Dor Crônica - by dorcronica.blog.br

Doutor: eu ando meio triste. Isso agrava a minha dor?

Doutor: eu ando meio triste. Isso agrava a minha dor?

Recentemente, uma força-tarefa organizada pelo U.S. Department of Health and Human Services dos EUA, fez uma recomendação extraordinária, que passou inadvertida no Brasil Brasil, embora talvez por aqui adotá-la seja tanto ou mais urgente do que lá. Curto e grosso, foi recomendado aos médicos americanos dedicar especial atenção (e tempo) à identificação de pacientes apresentando sintomas de transtorno na saúde mental, independente da queixa fisiológica que motivou a consulta. Esta postagem resume essa iniciativa, complementando o já publicado sobre a interligação existente entre dor crônica e perturbações psicológicas como ansiedade, depressão, raiva… Resta saber se a recomendação da força-tarefa em questão, irá vingar na prática clínica, mas ela ao menos mostra a preocupação da autoridade sanitária de um país com o avanço de uma combinação de doenças somaticamente invisíveis (dor crônica e transtornos mentais), hoje sequer reconhecida pelos médicos, seja na atenção básica ou na atenção especializada.

“Me dizer que não há problema não resolverá o problema”.

– Emm Roy

Condições de saúde mental e a dor crónica são condições de saúde coexistentes (comórbidas, é o termo médico) que muitas vezes se agravam mutuamente. Para alguns, um problema de saúde mental pode desencadear o aparecimento de dor física. Evidências indicam que uma pessoa pode começar a sentir ansiedade e medo até antecipando uma possível dor! Noutros casos, uma dor persistente pode, no extremo, gerar transtornos mentais.

Não se sabe qual é o ovo e qual é a galinha, nessa relação – e muito menos, qual desses dois a inicia, porém, é fato que depressão, ansiedade e medo da dor estão associados a uma maior probabilidade de desenvolver dor crônica e a um mau prognóstico de recuperação.1

A depressão normalmente afeta 5% da população em geral, mas entre os pacientes com dor crônica, 30% a 45% apresentam depressão. Estudos demonstraram que a relação entre depressão e dor é bidirecional: a depressão é um preditor positivo do desenvolvimento de dor crônica, e a dor crônica aumenta o risco de desenvolver depressão.

População em geral
5%
Pacientes com dor crônica
30% a 45%

Diante dessas evidências, uma Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA (USPSTF) Estados Unidos emitiu recentemente duas declarações finais que recomendam, pela primeira vez, que

  • os médicos examinem todos os adultos com idades entre 19 e 64 anos para transtornos de ansiedade e
  • rastreiem todos os adultos – incluindo aqueles com 65 anos ou mais – para transtorno depressivo maior.

A força-tarefa enfatizou que elas também se aplicam a adultas grávidas e pós-parto. Ao mesmo tempo, a USPSTF concluiu que não havia provas suficientes para recomendar a favor ou contra o rastreio de perturbações de ansiedade em adultos com 65 anos ou mais, ou de risco de suicídio em todos os adultos.

“Em meio à crise de saúde mental nos Estados Unidos Estados Unidos, a força-tarefa trabalhou para fornecer aos profissionais de cuidados primários e aos seus pacientes recomendações sobre triagem baseada em evidências”.2

Se você estiver interessado no tema, visite esses dois sites a seguir. Neles, a força-tarefa detalha cada uma das recomendações no intuito de, na minha opinião, não dar aos médicos chance alguma de fugir da responsabilidade de cumprir com o recomendado.

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