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E se você testar positivo?

E se você testar positivo?

O Dr. Sanjay Gupta, neurocirurgião e correspondente médico na rede CNN, já foi citado várias vezes por aqui. Se não é a voz mais respeitada nos EUA, quanto a como enfrentar a pandemia – e para muitos, talvez seja – é certamente a voz mais prática. Ontem li um post da sua autoria criticando a orientação dos Centros dos EUA para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) – a ANVISA americana – que muda continuamente, é confusa e às vezes contraditória. Especificamente, ele se refere à última dessas orientações, flexibilizando as medidas de isolamento antes recomendadas aos portadores de Covid-19 assintomáticos.

A matéria tem muito a ver com o Brasil, face às novas regras sobre a quarentena dos infectados com a Covid-19 estabelecidas pelo Ministério da Saúde.

“Primeira vez na história que podemos salvar a humanidade ficando em casa, assistindo TV”.

Anônimo

Segundo o Ministério da Saúde: “… a pessoa que contraiu a doença que não quiser ou não conseguir fazer o teste após cinco dias do diagnóstico positivo pode sair do isolamento no sétimo dia depois da infecção, desde que não apresente nenhum tipo de sintoma característico da doença”.

Às pessoas que ainda estiverem com sintomas após sete dias do diagnóstico da Covid-19, o Ministério da Saúde recomenda a testagem para saber se a infecção permanece e a manutenção da quarentena até que o quadro da doença complete dez dias. Após esse período, qualquer pessoa sem sintomas estará liberada da quarentena.12

Isolamento de pacientes com Covid 19

5 DIAS 7 DIAS 10 DIAS
Pacientes sem sintomas respiratórios ou febre. Pacientes sem sintomas não precisam fazer teste. Pacientes que não tiverem mais sintomas, não precisam de teste.
É necessário teste negativo. Com sintomas leves é necessário teste negativo.

Essas novas regras parecem bastante com a orientação do CDC americano:

  • Ficar em casa por pelo menos cinco dias.
  • Usar máscara ao redor de outras pessoas por mais cinco dias.
  • Terminar o isolamento se os sintomas estiverem se resolvendo.
  • Teste ao final de cinco dias de isolamento com um teste rápido de antígeno opcional.
  • Teste ao final de 7 dias e a manutenção da quarentena até que o quadro da doença complete dez dias. (Somente no Brasil)

Portanto, convém prestar atenção à crítica do Dr. Gupta. Junto com o Dr. Gerald Harmon, presidente da American Medical Association, ele afirma que a última orientação do CDC ameaça permitir que o vírus se espalhe ainda mais, colocando os pacientes e o sistema de saúde em risco.3

A única orientação que o Dr. Gupta, aprova é a de “terminar o isolamento se os sintomas estiverem se resolvendo.” A menos que o portador tenha sido assintomático, isso significa que seus sintomas estão visivelmente melhores e, mais importante, que está sem febre há 24 horas sem tomar nenhum medicamento para baixar a febre, como paracetamol ou ibuprofeno. Alguns sintomas, como fadiga e perda do olfato, todavia, podem durar mais tempo.

Agora vejamos o que ele diz em relação a outras duas orientações que a mim parecem as mais importantes: tempo e testes. 

TEMPO: fique em casa por pelo menos cinco dias

A chance de você ainda transmitir a doença diminui com o passar do tempo. Quanto mais tempo você ficar isolado, menor será a probabilidade de expor outra pessoa ao vírus.

Segundo o CDC, evidências científicas demonstram que a maior parte da transmissão do vírus Sars-CoV-2 ocorre no início do curso da doença, “geralmente 1 ou 2 dias antes do início dos sintomas e 2 ou 3 dias depois”.

O diabo é que depois disso a infecção não desaparece de imediato.

O período de incubação do vírus, ou seja, o tempo para que os primeiros sintomas apareçam, pode ser de 2 a 14 dias.

No quinto dia, o final do período de isolamento para pacientes sem sintomas respiratórios, uma porcentagem significativa de pessoas (31%) ainda é contagiosa.

No sétimo dia, a porcentagem de pessoas ainda contagiosas cai pela metade – para cerca de 16%.

Dez dias após o teste ser positivo, a porcentagem de pessoas ainda contagiosas é estimada em cerca de 5%, de acordo com pesquisadores da Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido.

Qual o percentual de pessoas que permanecem transmitindo o vírus? Dias depois de testar positivo para Covid-19

TESTE: rápido de antígeno opcional por volta do quinto dia, ou do sétimo dia, se for o caso (no Brasil)

Segundo o CDC, uma pessoa isolada pode fazer um teste de antígeno no final do período de isolamento de cinco dias, porém somente se ela tiver acesso a um teste e quiser fazer um. Para o Ministério da Saúde brasileiro aquilo também não é compulsório, apenas recomenda fazer esse teste.

Consequentemente, milhares de pessoas podem voltar ao trabalho e à escola ainda infecciosos e em condições de infectar outros, alerta o Dr. Gupta.4 Um teste negativo deveria ser exigido para encerrar o isolamento, ou há o risco de transmissão adicional do vírus.

A proposta do médico

É mais simples que a dos órgãos oficiais. As novas orientações deveriam levar em conta:

  1. a falta de testes disponíveis;
  2. os sintomas que refletem o nível de contagiosidade de alguém em um determinado momento; e
  3. o status de vacinação da pessoa.

Exemplificando o que propõe, o Dr. Gupta descreve a abordagem adotada na Emory Healthcare, hospital da Emory University, onde ele é neurocirurgião. Um ponto importante é que ele reconhece que, de fato, há duas epidemias rolando no mundo: a dos vacinados e a dos não vacinados – aproximadamente 1/5 e 4/5 respectivamente, dos novos casos. Esses grupos precisam ser vistos e tratados de maneira diferente.

Embora seja verdade que as pessoas vacinadas podem às vezes ser tão contagiosas quanto não vacinadas, há dois pontos importantes a serem lembrados:

  • Os vacinados têm cinco vezes menos probabilidade de serem infectados.
  • Se uma pessoa vacinada for infectada, o período de contágio será menor.

Então, vejamos, os critérios do Emory Hospital:

Os funcionários vacinados ora com Covid-19 podem encerrar o isolamento:

  • No dia 5, se um teste de antígeno for negativo e os sintomas estiverem passando, (incluindo nenhuma febre por 24 horas – sem medicamentos para reduzir a febre como paracetamol).
  • Ou no dia 7, se os sintomas estiverem reduzindo; nenhum teste é necessário.

Os funcionários que não foram vacinados ora com Covid-19 podem terminar o isolamento:

  • No dia 7, se um teste de antígeno for negativo e os sintomas estiverem passando, (incluindo nenhuma febre por 24 horas – sem medicamentos para reduzir a febre como paracetamol).
  • Ou no dia 10, se os sintomas estiverem reduzindo; nenhum teste é necessário.

Nem é preciso dizer que, se você estiver doente, deve ficar em casa, independentemente do dia em que estiver.

Esses testes rápidos de antígeno são mais úteis em pessoas que têm Covid-19 ou foram expostas recentemente, mas se sentem bem. Um único teste de antígeno pode não ser confiável, mas usar vários durante alguns dias já é diferente. É uma estratégia que já funciona nos Estados Unidos para manter algumas crianças na escola, em vez de colocá-las em quarentena depois de terem entrado em contato com alguém cujo teste foi positivo para Covid-19.

Agora, preste atenção: se os testes de antígeno fossem onipresentes, idealmente todos nós poderíamos nos testar regularmente pela manhã e saber se somos contagiosos e podemos transmitir o vírus, e se deveríamos nos isolar ou não, certo?

Ocorre, todavia, que dois anos após o início da pandemia, esses testes ainda são difíceis de encontrar.

Estados Unidos

Nos Estados Unidos, apenas recentemente o governo Biden está tentando corrigir o curso, prometendo disponibilizar gratuitamente 500 milhões de testes domiciliares ao público a partir dessa semana. No entanto, ainda não é garantido que eles estejam a caminho.

Brasil

Mesma coisa no Brasil.

“Em meio à escassez de testes diagnósticos para Covid-19 no país, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou neste sábado (08) que a pasta vai distribuir, em janeiro, 28,2 milhões de testes rápidos de antígeno para detecção da doença. Queiroga afirmou que nas próximas duas semanas cerca de 13 milhões serão enviados a Estados e municípios.”5

Nota do blog:

Um outro problema é o acesso a esses testes por parte da população mais pobre: atualmente nos Estados Unidos custa cerca de US$ 20 um pacote de dois. Nos EUA, os testes rápidos podem ser comprados nas farmácias para depois fazer em casa. No Brasil, a ANVISA vetou essa possibilidade, mas eu suspeito que logo irá mudar de opinião. E nesse caso, a conta vai sair cara, muito cara. Se a metade dos brasileiros fizessem apenas um teste por semana, nos próximos 4 meses, a um custo unitário camarada de US$ 2,00, a conta superaria os… US$ bilhões. (Deixe o espaço em branco para você, que é bom de matemáticas, preencher. Mas não se engane, os bilhões ficam.)

E por fim, há o problema da falta de uma política de testagem, e principalmente da experiência e dos recursos humanos, físicos e financeiros para executá-la – o que envolve fiscalização caso-a-caso. O resultado de um teste, lembremos, é apenas uma informação para se decidir alguma coisa. Se positivo, ele indica isolamento. Mas quem fiscaliza isso? Caso-a-caso? Do jeito que a Omicron avança, em menos de 10 dias haverá mais de 100 mil infectados com a Covid-19 no Brasil. E depois, sabe-se lá quanto. Já pensou no tamanho da estrutura a ser montada para fiscalizar os que deveriam se isolar? Durante 2019, o Reino Unido tentou, alguns estados americanos também tentaram, e desistiram. O Brasil? Bem, o Brasil nunca sequer tentou.

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