Dor crônica e ansiedade

Dor crônica e ansiedade

A ansiedade é a marca registrada do brasileiro, segundo a Organização Mundial da Saúde. Ela não anda por aí sozinha, porém. Estresse e depressão amiúde a acompanham. E esses três, quando juntos, fazem um bom estrago no organismo. Previna-se.

“O homem não se preocupa tanto com problemas reais quanto com suas ansiedades imaginadas sobre problemas reais”

– Epicteto
A ansiedade está na moda. O Brasil é o campeão mundial nesse quesito e o Forum Econômico Mundial acaba de declará-la um “risco econômico”, comparável, suponho, ao Trump e aos bancos de investimento.

Você é ansioso(a)?  A ponto de merecer tratamento médico? Difícil saber. Obviamente, é normal sentir ansiedade ocasional, mas se isso se transformar em medo excessivo e irracional diante de situações cotidianas, já caracteriza um  distúrbio mental real e sério, tanto quanto doenças cardíacas ou diabetes. (Ali incluídos, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de pânico e ataques de pânico, agorafobia, transtorno de ansiedade social, mutismo seletivo, ansiedade de separação e fobias específicas. Ufa! A Síndrome do Cólon Irritável, caracterizada por dor abdominal, cólicas, inchaço, constipação etc – e para a qual não há cura conhecida – também entra na lista.)

Enfim, tanto no Brasil como nos Estados Unidos, quase um quinto da população sofre de ansiedade em um determinado ano. No Grande País do Norte, apenas cerca de um terço dos que sofrem de um distúrbio de ansiedade recebem tratamento; no Brasil não consegui dados a respeito. Em todo mundo, a Organização Mundial de Saúde (OMS), relata que 1 em cada 13 indivíduos sofre de ansiedade.

A ansiedade é como areia movediça. Quanto mais você luta para sair dela, mais você se afunda.

A ansiedade sempre veio associada à depressão, porém últimamente a dor crônica incorporou-se ao grupo. Afinal, a sobreposição de ansiedade, depressão e dor é evidente em síndromes dolorosas crônicas e às vezes incapacitantes, como fibromialgia, síndrome do intestino irritável, lombalgia, cefaleia e neuropatia.

Até hoje, em muitos consultórios médicos, a relação entre dor, ansiedade e depressão é creditada a fatores psicológicos. Todavia, os avanços da neurociência mostram que essa Trilogia do Mal é mantida por alguns mecanismos biológicos compartilhados – isto é, envolvendo os sistemas nervoso, imunológico, etc

O que torna a coisa mais complicada para os médicos porque devem tratar a ansiedade como uma doença, mas não sabem como lidar com os aspectos psicossociais da mesma – os quais, por sinal, estão embrenhados junto com os fisiológicos num todo só.

Essa é outra história, porém. A questão central aqui é: qual a relação da dor crônica com a ansiedade?

Embora a ansiedade, na categoria de síndrome, pode ter muitas causas, a dor crônica participa também como causa e consequência dela. Muitos distúrbios de dor crônica, como artrite, fibromialgia, enxaqueca, e dor nas costas são comuns em pessoas com transtornos de ansiedade. A dor pode até ser um bom indicador do chamado transtorno de ansiedade generalizada.

A ansiedade pode ser tratada com medicamentos. Certamente. Contudo, as pessoas muito ansiosas podem ser mais sensíveis aos efeitos colaterais destes ou ter mais medo desses efeitos, além de temer sentir dor mais do que pessoas normais. E se elas também sofrerem de dor crônica, a sua tolerância à dor pode ser menor.

Controlar a dor crônica, nesses casos, é o melhor tratamento possível para a ansiedade. (Isso tem a ver com Terapia Cognitiva Comportamental, hipnose, exercícios de relaxamento e físicos). Assim como, inversamente, reduzir a ansiedade pode aliviar a dor crônica.

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