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Covid-19 pelo mundo afora: 11-09-21

Covid-19 pelo mundo afora: 11-09-21

Nessa semana o boletim resolveu ser mais opinativo em relação ao combate à pandemia da Covid-19, especialmente no Brasil. Existem certos aspectos éticos referentes a vacinação dos idosos em São Paulo que merecem atenção.

Finalmente alguém gritou: “Olha aí, o rei está nu!

Eu suponho que você conhece o lance, pertencente a um conto de Hans Christian Andersen. O de um rei que resolveu sair à rua pelado e foi desfrutando dos elogios que todos seus ministros, assessores comissionados e súditos faziam às suas vestes! Até que alguém, uma criança me parece, disse o que ninguém antes se atreveu a dizer. Peladão, peladão…

Bem, a estória se aplica à saga da Coronavac. Eu mesmo, em várias oportunidades apontei que os ensaios clínicos dessa vacina nunca provaram que ela fosse eficaz em idosos. Nunca. Na primeira apresentação à ANVISA, a agência cobrou isso e deu ao Butantan 30 dias de prazo para esclarecer o assunto. (Não me olhe assim. Eu tenho isso, anotadinho.) A ANVISA depois acabou autorizando a Coronavac e “daquilo” nunca mais se ouviu falar. Não, não estou vendo fantasmas, nem sou negacionista, nada disso. Apenas lido com fatos. Posteriormente, ao mesmo tempo que a vacina da Pfizer-BioNTech virava progressivamente o “padrão-ouro” das vacinas anti-Covid, as reclamações em relação a Coronavac se avolumaram na Indonésia, no Chile e no Uruguai, países onde ela serviu para começar as campanhas de vacinação. (Anotadinho, também.) Por aqui, ninguém na mídia deu um pio. Politicamente incorreto, my friend.

Um parêntese. Nessa manhã, com o boletim já pronto para ser publicado, assisti a uma entrevista do João Gabbardo, coordenador-executivo do Comitê Científico de São Paulo, onde ele rebateu a decisão do Ministério da Saúde quanto a usar uma vacina de reforço da Pfizer para os idosos que já tomaram a Coronavac. Segundo ele, ao contrário do que recomendou a pasta, o estado de SP vai usar a Coronavac como opção prioritária para a dose adicional. Haveria razões científicas para isso. O entrevistador quis saber o que teria então levado o Chile e o Uruguai a recorrer à vacina da Pfizer como terceira dose, mesmo tendo vacinado boa parte da população com a Coronavac/Sinovac. Gabbardo respondeu que a razão teria sido meramente circunstancial: ambos os países dispunham de Pfizer e não de Coronavac.

Para evitar dizer que isso é mentira, eu prefiro qualificá-lo de “não verdade”. Eu visito diariamente uma dúzia de sites pertencentes aos maiores jornais de vários países. Religiosamente. Na América do Sul, eles são os El Clarín/Argentina, El Mercúrio/Chile e El País/Uruguai.  É dessas fontes que saem as matérias que, quando relevantes, eu posto nesse boletim. Quem o acompanha, sabe disso. Pois bem, a discussão em torno da comparação Coronavac versus Pfizer começou há 4 meses no Chile e no Uruguai por um motivo só: ambos os países vacinavam mais do que a maioria do resto do mundo (exceto Israel) e, no entanto, falhavam em conter a pandemia. Aquilo foi ficando cada vez mais patente, caiu na boca do povo e a suspeita coletiva fez o resto. Mesmo a Sinovac/Coronavac sendo apadrinhada cientificamente pela Universidade Católica, aliada histórica dos governos conservadores no Chile, esta teve que aceitar que a vacina da Pfizer fosse “privilegiada” pelo Minsal (Ministério da Salud).

O fato é que a Coronavac é uma boa vacina, comparada com a vacina da gripe, mas não em relação a todas as outras que combatem a Covid-19. Agora isso foi percebido por muitos, por aqui. Não adianta o Governo de São Paulo sujar sua biografia pandêmica, alegando que “vacina boa é vacina no braço” e empurrar ela goela abaixo dos que têm mais de 90 anos. Do ponto de vista coletivo, ela é. Mas do ponto de vista de Pedro, Maria ou Epaminondas, tomados separadamente, não é mais. Nunca é bom brigar com a realidade.

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Somos nós

Um texto que li no site The Scientist chamou a minha atenção e decidi compartilhá-lo com você. Talvez por eu ter batido na mesma tecla inúmeras vezes: a de que o problema nunca foi, e nunca será, o vírus, mas nós.

O fato de que essa cepa recém-surgida de SARS-CoV-2 – a variante Delta – é mais bem-sucedida em sobreviver e se espalhar não é surpreendente; os vírus, como outras entidades biológicas, são construídos para persistir. Mas o que torna mais fácil para eles escapar de nossos esforços de erradicação é a NOSSA inconsistência. Hesitação vacinal, distribuição desigual de vacina ou sentimento anti-vacinal; crenças mal informadas de que a pandemia é uma farsa ou exagerada; e grande parte da população que se recusa a usar máscaras faciais conspira para dar ao vírus uma ampla base para se espalhar, se replicar e sofrer mutações.

“Negação, pânico, ameaças, raiva – essas são respostas muito humanas ao sentimento de culpa.”

Joshua Oppenheimer

Reconhecimento. Chega tarde, mas às vezes até que chega.

Entre os ganhadores do prêmio Breakthrough de US$ 3 milhões deste ano, está a bioquímica Katalin Karikó, que junto com o colega Drew Weissman, descobriram como contrabandear material genético chamado RNA mensageiro para dentro das células, levando ao desenvolvimento de uma nova classe de vacina: a da Pfizer-BioNTech e da Moderna. Karikó relembra o ceticismo em torno de seu trabalho na década de 1990, que levou a inúmeras propostas de financiamento e rejeições (incluindo o trabalho de 2005 pelo qual ela está sendo reconhecida), e a forçou a um rebaixamento e um corte de pagamento. Que tal?

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Pois é: MU não é apenas coisa de vaca entediada

Uma variante do coronavírus recentemente determinada como uma “variante de interesse” foi detectada em 167 pessoas durante o verão no condado de Los Angeles, disseram as autoridades. A variante agora conhecida como Mu foi detectada principalmente em julho, de acordo com análises concluídas entre 19 de junho e 21 de agosto, disse o Departamento de Saúde Pública. Nomeado após a 12ª letra do alfabeto grego, Mu foi declarada pela Organização Mundial da Saúde como uma “variante de interesse” em 30 de agosto e foi identificada pela primeira vez em janeiro na Colômbia, disse o departamento. Mu, também conhecida como B.1.621, já foi relatada em 39 países.

A variante Mu tem uma constelação de mutações que indicam propriedades potenciais de escape imunológico“, disse o boletim. Ressaltou que mais estudos são necessários para melhor compreendê-la. “Embora a prevalência global de Mu seja baixa, a nova cepa está ganhando terreno na América do Sul“, disse a OMS. “Embora a prevalência global da variante Mu entre os casos sequenciados tenha diminuído e atualmente esteja abaixo de 0,1%, a prevalência na Colômbia (39%) e no Equador (13%) aumentou consistentemente.

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Fatores de risco para pegar a Covid Longa: as evidências estão aparecendo

Com os dados apenas começando a entrar, é difícil prever quem vai pegar a Covid Longa. O grupo PHOSP-COVID, um consórcio de pesquisadores e médicos britânicos, em um preprint recente que analisou cerca de 1.000 pacientes, descobriu que sexo feminino e infecções agudas graves foram fatores de risco para um período de recuperação mais longo. Embora a Covid-19 em si tenha impactos diferentes em pessoas de diferentes etnias e raças, não é certo se o mesmo se aplica à Covid Longa.

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Saúde mental e risco de mortalidade

Os transtornos de saúde mental estão associados ao aumento da mortalidade relacionada à Covid-19, de acordo com uma revisão publicada na JAMA Psychiatry. Com base em 16 estudos identificados (19.086 pacientes com transtornos mentais de sete países), os pesquisadores descobriram que a mortalidade da Covid-19 estava associada a um risco aumentado entre pacientes com transtornos mentais em comparação com pacientes sem transtornos mentais.

Xô, ivermectina!

Nas sessões da Comissão Parlamentar de Inquérito, um certo senador gaúcho se destaca, entre outras coisas, pela sua insistência canina em defender o tratamento precoce da Covid-19, via cloroquina e ivermectina. (As outras coisas são ignorância, ignorância, ignorância…)

A ivermectina, uma droga usada para tratar infecções parasitárias em humanos e também em alguns animais, nos primórdios da pandemia foi cogitada para prevenir a morte de pacientes com Covid-19. Uma nova revisão das publicações científicas, porém, mostra que definitivamente não há evidências de “qualidade” suficientes para apoiar tais alegações. Cientistas da Liverpool School of Tropical Medicine (LSTM) usaram dados de 13 estudos abrangendo 1.374 pacientes com Covid-19 tratados com ivermectina.

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Quando os pacientes com Covid-19 são mais infecciosos?

A resposta? Dois dias antes e três dias depois de desenvolverem os sintomas.

Pesquisadores também descobriram que as pessoas infectadas têm maior probabilidade de ser assintomáticas se contraírem o vírus de um caso primário (a primeira pessoa infectada em um surto) que também era assintomática.

Foram analisados dados de cerca de 9.000 contatos próximos de casos primários na província de Zhejiang, na China, de janeiro de 2020 a agosto de 2020. Isso antes do advento da variante Delta ainda mais contagiosa. Contatos próximos incluíam pessoas que viviam na mesma casa ou que jantavam juntas, colegas de trabalho, pessoas em ambientes hospitalares e passageiros em veículos compartilhados. Eles foram monitorados por pelo menos 90 dias após seus resultados de teste Covid-19 positivos iniciais.

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Ainda bem que eu não vou estar por perto para ver isso

Outra pandemia na escala da Covid-19 deve ocorrer dentro de 60 anos, alertam pesquisadores da Duke University. A equipe afirma que o número de novas doenças que se propagam aos humanos pode aumentar três vezes nas próximas décadas. Cientistas alertam que, embora a pandemia de Covid-19 possa ser o surto de vírus mais mortal desde a gripe espanhola, há mais de um século, é provável que não seja o último. Para as pessoas nascidas no ano 2000, as chances de sobreviver a outra pandemia são de cerca de 38%. Seguindo em frente, há 2% de chance de que outra pandemia do tipo Covid aconteça em qualquer ano. As descobertas vêm da revisão de 400 anos de dados.

A Covid-19 e os tais coágulos sanguíneos

Um estudo da Universidade de San Diego, Califórnia, afirma ter provas de que a Covid-19 não é uma doença respiratória, mas vascular. Isso pode explicar os coágulos sanguíneos em alguns pacientes e outros problemas como “pés Covid”, que não são sintomas clássicos de uma doença respiratória. O estudo, publicado na revista Circulation Research, mostra com precisão como o vírus danifica as células do sistema vascular.

Um novo estudo revelou que o risco de coágulos sanguíneos das vacinas anti-Covid é “muito menor” do que os riscos de se infectar com a Covid-19. O estudo do British Medical Journal (BMJ) analisou dados de mais de 30 milhões de pessoas, descobrindo que os riscos de eventos raros de coagulação do sangue eram “substancialmente maiores e mais prolongados após a infecção por SARS-CoV-2 do que após a vacinação na mesma população”. Mais de 29 milhões de pessoas no estudo foram vacinadas com as primeiras doses, 19,6 milhões com AstraZeneca e 9,5 milhões com Pfizer, enquanto 1,7 milhões de pessoas com teste positivo para Covid também foram examinadas.

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Até tu, Brutus!

Covax, o programa global para distribuir vacinas Covid, reduz em um quarto sua previsão de 2021 para as doses disponíveis.

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A Sputnik V mal na foto

A Eslováquia encerrou oficialmente o uso da vacina russa Sputnik V contra o coronavírus após a administração das últimas doses. Os últimos seis cidadãos que optaram pela injeção receberam suas segundas doses na terça-feira, disse o Ministério da Saúde da Eslováquia. No total, menos de 19 mil pessoas foram vacinadas com a Sputnik V. A Eslováquia comprou secretamente 200.000 doses da Sputnik V em março, tornando-se apenas o segundo estado-membro da União Europeia a fazê-lo depois da Hungria. A vacina não havia sido aprovada pela Agência Europeia de Medicamentos e não estava autorizada para uso no bloco. Apesar de sua disponibilidade, a demanda pública pela Sputnik V permaneceu baixa na Eslováquia e a Rússia comprou de volta 160.000 doses não utilizadas em julho.

Moderna, cadê você?

A Moderna Inc. anunciou na quinta-feira que a potência de sua vacina não diminui nos primeiros seis meses após a segunda dose. Os dados provêm de um ensaio clínico em andamento, que começou no final de julho de 2020 e recrutou 30.000 voluntários. Em novembro passado, a empresa anunciou que a vacina tinha uma eficácia impressionante de 94,1%, relatou o The New York Times. Essa eficácia não caiu muito depois de seis meses, disse a empresa.

A Covid pelo mundo afora

Os países que experimentam os maiores surtos agora incluem Botswana, Cuba, Israel, Irã, Malásia e Estados Unidos.

País Notícia
Vietnã Vietnã O Vietnã estendeu suas restrições por mais 2 semanas, após um aumento nos casos de Covid-19 causados pela rápida disseminação da variante Delta no país. As autoridades também aumentarão os testes de Covid-19 nas áreas de maior risco da capital, Hanói.
Dinamarca Dinamarca As autoridades dinamarquesas foram as primeiras na Europa a introduzir um passe de saúde Covid – atestando que o titular foi vacinado, recentemente teve resultado negativo ou se recuperou da doença – que foi lançado em abril como uma forma de reabrir lentamente a economia nos meses de confinamento. A partir de 10 de setembro, também não será mais necessário para acessar boates – que reabrem na quarta-feira – e grandes eventos. “A epidemia está sob controle, temos taxas recordes de vacinação. Portanto, em 10 de setembro podemos retirar algumas das regras especiais que tivemos que introduzir na luta contra a Covid-19”, disse o ministro da Saúde, Magnus Heunicke.
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