Coronavirus - by dorcronica.blog.br

Covid 19 – O glossário (para você não passar vergonha)

Covid 19 – O glossário

Uma condição para sobreviver no meio de um jogo de vida ou morte é entender suas regras, termos e conceitos. E mais ainda, entender como essas coisas se relacionam dinamicamente. O coronavírus é um inimigo que veio para ficar por um bom tempo e convém conhecê-lo para melhor combatê-lo. Cientistas, médicos e psiquiatras inundam o noticiário tentando nos explicar a situação, porém muitos deles – os infectologistas e epidemiologistas, principalmente – recorrem a um jargão profissional que amiúde escurece o discurso. Este artigo há de facilitar a compreensão do que dizem ao definir 25 termos “técnicos” dos mais usados em relação ao coronavírus, e a doença que provoca, o Covid 19.

“Palavras – tão inocentes e impotentes como são, em pé no dicionário, quão potentes para o bem e o mal se tornam nas mãos de quem sabe combiná-las.”

– Nathaniel Hawthorne

Curva de infestação

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

Pico epidêmico é o ápice da curva de infestação, e comumente é dado quando o cumulativo de novos infectados para de crescer.

O seu cálculo matemático, todavia, é muito mais complicado. Esse pico está relacionado não apenas ao tamanho das populações locais, mas também ao número de reprodução da doença, que informa o número médio de casos secundários que são esperados de um caso inicial em uma população suscetível.

O pico epidêmico é calculado a partir dos seguintes fatores:

  • População total do local analisado
  • Número de casos confirmados até aquele momento
  • Média de novos casos diários
  • Total de pessoas que se encaixam em grupos de risco
  • Total de pessoas que podem ser expostas ao vírus
  • Total de pessoas que podem transmitir o vírus
  • Total de pessoas que são imunes ao vírus
  • Total de pessoas que foram infectadas, mas se recuperaram até aquele momento
  • Tempo entre a infecção e o aparecimento dos primeiros sintomas
  • Tempo no qual o infectado consegue transmitir o vírus para outras pessoas

Todas essas variáveis são relacionadas em um modelo matemático cujo resultado permite que os pesquisadores saibam como a curva de novos casos deve se comportar ao longo do tempo.1

Termos:

Suscetibilidade Indica se um indivíduo pode ser infectado ou não. Ele não é suscetível se tomou vacina ou adquiriu imunidade através de infecção prévia.
Suscetíveis Indivíduos que ainda não tiveram contato com o vírus. Podem se tornar infectados, se em contato com outras pessoas infectadas.
Expostos O indivíduo está infectado, porém ainda não é capaz de infectar outros Suscetíveis. Pode até ocorrer no período pré-sintomático.
Infecciosos Após o período de latência, os Expostos se tornam infecciosos.
Recuperados Pessoas que não podem mais ser infectadas, ou por já terem pego o vírus e se tornado imunes, ou por ter se vacinado.
Intervenção Social Intermitente Adaptativa Períodos de redução de contágio são intercalados com períodos de atividade normal. O início e o fim dos períodos de restrição são determinados pelo número de casos.
Taxa de isolamento Porcentagem da população isolada ou em quarentena, medida pela geolocalização de smartphones monitorados pelas operadoras de telefonia. No estado de São Paulo o sistema é atualizado diariamente e inclui informações de municípios com população maior que 30 mil habitantes. Hoje está em 47%, a meta sendo 70%.
Transmissão potencialmente pré-sintomática Transmissão nos primeiros 3-5 dias da doença ou – transmissão do vírus antes do aparecimento dos sintomas.

Parâmetros: Os parâmetros que regem a dinâmica viral são:

Período de latência Período médio até que uma pessoa exposta se torne infecciosa. Valores comuns para Covid-19 na literatura variam entre 3 a 5 dias.
Período de incubação O tempo entre infecção e início dos sintomas. Estimado em 5-6 dias (variando de 0 a 14 dias).
Período infeccioso Período médio durante o qual uma pessoa permanece infecciosa.
Intervalo serial O tempo entre o início dos sintomas no paciente primário (infectador) e o início dos sintomas em quem recebe a infecção (o infectado). Dito de outra forma, o tempo médio entre o momento em que uma pessoa é infectada e o momento em que a pessoa que a infectou foi infectada.

O intervalo serial corresponde à soma do período de latência e o período infeccioso. Esse valor pode ser estimado independentemente, acompanhando casos individuais da doença. As primeiras estimativas colocavam o intervalo serial entre 7-8 dias (valores próximos ao SARS), entretanto estudos mais recentes variam de 4,4 a 7,5 dias.

A determinação do intervalo serial é importante no cálculo do número reprodutivo (R0).

Número reprodutivo (R0) ou Taxa reprodutiva básica (R0) O número de infecções secundárias geradas a partir de um indivíduo infectado ou, dito de outra forma, o número esperado de pessoas que um Infeccioso vai infectar durante o curso de sua doença, numa população inteira de suscetíveis. Ele é compreendido entre 2 e 2,5 para o vírus Covid-19, superior ao da gripe, entretanto estimativas mais recentes apontam valores mais altos.

Na China, o intervalo serial médio foi calculado em 3,96 dias, consideravelmente menor que o intervalo serial médio calculado para SARS (8,4 dias) ou MERS (14,6 dias). Usando esses números, o R0 calculado é 1,32, abaixo das estimativas anteriores.

Taxa de infecção exponencial O crescimento exponencial se caracteriza por um constante aumento percentual por período de tempo. Os juros de uma dívida, por exemplo, crescem exponencialmente, uma vez que a quantidade a ser cobrada a mais na próxima parcela depende não só da quantidade inicial, mas da parcela anterior a qual os juros já foram previamente aplicados. Uma infecção cresce exponencialmente quando um infectado infecta 3 suscetíveis, os que, uma vez infectados, infectam outros 9 suscetíveis e assim por diante.
Taxa de mortalidade
(ou Case Fatality Rate CFR)
Porcentagem de mortes causadas por uma doença em comparação com o número total de pessoas confirmadas com a doença (CFR) em um ponto no tempo. Na China, o CFR confirmado, conforme relatado pelo Centro Chinês de Controle de Doenças e Prevenção, é de 2,3%.

Teoricamente, para o Brasil, um país com uma população mais jovem que a europeia, a taxa de letalidade esperada (CFR de base) seria de 1,3%. No mês de abril, o país registrou 43 mil casos de coronavírus e 2,7 mil mortes. Taxa de letalidade: 6,4%.

Taxa de mortalidade de infecções (IFR) Proporção de todos os infectados que morrem.

A diferença entre taxa de mortalidade de casos (CFR) e taxa de mortalidade de infecções (IFR).

CFR é a razão entre o número de mortes dividido pelo número de casos confirmados (de preferência por testes de ácidos nucleicos) da doença. IFR é a proporção de mortes dividida pelo número de infecções reais por SARS-CoV-2. Como o teste de ácido nucleico é limitado e atualmente disponível principalmente para pessoas com indicações e fatores de risco significativos para a doença da Covid-19, e porque um grande número de infecções por SARS-CoV-2 resulta em doença leve ou mesmo assintomática, a IFR é provável ser significativamente menor que o CFR. Atualmente, o Centro de Medicina Baseada em Evidências (CEBM) da Universidade de Oxford estima globalmente o CFR em 0,51%, com todas as ressalvas relacionadas a ele. O CEBM estima o IFR em 0,1% a 0,26%, com ainda mais ressalvas relacionadas a ele.2

Taxa de mortalidade hospitalar padronizada Compara o número observado de mortes em um hospital com o número que teria sido esperado, com base nos tipos de pacientes no hospital. Por exemplo, seria inesperado se um paciente de 60 anos de idade, saudável, morresse após uma cirurgia do quadril, em comparação a um paciente de 93 anos, com comorbidades, que morresse após a mesma cirurgia.
Taxa de mortalidade esperada ponderada pelo risco Taxa de mortalidade que seria esperada levando em conta os fatores de risco dos pacientes internados. É utilizado um grande grupo de pacientes com diagnósticos e fatores de risco semelhantes para calcular qual seria a taxa de mortalidade esperada, para esse grupo de pacientes.
Imunidade de rebanho Conceito epidemiológico que descreve o estado em que uma população – geralmente de pessoas – é suficientemente imune a uma doença ao ponto de a infecção não mais se espalhar dentro desse grupo. A partir do momento que um certo número (suficiente) de pessoas não pode mais contrair a doença – as que alcançaram imunidade através de vacinação ou imunidade natural – as pessoas restantes, as vulneráveis, ficam protegidas.
Transmissibilidade É a disseminação de pessoa para pessoa, no caso do novo coronavírus é a contaminação por gotículas respiratórias ou contato. A disseminação de pessoa para pessoa pode ocorrer de forma continuada, e com maior ou menor facilidade e intensidade, dependendo do tipo de vírus. A transmissibilidade do novo coronavírus é a maior na família dos coronavírus.

Os indicadores da transmissibilidade são: taxa de ataque de sintomático em diferentes cenários; R0 (número reprodutivo básico); e o pico de percentual de consultas de síndrome gripal em prontos socorros.3

Taxa de Ataque Termo frequentemente utilizado, ao invés de incidência, durante uma epidemia de doença em uma população bem definida em um curto período. A taxa de ataque pode ser calculada como o número de pessoas afetadas dividido pelo número de pessoas expostas.
Transmissão local São casos de pessoas que se infectaram com Covid-19, não estiveram em nenhum país com registro da doença, mas tiveram contato com outro paciente infectado, que trouxe o vírus de fora do país.
Transmissão sustentada ou comunitária São casos de transmissão do vírus entre a população – um paciente infectado que não esteve nos países com registro da doença transmite a doença para outra pessoa, que também não viajou.
Gravidade clínica Ela depende de taxa de letalidade; proporção de casos hospitalizados entre os atendidos (proporção de hospitalização); e taxa de mortalidade hospitalar.
LEMBRE-SE: use máscara
Cadastre-se E receba nosso newsletter

Veja outros posts relacionados…

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

CONHEÇA FIBRODOR, UM SITE EXCLUSIVO SOBRE FIBROMIALGIA
CLIQUE AQUI