Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

“Dor crônica de alto impacto”: uma distinção necessária

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A dor crônica tem um grande impacto nos pacientes, nos sistemas de saúde e na economia. Mas a forma como a dor crônica é normalmente definida – por quanto tempo dura – fornece poucas informações sobre as pessoas que sofrem desse mal, o grau em que são afetadas e a melhor forma de tratá-las. Por incrível que pareça, até agora a medicina clínica não usa protocolos de atendimento primário e/ou tratamento distinguindo entre pacientes com muita ou pouca dor persistente, embora isso pareça óbvio. Até porque essa distinção recém começa a ser feita, como indicado nesse post.

“Essa dor se move quando você se move; ela murmura entre cada respiração; ela rasga. Você acha que nada pode ser mais horrível do que isso. Até você descobrir que o poço não tem fundo. Sempre há mais.”

Ilsa J. Bick

Um estudo populacional recente agora caracteriza pessoas que têm dor crônica de “alto impacto”, que leva em consideração não apenas a dor, mas também a “deficiência” decorrente da dor – entendendo por “deficiência” empecilhos para realizar atividades habituais, se locomover normalmente etc.

O relatório, publicado na edição de fevereiro de 2019 do Journal of Pain, mostrou que os portadores de dor crônica de alto impacto são um número considerável: dentre os 40 milhões de americanos – ou 18,4% da população adulta – que sofrem de dor crônica, cerca de um quarto delas – 10,6 milhões de pessoas – sofre de dor crônica de alto impacto; ou cerca de 5% da população adulta nos EUA. 

Porém, mais precisamente, o que é “dor crônica de alto impacto”?

Resposta: uma dor que dura 3 meses ou mais e é acompanhada por pelo menos uma restrição importante de atividades, como não poder trabalhar fora de casa, ir à escola ou fazer tarefas domésticas.

Pacientes com essa condição relatam:

  • dor mais intensa,
  • mais problemas de saúde mental e deficiências cognitivas,
  • mais dificuldade de cuidar de si mesmas, e
  • maior uso de cuidados de saúde do que aquelas que têm dor crônica sem essas restrições de atividade.

Em 2016, cerca de 83% dos adultos americanos com dor crônica de alto impacto não conseguiam trabalhar e um terço tinha dificuldade para realizar atividades de autocuidado, como lavar-se e vestir-se. Eles também apresentaram níveis mais elevados de ansiedade, depressão, fadiga e dificuldade cognitiva e relataram dor mais intensa, piora de saúde e maior uso de serviços de saúde. Aliás, foi justamente o peso relativo desses fatores psicológicos que levou os pesquisadores a criar a categoria diferenciada de “dor crônica de alto impacto”. Essa condição tem sido associada a várias condições físicas e mentais.1

“Ao diferenciar aqueles com dor crônica de alto impacto, uma condição que está associada a níveis mais altos de ansiedade, depressão, fadiga e dificuldade cognitiva, esperamos melhorar a pesquisa clínica e a prática”, disse M. Catherine Bushnell, Ph.D., diretora científica no National Center for Complementary and Integrative Health (NCCIH), co-autora da pesquisa no Journal of Pain.

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A ilustração mostra que a prevalência de dor crônica e de alto impacto aumenta progressivamente com a idade. A prevalência de dor crônica aumentou de forma constante para as faixas etárias de 18 a 24 anos, 25 a 44 anos e 45 a 64 anos, depois estabilizou em pessoas de 65 a 84 anos antes de aumentar naqueles com idade ≥85 anos. A prevalência de dor de alto impacto segue um caminho semelhante. As mulheres experimentaram mais dor crônica (20,8%) e dor crônica de alto impacto (8,2%) do que os homens (17,8% e 6,7%, respectivamente).

E daí?

“Pessoas com dor de alto impacto realmente precisam de um nível mais abrangente de tratamento da dor, não apenas uma simples intervenção. Isso significa mudanças no estilo de vida, talvez fisioterapia, terapia cognitivo-comportamental – todo um quadro de cuidados integrados.”

Linda Porter, co-autora do estudo

“É claro que nem sempre elas poder ter acesso”, acrescentou ela, porque as barreiras aos tratamentos multidisciplinares permanecem altas. Mas ao menos saber que nem todos os portadores de dor crônica são iguais, e que os com dor de alto impacto precisam de cuidados mais abrangentes, é um bom passo em direção ao objetivo de fornecê-los.2

Tudo indica que pacientes com dor crônica de alto impacto precisam de um olhar médico diferenciado. Eles têm maior deficiência e mais comorbidades – o que recomenda tratamento intensivo e direcionado.

Baseado no artigo “Comparação de dor crônica e dor crônica de alto impacto”, por Somnath Pal, BS (Pharm), MBA, Professor, PhD em Pharmacy Administration College of Pharmacy & Health Sciences, St. John’s University, Nova York, US Pharm. 2019; 44 (3): 12.

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