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Coronavac: efetividade no mundo real

Coronavac: efetividade no mundo real

A comparação das vacinas Covid-19 em termos de performance está chegando. Ela é inevitável. Agora sequer cabe falar em eficácia, uma vez que todas as imunizantes cogitadas pelo Ministério da Saúde já estão na fase 4, ou seja, sendo aplicadas para valer a milhões de pessoas em dezenas de países. A utilidade de comparações teóricas, portanto, é zero. Agora começam as comparações em termos de efetividade, que é o desempenho de uma vacina no mundo real. E eu receio que, em chegando mais vacinas ao país e passada a atual volúpia no sentido de “se vacinar com qualquer vacina”, muitos irão perceber o óbvio: todas as vacinas juntas fazem bem para a coletividade, mas a vacina X protege mais do que a vacina Y. Então, por que eu eventualmente sou obrigado a aplicar esta última? E se for a CoronaVac?

“Eficiência é fazer certo as coisas; eficácia é fazer as coisas certas.”

Peter Drucker

“CoronaVac é efetiva contra a variante brasileira P1, indica estudo em Manaus. Pesquisa do grupo Vebra Covid-19 teve participação de mais de 67 mil profissionais de saúde de Manaus.”

“Estudo envolvendo mais de 20 mil profissionais de saúde do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) vacinados com a Coronavac constatou efetividade de 50,7% duas semanas após a aplicação da segunda dose, e de 73,8% a partir de cinco semanas depois de os profissionais terem sido imunizados.”

Certamente, uma boa notícia. Porém, há outras novidades sobre a CoronaVac que não podem passar desapercebidas. A mais recente vem do Chile.

O Chile tem rendido manchetes desde o começo do ano. Dois terços de uma população de 18 milhões já receberam a primeira dose, com a da Sinovac/CoronaVac cobrindo 93,7% das pessoas vacinadas. Um quarto da população já recebeu as duas doses. Paradoxalmente, no entanto, a pandemia por lá nunca foi mais letal. Boa parte do país, a capital Santiago inclusive, está em lockdown ou algo parecido.

Eis o pano de fundo para o relato a seguir, que antecipa um questionamento sobre as vacinas Covid-19 que já deveria estar sendo feito no Brasil, e que, mais dia, menos dia, certamente o será. Ele tem a ver com a efetividade de uma vacina – a Coronavac, no caso. A efetividade em si mesma e principalmente em comparação com as de outras vacinas que o Ministério da Saúde estaria negociando trazer ao país.

Lembremos que o termo “eficácia” se aplica à performance da vacina na fase 3 do ensaio clínico respectivo, limitado a um grupo de voluntários e num ambiente controlado, enquanto “efetividade” se refere à performance na fase 4, em que a aplicação é no mundo real, universal.

A CoronaVac e o estudo de efetividade

Cientistas da Universidade do Chile – equivalente a USP no Brasil, não se engane, está ranqueada entre as 150 melhores universidades do mundo – acabam de divulgar o Primeiro Estudo Nacional que avalia a eficácia do programa de vacinação do Governo contra infecções por Covid-19.

Para a Sinovac – o equivalente da CoronaVac – o estudo indicou uma efetividade geral de 54%, considerando pessoas com uma segunda dose completa (ou seja, mais de 14 dias após a inoculação). A proteção para quem tem apenas uma dose seria de 3%; para quem tem duas doses com menos de 14 dias, de 27,7%; e 56,5% de efetividade para aqueles que receberam a segunda dose há mais de 14 dias.

Determinou-se, também, que a Sinovac/CoronaVac evitou que as infecções fossem mais altas em 60% para o grupo maior ou igual a 80 anos; 80% entre 75 e 79 anos; e 60% entre 70 e 74 anos.

São dados preliminares, como também o são, aliás, os de Manaus.

A metodologia aplicada para o estudo também permitiu saber como teria sido o panorama de casos novos nas últimas semanas sem um programa de vacinação. Em outras palavras, quantas pessoas mais teriam sido infectadas se este programa de vacinação não existisse.

Se os dividirmos por grupos de idade, fica o seguinte:

Grupo etário maior ou igual a 80 anos (primeiro grupo vacinado no país): “Em um mundo sem vacinação no Chile, seria mais de 60% maior (contágio) do que realmente observamos, e teria continuado a aumentar se não fosse o programa de vacinação”, disse o líder dos pesquisadores da Universidade de Chile.
Faixa etária de 75 a 79 anos: “80% mais infecções, não tivesse havido a vacinação”.
Faixa etária entre 70 e 74 anos: “A diferença repete-se por volta dos 60%”.

Os desafios futuros: variantes e imunidade de rebanho

Embora a eficácia de 54% da Sinovac/CoronaVac seja semelhante aos estudos da fase 3 do Butantan em São Paulo, que rendeu pouco mais de 50%, duas hipóteses opostas procedem:

  1. Se existem muitas variantes do vírus hoje circulando no Chile, a vacina Sinovac/CoronaVac mantém a eficácia apontada nos estudos de fase 3 – maravilha!
  2. Se a circulação de novas variantes ainda é baixa, talvez seja por isso que esses resultados são observados – nesse caso, convém segurar o entusiasmo.

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Por enquanto, faltam dados para dizer qual das hipóteses é a correta.

O que levar para casa:

  • Ok, a CoronaVac acaba de ser tida como eficaz contra a variante P1 e isso é muito bom. Mas melhor seria confirmar por aqui se, no caso da primeira dose ela protege mesmo quase nada (3%), como demonstrado no Chile. Na prática, a Sinovac/CoronaVac oferece mesmo proteção, porém ela chega a ser relevante somente após duas semanas da segunda dose. Seria esse mais um poderoso motivo para comunicar aos que estão se vacinando que as medidas preventivas são absolutamente essenciais até 15 dias depois de aplicada a segunda dose.
  • Por mais que se diga que as várias vacinas Covid-19 não podem ser comparadas em termos de eficácia (fase 3), isso é na teoria. Na fase 4, a história é outra. Os resultados de estudos realizados nessa fase 4, em Israel e no Chile, provam que a Pfizer, por exemplo, é muito mais efetiva que a CoronaVac. Portanto, alcançar a imunidade de rebanho será um desafio maior (no Brasil) do que em países que estão aplicando massivamente essas vacinas (ex.: EUA, Israel). Curto e grosso: outros fatores constantes, fica o dobro mais difícil para o Brasil, contando com uma vacina cuja efetividade está por volta dos 50%, alcançar a imunidade de rebanho, comparando com um outro país que dispõe de vacinas que apresentem o dobro da taxa de efetividade.
  • A provisão de dados sobre a efetividade das vacinas Covid-19 é essencial para se concluir quais usar e com que intensidade e abrangência, com vistas a alcançar mais rapidamente a imunidade de rebanho num país. Eu não sei se estudos como o aqui comentado já estão sendo feitos no Brasil, mas o problema é que também ninguém sabe.

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