Dor Crônica - by dorcronica.blog.br

Como medir a dor? Eis a questão.

Como medir a dor

O foco exclusivo da escala numérica de avaliação na intensidade da dor reduz a experiência da dor a uma única dimensão, o que não faz sentido para o portador de uma ou mais dores crônicas.  Além disso, pedir a este que classifique sua dor em uma escala que é ancorada por um estado sem dor (ou seja, 0) sugere que estar sem dor é uma meta de tratamento alcançável, o que pode contribuir para expectativas irreais de alívio completo.

“Um médico é obrigado a considerar mais do que um órgão doente, mais até do que o homem inteiro – ele deve ver o homem em seu mundo.”

– Harvey Cushing, neurocirurgião, pioneiro da cirurgia cerebral

Como saber o quanto uma escala numérica de dor pode afetar um tratamento? O Dr. John Markman, diretor do Translational Pain Research Program no Medical Center da University of Rochester analisou dados de pacientes com dor crônica que classificaram sua dor usando números numa escala de 0 a 10, em palavras, respondendo também à pergunta: “Sua dor é tolerável?”.

Surpreendentemente, três quartos dos pacientes que classificaram sua dor entre 4 e 7 na escala numérica, uma faixa que normalmente exige doses mais altas de medicamentos, também descreveram sua dor como “tolerável” – uma descrição que normalmente significa que não há mais tratamento para a dor.

“Se a dor do paciente for bem medida, um bom diagnóstico é muito mais provável. Por outro lado, um diagnóstico ruim geralmente significa um resultado ruim, não importa quão habilidoso seja o médico.”

Sabendo que os pacientes consideram sua dor tolerável, os médicos não necessariamente prescreveriam um medicamento com sérios riscos ou os exporiam à cirurgia”, diz Markman. Em vez disso, pode ser uma abertura para um clínico explorar o humor, a interrupção do sono ou a redução de certas atividades para controlar a dor.

As escalas de dor podem ser úteis para avaliar a dor aguda ou súbita de uma pessoa. No entanto, elas simplificam demais o processo de avaliação da dor. A dor crônica é multidimensional. Pode ter características e causas diferentes e afetar diferentes partes da vida de uma pessoa. Por isso, as escalas multidimensionais de dor até hoje são as mais úteis para avaliar a dor complexa ou crônica.

Se a escala de dor convencional não está funcionando bem para pacientes e médicos, qual é a alternativa?

Ferramentas multidimensionais para avaliação da dor usam números e palavras, mas são subutilizadas.

Alguns exemplos incluem:
Ferramenta de avaliação inicial da dor Ajuda o médico a obter informações da pessoa sobre as características de sua dor, a maneira como a pessoa expressa sua dor e como a dor está afetando a vida cotidiana da pessoa. Esta escala de dor inclui o uso de um diagrama em papel. Ele mostra um corpo onde as pessoas podem marcar o local de sua dor, além de uma escala para avaliar a intensidade da dor e um espaço para mais comentários.
Breve Inventário de dor (BPI) Esta ferramenta é muito rápida e simples para as pessoas usarem para ajudar a medir a intensidade da dor e a incapacidade associada. Inclui uma série de perguntas que abordam aspectos da dor sentida nas últimas 24 horas. Veja um exemplo desta ferramenta aqui.
Questionário de Dor McGill (MPQ) Esta é uma das escalas multidimensionais de dor mais utilizadas. Ele aparece em forma de questionário e avalia a dor de uma pessoa com base nas palavras que ela usa para descrever sua dor. Veja um exemplo desta ferramenta aqui.

As classificações numéricas são muito boas para detectar mudanças de um momento para outro em um paciente individual, por exemplo, quando o paciente se recupera em um hospital após a cirurgia. Mas eles podem ser muito pouco relevantes quando pacientes que vivem com dor crônica há vários anos visitam seus médicos para exames periódicos, ou devido a surtos de dor recorrentes. As escalas de dor multidimensionais, por sua vez, não captam plenamente a multidimensionalidade da dor, que somente o portador conhece e pode relatar, se bem conduzido pelo médico.

Se o paciente pudesse dizer ‘minha dor é tolerável quando estou fazendo isso, mas intolerável quando estou fazendo aquilo’, e como isso se dá no contexto da vida desse paciente, é o que os médicos realmente precisam saber. Usar palavras para descrever a dor traz maior especificidade para a medição da dor. A consulta com um profissional de saúde fica muito mais focada, facilitando o diagnóstico.

Um artigo de Patti Neighmond, jornalista correspondente da National Public Radio (NPR), uma organização de comunicação social americana, dá conselhos para o paciente que for conversar com seu médico sobre sua dor.

  • Seja descritivo: use metáforas e memórias. Você pode ajudar os médicos a entender o quão debilitante é sua dor sendo mais descritivo. “Tudo bem ser um pouco mais floreado na descrição da dor”, diz Jeter. “Minha dor está doendo, queimando. Qual é a sensação para você? Onde está? Ela se move?”
  • Faça comparações/analogias. Compare sua dor atual com a pior dor que já teve, como parto ou cálculos renais. Isso ajuda a contextualizar sua dor, e pode ajudar a perceber que a dor atual pode não ser tão ruim assim.
  • Descreva seu dia. Pode ser útil falar sobre como sua dor aumenta e diminui ao longo do dia. Por exemplo, a dor ocorre principalmente quando você come, caminha ou faz certas atividades?
  • Fale sobre a função, não sobre o sentimento. Seja claro sobre como sua dor interfere nas atividades diárias, como sair da cama cedo, vestir-se, sentir-se cansado ou não gostar mais de sair com os amigos. Pensar em função é fundamental: a medida mais precisa da dor pode ser o que ela impede os pacientes de fazer. Por exemplo, se um paciente não consegue mastigar ou falar, andar ou se exercitar, isso pode ser mais perturbador para ele do que a dor.
  • Compartilhe seu histórico de tratamento. Descreva a história da dor, a localização, há quanto tempo está doendo e quais fatores parecem agravá-la ou ajudá-la a melhorar. Compartilhe outros tratamentos que você procurou, como acupuntura, massagem e certos medicamentos. “Deixe o médico saber o que você fez e se foi eficaz.”
  • A história familiar também é importante, especialmente quando você considera que grande parte da sensibilidade à dor de um indivíduo é herdada. Se seus pais eram altamente sensíveis à dor, é provável que você também seja.

Um diálogo como esse pode não apenas sugerir como aliviar a dor, mas também ajuda a precisar os objetivos do tratamento face a situação da pessoa. Às vezes, faz mais sentido contornar a dor, ensinando a pessoa a conviver com ela, do que tentar eliminá-la por completo.

Baseado em “Words Matter When Talking About Pain With Your Doctor”, de Patti Neighmond.

Cadastre-se E receba nosso newsletter

Veja outros posts relacionados…

nenhum

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

CONHEÇA FIBRODOR, UM SITE EXCLUSIVO SOBRE FIBROMIALGIA
CLIQUE AQUI
Preencha e acesse!
Coloque seu nome e e-mail para acessar.
Preencha e acesse!
Você pode baixar as imagens no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
ATENÇÃO!
Toda semana este blog publica dois artigos de cientistas e dois posts inéditos da nossa autoria sobre a dor e seu gerenciamento.
Quer se manter atualizado nesse tema? Não duvide.

Deixe aqui seu e-mail:
Preencha e acesse!
Você pode ver os vídeos no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o mini-ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas
Preencha e acesse!
Você pode ler o ebook no blog gratuitamente preenchendo os dados abaixo:
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas