Dor Crônica - by dorcronica.blog.br

Como escolher um especialista em dor?

Como escolher um especialista em dor?

Os médicos especialistas no manejo da dor podem ser o médico principal a tratar do paciente ou um consultor para outros colegas médicos, especialistas em dor ou não. Usando uma abordagem multidisciplinar para o tratamento da dor, esse profissional recorre aos campos da anestesiologia, psiquiatria e neurologia. Atualmente, porém não há limites bem definidos para o campo da medicina da dor que a diferencie de outras especialidades médicas. Por tal motivo, e também porque a especialização em dor é ainda pouco aceita pela medicina clínica, o paciente enfrenta uma jornada dura se quiser consultar um médico qualificado nesse campo.

Este é o terceiro capítulo de uma série de 6, que informa sobre os temas seguintes:

“A excelência nunca é um acidente. É sempre o resultado da melhor escolha dentre muitas alternativas – a escolha, não o acaso, determina o destino.”

– Aristóteles

Este post é o terceiro da série

Autor: Julio Troncoso, PhD

Primeiro, você quer alguém que o leve a sério. Seu médico precisa acreditar que sua dor, fadiga e transtornos emocionais são reais e estar disposto a tentar fazer algo a respeito.

Como seu tratamento pode envolver mais de um profissional de saúde, você também vai querer um médico que seja bem versado no complexo mundo da dor – e da dor crônica especialmente, se você tiver sentido dor mais ou menos persistente nos últimos 3 meses  – para supervisionar tudo: medicamentosfisioterapianutriçãoacupuntura, controle do sono e biofeedback, por exemplo.

Lembremos que a dor crônica pode estar associada a outras doenças, incluindo fibromialgia, síndrome do intestino irritáveldores de cabeça e dores na mandíbula. O médico escolhido deve saber como lidar com isso ou se relacionar bem com outros profissionais capazes de dar um atendimento mais adequado.

Como você chega num “médico especializado em dor”?

No Brasil? Com muita dificuldade.

Em primeiro lugar, o ecossistema do paciente com dor é inóspito.

Vejamos. Universalmente, recomenda-se os seguintes 7 passos, mas quem se animar a dá-los não terá vida fácil:
Pergunte ao seu médico.Chances 1 em 100 que ele ou ela conheça Medicina da Dor.
Procure grupos de apoio à dor.Quais? Você conhece algum; um só, que seja?
Pergunte sobre os serviços e tratamentos oferecidos.A recepcionista da unidade do SUS ou a de uma clínica privada vai lhe informar? Ainda nesse ano?
Veja credenciais e experiência.Como? Ligando para uma secretária eletrônica?
Pergunte sobre as opções de telemedicina.“Opções” no plural? Eu não conheço uma.
Verifique a cobertura do plano médico ou seguro e as opções de pagamento.Portadores de doenças e/ou dores crônicas dão prejuízo. Melhor perder o tempo lendo o contrato.

Em segundo lugar, o paciente com dor – com dor crônica, em especial – teoricamente pode consultar qualquer médico, uma vez que a dor é o que faz 8,5 pacientes em 10 procurar um médico, certo?

Errado. Os médicos não estudam “manejo da dor” na faculdade e tampouco são muito chegados em pacientes que os consultam se queixando de dor sem, contudo, ostentar uma lesão bem concreta.

Portanto, convém o paciente com dor se informar bem e oportunamente sobre o tipo de profissional que vai consultar.

Enfim, dependendo de muitos fatores, o médico de cuidados de saúde primários – ou médico de atenção básica, no léxico do SUS – aquele que você consulta primeiro quando tem dor – irá encaminhá-lo para um colega com atuação em uma das 55 especialidades médicas filiadas à Associação Médica Brasileira (ex.: ortopedista, oncologista, reumatologista etc.). Ou você mesmo também pode ligar para marcar uma consulta diretamente.

Nesse ponto, cuidado. Convém lembrar da Lei de Murphy: “O que começa errado, dará errado”. Isso porque atualmente sobram evidências de que a causa da dor nem sempre está relacionada ao local onde ela é sentida. Ou seja, se você sente dor lombar ou nas juntas, que integram o sistema musculoesquelético, parece lógico consultar um ortopedista. Porém, pode ser uma pista falsa e o problema ser renal, ou até emocional. E nesse caso, você arrisca ficar meses ou anos tentando desentortar a cobra quando, de fato, um médico especialista no manejo da dor teria sido o profissional mais adequado a consultar logo de cara. Isso, claro, desde que ele ou ela fosse mesmo especializado na matéria. (Quanto as qualificações requeridas, veja post anterior).

Médicos Especialistas no Manejo da Dor

Eles vêm de uma variedade de campos, incluindo medicina interna, neurologia, cirurgia ortopédica e psiquiatria. Uma clínica de dor também pode ter uma equipe de fisioterapeutas, enfermeiras e terapeutas ocupacionais para ajudar a tratar seus sintomas gerais.

Profissionais de Saúde na Medicina da Dor (Médicos e outros)

Médico de atenção primária

O médico de Atenção Básica, lotado numa unidade do SUS ou numa clínica privada, mesmo não sendo especializado em dor, deveria ter algum conhecimento da matéria para discernir sobre o encaminhamento mais adequado. Mas certamente não é uma primeira opção.

Reumatologista

Esses médicos são especializados em doenças musculoesqueléticas e autoimunes, como artrite e got . Embora a fibromialgia não seja uma forma de artrite e não cause inflamação ou danos às articulações, músculos ou outros tecidos, os sintomas que alguém com fibro sente são semelhantes.

O que eles tratam? Doenças reumáticas, incluindo artrite, osteoartrite, artrite reumatoide, gota e tendinite, que podem causar dor, inchaço e rigidez nas articulações, músculos e ossos. Os tratamentos podem incluir medicamentos ou injeções anti-inflamatórias ou bloqueadoras da dor nos tendões ou articulações.

Especialistas ortopédicos e cirurgiões

O que eles tratam? Lesões e doenças que afetam o sistema musculoesquelético, o que inclui ossos, articulações, ligamentos, tendões e músculos. Muitos se especializam em certas partes do corpo, como quadris, joelhos e ombros. Assim que diagnosticarem sua lesão ou distúrbio, eles criarão um plano de tratamento que pode incluir medicamentos. Eles também podem recomendar exercícios (ou encaminhá-lo a um fisioterapeuta) para ajudar a restaurar o movimento, a força e a função do seu corpo e ensiná-lo a prevenir outros problemas. Eles são treinados como cirurgiões, portanto, se a cirurgia for necessária, eles podem fazê-lo.

Médicos Osteopatas

Embora sejam semelhantes aos médicos (os osteopatas americanos também frequentaram a faculdade de medicina, mas têm DO após seus nomes em vez de MD). No Brasil há muitos osteopatas trabalhando normalmente que são fisioterapeutas. Eles recebem treinamento extra no sistema musculoesquelético, que inclui nervos, músculos e ossos.

Fisiatras ou médicos de reabilitação

Um tipo de médico hábil no tratamento da dor é o fisiatra – pronuncia-se fizz-EYE-a-trist – que não deve ser confundido com um podólogo ou psiquiatra. Treinados em medicina física e reabilitação, os fisiatras são altamente qualificados no diagnóstico e tratamento de dores agudas, dores crônicas e distúrbios musculoesqueléticos.

O que eles tratam? Lesões e condições que afetam a maneira como você se move. Eles diagnosticam e tratam a dor relacionada aos nervos, músculos e ossos, incluindo túnel do carpo, dor no pescoço e nas costas, lesões esportivas e de trabalho, hérnia de disco, artrite, nervos pinçados e concussões sem o uso de cirurgia. Esses médicos também tratam a dor pós-operatória.

Os fisiatras são médicos especializados em medicina física e reabilitação, com especial interesse nas doenças musculoesqueléticas. Alguns fisiatras possuem treinamento avançado em Manejo Intervencionista da Dor (IPM). IPM é uma área da medicina dedicada ao diagnóstico e tratamento de distúrbios relacionados à dor.

Fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais

Esses profissionais trabalham com pessoas em recuperação de lesões ou cirurgias. Os fisioterapeutas podem usar massagemalongamento, calor, gelo e exercícios para ajudar a aliviar a dor e aumentar a mobilidade. Frequentemente, eles cumprem prescrições de médicos e fisiatras.

Acupunturistas

Os acupunturistas são treinados para trabalhar com uma ampla gama de condições que causam dor, incluindo dores de cabeçador nos joelhosdor lombar, dor no pescoço, ciática, entorses e osteoartrite. Eles inserem agulhas muito finas em pontos específicos do corpo, que promovem o alívio ou, eventualmente, a cura.

Quiropráticos

Dor nas costas é um motivo comum para as pessoas procurarem quiropráticos, mas esses especialistas tratam a dor de todos os tipos de doenças, lesões e acidentes – até mesmo dores de cabeça crônicas. Eles não prescrevem remédios, mas usam técnicas práticas para oferecer alívio. Apesar de existir no Brasil uma Associação Brasileira de Quiropraxia, os quiropraxistas são pouco comuns no país, se comparando com os Estados Unidos. Em 2021, a Justiça Federal proibiu o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) de oferecer titulações ou especializações referentes à quiropraxia.

Nem todos os médicos de controle da dor fornecem os mesmos serviços de tratamento da dor. Alguns se concentram no tratamento de apenas um tipo de condição, enquanto outros podem oferecer uma variedade de tratamentos, dependendo do que está causando o desconforto do paciente. É importante entender isso antes de escolher qual médico será mais adequado para lidar com seu cuidado.

Não perca os temas abordados pela série a serem publicados nas próximas semanas:

A série de posts foi revisada pela Dra. Luci Mara França, vice-presidente da SBED – Sociedade Brasileira do Estudo da Dor.

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