Psicologia da Dor - by dorcronica.blog.br

Entendendo e superando o medo da dor

Entendendo e superando o medo da dor

O medo da dor já foi objeto de um post nesse blog. Haverá muitos outros haja visto que, na vida da pessoa que luta por se aliviar da dor crônica, hoje até os neurocientistas reconhecem que “o medo da dor é pior do que a própria dor”. No post a seguir, você irá se deparar com duas siglas desconhecidas no Brasil. A Síndrome da Mente-Corpo (SMC) ou Mind Body Syndrome (MBS) é o novo nome dado ao distúrbio apontado pelo Dr. John Sarno nos anos 70/80, como sendo a causa de inumeráveis dores crônicas – notadamente dor nas costas – o Tensional Miosite Syndrome (TMS). A mudança de nome para Mind Body Syndrome deve-se a que a abrangência do distúrbio, o qual exemplifica o quanto a mente e o corpo se influenciam mutuamente para gerar doença e causar dor crônica não específica – é muito mais prevalente do que se pensou originalmente.

“As pessoas temem a morte ainda mais do que temem a dor. É estranho que eles temam a morte. A vida dói mais que a morte. No ponto da morte, a dor acaba.”

– Jim Morrison

Nota do blog: O Dr. Howard Schubiner, o autor da matéria a seguir, é o fundador e diretor do Mind Body Medicine Program no Providence Hospital. Este programa usa as metodologias de pesquisa mais atuais para tratar indivíduos que sofrem de Síndrome Miofascial, uma condição que amiúde é confundida com fibromialgia. Seu programa usa técnicas meditativas e psicológicas para ajudar indivíduos com Síndrome Miofascial e outras condições psicossomáticas. Ele completou recentemente o primeiro estudo randomizado e controlado no campo da Síndrome da Mente-Corpo (SMC) para indivíduos diagnosticados com fibromialgia. Um post recentemente publicado no blog se refere a este último e à Terapia do Reprocessamento da Dor, como é chamado o tratamento criado a partir do que foi descoberto.

Autor: Dr. Howard Schubiner, MD

Ficou muito claro para mim ao longo do último ano que um dos maiores impedimentos para a recuperação da Síndrome do Corpo-Mente (SCM) é o medo. Aqui tenciono identificar as fontes do medo, o significado do medo e oferecer alguns pensamentos e métodos para lidar com isso.

De onde vem o medo? Devemos reconhecer que o medo faz parte da experiência normal da vida. Nós nascemos com um sistema cerebral que é construído para nos proteger de perigo e danos, ou seja, para nos ajudar a sobreviver em um mundo perigoso onde podemos ser perseguidos por um predador ou em perigo por uma de nossas próprias espécies; outro ser humano. Este sistema reside nas partes mais profundas do cérebro (às vezes chamado de “cérebro reptiliano”), ele opera o tempo todo, examinando constantemente o meio ambiente para o perigo e está claramente na parte subconsciente (ou inconsciente) do cérebro, ou seja, não estamos cientes de suas ações até depois de ter atuado. Quando sentimos o perigo, o cérebro envia sinais imediatos da amígdala (o centro emocional do cérebro) para o hipotálamo (onde reside o sistema nervoso autônomo) para causar algum tipo de ação em nossos corpos.

Mais uma vez, isso ocorre inconscientemente e nossos corpos são programados para reagir ao perigo ao ativar as vias de reação da luta ou da fuga. Depois que nosso corpo reage (com tensão muscular, tensão intestinal ou vesical e muitas outras reações), então tomamos conhecimento da sensação de medo. Então, todos sentirão medo em alguns pontos em nossas vidas. Além disso, estudos mostraram que os cientistas podem desenvolver ratos com mais ou menos medo, sugerindo que também há um componente do medo que pode ser herdado. Portanto, é provável que algumas pessoas nasçam com mais ou menos predisposição para sentir medo. Claro, também somos um produto do nosso meio ambiente. As pessoas que são criadas em lares ou ambientes que criam uma sensação de perigo (de serem atingidos, de serem gritados, de serem abusados, de serem criticados ou provocados) aprendem a ter medo. 

O medo é o mais importante a se entender sobre o desenvolvimento da SCM

As pessoas que examinam muito cuidadosamente suas experiências de vida quase sempre encontrarão essas conexões entre experiências de vida precoce e situações que desencadeiam o aparecimento de sintomas de SCM mais tarde na vida. Além dos perigos externos e das experiências iniciais da vida como fontes de medo, os seres humanos têm a capacidade única de pensar para trás e para frente. Podemos ter preocupações com coisas que nós fizemos ou não fizemos no passado e isso pode causar medo (sem mencionar culpa, arrependimento, ressentimento e/ou raiva). E obviamente, podemos pensar sobre o futuro e também desenvolver preocupações que podem causar medo. É essa a parte do medo que é mais comumente evocada ao lidar com SCM. Durante a recuperação de SCM, vários pensamentos provavelmente ocorrerão para todos. São coisas como:

“Tenho medo de nunca melhorar e sofrer para sempre.”

“Tenho medo de ferir-me outra vez no mesmo lugar e ter dor novamente; e então será ainda mais difícil me livrar dela.”

“Tenho medo de não poder relaxar o suficiente para fazer o trabalho psicológico necessário para me recuperar.”

“Tenho medo de ter mais estresse na minha vida e isso causará uma recorrência da dor (ou outros sintomas).”

“Tenho medo de não poder mudar minha situação e, portanto, nunca me recuperar da SCM.”

Resumidamente, todo o medo surge de experiências aprendidas de medo, que são agravadas pela preocupação de haver algo ruim esperando por nós no futuro. Quando nos sentimos melhor, o medo nos diz: “Isso não vai durar. Você vai recuar e se sentir pior”. Quando nos sentimos mal, o medo nos diz:” Isso é para sempre. Você nunca vai se recuperar.”

Ouça essas afirmações. Como elas fazem você se sentir? Elas assustam até a mim, ora escrevendo isso em um momento em que eu me sinto perfeitamente bem. Essas declarações criam uma sensação de medo que é palpável e vem da mente. O negócio do medo é criar mais medo. Quanto mais acreditamos no que o medo nos diz, mais medo teremos e, mais profundamente aprenderemos os caminhos do cérebro que criam a experiência de medo em nossos corpos e em nossas mentes. O medo é uma das principais causas de SCM (juntamente com raiva e ressentimento, culpa e vergonha).

Então, como podemos lidar com o medo?

1: Reconheça o medo relacionado a dor pelo que é. Não tenha medo do medo que a dor traz à tona – ou que trouxe à tona a dor. Ele não carrega um porrete, é apenas um sentimento. Você pode aprender a coexistir com esse medo e aprender a lidar com ele se e quando surgir ao ponto de incomodá-lo. O medo ocorre por um motivo. É sua mente que está tentando proteger você de algo.

2: Reconheça a situação que está lhe causando medo. Se a sua mente está tentando protegê-lo, de que ela está tentando protegê-lo? Isso é um medo realista? Isto é, há algum motivo para ter medo agora, neste momento? Com isso quero dizer, há alguém tentando machucar você neste exato momento? Você pode ter alguém que está tentando machucá-lo em sua vida, mas isso provavelmente será no futuro. Você está preocupado com o futuro? Se assim for, não é o que está acontecendo na sua vida neste momento! É muito mais fácil lidar com o medo se você reconhecer sua causa e se você perceber que não existe um perigo IMEDIATO para o seu corpo.

3: Reconheça o que o medo está tentando ensinar você. Se percebemos quais são as causas subjacentes ao medo, começaremos a ver o que temos de fazer em nossas vidas para reduzi-los. Se existe uma pessoa particular que causa medo, precisamos aprender formas de lidar com essa pessoa ou maneiras de ignorá-la. Se é nossa própria mente a nos dizer que nunca vamos melhorar, precisamos aprender a silenciar essa voz, aprender a ignorá-la, aprender a deixar passar e até aprender a rir disso.

4: Aprenda a enfrentar seus medos. A dor devido ao SCM não pode machucar. Não pode danificar seus tecidos ou causar a morte. Você teve dor ou outros sintomas relacionados antes e se você os tiver novamente, você estará OK. Não terá um resultado tão horrível. Você é forte e saudável. Você deve continuar a se dizer essas coisas. Este é um antídoto para as palavras do medo. Fale com você mesmo e fale com seu corpo e sua mente. Você também não pode ser ferido pelo medo. Diga a si mesmo que o medo é apenas uma emoção do seu passado. Ele surgirá de tempos em tempos, mas não é permanente. É uma resposta temporária a pensamentos e situações. Assim como vem, irá. Se você relaxar com medo e encará-lo, não pode machucá-lo.

5: Use técnicas de meditação. Mindfulness ensina-nos a ouvir o medo e outras emoções e a aprender a notá-los sem reagir, aceitando o que ocorreu e deixando ir. Aprenda a notar o medo à distância. Perceba que não pode machucá-lo. Então, aprenda a deixá-lo ir. Diga-lhe que você não será superado. Não está certo você dizer que não vai se recuperar. Esse é apenas um pensamento que pode ser rejeitado.

6: Use habilidades de raciocínio para rejeitar a mensagem de medo.

7: Expresse seus medos escrevendo e falando. Os exercícios de escrita que incluí no programa online são exemplos de escrita terapêutica. A escrita terapêutica é excelente para expressar emoções, para entender por que você pode tê-as, para aprender a lidar com elas de forma mais eficaz, aprender a aceitar certas situações e tomar decisões sobre cursos de ação. Assim como pode ser útil escrever sobre sintomas físicos, também pode ser útil escrever sobre o próprio medo.

Algumas das técnicas são a escrita rápida, as letras não enviadas e os diálogos. Estes são métodos diferentes que podem ser usados para expressar e processar emoções. Além disso, pode ser muito útil expressar seus medos em voz alta e lidar com eles falando com eles e com seu corpo.

8: Tomando medidas para lidar com fontes de medo. Se você acredita que a ação é necessária e possível em sua situação, encontre essa coragem e ative. Você não vai se arrepender. Pode estar liberando maneiras que mostram sua coragem, sua assertividade e sua gentileza para com você. Outra coisa crítica a fazer é enfrentar os padrões que seu corpo aprendeu. Muitas pessoas como você ficaram com medo da atividade física e, em particular, das atividades que causaram sintomas de SCM no passado.

9: Agradeça e perdoe.

  • Faça uma lista das coisas pelas quais você é grato e escreva sobre elas.
  • Defina o que lhe dá propósito e significado em sua vida e aja de forma a incorporar essas coisas.
  • Faça as coisas que são divertidas para você. Tire um tempo cada semana para fazer coisas que o fazem feliz e é agradável. Muitas pessoas com SCM têm dificuldade em fazer isso, mas são precisamente essas pessoas que precisam aproveitar esse tempo por si mesmas.
  • Pratique ser gentil com você de maneiras pequenas e amplas a cada dia e a cada semana.
  • Tome tempo para ser gentil com os outros (mas apenas faça isso se você também estiver tomando tempo para você). A bondade para os outros, sem bondade para si mesmo, não é uma receita médica ou curativa.
  • Decida perdoar. Se alguns eventos da vida exigem perdão, considere conceder esse perdão, especialmente se for para si mesmo.

Tradução livre de “Understanding and Overcoming Fear”, por Dr. Howard Schubiner, MD.

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