Consultório médico: um lugar onde quem espera, desespera

Consultório médico: um lugar onde quem espera, desespera

Nenhum médico gosta de correr atrás, e a maioria tenta respeitar os horários em atenção à vida ocupada dos pacientes. Mas mesmo com as melhores intenções, atrasos acontecem devido a circunstâncias imprevisíveis. Entender as razões comuns pelas quais seu médico fica atrasado, pode ajudar a lidar com o estresse da espera. Porém, também pode não ser suficiente. Veja aqui o que pacientes e médicos pensam sobre o tema dos atrasos nas consultas.

“Sou uma paciente e mereço ser tratada como tal. A quantidade de desrespeito recebida em consultórios médicos, hospitais e companhias de seguros de saúde, me surpreende. Para o sistema de saúde em geral, sinto que sou apenas um número em uma planilha.”

Tatiana Skomonski, paciente canadense

Se você for um profissional da saúde e soubesse que dois terços de seus pacientes (embora não falem) se ressentem de atrasos na consulta, você faria algo a respeito? Huuummm, talvez não. Afinal, atrasos são inevitáveis e os pacientes sabem disso, estão acostumados a esperar, é a vida etc. E se a metade deles estiver disposta a substituir você por outro médico por conta dos seus atrasos? Bem isso dá o que pensar, não dá? E se a “taxa de mortalidade” de seus pacientes fosse de 50% ao ano?

Opa! Isso já é encrenca. Significa que eu, o profissional, investi um bocado de tempo e dinheiro em mim e num consultório para um dia ganhar (bem) a vida com a venda dos meus serviços e… de cada dois compradores que eu atraio, um é perdido para a concorrência?

Ver a metade do faturamento potencial ir pelo ralo faria muito empresário do varejo perder o sono. Porém, e os médicos?

Nenhum médico gosta de correr atrás, e a maioria tenta respeitar os horários em atenção à vida ocupada dos pacientes. Mas mesmo com as melhores intenções, acabamos ficando para trás devido a circunstâncias imprevisíveis. Embora não seja uma desculpa, entender as razões comuns pelas quais seu médico fica atrasado pode ajudar a lidar com o estresse da espera.

Dra. Sheila Wijayasinghe

Uma pesquisa americana recente abrangendo 1.200 organizações de saúde cravou em 18 minutos o tempo médio de espera desde que o paciente chega no consultório até quando entra na sala do médico. (No Brasil, você adivinhou, inexistem dados sobre o assunto.)

O efetivo desconforto da maioria dos pacientes em relação à perda de tempo começava a partir dos 16 minutos.

E com que consequências para o negócio?

As frustrações no tempo de espera dos pacientes poderiam erodir até 54% da base de pacientes em um ano – e isso sem contar os pacientes em potencial que irão buscar outras opções ao tomarem ciência das queixas dos que experimentaram os atrasos.

Uma outra pesquisa, também americana, não apenas confirmou os resultados da anterior, como jogou alguma luz sobre a surpreendente reação dos médicos diante do problema.

Pesquisadores da Advice, uma empresa que produz softwares de pesquisa na área médica, entre outras, consultaram médicos e pacientes sobre os atrasos nas consultas e vejam o que averiguaram:

Os pacientes

  • 97% se declaram frustrados pelo tempo de espera na consulta.
  • 72% ficam decididamente insatisfeitos entre os 16 e 35 minutos de espera
  • 41% cogitam mudar de médico por causa dos atrasos


Os médicos

  • 55% dos entrevistados disse que os pacientes passam por um tempo de espera maior que 20 minutos “com frequência”, e 61% dos médicos admitiu ter ouvido comentários negativos de seus pacientes sobre os tempos de espera.
  • 63% dos médicos acredita que o tempo de espera não têm impacto ou impacto mínimo em sua capacidade de reter pacientes
  • 64% dos médicos dizem que pacientes que chegam depois do horário marcado são geralmente o maior motivo dos atrasos.

“A arrogância do sucesso é pensar que o que você fez ontem será suficiente para o amanhã.”

A dicotomia é gritante, dilacerante até.

De um lado, os pacientes estão insatisfeitos com a espera e parcialmente inclinados a desistir dos seus médicos por conta disso. Do lado dos médicos, há informação sobre os atrasos, mas isso não os incomoda porque a culpa é dos pacientes e porque não vale a pena corrigir algo que em nada afeta o negócio.

O caro leitor, sente que tem coisa errada aí? Algo que não encaixa? Uma nota discordante? Um hipopótamo na sala?

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

O sujeito aí de cima é um tal de Smilodon, um gato de com dentes de sabre que viveu na América do Norte 13 mil anos atrás, quando os humanos apareceram por lá. E suspeito que ele deve ter pensado:

“Ora, eu já saquei que esses caras não gostam de mim. E daí? Isso não afeta o meu negócio. Para nada. E digo mais: se eu jantar uns quantos, a culpa será deles. Eu que sei das coisas. No meu pedaço mando eu”.

Deu no que deu.

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