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Dor lombar: descascando a cebola

Dor lombar: descascando a cebola

A prevalência anual da dor lombar atinge mais da metade dos adultos no Brasil. Um número considerável desses casos se torna crônico (até 14,7% da população brasileira). Além disso, é o principal motivo de absenteísmo no trabalho e a maior causa de incapacidade no mundo. Por esses e outros motivos igualmente contundentes, eu tenho postado aqui muita coisa sobre essa dor. Posts, artigos científicos, um mini ebook, vídeos… o artigo “A Dor é Estranha” é até hoje um dos três mais visitados nos últimos 3 anos. Mas nunca é demais.

“É fundamental saber que quase todas as anormalidades estruturais da coluna são inofensivas.”

– John E Sarno, M.D

Nesse post eu vou começar complicando um pouco o entendimento comum da dor lombar.

Para começar, apesar da crença comum de que a dor musculoesquelética regional, como dor nas costas, pescoço, quadril ou joelho, são entidades clínicas isoladas, a pesquisa fornece evidências convincentes de que os indivíduos raramente relatam dor em apenas um local do corpo.

Em seguida, mais do que uma dor musculoesquelética nociceptiva, que ocorre em uma região do corpo devido a lesão nos músculos, tecidos ou ossos, sobrecarga ou anormalidades biomecânicas, a dor lombar também pode ser neuropática.1

De fato, a dor neuropática está presente em 37 a 55% dos casos de lombalgia.2

A dor nas pernas associada à lombalgia é geralmente considerada dor referida ou radicular. A dor radicular lombar crônica é a síndrome de dor neuropática mais comum, afetando 20% a 35% dos pacientes com lombalgia. Pessoas com lombalgia neuropática geralmente experimentam níveis mais altos de dor, incapacidade, ansiedade, depressão e qualidade de vida reduzida em comparação com lombalgia nociceptiva.

Confuso? Não viu nada ainda.

Fora o anterior, a dor lombar também pode ocorrer na ausência de trauma, patologia ou infecção. Quer dizer, ela pode aparecer do nada, desorientando médicos e pacientes. Esse tipo de dor, que também pode estar relacionado a outras partes do corpo (fora a lombar), levitou que nem uma alma penada durante séculos, recebendo nomes exóticos – psicossomática, psicogênica – ou simplórios – dor inespecífica – até finalmente ser classificado oficialmente como “dor nociplástica”.3

“Muitas vezes as pessoas são programadas para sentir dor por causa de coisas que ouviram de um médico. ‘Nunca dobre na cintura’ é uma recomendação comum, embora isso nunca tenha causado dor antes.”

– John E Sarno, M.D

A dor crônica geralmente é nociplástica o que implica que não há patologia ou dano tecidual ou que a quantidade limitada de patologia ou dano tecidual não é grave o suficiente para explicar a experiência da dor.4

Consequentemente, a dor lombar também é mormente inespecífica, ou nociplástica, se preferir. De onde eu tiro essa dedução, uma vez que ainda parece não haver pesquisas publicadas a respeito? Primeiro, indivíduos com dor crônica têm uma incidência aumentada de morbidades psicológicas, como altos níveis de sofrimento emocional, apresentando sintomas de humor e ansiedade.56 Segundo: estudos têm documentado persistentemente um aumento na incidência de ansiedade e depressão em pacientes com lombalgia crônica.7

Conclusão: se um paciente com dor lombar, se mostra ansioso e depressivo (como muitos são), é muito provável que parte da dor que ele sente seja do tipo nociplástica.

Um estudo britânico permite obter uma ideia do perfil dos pacientes com dor lombar. Foram examinados 609 adultos com dor lombar e nas pernas, de qualquer duração e gravidade. Desse total, 2/3 eram mulheres, idade média de 50 anos. Dois terços relataram dor abaixo do joelho e 3/4 foram diagnosticados clinicamente como tendo ciática.8

Para complicar mais as coisas, o caro leitor deve levar em conta que essas dores todas – musculoesquelética, nociceptiva, neuropática e nociplástica – amiúde se apresentam juntas e misturadas, complicando enormemente o diagnóstico. Por isso, atualmente, o diagnóstico da dor nas costas e pescoço, osteoartrite de membros inferiores, fibromialgia e dor crônica generalizada em geral, depende em grande parte da avaliação de sinais e sintomas com informações limitadas sobre as causas fisiopatológicas subjacentes.

“A dor lombar também pode ocorrer na ausência de trauma, patologia ou infecção.”

A admissão de que a dor lombar pode ser a conjunção de dores de diversos tipos – nociceptiva, neuropática e nociplástica – torna o seu diagnóstico uma avaliação multifatorial do problema da dor com um objetivo bem preciso: identificar pacientes com alto impacto da dor e com alto risco de evolução ruim.9

Agora vamos a algo mais simples: um breve relato das causas e sintomas mais comuns da dor lombar.

As causas comuns de lesões nas costas incluem:

  • Estar acima do peso.
  • Ficar sentado por longas horas.
  • Má postura.
  • Prática de esportes.
  • Trabalhar em casa ou no jardim.
  • Um empurrão repentino em um acidente de carro ou movimento.
  • Uma colisão, batida ou queda.
  • A tensão muscular é a causa mais prevalente de lesão lombar.

O desconforto nas costas, no entanto, pode ser causado por uma variedade de fatores:

  • Uma doença, como osteoartrite ou osteoporose, idade, aptidão física, tabagismo, excesso de peso ou o tipo de emprego que você exerce pode ter um papel.

Sinais e sintomas de uma lesão grave nas costas. Exemplos:

  • Fraturas (rupturas no osso).
  • Hematomas substanciais.
  • Danos à medula espinhal e órgãos internos.

Qualquer um dos seguintes sintomas pode sugerir uma lesão grave nas costas.

Se você tiver algum dos seguintes sintomas, você deve consultar um médico imediatamente:

  • Dor nas costas severa.
  • Formigamento e dormência nas extremidades inferiores.
  • Fraqueza nas extremidades inferiores Incapaz de urinar ou pingar urina.
  • Sensibilidade a estímulos dolorosos ou dor (dolorido ao toque).
  • Rigidez.
  • Dificuldade em se mover ou ficar em pé.
  • Músculos em espasmo em ambos os lados da coluna.
  • Contusão.
  • Inchaço.
  • Dor irradiando para uma ou ambas as pernas.

Palavras finais:

Se você não estiver em perigo, evite movimentos de torção ou flexão apoiando a cabeça, o pescoço e a coluna. Mas não fique imobilizado. Mexa-se no limite da dor até consultar um médico, desejavelmente um ortopedista, que poderá ajudá-lo a controlar sua dor, encaminhá-lo para fisioterapia ou outros testes.

Não esqueça, todavia, que o portador das costas é você e que a consulta médica demora apenas entre 10 e 30 minutos, dependendo de quem paga, seu plano ou seu bolso. Daí em diante, você está pela sua conta. Para tratar de sua dor lombar, quero dizer.

Qual é o primeiro passo a ser dado? Ler sobre… você adivinhou: dor lombar. Informar-se sobre essa sua nova, tão impertinente quanto desconhecida, condição de saúde. Os erros que o paciente com dor lombar inespecífica aguda (a mais comum na atenção básica) comete durante o seu tratamento, com o tempo podem fazer com que essa dor fatalmente migre para dor crônica. E aí sim, acredite, as coisas realmente se complicam.

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