Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

Covid 19: os que se recuperam “pero no mucho”

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A medicina ainda ignora a resposta dos humanos à Covid-19. Por que pacientes mais velhos permanecem assintomáticos e por que outros mais jovens e saudáveis experimentam fadiga meses após a infecção, por exemplo? A medicina logo terá de se preocupar com isso porque o volume desses últimos – os chamados “long-haulers”, gente que depois da “recuperação” experimenta uma série de sintomas às vezes graves por muito tempo – aumenta a cada dia. Esse post descreve o que eles sentem e pensam. Você pode ser mais um amanhã.

“E não pretendo que a recuperação abra os Portões Do Céu e me deixe entrar. Me contento com que abra os Portões Do Inferno e me deixe sair!”

Anônimo

É cada vez mais evidente que muitos pacientes que se recuperaram da fase aguda da infecção por SARS-CoV-2 apresentam sintomas persistentes. Isso inclui transtornos mentais, distúrbios do sono, intolerância ao exercício e sintomas autonômicos.

Nota do blog: Sintomas autonômicos frequentemente aparecem nos quadros de ansiedade (simples, pânico, fobias…) como uma sensação desagradável de apreensão, acompanhada por sudorese, tremores, náuseas, taquicardia, agitação psicomotora, vômitos, palpitações, desconforto abdominal, diarreia, tonturas, falta-de-ar etc.

A lista de sequelas pós-Covid-19, enfim, hoje é longa e cresce a cada dia, desde desregulação da temperatura e inchaço súbito de gânglios (linfadenopatia) à perda de cabelo. Elas acompanham em maior número e intensidade, pacientes que sobreviveram à ventilação no hospital, mas também aos que se “recuperaram” em casa.

Todos são “long haulers” ou “viajantes de longa distância.” Um grupo crescente de pessoas que teve Covid-19 e nunca se recuperou totalmente.1

“Entre as muitas coisas que ninguém sabe sobre a doença que tem revirado nossas vidas está a duração de seus efeitos. Não me refiro apenas à possibilidade de danos do coronavírus espreitando invisivelmente no coração, pulmões ou cérebro. Refiro-me à pergunta mais simples sobre o que e quanto tempo leva para uma porcentagem incerta dos doentes realmente se sentir melhor.”

Ed Yong, The Atlantic

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) nos Estados Unidos reconheceram que os “long-haulers” ficam doentes por meses, em vez das duas ou três semanas que deveriam ser a norma. Eles não têm apenas tosse persistente: em vez disso, sua doença é uma experiência sistêmica, contínua, com névoa cerebral, dor nos órgãos internos, problemas intestinais, tremores, febre recorrente, fadiga, tosse etc.2

Até um terço dos pacientes que nunca estiveram doentes o suficiente para serem hospitalizados não voltaram à sua saúde normal até três semanas após o diagnóstico. A Covid-19 pode resultar em doença prolongada mesmo entre pessoas com doenças ambulatoriais mais leves, incluindo adultos jovens, concluiu o relatório do CDC.

Surpreendentemente, o fato de serem reconhecidos pelo CDC, agência do governo responsável pela saúde dos americanos, é uma boa notícia para os “long-haulers“.

“Este relatório é fundamental para todos nós que temos lutado com o medo do desconhecido, falta de reconhecimento e, muitas vezes, falta de fé e de cuidados adequados por parte dos profissionais médicos durante nossa prolongada recuperação da Covid-19”, disse uma das “long-haulers”, no dia 129 de sua recuperação.3

“140 dias depois, estou com dificuldade para respirar, porém nenhum médico vai me levar a sério, pois fui diagnosticada com um teste RT-PCR negativo”, disse outra.

Muitos dos “long-haulers”, aliás, são profissionais de saúde que tiveram uma exposição maciça ao vírus no início da pandemia e descrevem ainda portar sintomas após 100 dias.

E quais são as características dos “long-haulers”?

  • A maioria tinha boa saúde antes de se infectar com o novo coronavírus.
  • Todos eles tiveram uma miríade de sintomas durante a fase aguda; no entanto, à medida que a febre e os sintomas respiratórios melhoraram, sintomas sistêmicos persistentes permaneceram.
  • Enquanto alguns foram admitidos no hospital devido a sintomas pulmonares, a maioria ficou isolada em casa.
  • Muitos desses sintomas se sobrepõem aos de pacientes com encefalomielite miálgica / síndrome de fadiga crônica (ME/CFS). A causa da ME/CFS permanece desconhecida, apesar de décadas de pesquisa da síndrome.
  • Muitos desses pacientes também relatam uma infecção viral, mas é impossível saber o que pode ter desencadeado os sintomas. 

Sintomas da Covid-19 de longo curso

  • Insônia ou despertares frequentes
  • Incapacidade de concentração
  • Incapacidade de pensar claramente
  • Fácil “fadigabilidade” apesar da função pulmonar normal
  • Anorexia ou aumento do apetite
  • Desregulação da temperatura
  • Linfadenopatia
  • Disautonomia


Atualmente, não está claro se esses pacientes podem apresentar anormalidades endócrinas, mas certamente com a Covid-19 foram relatadas disfunção hipotalâmica/hipofisária e insuficiência adrenal.4

Ainda não se sabe se há condições pre-mórbidas ou medicamentos que possam contribuir para esses sintomas.

Sintomas autonômicos na Covid-19 de longo curso

  • Taquicardia após exercícios leves
  • Suor noturno
  • Gastroparesia
  • Constipação
  • Vasoconstrição periférica

Os potenciais mecanismos fisiopatológicos são incertos. Existem evidências de ativação generalizada das células da glia que podem estar relacionadas à disfunção metabólica ou à ativação imune maciça na periferia. Outras possibilidades são respostas imunes específicas direcionadas contra regiões específicas do cérebro e sistema nervoso autônomo.

Pelo visto, a medicina ainda ignora a resposta dos humanos à Covid-19. Por que alguns pacientes mais velhos permanecem assintomáticos e por que alguns pacientes mais jovens e saudáveis experimentam fadiga meses após a infecção? Isso talvez tenha a ver com o sistema imunológico – provavelmente com como ele reage à infecção inicial. Ou com a muito falada “tempestade de citocinas”, uma superprodução de células imunológicas que pode resultar em inflamação pulmonar, acúmulo de fluído e pneumonia. Ainda assim, não está claro por que isso acontece com certos pacientes e não com outros.

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3 respostas

    1. Iêda, espero que você esteja se sentindo melhor. Pelo que eu sei é normal, dentro da anormalidade que é uma doença como a Covid-19. Calma, paciência e a medicação certa para controlar sintomas colaterais é o único a fazer. Dar tempo ao tempo.

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