Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

Como fica o futuro para os sobreviventes da Covid-19?

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Para a maioria de nós, ainda é uma incógnita o que o coronavírus pode nos causar se formos infectados e isso certamente é muito angustiante. Mas, o que dizer dos sobreviventes? Aos poucos surgem evidências de que para alguns deles a saúde vai virar uma montanha russa no futuro, se sentindo melhor um dia, e totalmente debilitados e com dores no dia seguinte. Este artigo é sobre as diversas sequelas que já é possível esperar da Covid-19.

“O que é normal com a Covid-19? Nada.”

Anthony T Hincks

Autor: Julio Troncoso

Supunha-se que os coronavírus (CoV) estivessem associados a infecções leves do trato respiratório superior, como resfriado comum. Essa percepção mudou no tempo devido à ocorrência da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) causada pelo SARS-CoV em 2002 e da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS) causada pelo MERS-CoV em 2012, ambas induzindo uma pneumonia viral grave epidêmica com potencial insuficiência respiratória e inúmeras manifestações extrapulmonares. O novo coronavírus, SARS-CoV-2, também é um patógeno causador de pneumonia viral grave com risco de progressão para insuficiência respiratória e manifestações sistêmicas.1

No entanto, na medida que a pandemia progride, está ficando mais claro que certas síndromes podem desenvolver ou desencadear doenças crônicas em pessoas afetadas com alguma severidade pela Covid-19. As que foram hospitalizadas e superaram a doença provavelmente terão de lidar depois com algumas consequências derivadas da infecção.

E as que se trataram em casa, até certo ponto também. Estima-se que 40 a 45% das pessoas com Covid-19 podem ser assintomáticas e outras terão uma doença leve, sem sintomas duradouros. Porém, uma parcela nada pequena de pacientes do Covid-19 irá descobrir que a recuperação leva muito mais tempo do que as duas semanas que a Organização Mundial da Saúde projeta para pessoas com casos leves. (Para casos graves ou críticos a projeção é de três a seis semanas de recuperação.)

Sobre esta parcela de pacientes, o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, por exemplo, assume que 45% precisarão de cuidados médicos contínuos, 4% precisarão de reabilitação hospitalar e 1% precisarão permanentemente de cuidados agudos. Mas para algumas pessoas, uma recuperação completa ainda pode levar anos. E para outras, pode não haver retorno ao normal.2

Contudo, vale destacar alguns pontos tranquilizadores:

  • as sequelas mais prolongadas são observadas em pessoas com versões severas da doença;
  • boa parte dessas sequelas se assemelham às deixadas por outras mazelas respiratórias agressivas, tais como fraqueza muscular, danos neurológicos e déficits cognitivos; e
  • ainda não é sabido se os abalos na saúde são permanentes.


Até o momento, sabe-se das seguintes 8 sequelas possíveis da Covid-19:

Diabetes

Já foram relatados casos de pessoas que apresentaram espontaneamente essa doença após serem infectadas. De acordo com um artigo publicado na revista Nature, isso ocorre porque o vírus SARS-CoV-2 pode destruir células beta, responsáveis ​​pela produção do hormônio insulina no pâncreas, desencadeando o aparecimento do diabetes tipo 1.3

Insuficiência Respiratória

Exames de raios X mostram que pacientes recuperados de hospitalização com a Covid-19 começa a aparecer uma nova condição pulmonar pós Covid-19.

“Há uma pequena proporção de pacientes que ficarão com doenças pulmonares crônicas como resultado do Covid e necessitarão de tratamento.”

Prof James Chalmers. Ninewells Hospital & Medical School, Escócia

Insuficiência Renal

Existem vários vírus “capazes de afetar as células beta do pâncreas, que são as que produzem insulina. Portanto, quando há uma inflamação do pâncreas, que pode ser leve, esses vírus danificam esses tipos de células “. Por esse motivo, ele disse que “é provável que, a longo prazo, uma resistência à insulina ou uma falha na produção de insulina se desenvolvam naquele paciente devido aos danos causados ​​pelo vírus”.4

Médicos chineses analisaram o sangue de 34 sobreviventes da Covid-19 e descobriram que, independentemente da gravidade da doença, após a alta hospitalar dos pacientes recuperados, muitas medidas biológicas “não retornavam ao normal”. As medidas mais preocupantes sugeriram insuficiência hepática em andamento.5

A China Relatório revela dano colateral da Covid-19: um em cada cinco pacientes deixa a UTI com insuficiência renal aguda.6

“Estamos vendo que os pacientes sofrem de lesão renal aguda moderada a grave em cerca de 20 a 30% dos pacientes e 30% dos pacientes admitidos em terapia intensiva para infecção por Covid estão necessitando de diálise, portanto os números são muito maiores do que planejamos com base nos dados que saem da China”.

Dra. Samira Bell, nefrologista e especialista em rins

Insuficiência Cardíaca

Autópsias da Covid-19 encontraram pequenos coágulos sanguíneos nos pulmões. Há também relatos de pessoas relativamente jovens, entre 30 e 40 anos, que estão sofrendo derrames após serem infectadas com o novo coronavírus. (Derrames são frequentemente causados ​​por coágulos sanguíneos que se libertam e viajam para os vasos no cérebro.) Não é incomum que pacientes na UTI experimentem coágulos sanguíneos, mas o nível de coagulação com Covid-19 parece inédito. Um estudo recente da Holanda, publicado na revista Thrombosis Research, descobriu que dos 184 pacientes com Covid-19 na UTI, 31% experimentaram algum tipo de problema de coagulação.7

Problemas Neurológicos

Neurocientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor) e da Queen’s University (Canadá) publicaram um artigo em abril, indicando que a Covid-19 pode afetar o sistema nervoso central e prejudicar o funcionamento do cérebro a longo prazo. O estudo foi publicado na revista Trends in Neurosciences.

Alterações neurológicas e da imagem cerebral, incluindo encefalite – uma inflamação cerebral que pode causar alterações graves no funcionamento do cérebro no futuro – já foram descritas em pacientes internados com a doença. Os efeitos podem favorecer o desenvolvimento de Alzheimer, Parkinson e outros distúrbios neurodegenerativos ou neurológicos. Pesquisas recentes na China e na França também identificaram nos pacientes com a Covid-19 sintomas como desorientação, confusão mental, perda de memória e agitação.8

Síndrome da Fadiga Crônica

Normalmente confundida com a fibromialgia, esta condição é caracterizada por falta de ar e cansaço ao realizar tarefas diárias, como inclinar-se, subir uma escada ou caminhar para outra sala.

Síndrome inflamatória multissistêmica

Os primeiros relatos sobre a ocorrência de síndrome inflamatória multissistêmica em crianças começaram a aparecer no Reino Unido, no último mês de abril. Todavia, casos parecidos também foram descritos em outros países, como Espanha, França e Estados Unidos (EUA) a posteriori. De acordo com informações divulgadas, o quadro clínico da Covid-19 em pediatria foi assinalado pela presença de síndrome inflamatória multissistêmica, com manifestações clínicas similares às da síndrome de Kawasaki típica, Kawasaki incompleta ou síndrome do choque tóxico.9

Trata-se de uma “hiperrreação imune” do corpo ao novo coronavírus, que ocorre três a quatro semanas após a infecção. A síndrome é parecida à “doença de Kawasaki”, apresentando um quadro inflamatório que afeta todos os órgãos. Embora o prognóstico seja favorável se consultado em tempo hábil antes do aparecimento dos sintomas (como erupção cutânea, febre, dor intestinal, diarreia e vômito), as crianças que sofrem com isso, em geral, devem ser tratadas em unidades de terapia intensiva.

Perda de Olfato e Paladar (Anosmia ou Hiposmia)

Pesquisadores da Harvard School of Medicine usaram dados de cerca de 18.000 participantes que foram testados para SARS-CoV-2 para entender quais sintomas eram mais comuns naqueles que tiveram resultado positivo.10 A perda de paladar e olfato foi relatada por dois terços dos respondentes.

Um outro estudo realizado em hospitais europeus que acompanhou mais de 300 pacientes com Covid-19 com disfunção do olfato, constatou que a persistência desse distúrbio continuou em mais de 60% dos casos após a resolução dos outros sintomas, mas a 70% deles conseguiram recuperá-lo após oito dias. De qualquer forma, é um assunto que está sendo estudado, pois é necessário um acompanhamento a longo prazo para esses pacientes.11

O novo coronavírus é capaz de atacar células importantes do nariz, o que pode explicar a razão pela qual alguns pacientes com Covid-19 perdem olfato e paladar, segundo pesquisa da Escola de Medicina de Harvard. O estudo com dados genômicos de humanos e camundongos revelou que certas células na parte posterior do nariz abrigam as proteínas de formato distinto que o coronavírus tem como alvo quando invade o organismo. A infecção dessas células pode direta ou indiretamente alterar o olfato.12

Embora essas sequelas podem afetar pessoas que foram internadas em UTI, ligadas à ventilação mecânica, é possível que também afetem pacientes que não foram intubados ou que se trataram em casa. Esses problemas também podem durar vários meses e deflagrar outras condições crônicas. É essencial que os pacientes com Covid-19 que recebem alta – dos mais graves aos que não foram hospitalizados – realizem atividades de recuperação supervisionados por profissionais da saúde.

Fonte: Emol.com

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