encolhidas na quarta.
  • As variantes – a indiana já se filtrou e, anote aí, ela não vai parar mais de ser transmitida (e de se replicar, eventualmente).

Por fim, a capacidade (material, humana, técnica etc.) do sistema de saúde em vários estados (ex.: MG, PARANÁ) – exaurida. O tal sistema colapsando, haveria um efeito propulsor, se não nessa curva, na curva das mortes.

Após construir a lista de cima fiquei me perguntando se eu não teria caprichado demais no pessimismo. Resposta: não. . Infelizmente, todos e cada um desses fatores impeditivos é tão real, vigente e sólido quanto o personagem a seguir.

Agora, vamos à minha especulação gráfica – note que eu não chamo isso de “análise gráfica” – sobre o comportamento da curva epidemiológica nos próximos 3 meses.

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Para quem não conhece o apresentado em posts anteriores, esclareço que o meu recurso analítico é retirado do que aprendi sobre tendências, no mercado financeiro. Isso foi há décadas. Contudo, não se engane. O acúmulo de algo, sejam ações, batatas, ou “ficadas” no BBB, produz tendências expressas graficamente. Uma curva epidemiológica reflete o acúmulo de novos infectados com a Covid-19.

A minha tese – tão boa ou ruim quanto a do padeiro da esquina, atenção! – é a de que a curva dos novos casos Covid não cai nos próximos 3 meses. Ela se estabiliza ou – nem quero pensar nisso – decola de novo. Concordo com os cientistas catastrofistas, porém muito bem qualificados, que prognosticam um junho tenebroso, ressaca brava em julho e talvez um respiro em agosto.

Para confirmar ou desmentir essa projeção, fique você atento a três pontos de inflexão se e quando eles forem atingidos nas próximas semanas. Vejamos,

A Ponto em que a curva supera os 100.158 novos casos, e 77,050 (média móvel últimos 7 dias), topo ocorrido em 27 de março 2021. Indicativo de movimento de alta a seguir. O pior dos desfechos.

BPonto em que a curva cai abaixo 64,025 novos casos e 55.034 (média móvel últimos 7 dias), em 12 de janeiro 2021. Possível movimento de baixa a seguir. Pode significar estabilização ou, com otimismo, até uma tendência de baixa continuada.

CPonto em que a curva cai abaixo 52.383 novos casos e 45.588 (média móvel últimos 7 dias), 31 de julho. Tendência de baixa provavelmente consolidada. O melhor dos desfechos.

Que tal? Você acha que a minha especulação faz sentido? Nesse caso, compartilhe o post com quem possa digeri-lo sem protestar. E se for o contrário, bem, faça seu próprio presságio. E me mande, que eu leio. É o menos que eu posso fazer para compensá-lo por hoje.

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